SATÉLITES                    

 

NA MIRA DOS SATÉLITES

 

O monitoramento por satélite já permite controlar as atividades clandestinas dos homens nas profundezas da floresta. Já dá para chegar aos lugares mais escondidos da Amazônia através de radares e sensores aerotransportados que, ligados a um satélite, oferecem imagens nítidas dos prejuízos que os homens provocam na natureza. No Brasil, o equilíbrio ecodinâmico da floresta tropical está ameaçado por várias atividades humanas. Entre elas três principais: desmatamento, incêndios florestais e queimadas. Tudo isso poder se monitorado através de satélites e a posterior verificação no campo. É exatamente isso que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) quer fazer através de um projeto de sensoriamento remoto, no dentro do Programa Piloto para a proteção das Florestas Tropicais no Brasil.

 

SATÉLITES

 

Colonialismo atinge também a tecnologia

 

“O problema que se enfrenta na Amazônia é a falta de metodologia no trabalho com as informações sobre a própria região, como no caso do sensoriamento remoto (recepção de imagens transmitidas regularmente por um satélite), que é uma ciência nova”. Quem afirma isso é o coordenador do centro de Hidroclimatologia e Sensoriamento Remoto da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, Evaldo Guilherme Martins César. É por isso que as informações sobre focos de incêndioutilizadas pelo instituto Brasileiro de Meio Ambiente e recursos Naturais Renováveis (Ibama) no combate às queimadas são fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que por sua vez, as obtém através de imagens transmitidas pelo satélite Noaa.

Os paulistas estão melhor informados sobre os problemas que atingem a Amazônia do que os amazônidas.

Evaldo Cezar afirma que isso acontece porque o Inp e possui equipamento e pessoal para trabalhar com as imagens  do Noaa, condições que não existem no Centro mantido pela Sudam. Para Cezar, a maior dificuldade não é o equipamento, mas a qualificação da mão-de-obra. Outro detalhe citado pôr ele é a falta de estudos de sensoriamento voltados especificamente para a Amazônia – a “metodologia” a que se refere.

Isso acontece, não pôr incompetência dos profissionais paraenses, mas principalmente pelo fato de o sensoriamento remoto ser uma ciência bastante nova.

Diferença – o coordenador do Centro cita a diferença entre as informações disponíveis sobre São Paulo e a Amazônia: “é mais fácil você fazer sensoriamento remoto sobre o volume de água do Rio Tietê, pôr exemplo, uma vez que a metodologia para isso, do que para o Rio Amazonas, que tem um volume de água maior, o que já é uma grande diferença. Para você Ter uma idéia da necessidade de aprofundamento dos estudos nessa área, eu só conheço uma pessoa, no Brasil, que trabalha com balanço hídrico ( informações diversas sobre características de rios ) além de mim: um pesquisador do Rio Grande do Sul.

Apesar de trabalhar com informações de três satélites ( os norte americanos GOES e Landsat e o francês SPOT ), o Centro só recebe dados através de sensoriamento remoto do satélite GOES, que está 36 mil quilômetros de distância do planeta, em quanto Landsat e o SPOT estão numa órbita situada a 820 quilômetros da Terra. Do Landsat e do SPOT, o centro recebe fitas com dados para a elaboração de balanços hídricos.

Tecnologia – o Centro de Hidroclimatologia surgiu em maio de 1977, com a finalidade de executar o Projeto de Hidrologia e Climatologia da Amazônia, ou seja, fazer coleta, organização e interpretação de informações relacionadas à bacia hidrográfica e às variações climáticas nos mais diversos pontos da região amazônica. A partir de 1979, o Centro passou a utilizar o sistema de telemetria ( informações fornecidas pôr satélite através de fitas ), introduzindo o uso desse recurso no estudo das peculiaridades da região. O último recurso tecnológico adotado pelo Centro foi i sistema de sensoriamento remoto em setembro de 1987.

É pôr isso que o fato de o sensoriamento remoto ser uma ciência bastante nova – passou ser utilizada em 1972, com o lançamento do satélite Landsat, aliado a exist6encia de poucos pesquisadores brasileiros, e principalmente paraenses, nessa área, faz com que “toda a informação sobre a Amazônia esteja em São Paulo” – mais uma prova do colonialismo de São Paulo sobre a Amazônia, especialmente considerando-se que “o paraense até hoje não percebeu a import6ancia do domínio da informação a seu respeito, permitindo, ao mesmo tempo, a sua própria exploração e o surgimento das já conhecidas idéias feitas sobre a região, que quase nunca correspondem à realidade, como é o caso da expressão pulmão do mundo”.

