MEIO AMBIENTE - Seqüestro de Carbono  

 

AMAZÔNIA E EFEITO ESTUFA

A floresta amazônica exerce influência decisiva no processo de redução do efeito estufa, pois absorve o excesso de carbono existente na atmosfera. Esta constatação, resultante de uma ampla pesquisa sobre a contribuição da Amazônia nas mudanças climáticas globais, começou a ser detalhada por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, no contexto do programa internacional “Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA)”, iniciado em 1999. O LBA é uma iniciativa internacional de pesquisa liderada pelo Brasil que procura um entendimento sobre as dimensões do comportamento da Amazônia como um sistema ambiental integrado e a resposta dos seus vários ecossistemas à intervanção do homem. Segundo dados apurados pelas medições de campo realizadas nos últimos dois anos, a floresta amazônica absorve cerca de 0,4 a 1 Giga tonelada (Gt) de carbono por ano da atmosfera. O valor é equivalente à emissão anual total de gás carbônico proveniente da queima de combustíveis fósseis na Europa Ocidental e de 5 a 12 vezes maior que as emissões de CO2 devidas à queima de combustíveis fósseis n Brasil. Fonte: Gazeta Mercantil, 26.11.01.

 

 

FHC omite as florestas ao abordar mudanças no clima

Presidente cita até Trótski em seu discurso

MARCELO LEITE, da Folha de S.Paulo

A cinco dias de começar mais uma rodada de negociações sobre o clima mundial, em Haia (Holanda), o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou oficialmente no Itamaraty o Fórum de Mudanças Climáticas. Falou até de gases produzidos pelo gado na sua digestão, mas evitou tocar na questão do desmatamento.

O assunto é polêmico porque tem prevalecido no governo a tese de que florestas não devam entrar no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Tema central em Haia, o MDL, quando regulamentado, será um modo de carrear recursos para países pobres. Nações industrializadas investiriam em projetos de desenvolvimento no Terceiro Mundo capazes de evitar a produção de gases como o carbônico, que agravam o efeito estufa.

Havia uma menção ao tema no discurso impresso, omitida porém pelo presidente quando abordou o inventário das emissões locais de gases-estufa:

"(Ele) trará uma contribuição significativa para a metodologia da estimativa das emissões num país tropical, com vastos setores agrícola e silvicultor. Nossa comunidade científica também desenvolve trabalhos relevantes em relação à modelagem numérica da mudança global do clima e à compreensão das interações entre a atmosfera e a biosfera em nosso território, notadamente na Amazônia", escreveu FHC.

Após destacar que o Brasil tem matriz energética "limpa", FHC afirmava no discurso distribuído: "Determinei a diferentes órgãos do governo que analisem todos os setores de atividade do país do ponto de vista da mudança do clima. O setor de silvicultura merece atenção especial pela sua potencialidade de contribuir para mitigar a concentração dos gases de efeito estufa."

A inclusão das florestas no MDL é defendida por setores minoritários no governo, como o Ministério do Meio Ambiente (MMA). A omissão presidencial pode, portanto, ser considerada indicativa de sua fraqueza.

Com 40% das florestas tropicais do mundo, o Brasil renuncia assim a fonte considerável de recursos, na casa de bilhões de dólares. Sem florestas, estima-se que o país abocanharia no máximo 1% da receita com MDL.

Com a destruição de 20 mil km2 de floresta por ano, em média, a Amazônia é hoje a maior fonte emissora de gases do efeito estufa no país. As estimativas variam, mas ela pode ser três vezes maior que o emitido com a queima de combustíveis fósseis.

Floresta X reflorestamento

Um seminário realizado por organizações não-governamentais em Belém, semana passada, defendeu num "Manifesto da Sociedade Civil" que recursos do MDL sejam destinados a projetos de manejo florestal. Essa exploração racional da floresta pode cortar ao meio a derrubada pelo método tradicional, sem planejamento.

As conclusões do manifesto devem ser apresentadas hoje pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, na primeira reunião do Fórum, na presença de FHC.

Terá de enfrentar a oposição do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Itamaraty, formuladores da posição brasileira. O máximo que aceitam é incluir florestas plantadas no MDL.

EUA geram mais CO2  do que dizem reter

 

Ao contrário do que vêm afirmando, os EUA não conseguem absorver todo o gás carbônico que jogam na atmosfera, contribuindo, portanto, para o aumento do aquecimento global devido ao efeito estufa.

O aquecimento global devido à emissão de gases, especificamente o gás carbônico, que faz com que o calor do Sol seja retido na atmosfera, é uma das principais pendências ambientais. Os Estados Unidos sempre afirmam que suas florestas e campos absorvem todo o gás carbônico emitido.

O país não ratificou o Protocolo de Kyoto (tratado de 1997 que determina a redução das emissões de gases em 5% pelos países industrializados até 2012).

