MEIO AMBIENTE – Reservas Extrativistas

 

Reserva Extrativista Chico Mendes (AC)

Reserva Extrativista do Rio Cajari (AP)

Reserva Extrativista do Alto Juruá (AC)

Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto (RO)

Reserva Extrativista do Quilombo Flexal (MA)

 

Para saber mais sobre essas Reservas

 

Reserva do Desenvolvimento Sustentável Mamirauá   

MEIO AMBIENTE – Reservas Extrativistas


 

Unidades de Conservação

 

O Brasil está entre os 3 países do mundo de maior diversidade biológica. Possui a flora mais rica do planeta e a sua fauna é a primeira em número de espécies de vertebrados terrestres, primatas e peixes de água doce. Destaca-se ainda quanto ao número de espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios.

Para a proteção desse inestimável patrimônio natural, ao qual se juntam paisagens de excepcional beleza cênica, e outros recursos e valores não biológicos, de importância fundamental para a vida na Terra, iniciou-se há 55 anos de estabelecimento de áreas protegidas no Brasil. Hoje, estas áreas, conhecidas no conjunto como Unidades de Conservação, constituem um instrumento essencial para a proteção da biodiversidade do país. Cerca de 3,9% do território nacional está sob proteção governamental na forma de Parques Nacionais, Reservas Biológicas, Estações Ecológicas, Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas e Áreas de Proteção Ambiental, cada tipo de Unidade cumprindo papéis distintos e complementares, que vão desde a preservação estrita até a utilização direta controlada dos recursos.

Todas as formas de vida são únicas e o respeito às mesmas deve ser assegurado independentemente da sua utilidade. Além disso, o homem é parte da Natureza e dela depende para uma vida saudável. As unidades de conservação representam a materialização deste entendimento e constituem um trabalho prioritário do IBAMA, responsável, a nível federal, por sua criação, implantação e manejo.

 

Conservating Units

 

Brazil is one of the three countries of the world that shows the largest biological diversity. It owns the richest flora of the planet, and its fauna is the leader in number of land vertebrate species, primates and fresh water fish. It also exhibits an outstanding number of birds, mammals, reptiles and anfians.

To the protection of this unpriceable natural patrimony, to wich one may join exceptionally beautiful landscapes and other non-biological resources of first importance to life one earth, it was started, about 55 years ago, the settlement of protected areas in Brazil. Those areas, known as Conservating Units, represent today an essential tool to the biodiversity protection in the country. Near 3,9% of the national territory is under governmental protection as National Parks, Biological Reserves, Ecological Stations, National Forests, Natural Resoucers Extration Reserves and Environmental Protection Areas – each kind of Unit performing supplementary roles, from strict preservation to controled utlization of resoucers.

All life forms are unique, and the respect to them must be assured regardless of their utility. Besides of that, man is part of nature and depends on it for a healthy life. Conservating Units are the materializing of this approach and represent a top priority task for IBAMA – the federal agency which is responsible for their creation, implantation and management.


 

 

 

RESERVAS EXTRATIVISTAS

Nome

Região

Decreto e data de criação

Área

(ha)

População

Estimada

Principal

Recurso Manejado

Responsável pelo Gerenciamento

Alto Juruá

AC

DEC. 98.863/90 23.01.90

506.186

6.000

Seringueira

IBAMA/CNPT

Chico Mendes

AC

DEC. 99.144/90 12.03.90

970.570

7.500

Castanha, Copaíba e Seringueira

IBAMA/CNPT

Rio Cajarí

AP

DEC. 99.145/90 12.03.90

481.650

5.000

Castanha, Seringueira e Açaí

IBAMA/CNPT

Rio Ouro Preto

RO

DEC. 99.166/90 12.03.90

204.583

3.410

Castanha, Copaíba e Seringueira

IBAMA/CNPT

Ciriaco

MA

DEC. 534  20.05.92

7.050

1.150

Babaçu

IBAMA/CNPT

Extremo Norte do Estado do Tocantins

TO

DEC. 535 20.05.92

9.280

2.000

Babaçu

IBAMA/CNPT

Mata Grande

MA

DEC. 532  20.05.92

10.450

1.500

Babaçu

IBAMA/CNPT

Quilombo do Flexal

MA

DEC. 536 20.05.92

9.542

900

Babaçu e Peixe

IBAMA/CNPT

Total

 