Centralização – o monopólio da informação fornecida pôr satélite não é um problema enfrentado apenas pelos amazônidas, pois os demais países da América do Sul estão em situação bem pior: todas as informações sobre a parte meridional do continente americano estão centralizadas numa estação localizada na cidade de Cuiabá, no estado do Mato Grosso. De acordo com a avaliação feita pôr Evaldo Cezar, a estação de Cuiabá concentra 90% das informações disponíveis, em termos de satélite, sobre toda a América do Sul. Os 10% restantes são justamente as informações relativas à região amazônica, divididas entre a Sudam e o Inpe.        

  

 

SATÉLITES             

 

1- Texto Flagrante via satélite            

 

O desmatamento da Amazônia sempre foi uma vergonha nacional sem rosto. Há duas décadas, quando satélites começaram a cruzar o espaço acima das árvores e fotografar, a cada quinze dias, o panorama da floresta, se sabe que a Amazônia está sendo devorada em grandes nacos. O ritmo da destruição flagrada pelas fotos mostra que por ano, em média, desaparece a cobertura vegetal de uma área equivalente a metade do Estado de Alagoas. São medições muito precisas e inquestionáveis. O levantamento feito do espaço, porém nunca pôde responder à perguntar crucial: quem são os responsáveis pelos focos de destruição? Na semana passada, pela primeira vez desde que a devastação sistemática da província ecológica mais rica do planeta começou a tirar o sono do mundo, as autoridades brasileiras puderam localizar os culpados. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis já tem em mãos o nome dos dez maiores desmatadores do ano passado. "De agora em diante será possível identificar e responsabilizar individualmente os grande agressores da floresta", diz Rodolfo Lobo, chefe do Departamento Nacional de Fiscalização do Ibama. Para fazer esse cadastro dos destruidores da mata, o Ibama teve de cruzar dados de diversas fontes. Foi uma operação em três fases. Na primeira, o Centro de Sensoriamento do órgão analisou as fotos do satélite Landsat e identificou nelas as áreas desmatadas com mais de 1 000 hectares, equivalentes a 1 200 campos de futebol. Como não tiveram acesso integral aos levantamentos mais antigos, os técnicos se fixaram sobre as glebas desmatadas mais recentemente, entre 1997 e 1998. O tamanho de 1 000 hectares foi escolhido porque todo desmatamento dessa dimensão ou maior só pode ser feito com um relatório de impacto no meio ambiente, Rima. A segunda etapa foi sobrepor as fotos do satélite aos mapas locais das regiões onde foram encontradas as áreas desmatadas. Isso permitiu saber em que município estão localizadas as fazendas. A terceira e última foi a fase mais complexa. Com as imagens e mapas na mão os técnicos do Ibama foram a campo descobrir os fazendeiros responsáveis pelo corte ilegal de árvores. A partir dos dados de latitude e longitude das áreas desmatadas, fornecidos pelo cruzamento das fotos de satélite com os mapa locais, os fiscais foram para o corpo- a- corpo. Essa última etapa do levantamento foi acompanhada pelos repórteres de Veja. Equipados com GPS, instrumentos de navegação via satélite, os fiscais checaram cada um dos pontos indicados pelas coordenadas geográficas das fotos feitas do espaço. Só assim foi possível descobrir o nome das fazendas e de seus proprietários.

 

 SATÉLITES                             

 

Incêndio atinge castanhal no Pará

 