"A quantidade absorvida é de apenas 0,15 bilhão de toneladas de carbono por ano", disse á Folha Ron Neilson, da Universidade de Oregon, EUA, e um dos autores do estudo publicado dia 17 de março de 2000 na revista "Science". Esse valor corresponde a 10% de carbono lançado pelos EUA, o que significa que 90% dele ainda permanece na atmosfera ou está sendo absorvido fora da América do Norte.

Ano passado, cientistas do centro de pesquisa de Woods Hole, nos EUA, já haviam anunciado dados semelhantes. "Os trabalhos são como os dois lados de uma mesma moeda, porém, proporciona uma visão mais precisa da quantidade de carbono absorvida, porque considera, além do tipo de uso da terra, variações climática e o aumento da quantidade de gás carbônico na atmosfera", disse Neilson.

O modelo de Neilson avaliou a absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres dos EUA no período de 1895 até 1993. Durante este tempo, ela variou de ano para ano, conforme o clima.

"Condições ambientais mais secas e quentes tendem, a estressar as plantas, causando liberação de carbono pela maior taxa de respiração e maior fotossíntese", afirmou pesquisador.

Com isso, a contribuição de um país na emissão ou seqüestro de carbono pode ser muito variável, mudando a cada ano. A constatação de que a variabilidade de absorção de carbono pode ser anual revela uma falha do Protocolo de Kyoto. O Protocolo recomenda que os países sejam avaliados como emissores, mas não anualmente. Ou seja, dependendo do clima, o balanço entre a absorção e emissão de um país pode variar totalmente de ano para ano, se a avaliação não corresponder a papel real daquele país.

"Todos estes resultados indicam que e preciso melhor nossas tecnologias na mensuração do carbono, determinando para onde ele esta indo, achando como trabalha com variações anuais e verificando quais serão os impactos alongo prazo dessas variações. De qualquer forma, os dados mostrar que os EUA são responsáveis pelo aumento da temperatura global e precisam responder isso", disse Neilson.

 

MEIO AMBIENTE –Seqüestro de Carbono                                                     

 

Debate sobre o valor da floresta é restrito

 

Discute-se freqüentemente no meio científico e ambiental se a floresta amazônica deve ganhar um valor, gerando remuneração para o Brasil por seqüestrar carbono, mas essa discussão não alcança a opinião pública.

Seqüestrar carbono? Não é mesmo fácil levar esse debate para fora do meio técnico. Ela envolve a compreensão de assuntos complexos, como o efeito estufa (aquecimento da atmosfera alimentado pela emissão de gás carbônico, CO2, com a queima de combustíveis fósseis e a destruição de florestas, por exemplo).

Custa dinheiro diminuir emissões. Poluição evitada, assim, é um bem escasso, mas com grande demanda – vale dizer, tem valor. O país que conseguir emitir menos poderia vender as cotas economizadas no mercado. Um dos maiores depósitos de carbono do mundo está nas árvores da Amazônia, estocado na forma de madeira. Alguns cientistas e ambientalistas são a favor de obter receita com isso, ou com florestas plantadas em áreas degradadas. Em qualquer dos casos, o Brasil tem as maiores áreas do mundo para fazer negócios com o seqüestro de carbono.

“É uma das últimas chances de negociar bem uma coisa que é muito valiosa para a lógica do capitalismo”, afirma o economista Gilberto Dupas, do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA). O IEA realiza sexta-feira o seminário “Desenvolvimento Sustentável da Amazônia e Certificados de Carbono”.

Entre outros, deverão participar Ignacy Sachs (da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, da França), José Goldemberg (USP), José Seixas Lourenço (Ministério da Ciência e Tecnologia) e Luiz Gylvan Meira Filho (Agência Espacial Brasileira).

Meira Filho tem participação ativamente das negociações nos foros internacionais sobre mudança climática  e o chamado “mecanismo de desenvolvimento limpo”. O MDL, aliás, foi uma proposta brasileira, para estimular países em desenvolvimento a também economizar emissões.

Setores do governo federal resistem a que as florestas nativas sejam incluídas no MDL. O argumento é que isso não seqüestraria carbono da atmosfera (seria deixar de fazer algo, e não fazer algo contra o efeito estufa). Mas alguns cientistas brasileiros defenderam o oposto no Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, um grupo que reúne milhares de pesquisadores.

“Não sei se o governo brasileiro já tem uma posição”, diz Dupas. Ele afirma que o objetivo do seminário é pressionar o governo e obter apoio da opinião pública.

 

MEIO AMBIENTE – Seqüestro de Carbono

 

Medidores de carbono – Sensores instalados pelos pesquisadores do LBA em quatro florestas diferentes, 20 metros acima da copa das árvores, registraram que há mais gás carbônico entrando do que saindo da mata. É o início de uma série de medições para descobrir se Amazônia “seqüestra” carbono, contrabalançando parte do efeito estufa (aquecimento da atmosfera pela retenção de calor solar sob uma camada isolante de gases, como o carbônico).

O potencial da capacidade de sugar carbono é incerto (varia de 2 a 5 toneladas por hectare), mas as implicações econômicas, ambientais e políticas são enormes.