2.200.775

28.460

 


MEIO AMBIENTE - Reservas Extrativistas

 

Os Números do Corredor Ecológico

 

Reserva de Mamirauá

 

Área: 11260 quilômetros quadrados

8000 espécies de plantas

400 espécies de peixes

250 espécies de aves

79 espécies de répteis

27 espécies de mamíferos

 

Reserva de Amanã

 

Área: 23500 quilômetros quadrados

2000 espécies de plantas

500 espécies de peixes

420 espécies de aves

120 espécies de répteis

30 espécies de mamíferos

 

MEIO AMBIENTE - Reservas Extrativistas

 

Reservas Extrativistas

 

As políticas implantadas na Amazônia resultaram da busca de soluções para problemas externos à região. No caso dos projetos de  colonização, a Amazônia foi vista como espaço vazio e como forma de

evitar a realização de uma reforma agrária no Centro-Sul. No caso dos projetos agropecuários e minerais, a região passou a ser entendida como  fronteira de recursos para setores econômicos estabelecidos fora da região. As atividades implantadas nesse período tenderam a desagregar o ambiente sem reduzir as desigualdades socioeconômicas regionais.

São muitas as alternativas quanto ao uso sustentado de recursos naturais renováveis da Amazônia. Uma delas, a criação de reservas extrativistas, procura conciliar interesses de conservação com o desenvolvimento social. Apesar das condições precárias de sobrevivência que sempre acompanharam o extrativismo amazônico, o movimento de seringueiros, estruturado na região a partir de 1970, teve desde o início como principal reivindicação a permanência dentro da floresta.

Conforme a legislação vigente, as reservas extrativistas são espaços territoriais protegidos pelo poder público, destinados à exploração auto-sustentável e à conservação dos recursos naturais renováveis, por populações com tradição no uso de recursos extrativos, e regulados por contrato de concessão real de uso, mediante plano de utilização aprovado pelo IBAMA. A Tabela III, l dimensiona estas reservas (REXS) junto com os projetos de assentamento extrativista (PAES) instituídos no âmbito do Programa Nacional de Reforma Agrária.

A extração da borracha de seringais nativos não pode ser analisada exclusivamente em termos econômicos. A atividade na Amazônia desempenha funções sociais, ao gerar emprego e renda, e funções

ambientais, por não ser predatória e por possibilitar a fiscalização da floresta pelos seringueiros.

No âmbito do zoneamento ecológico-econômico, aquelas áreas identificadas com potencial extrativo podem ser destinadas a núcleos de ecodesenvolvimento, nos quais seriam incentivadas atividades econômicas voltadas à agregação de valor aos produtos da economia tradicional. Independentemente de sua abrangência regional, as reservas extrativistas podem se constituir em unidades exemplares para projetos de manejo das florestas tropicais.

Existe capacidade técnica instalada nos órgãos de pesquisa da região Amazônica para transformar essa potencialidade em produtos para o mercado. Agregar valor aos produtos considerados "menores" da floresta (resinas, óleos, frutos, gomas, amêndoas, plantas medicinais), considerando os direitos de exploração sobre eles existentes, por parte de populações indígenas e regionais, pode significar um importante dinamizador da economia regional.

 

 

MEIO AMBIENTE - Reserva de Desenvolvimento Sustentável

 

O Encantador Boto Cor-De-Rosa exibe nas águas do Rio Japurá. Numa das margens, a raríssima onça-preta passeia, autoritária, com dois filhotes. Na outra margem do rio vivem trinta famílias. As pessoas não têm medo dos animais. A bicharada também não se sente ameaçada. Na maior área de florestas tropical protegida do mundo, gente, bichos e impossível para ambientalistas de todo o mundo tornou-se real no coração da Floresta Amazônica, no gigantesco corredor ecológico formado pela união das reservas de Mamirauá e Amanã com o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas. Um universo de insondáveis labirintos de águas repletos de animais fascinantes, muitos deles só encontrados nessa região. Até um ano atrás, Mamiruá e Jaú estavam separados. Com a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, estava formado o imenso bloco de selva protegida. O projeto de Amanã foi tão importante que rendeu ao governador amazonense, Amazonino Mendes, o prêmio da Green Cross, entidade que acompanha programa ecológicos em todo o mundo.