Em 9 de setembro de 1998 começaram a surgir na fazenda Bamerindus, no sul do Pará, os primeiros focos de fogo dentro da maior reserva ecológica de castanheiras do Estado. Invasores, que já haviam aberto clarões dentro da floresta, começaram a fazer suas queimadas, segundo o superintendente do Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária) em Marabá, Vitor Hugo da Paixão Melo. Técnicos do Ibama foram ao local  para tentar avaliar as proporções do  perigo e a possibilidade de acionar a equipe do Prevfogo. Melo estimou que existiam mais de 500 focos de desmatamento dentro do castanhal de 28 mil hectares. "Pessoas inescrupulosas querem se aproveitar desta época de queimadas", disse Melo. A Polícia Federal suspeitou da ação de madeireiros e invasores. Sensíveis ao fogo, as castanheiras podem morrer somente com o calor das queimadas, facilitando a autorização para a retirada das árvores. Além das 1.200 famílias assentadas, cerca de 800 invasores, segundo estimativa do Incra, vivem na Bamerindus. Melo pretende inicias hoje, com o auxílio da Polícia Federal, o remanejamento destes invasores. Desde o final de julho, técnicos do Ibama , Incra e agentes da Polícia Federal estavam no local tentando evitar que as queimadas cheguem à reserva. Durante as últimas semanas, técnicos e assentados usaram tratores e pás para fazer os aterros que evitam a propagação do fogo das pastagens para a floresta. Cerca de 20 mil hectares de pastagem já foram queimadas, mas não alcançaram a reserva. O satélite NOOA registrou 1.711 focos de calor no Pará nos primeiros oito dias daquele mês. Somente em 9 de setembro, foram 558 focos. O número de focos  de calor em agosto daquele ano foi cerca de 20% maior que no mesmo período do ano anterior, chegando a 6.717 focos. Na semana, Ibama e GTA (Grupo de Trabalho Amazônicos) fecharam os cursos sobre queimadas controlada para pequenos produtores. Foram treinadas 14,5 mil lidares. Apesar das nuvens de fumaça, os aeroportos da região operaram normalmente .

 

Espírito Santo

 

Um incêndio na reserva biológica federal de Sooretma, no Espírito Santo, que começou anteontem, destruiu cerca de 20 hectares da área de 24mil hectares até o final da tarde de ontem. O acesso ao local, segundo o Ibama, é precária. Bombeiro de municípios vizinhos como são Mateus, Linhares e Jaguaré sobrevoaram o local ontem, mas não conseguiram descer para a pagar o fogo por se tratar de mata fechada. A hipótese mais provável para o inicio do incêndio, de acordo com o Ibama, é ação de caçadores.

 

SATÉLITES                               

 

Número de queimadas aumentou em 145%

 

O número de queimadas no país aumentou 145% em junho 1998 em relação ao mesmo período do ano anterior. A seca naquele ano, que se estendeu até setembro na maior parte do território nacional  pôs em estado de alerta todo o Prevfogo, serviço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que monitora as queimadas e incêndios por  satélite, informou a Agência O Globo. Entre junho e julho do ano de 1997, os satélites registraram 4.401 focos de queimadas e princípio de incêndios. Entre junho e julho de 1998, foram registrados 10.805 focos, de acordo com o Prevfogo. Agosto também  foi um mês de aumento nas estatísticas,  só nos primeiros três dias do mês foram registrados 1.611 focos. Segundo os técnicos da área de meio ambiente, quando mais o Governo resolver o problema social da reforma agrária, assentando famílias, maior é o número de queimadas, utilizadas pelos colonos como técnica agrícola devido à dificuldade para comprar equipamentos e à falta de esclarecimento. Os estados com áreas compreendidas pelo chamado arco do desflorestamento, principalmente na Amazônia, tem registrado maior número de focos de queimadas e incêndios. Nos meses de junho e julho de 1998, foram detectados 5.523 focos só no estado do Mato Grosso, o que representou mais da metade das ocorrências no país.

 SATÉLITES                     

 

NOAA Controlará queimada no País

 

Inpe entrou para rede internacional, enquanto aguarda o lançamento de satélite

 