Acordos internacionais sobre efeito estufa tendem a premiar os países com sumidouros de gás carbônico, como parece ser o caso do Brasil. Há possibilidades reais de o país receber investimentos específicos para preservar florestas e continuar seqüestrando o carbono produzido pelas indústrias dos países desenvolvidos.

As avaliações mais modestas calculam que um hectare dedicado ao seqüestro de carbono da atmosfera valeria US$ 5 por ano. Teoricamente, o Brasil poderia receber bilhões de dólares por ano para manter a floresta  de pé, com controle rigoroso das queimadas.

O governo brasileiro analisa essa brecha de investimentos com má vontade. Acredita que cederia parte da soberania nacional se aceitasse dinheiro e que perderia o direito de, por exemplo, construir a polêmica rodovia Santarém-Cuiabá, defendida por produtores da região.

“Esses recursos podem financiar uma política de desenvolvimento sustentável na Amazônia, que melhore a qualidade de vida dos moradores, preservando a floresta”, propôs o pesquisador Phillip Fearnside, do Inpa.

O LBA vai consumir seis anos de trabalho e US$ 100 milhões, mais de dois terços vindos do exterior. A previsão é que em três ou quatro anos se estabeleça definitivamente a quantidade de carbono seqüestrado pela floresta. Pode ser o fim do debate. Alguns cientistas não se convenceram do potencial da floresta de sugar carbono.

As pesquisas do LBA também investigam o número negativo da Amazônia. Também medir quanto gás carbônico é emitido durante as queimadas de inverno. Da diferença desses dois números (quanto carbono é seqüestrado ou emitido) sai o valor global da importância da Amazônia para o controle do clima mundial.

 

MEIO AMBIENTE – Seqüestro de Carbono 

 

Carbono da Amazônia reduz efeito estufa

 

As árvores da Amazônia são responsáveis pela captura anual de até cinco toneladas de carbono por hectare de floresta, o que contribui para reduzir os efeitos nocivos da concentração da substância, como o efeito estufa. A tese foi apresentada dia 10-08-00, durante o 31º Congresso Internacional de Geologia, no Rio, pelo professor Pedro Leite da Silva Dias, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP).

"As mudanças climáticas no mundo estão ligadas ao que acontece na Amazônia", afirmou Dias. "Estão estocados na floresta cerca de 70 bilhões de toneladas de carbono, o que é um valor significativo". Pesquisa feita durante o Experimento de Grande Escala da Bi-osfera-Atmosfera na Amazô-nia (LBA), desenvolvido por cientistas brasileiros e estrangeiros, indicou que todos os países do mundo seriam afetados caso a Amazônia fosse devastada por completo.

"No local, o impacto seria enorme: o índice de chuvas diminuiria em até 25% e a temperatura seria elevada em 3 graus" explicou Dias. No restante da região Norte do país e também no Centro-Oeste, a estação seca poderia se estender por seis meses, hoje dura três, segundo o pesquisador. "Isso teria uma influência muito forte na agricultura", disse. Nos países do Hemisfério Norte, o inverno seria bastante afetado. As conseqüências são variáveis, podendo ficar mais frio ou mais quente, informou Dias.

Dos 5,5 milhões de quilômetros quadrados de área da Amazônia, 10% já estão desmatados, segundo pesquisas do LBA. O ritmo de devastação está diminuindo: há trinta anos eram derrubadas 40 mil quilômetros de árvores por ano; hoje o índice fica entre 15 e 25 mil quilômetros. Dias informou que quando a floresta tiver 40% de sua mata comprometida (cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados devastados), o impacto em regiões longínquas do Planeta começará a ser realmente sentido.

 

MEIO AMBIENTE – Seqüestro de Carbono

 

Seqüestro de Carbono – Descrição do Projeto

 

Divaldo Rezende – agrônomo, mestre em Recursos Rurais e Política Ambiental pela Universidade de Londres – Wye College e diretor executivo da Ecológica, responsável pelo Programa Seqüestro de Carbono da Ilha do Bananal.

 

A Revista Meio Ambiente Industrial publicou na 24ª edição artigo sobre Seqüestro de Carbono, transcrição integral do primeiro capítulo do livro ( a ser lançado) “Seqüestro de Carbono: Uma Experiência Concreta”, referente a estudos iniciais do Projeto de Seqüestro de Carbono da Ilha do Bananal e seu entorno. Conheça, a seguir, a descrição do referido projeto (adaptação do segundo capítulo do livro).

 

Objetivos:

O principal objetivo do Projeto de Seqüestro de Carbono da Ilha do Bananal e seu Entorno (PSCIB) é desenvolver e implementar um sistema inovador, eqüitativo e sustentável para equilibrar as emissões dos gases causadores do efeito estufa através do Seqüestro de Carbono, compatível com as realidades sociais e ambientais da região da Ilha do Bananal. O Projeto será desenvolvido em um período de 25 anos.