A coleta de dados ambientais em pontos estratégicos do território brasileiro e da América do Sul não será mais comprometida em função do término da vida útil do satélite SCD-1 ou pelo fracasso do lançamento do segundo satélite de fabricação nacional, o SCD-2A. O Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (Inpe) garantiu a continuidade desse serviço com a assinatura de um contato com a empresa francesa CLS Argos, responsável pela comercialização de dados dos satélites NOAA12 e NOAA14. Esses satélites possuem um transponder que funciona na mesma freqüência do satélite brasileiro SCD-1. Dessa forma, todas as 200 plataformas de coleta de dados (-PCDs) atualmente em operação no país poderão utilizar o serviço de transmissão efetuado pelo sistema Argos", explicou o diretor geral do Inpe, Márcio Nogueira Barbosa. O Inpe já vem utilizando os serviço dos satélites do sistema Argos há mais de dez anos na área de imageamento e identificação de focos de queimadas nas florestas da região amazônica. Para poder acessar os serviços da coleta de dados dos satélites e de localização geográfica de bóias científicas no Oceano Atlântico, o Inpe pagaria R$254 mil por ano. A idéia inicial do Instituto, segundo o diretor Márcio Barbosa, era a de antecipar o lançamento do satélite SCD-2, previsto para maio de 1998, para o mês de março, mas as negociações com a Nasa (Agência Espacial Americana) não deram certo. "Na programação Nasa existiam três lançamentos de satélites na nossa frente, cujas datas não poderiam ser alteradas", comentou. O satélite será lançado a partir da base do Kennedy Space Denter, na Flórida. O equipamento  foi montado e testado pelo Inpe. Segundo Barbosa, a campanha de lançamento e testes finais do satélite teve início em abril. O Brasil também tem a possibilidade de integrar uma rede internacional de coleta de dados ambientais, baseada na experiência francesa com os satélites do sistema Argos. O projeto do satélite SCD-3, por exemplo, cujo desenvolvimento será feito por um consórcio de empresas que estão sendo escolhidas através de concorrência pública, poderá ser adaptado para operar com sistemas compatíveis ao da rede internacional de coleta de dados.em dezembro de 1997 seria  a abertura do envelope técnico da concorrência do SCD-3. Participaram da concorrência os consórcios liderados pelas empresas Avibrás e Tectelcom. A Rede Internacional de Coleta de Dados Ambientais, segundo Barbosa, está sendo articulada pelo Japão, Estados Unidos e França. O início de suas operações está previsto para meados do próximos anos. Atualmente, apenas os satélites do sistema Argos oferecem serviços de coleta de dados ambientais. Até o final do ano, porém, o Japão esperava lançar com sucesso o satélite Adeos-2. Os serviços de coleta de dados ambientais, de acordo com Barbosa, vêm se revelando um excelente negócio no campo espacial. "A CLS- Argos arrecada perto de US$20 milhões por ano com a venda desses serviços", revelou. No Brasil, segundo o diretor, esse valor mais do que paga o custo de desenvolvimento de um satélite. "Podemos criar no país uma empresa para fazer parte dessa rede internacional e comercializar os dados dos nossos satélites para o mundo inteiro", disse.

 

SATÉLITES           

 

Pará é recordista em desmatamento da Amazônia

 

No ano de 1991, foram derrubados 3.780 km2 florestas no Estado, um terço de toda região

 

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - Em 1991, foram derrubados 3.780 quilômetros quadrados de florestas no Estado do Pará um terço da área desmatada em toda a Amazônia brasileira, no mesmo período (11.130 Quilômetros quadrados). Com isso, o Pará ainda é o Estado recordista em desmatamentos, mas segue a tendência geral de queda no ritmo das derrubadas. A tendência também vale para o Mato Grosso, Rondônia e Maranhão, em segundo, terceiro e quinto lugares no ranking dos desmatamentos. O quarto lugar no ranling é do Amazonas, um dos poucos Estados a apresentar aumento na taxa anual de derrubadas. Em 1991, foram desmatados 980 quilômetros quadrados, quase o dobro do que os amazonenses derrubaram em 1990. Os outros Estados onde houve aumento dos desmatamentos são Roraima e Amapá. No Amapá, os desmatamentos crescem ano a ano: em 89 foram 130 quilômetros quadrados, em 90 outros 250 e em 91 mais 410 quilômetros quadrados. O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Márcio Barbosa, observa que os números do Amapá devem ser ponderados. "Em 1990, as imagens de satélite do Amapá tinham muitas nuvens, que atrapalharam o cálculo das áreas", diz ele. "Em 1991, obtivemos imagens sem nuvens e  pudemos calcular melhor. Isso quer dizer que os 410 quilômetros quadrados de desmatamentos verificados no Amapá podem corresponder em parte a 1990", disse Barbosa. Ainda assim, os desmatamentos são crescentes e deveriam merecer a atenção das autoridades ambientais. As áreas desmatadas no Amapá já se comparam aos  380 quilômetros quadrados verifique no Acre e aos 440 quilômetros quadrados registrados no Tocantins, Estados onde o problema é mais conhecido e combatido. Os números dos desmatamentos nos Estados amazônicos foram divulgados pelo Inpe, em São José dos Campos, a 86 quilômetros de São Paulo, durante o World Forest Wastch, evento relacionado à Rio-92, que começou ontem e discute até Sexta-feira tecnologias e métodos de monitoramento de floresta com auxílio de satélites. O total da Amazônia brasileira foi divulgado em abril, mas o detalhamento por Estado só ficou pronto esta semana.