 

Localização:

O Projeto de Seqüestro de Carbono da Ilha do Bananal e seu Entorno está localizado na região sudoeste do Estado do Tocantins, parte da região Amazônica do Brasil. A Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo, com uma área em torno de 2 milhões de hectares, sendo considerada uma área ecotonal com os ecossistemas de cerrado, floresta e pantanal (em termos de distância, a ilha possui cerca de 350 km de norte a sul e uma média de 60 km de leste a oeste), localizada a oeste da rodovia Belém-Brasilia, que corta o Estado de Tocantins.

A área de abrangência do projeto, nesta primeira fase, inclui cinco municípios: Caseara, Lagoa da Confusão, Cristalândia, Pium e Dueré. Estes municípios ficam a norte e leste da ilha do Bananal e todos possuem seus territórios incorporados à Área de Proteção Ambiental do Cantão (APAC) e/ou ao Parque Nacional do Araguaia (PNA).

A segunda fase do Projeto planeja ampliar a área de ação, atuando também no Parque Indígena do Araguaia (PIA), na Ilha do Bananal – morada das tribos indígenas Carajás e Javaés. A execução da segunda fase implica negociações e articulações com a FUNAI e a comunidade indígena da Ilha.

 

Estratégias:

- Manejo Florestal

O componente Manejo Florestal está sendo conduzido através de três vetores básicos:

1-      Preservação de florestas primárias do Parque Nacional do Araguaia (PNA) e do Parque Estadual do Cantão (PEC).

2-      Reflorestamento e regeneração das áreas de florestas degradadas no PNA.

3-      Incentivo ao estabelecimento de sistemas agro-florestais e de plantio de árvores nos municípios de Caseara, Lagoa da Confusão, Cristalândia, Pium e Dueré.

 

- Preservação das Florestas Existentes

O Projeto planeja garantir a preservação de 200 mil ha de florestas primárias localizadas no Parque Nacional do Araguaia e no Parque Estadual do Cantão.

A preservação das florestas na PNA será de responsabilidade do Ibama. Já a preservação de florestas no Parque Estadual do Cantão será empreendida pelo Naturantins, associando-se preservação ao ecoturismo. Os planos de manejo detalharão os procedimentos de inspeção e monitoramento, necessários para se alcançar uma preservação duradoura, sobre os quais serão baseadas as futuras políticas de manejo.

 

- Reflorestamento e Regeneração da Floresta Degradada no PNA

De acordo com os estudos preliminares, para o PNA está previsto o reflorestamento de 60 mil ha de floresta degradada na região norte do Parque, juntamente com a montagem de um banco de semente.

Com os resultados do inventário florestal, teremos como identificar as espécies locais apropriadas aos reflorestamentos. Através destes levantamentos, catalogar-se-á as principais espécies existentes na área do projeto, listando-se seus vários usos para informação à pesquisa e para o fornecimento de bases para publicações sobre o assunto. As florestas em questão são, predominantemente, florestas de galeria às margens de cursos d’água na região. São importantes por sua alta biodiversidade e seu papel na estabilização dos bancos de areia dos rios e a redução da erosão.

Serão formados viveiros, utilizando-se do banco sementes do projeto que fornecerão mudas para uso em atividades de reflorestamento no PNA. Todas as atividades de reflorestamento farão uso, portanto, do estoque nativo de mudas, evitando-se, assim, qualquer tipo de poluição genética das espécies locais por variedades exóticas.

 

- Incentivos à Implantação de Sistemas Agro-Florestais

A promoção de práticas agro-florestais e dos plantios de árvores está ligada muito estreitamente com a Componente Social/Educação Ambiental do projeto. Dois viveiros, com capacidade de produção anual de 120 mil mudas, foram estabelecidos na zona de abrangência do projeto, nos municípios de Caseara e Cristalândia. Eles são especializados para produção de árvores economicamente úteis e arbustos, como, por exemplo, madeira regional, plantas medicinais, forragem e espécies frutíferas. As mudas produzidas serão distribuídas para pequenos produtores e comunidades urbanas e rurais, nos cinco municípios da zona de influência do projeto. Estima-se que, desta forma, serão plantadas árvores em 800 ha. em toda a zona de influência do projeto, por ano.

Uma nova linha que está sendo trabalhada diz respeito a uma ação conjunta com os proprietários de terras na região de abrangência do projeto, com o objetivo de estimular a manutenção dos recursos florestais e reflorestamento das áreas degradadas, proporcionando uma nova oportunidade de ganho econômico aos proprietários, ao mesmo tempo ampliando o estoque de carbono na região.