 

Desmatamento é recorde no governo FHC

 

AMAZÔNIA Ministros começam a divulgar dados com otimismo mas acabam assumindo aumento na devastação da floreta

 

O governo Fernando Henrique Cardoso anunciou em janeiro de 1998  a quebra no recorde histórico de desmatamento da Amazônia: 29.059 km2 em 1995, contra 21.130 km2/ano, média registrada no período 1978-1998, a maior marca anterior. Com isso, 12,9% da área de florestamento da Amazônia Legal, estimada em 4 milhões de km2 já está devastada. Na área desmatada em 95 cabe com folga o Estado de Alagoas (27.933 km2). Como em 96 o desmatamento atingiu 18.161 km2 da Amazônia, nos dois primeiros anos do governo FHC desapareceu uma área de floresta superior à do Estado do Espírito Santo (45.733 km2). "Temos uma situação relativamente confortável", disse o ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas, ao ser perguntado se esperava um impacto negativo no exterior da divulgação dos números do desmatamento da Amazônia no governo FHC. "Os resultados são bons e mostram que o governo está agindo para reduzir o desmatamento. Se ria uma profunda decepção para mim se os ambientalistas internacionais ficarem 'borboleteando' esses dados", emendou o ministro do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, Gustavo Krause. As declarações de Vargas e Krause foram feitas em entrevistas depois da divulgação das taxas de desmatamento da Amazônia na sede  do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos (a 97 quilômetros de São Paulo). A apresentação do levantamento feito por meio de interpretação de imagens geradas pelo satélite Landsat, foi marcada por um tom otimista. Como o Inpe é vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, coube a Vargas fazer a abertura da apresentação. Ele destacou a qualidade técnica do levantamento e adiantou que os números mostrariam "redução considerável do desmatamento da Amazônia". Segundo ele, essa melhoria reflete o cancelamento de incentivos fiscais para projetos agropecuários na Amazônia, o decreto que determinou a interrupção temporária de novos projetos de extração de mogno e virola e a melhoria da fiscalização do Ibama ( Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Para justificar o otimismo, o diretor do Inpe, Márcio Barbosa, destacou a queda considerável do desmatamento em 96 em relação a 95. Além disso, o Inpe fez uma projeção que aponta uma queda da taxa de desmatamento para 13.037 km2 em 97. A projeção para 97 foi feita com base em 47 imagens do Landsat, escolhidas por representar historicamente as áreas mais críticas de desmatamento na região. O levantamento completo, retratando a taxa de desmatameto  de 95 e 96 tomou por base 229 imagens que cobrem toda a Amazônia. Segundo Barbosa, a margem de erro da projeção em relação ao levantamento completo é de até 5%.

 

Críticas

  

O otimismo do governo FHC com projeção da taxa de desmatamento de 97 foi é criticando por entidades ambientalistas respeitadas, como o Instituto Sócio-Ambiental, a Amigos da Terra e o Greenpeace, que acompanharam ontem a divulgação do relatório do Inpe. João Paulo Capobianco, diretor do Instituto Sócio-Ambiental, lembra que o governo Fernando Collor chegou a comemorar a inversão para baixo da curva de desmatamento na Amazônia.  A comemoração se baseou no levantamento do Inpe referente ao ano de 91, que apontou uma taxa de 11.130 km2, quase 2.000km2 inferior à projeção para 97. Depois do bom resultado de 91, a taxa de desmatamento anual da Amazônia subiu continuamente até chegar ao pico de 95. "Temos receio de que o governo FHC subestime a possibilidade de uma nova escalada no desmatamento da Amazônia", diz Capobianco. Ao serem questionados sobre o recorde de 95 e o fato de a taxa de 96 ser pouco inferior ao pico anterior (78-88), Krause reconheceu que não havia motivos para comemoração: "Realmente os números não são confortáveis, e por isso o governo está adotando uma série de medidas para conter o desmatamento na Amazônia". Krause divulgou 13 medidas de combate ao desmatamento. São 5 decretos, 1 projeto de lei, protocolos e  convênios entre os Ministérios da Reforma Agrária, Meio Ambiente e Agricultura. Cinco das medidas se referem à política de assentamento de sem-terra.