 

- Pesquisa Ambiental

A pesquisa ambiental está sendo desenvolvida no Centro de Pesquisa Canguçu, implantando na região denominada Canguçu, adjacente ao PNA e ao PEC. O Centro tem capacidade para receber 12 pesquisadores e/ou 30 visitantes, sendo composto das seguintes estruturas:

. três salas de pesquisadores;

. centro de visitação;

. quartos com banheiro;

. restaurante;

. cozinha;

. depósito;

. lavanderia;

. banheiros para visitantes;

. área para funcionários;

. gerador de energia;

 

O Centro de Pesquisa Canguçu está equipado com sistemas de monitoramento computadorizado, por meio dos quais serão fornecidos dados sobre parâmetros ambientais, tais como velocidade e direção dos ventos, temperatura do ar, umidade relativa, níveis de precipitação pluviométrica, temperatura do solo, radiação solar e concentrações atmosféricas de CO2 . Dispõe ainda de computadores, Internet, telefone, estufa e software necessários à análise e monitoramento das mudanças no uso do solo, ocorridas na área de influência do projeto.

As diretrizes operacionais de utilização do Centro e as linhas de pesquisa foram definidas através de discussões com os pesquisadores que desenvolvem os projetos na área e instituições científicas.

O Centro de Pesquisa Canguçu possui ainda programa e espaço aberto a visitantes, onde informações do projeto estão prontamente disponíveis.

A Ecológica – Planejamento e Desenvolvimento Ambiental é a instituição responsável pela administração do Centro de Pesquisa e pela supervisão das atividades de monitoramento nela empreendidas.

O Centro está sendo utilizado nos programas de capacitação de professores em educação ambiental e em atividades do ecoturismo, buscando a auto-sustentação do mesmo, gerando recursos para a componente social do projeto.

 

- Componente Social

Educação Ambiental:

Este componente está funcionando através de dois vetores: a) rede escolar existente na região e b) atividades dirigidas para a comunidade. O público em geral estará passível de ser alcançado por uma série de iniciativas desenvolvidas junto às associações, organizações comunitárias, governos estadual e municipal.

 

- Implantação de Viveiros

Os municípios selecionados para a implantação dos viveiros foram Caseara, em função de sua localização estratégica, bem como por terem sido identificadas pessoas com perfil adequado para coordenar o viveiro no local, e Cristalândia, por ter um grande número de assentamentos e também pela identificação de pessoas e organizações que já trabalham no município com sucesso e que poderão, da mesma forma, coordenar as atividades do viveiro.

 

- Alternativas Econômicas

As alternativas econômicas foram sugeridas em função do diagnóstico realizado nos meses de maio e abril de 1999. Para a realização deste diagnóstico, foram feitas visitas aos municípios. Utilizou-se a metodologia do DRR (Diagnóstico Rápido Rural), aplicando-se entrevistas semi-estruturas a pequenos agricultores, assentados, associações, organizações governamentais e não governamentais. O diagnóstico serviu para apresentar uma visão da realidade política, social e organizacional de cada município, como também, possibilitou a geração de projetos potenciais que poderão ser desenvolvidos por grupos ou organizações nos municípios. Pequenos projetos de geração e renda também estão sendo apoiados pelo projeto.

MEIO AMBIENTE – Seqüestro de Carbono          

Mata virgem prende mais gás carbônico

 

Reflorestar não resolve

 

Um estudo feito pelo Instituto de Biogeoquímica Max Planck em Jena, Alemanha, jogou dúvidas sobre uma peça importante da proposta de tratado para combater o aquecimento global: a plantação de florestas na tentativa de capturar o gás carbônico.

A pesquisa concluiu que as florestas selvagens originais são melhores que plantações de árvores jovens para capturar o dióxido de carbono, liberado quando carvão ou outros combustíveis fósseis são queimados.

Os EUA e outros países com grandes massas de terra querem usar plantações de florestas para atingir as metas estabelecidas. Os autores do estudo dizem que o tratado precisaria proteger as velhas florestas e que, até agora, não há sinais de que isso esteja sendo levado em consideração.

Os negociadores irão se encontrar em novembro para discutir meios de reduzir o aquecimento global. As discussões terão por base o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, mas ainda não ratificado pelas nações signatárias.

MEIO AMBIENTE – Seqüestro de Carbono

 

Desenvolvimento limpo

 

As regras de compensação para as emissões mundiais de carbono serão decididas em Haia, Holanda, num encontro que acontece em novembro entre representantes dos países signatários do Protocolo de Kyoto, onde foi introduzido pelo Brasil o conceito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

Existem posições divergentes sobre qual será a prioridade dada às florestas. Caso elas sejam incluídas no Mecanismo, o Brasil poderá receber cotas de outros países poluidores pela retirada de carbono do ar feita pelas matas de seu território.

 

MEIO AMBIENTE – Seqüestro de Carbono

 

Comprando ar (puro)

 

Empresas verdes como o dólar

 

O Efeito Estufa não está apenas elevando a temperatura da Terra. Ele está agora aquecendo o mercado de gás carbônico. No último dia 17 de outubro, sete grandes multinacionais anunciaram que vão se unir à organização ambientalista americana Environmental Defense Fund para expandir o comércio de “créditos de carbono”.

Funciona assim: em vez de despoluir tudo em casa, as empresas compensam parte do estrago investindo em programas purificadores da atmosfera em países em desenvolvimento. Assim, podem continuar a poluir em troca de “créditos” negociáveis em bolsas de valores. Por enquanto, uma tonelada de gás carbônico retirada da atmosfera vale uns 10 dólares. Mas esse valor deve subir a partir de 13 de novembro, quando a 6ª Conferência da Convenção sobre Mudanças Climáticas, da ONU, deverá regulamentar esse tipo de transação.

O anúncio feito pela British Petroleum, Du Pont, Alcan, Pechiney, Shell, Suncor Energy e Ontário Power Generation é um grande impulso ao mercado. “Vamos estimular a redução de emissões através do comércio”, disse o vice-presidente da Alcan, Dan Gagnier.

Várias empresas já investiram em projetos despoluidores nos setores de energia limpa e de reflorestamento no México, Bolívia e Austrália. No Brasil, a Peugeot, a Central and South West e a AES Barry fizeram empreendimentos. O país tem vasto potencial na área.

 

MEIO AMBIENTE – Seqüestro de Carbono

Fonte: Revista Exame/ Ano 34 nº 21/ 18 de outubro de 2000.

Seqüestro Legal

 

Limpar da atmosfera os gases que estão esquentando a temperatura da Terra virou um negócio bilionário. O Brasil tem muito a ganhar com isso.

 

Nos próximos anos o mundo vai investir 100 bilhões de dólares no seqüestro de carbono. Seqüestro de carbono? Exatamente. Esse é o nome dado aos projetos de redução dos gases que produzem o efeito estufa – o anel de gás que envolve o planeta a 20 quilômetros de altitude, abafando-o e aquecendo a temperatura. O novo filão que começa a ser explorado criou um bilionário mercado potencial de negócios e projetos ambientais, gerando um interesse das empresas por ecologia sem precedentes.

Um empurrão decisivo para o mercado se tornar uma realidade deverá acontecer no dia 13 de novembro, em Haia, na Holanda.

Ali, uma multidão de 20.000 diplomatas, cientistas, economistas, ambientalista e empresários de 84 países estará participando da 6ª Conferência da Convenção sobre Mudanças Climáticas. Eles vão regulamentar os mecanismos de uma fórmula inovadora para multiplicar empreendimentos e negócios que diminuam os gases do efeito estufa, dos quais o carbono (CO2) é o principal. Como parte do ultracomplicado Protocolo de Kyoto, nascido na Eco 92, no Rio de Janeiro, e que vem sendo negociado desde 1997, serão definidas as operações e as instituições que administrarão o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Guarde bem essa sigla. Trata-se de uma alavanca financeira para permitir que empresas poluidoras de países ricos, comprometidas compulsoriamente com metas custosíssimas de redução de emissões, invistam em projetos mais baratos de purificação do ar localizados em países pobres. Em troca, elas recebem “créditos de carbono”. A lógica da transação: a atmosfera é uma só para todos e não importa onde o projeto seja executado. Assim, de posse desses créditos certificados, as companhias poderão “abate-los”, das sua metas de redução de gases, desde que isso complemente, e não substitua, seu programa doméstico de despoluição. Na prática, elas vão poder adquirir direitos temporários para continuar a emitir seus gases.

Os carbon credits funcionarão como uma espécie de indulgência ecológica, comparáveis às indulgências vendidas na Idade Média pela Igreja Católica aos fiéis endinheirados que queriam garantir um lugar no céu. Eles poderão ser negociados entre empresas e transacionados em bolsa como “ativos ambientais”. E, embora tudo isso ainda seja inteiramente hipotético e pouco definido, pois o Protocolo de Kyoto precisa ser ratificado para entrar em vigor, o certo é que um animado mercado internacional de carbono já começa a funcionar.

No Brasil, por exemplo, empresas como a francesa Peugeot e geradoras de energia como a americana CSW (Central and South West Corporation) e a inglesa AES Barry instalaram projetos de seqüestro de carbono em Mato Grosso, na Ilha do Bananal e no Paraná. Também há empreendimentos em andamento no México, Bolívia, Costa Rica e Austrália, entre outros países.

Essas empresas resolveram se adiantar porque sabem que o Protocolo de Kyoto está ganhando forma e que o mercado do carbono está se instalando. Elas querem aproveitar enquanto o custo da redução da tonelada do gás está baixo. Tudo indica que ele vai subir como um foguete. Segundo o Aspen Global Fórum Brasil – Estados Unidos, que cuida do assunto para a Câmara de Comércio Americana de São Paulo (Amcham – SP), há dois cenários para evolução do valor dos “papéis de carbono”. No moderado, o seqüestro de uma tonelada de carbono passaria dos 5 dólares atuais para 20 dólares em 2005 e 75 dólares em 2020. Mas, se o impacto negativo do clima se intensificar, o que não é improvável, a evolução seria de 5 dólares para 50 em 2005, e para 305 em 2020.