 

Estradas aceleram desflorestamento                

 

A floresta amazônica permaneceu praticamente intacta até a década de 60. As atividades produtivas - basicamente extrativistas - não chegavam  a afetar a mata. O transporte dos produtos era feito por via fluvial, o que também contribuía para a preservação da floresta. Naquele ano, a região só tinha 6.000km de estradas, dos quais menos de 300 asfaltados. Esse isolamento relativo resguardou a vegetação nativa. Um levantamento do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), divulgado em 97, revela que o desmatamento atingiu 41% das florestas latino-americanas, em contraste com asiáticas (88% de desmatamento) e européias (62%). O isolamento da Amazônia começou a ser quebrado em 1964, com abertura da rodovia Belém-Brasília. Com 1.900km, a BR-010 estimulou a expansão da pecuária (e atividades subsidiárias) nas regiões adjacentes. De 1960 a 1970, a população na zona de influência da estrada passou de 100 mil para 2 milhões de pessoas. Em 1970, o governo Emílio Médici instituiu o Programa de Integração Nacional, que forneceu recursos para a abertura de 15.000km de estradas, incluindo a Transamazônica (o primeiro trecho foi inaugurado em 72) e da Guiabá-Santarém (completada em 76). O Incra tentou criar uma rede de agrovilas ao longo dessas estradas, mas a iniciativa não teve sucesso: as terras não eram férteis, e o desmatamento provocou um crescimento de malária. O fracasso dos assentamentos protegeu a floresta. Em 1968, a construção da Cuiabá-Porto Velho (BR-364) abriu uma nova frente de desmatamento em Mato Grosso e Rondônia. A descoberta de jazidas minerais (cassiterita e ouro) na região, conjugada com a distribuição de lotes para pequenos produtores, impulsionou a ocupação da região.

SATÉLITES                 

Japão pesquisa o clima tropical     

 

Além de ser anfitrião da conferência sobre mudanças climáticas, o Japão continua empenhado em financiar pesquisas fundamentais sobre o tema fora do país. Entre as áreas-chave estão os trópicos, incluindo a Amazônia brasileira.

O moderníssimo satélite japonês Jers-1 está hoje observando em detalhe as florestas tropicais do planeta. E há uma missão projetada para medir especificamente a quantidade de chuva nos trópicos.

O Jers-1 é diferente dos outros satélites que observam a Terra - chamados de sensoriamento remoto - por ser capaz de enxergar através das nuvens. Em vez de fazer observações apenas no espectro ótico (como a visão humana) ou em outros comprimentos de onda de radiação (luz) que são vulneráveis a nuvens no caminho, o satélite japonês utiliza também um radar de microondas.

O estudo chama-se Projeto Global de Mapeamento de Florestas Tropicais, é uma iniciativa da agência espacial japonesa Nasda e da agência americana Nasa e tem no Brasil a colaboração do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do Inpa (Intituto Nacional de pesquisas da Amazônia).

O diretor da agência espacial brasileira, que também chefiou a delegação do país na conferência de Kyoto (antes  do ministro da Ciência e Tecnologia, Israel Vargas), considera o projeto japonês importante por essa capacidade de enxergar por baixo das nuvens, um problema constante para a observação em uma região onde chove quase todo dia (a floresta não é chamada de “rain forest”, floresta pluvial, por acaso).

Nos intervalos das discussões, Gylvan checava ele próprio um CD-ROM com dados de observação do Inpe sobre a Amazônia. Medir o dano à floresta é uma das atribuições do instituto. “Interpretar esses dados novos de microondas é mais difícil”, diz. Mas os resultados podem compensar.

Outra missão japonesa ligada aos trópicos chama-se TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission, ou Missão de medição da Chuva Tropical). O satélite foi projetado junto com a Nasa, e seu Radar de Precipitação é um instrumento único, projetado para medir a quantidade de chuva que cai nos trópicos.

O ciclo hidrológico - de onde vem, para onde vai e o que faz a água pelo caminho - é um dos elementos essenciais para a compreensão do clima terrestre - e das mudanças que o aquecimento do planeta deverá trazer.