Ironias à parte, a indulgências ecológicas são uma vitória do pragmatismo. Apesar de os cientistas ainda terem dúvidas sobre a dinâmica dos fatores formadores do clima, poucos duvidam de que o efeito estufa está realmente aquecendo a Terra. Desde a Revolução Industrial, o homem despejou 270 bilhões de toneladas de gases como dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e CFC na atmosfera – metade disso apenas nos últimos 30 anos. O recorde histórico aconteceu em 1997, quando foram emitidos 6,6 bilhões de toneladas. Dos 7 bilhões de toneladas despejadas atualmente no ar, 6 bilhões vêm de combustíveis fósseis. O resultado, cada vez mais temido, é que se formou um “cobertor” de gases na atmosfera, impedindo o calor do Sol refletido pela Terra de escapar e abafando o planeta. As conseqüências que poderão vir do efeito estufa são preocupantes: mudanças no clima, aumento do nível dos mares, derretimento da calota polar, enchentes devastadoras. Por isso cientistas e ambientalistas resolveram apelar para o Sétimo de Cavalaria das forças do mercado.

Em 1997, a Conferência de Kyoto dividiu o mundo entre os países desenvolvidos (os responsáveis históricos pela poluição) e países em desenvolvimento, estabelecendo para os primeiros a meta de uma redução de 5,2% do total das emissões, segundo os níveis de 1990. As outras nações não tem obrigação quantitativas, mas podem aceitar, a seu critério, investimentos em projetos que resultem em reduções verificáveis das emanações. Os países desenvolvidos podem fazer acordos de implementação conjunta entre si e negociar “saldos”. Assim, aqueles que hoje mandam para o ar menos carbono do que em 1990, como a Rússia e a Ucrânia, às voltas com estagnação econômica e declínio industrial, podem vender seus “direitos” de emissão. O protocolo deverá entrar em vigor entre 2008 e 2012, depois de ter sido ratificado por signatários responsáveis por pelo menos 55% das emissões em 1990 – o que inclui forçosamente os Estados Unidos e a Rússia, que ainda não o fizeram. Uma vez aprovado, os congressos nacionais deverão elaborar leis estabelecendo cotas, impostos e subsídios para garantir o cumprimento das metas – o que será uma outra batalha. Dos 84 signatários, até agora apenas 29 ratificaram o Protocolo de Kyoto. Todos estão esperando a regulamentação do MDL e brigando para impor seus interesses. A eleição presidencial americana, em novembro, poderá ser decisiva para o futuro. Se vencer o ecologista Al Gore, as negociações avançarão. Se ganhar o texano George W. Bush, ligado por laços de sangue às empresas de petróleo (seu pai, o ex-presidente Bush, é acionista de companhias do ramo), o processo pode engasgar. Mesmo assim, vários Estados americanos já anunciaram sua adesão à redução de 5,2%.

“Acreditamos que algo deve ser feito e vai ser feito, independentemente de quem ganhar a eleição”, diz John Mein, presidente da Câmara Americana, que já examinou 15 projetos brasileiros candidatos a receber financiamento externo. “ A melhor maneira de avançar o MDL é botar os empreendimentos em cima da mesa. O mercado é que pode viabilizar o que o confronto de interesses emperra”.

O nó de toda a questão é o custo. “A conta é alta e o jogo é definir que paga”, diz o engenheiro José Domingos Miguez, secretário executivo da Comissão Interministerial de Mudanças Globais no Clima do Ministério de Ciência e Tecnologia. Miguez é um dos negociadores brasileiros em Haia. “Imagine os países industrializados no jantar. Eles nos convidam para o cafezinho e depois pedem para rachar a conta”, afirmar. Segundo ele, durante séculos os desenvolvidos prosperaram à custa do ambiente. Agora, os que mais contribuíram para o surgimento do efeito estufa compensarão seus pecados arcando com os custos maiores da sua remoção. (Os sete grandes emissores de CO2 são Estados Unidos, China, Rússia, Japão, Índia, Alemanha e Inglaterra. O Brasil é o 17º, graças à sua matriz energética em boa parte limpa e renovável, em que predominam a hidroeletricidade e a biomassa).

A negociação é quase um purgatório diplomático. A delegação brasileira é composta por seis especialistas, que pulam de painel em painel. Eles competem com delegações coma a americana, com 200 membros, coma japonesa, com 150, e com a dos 15 países da União Européia, que atuam em conjunto, com 200 integrantes. Em Kyoto, os Estados Unidos pressionaram para que o critério de definição de responsabilidades dos países fosse a emissão de gases, mas os diplomatas do Brasil e da Índia conseguiram que o aumento real da temperatura do planeta, que é produzido ao longo do tempo pela acumulação de emissões, preponderasse. Os americanos queriam que o carbono proveniente dos últimos 30 anos de queimadas na Amazônia também fosse contabilizado. Mas a responsabilidade brasileira seria irrisória se comparada aos séculos de destruição de florestas na Europa. Além disso, se esse prejuízo fosse considerado, os benefícios da floresta para o clima e para a biodiversidade também deveriam ser. Na verdade, ninguém sabe quanto carbono é emitido pelos incêndios na Amazônia. Mas há estimativas de que, se fosse considerado, o Brasil seria o quinto maior emissor do mundo.

O problema por trás das discussões técnicas é o custo político e econômico de reduzir a poluição das empresas dos países industrializados, que já usam filtros, materiais e tecnologia avançada. Estamos falando em mudar fábricas, usinas e empresas. “Impedir que a temperatura suba 1 grau Celsius nos próximos 50 anos custará cerca de 1,3% do PIB mundial”, estima outro negociador brasileiro, o engenheiro Luiz Gylvan de Meira Filho, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Assim, diante dos progressos da negociação, a questão para os países ricos, agora é “formatar preços”, de acordo com o consultor ambiental Marco Antonio Fujihara.

“ Para uma empresa como a BP – Amoco emitir menos uma tonelada de carbono de uma sofisticada plataforma de petróleo no Mar do Norte custa uns 150 dólares”, diz Fujihara. “Ela pode conseguir uma redução igual de carbono por 15 centavos em um projeto de reflorestamento na Bolívia.

A cooperação bilateral e os projetos ambientais de redução de carbono são o tema principal das discussões marcadas para o dia 12 de outubro em Potsdam, na Alemanha, entre uma delegação de 140 empresários e representantes do governo brasileiro e seus pares alemães. Na pauta, iniciativas da Volkswagen, Vale do Rio Doce, Aracruz Celulose, Melhoramentos e da empresa cearense de energia eólica Wobben-Enercom. “ O Brasil é um campo fértil para investimentos ambientais, sobretudo na produção de energias renováveis e no reflorestamento”, diz Ingo Pluger, presidente da Câmara de Comércio Brasil – Alemanha e da Companhia Melhoramentos. “A iniciativa privada precisa ser estimulada a apresentar idéias, e o governo federal deve mostrar que está engajado.”

Há grandes oportunidades na eficiência energética. Projetos que evitam a emissão de carbono são muito mais credenciáveis que os “seqüestradores” do gás. O MDL exige empreendimentos novos, ou seja, de implantação posterior a 1999, que produzam uma redução “adicional” à situação atual. “Usinas de cana-de-açúcar podem ser beneficiadas duas vezes num mesmo projeto, uma pelo etanol e outra pela geração de eletricidade com bagaço de cana”, diz José Roberto Moreira, presidente do Conselho do Centro Nacional de Referência de Biomassa. A Companhia Açucareira Vale do Rosário, de Morro Agudo, no Interior de São Paulo, por exemplo, pode capturar 15 400 toneladas de carbono por ano com um aumento de geração de 13,5 megawatts na sua capacidade já instalada. “Há um vasto potencial de geração de eletricidade com resgate de carbono para as 135 usinas de açúcar e álcool de São Paulo”, afirma Joaquim Heck, engenheiro de produção da Vale do Rosário. Projetos de energia eólica e de energia solar, ou de substituição de carvão vegetal, também trairão investimentos. Outra proposta, barata e efetiva, é gerar energia ou simplesmente queimar o gás metano emanado por 800 lixões ultrapoluidores existentes no Brasil. “O metano aquece a atmosfera 21 vezes mais do que o carbono”, afirma Paulo Braga, do escritório brasileiro da consultoria inglesa Ecosecurities.

Outro ímã é o setor florestal. As florestas maduras vivem em equilíbrio, absorvendo carbono e emitindo oxigênio por meio da fotossíntese. Já as florestas em crescimento aumentam de massa incorporando mais gás carbônico, que é transformado em celulose. Portanto, plantar florestas é criar “poços de carbono”, sumidouros naturais de gás. O Brasil dispõe de terra abundante, sol, água e tecnologia de silvicultura, condições vantajosas para atrair investidores. Mas há um porém: o seqüestro de carbono em árvores é “temporário”, pois um dia a madeira convertida em lenha ou móvel é queimada ou apodrece, e o gás é liberado de volta à atmosfera. Esse “detalhe” pode dificultar a aprovação do reflorestamento na regulamentação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, em Haia, e prejudicar as empresas que já investiram neles. Organizações ambientalistas poderosas, como o Greenpeace, o WWF e os Amigos da Terra, que pressionam para que as empresas dos países desenvolvidos reduzam lá mesmo a poluição, criticam a corrida aos projetos florestais nos países em desenvolvimento. As companhias que já estão formando florestas no Brasil podem, assim, estar correndo o risco de ter se precipitado demais. Em compensação, se o conceito de “poço de carbono” for aprovado em Haia, terão adquirido ativos valiosos a preço baixo. Uma coisa é certa: nunca houve perspectivas de investimento externo em negócios ambientais tão boas no Brasil.

 

 

Para saber mais sobre Seqüestro de Carbono vide os subtemas:

MEIO AMBIENTE – Camada de Ozônio  e Efeito Estufa