Equilíbrio Ecológico. Reservas naturais existem nos quatro cantos do mundo. Com a categoria de RDS, não. A Amazônia é a única região do planeta onde surgiu uma política de preservar o meio ambiente sem expulsar os seres humanos. A idéia nasceu do primatólogo paraense José Márcio Ayres. Mas não foi fácil aprovar o novo e revolucionário modelo conservacionista. "Os ambientalistas diziam ser impossível preservar sem tirar as pessoas da região. E as pessoas não gostavam da idéia de viver dentro de uma reserva", lembra Ayres, coordenador de Mamirauá e Amanã. Fundada em 1990, a Estação Ecológica Mamirauá foi transformada em RDS cinco anos mais tarde, quando o governo do Amazonas criou a nova categoria de preservação. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável é um sistema que permite o uso controlado das riquezas da floresta, com o objetivo de beneficiar as comunidades sem afetar o equilíbrio ecológico. Em Mamirauá, por exemplo, as cerca de 5 000 pessoas que já viviam antes da criação da reserva conhecem, aprovam e participam dos trabalhos do pessoal do projeto. Elas recebem aulas de educação ambiental, manejo florestal e aprendem a usufruir as riquezas naturais da floresta sem ameaçá-la. Os ribeirinhos são ótimos fiscais. Se vêem qualquer barco pesqueiro navegando na região, denunciam aos pesquisadores do projeto. Os 2 500 habitantes de Amanã  também já sabem que a região onde vivem agora é protegida. Sobre, isso, recebem informações diárias por uma rádio local. Em certos programas, os locutores são os próprios pesquisadores. A engenharia agrônoma Niele Peralta, 25 anos, tem, entre outras atividades, a responsabilidade de contratar as famílias. "Sempre escuto a senhora no rádio e faço tudo direitinho", comenta a dona de casa Francisca dos Santos, de 42 anos, que mora as margens do Rio Japurá. "Antigamente, a gente vivia aqui, mas não entendia nada desse negócio de cuidar da mata e dos bichos. Esses meninos ensinaram para a gente como é importante tirar o sustento, mas sem fazer mal à mata e ao rios", conta dona Chica. Hoje os ribeirinhos de Amanã recebem ainda assistência médica e odontológica. "É um trabalho cansativo, mas muito gratificante. Sentir que os moradores entendem o nosso objetivo e estão dispostos a nos ajudar a ajudá-los é fantástico", comemora Niele. 

Trabalho Coletivo. Como dona Chica, outros tantos moradores de Mamirauá e Amanã já se integraram definitivamente aos projetos. O melhor exemplo talvez seja o guia Tito Jonas Martins, de 31 anos. Nascido às margens de um dos lagos de Mamirauá (ao todo são mais de 3 000!), Tito plantava uma rocinha nos fundos de casa e pescava o necessário para manter a família. Há seis anos passou a trabalhar em Mamirauá, onde cada pessoa participa com o que tem - no seu caso, a admirável habilidade de se embrenhar por rios, igarapés e igapós da mata. Poucos têm os olhos tão aguçados quanto esse autêntico amazônida. Tais virtudes fizeram de Tito o guia mais famoso em Mamirauá e Amanã. Se algum visitante ilustre vai conhecer as reservas, é dele a missão de apresentar os encantos da lendária Floresta Amazônica. Foi assim que conheceu o cantor Peter Gabriel e o homem mais rico do mundo, Bill Gates. "Não tinha ouvido falar deles. Só sei que são muito importantes", resuma. Mas seu grande orgulho foi servir de guia para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Numa pequena canoa, Tito apresentou a fauna e flora amazônica ao presidente, durante a visita que fez a Mamirauá em abril. O que Fernando Henrique vislumbrou outros turistas já podem conhecer também. Mamirauá aos poucos vai abrindo suas portas ao ecoturistas. Tudo é feito com cautela, para evitar choques ambientais. Em Amanã, o projeto de ecoturismo ainda está no papel. Ali, a prioridade atual é o trabalho social e a elaboração do Plano de Manejo, que apontará, entre outras coisas, a melhor forma de implantar o turismo na região. No ano passado, apenas 150 felizardos visitaram o paraíso de águas, matas e bichos de Mamirauá. A expectativa é concluir 1999 com 200 visitas. O Programa Ecoturismo já recebeu 400 000 dólares do governo inglês, dinheiro que está sendo investido em desenvolvimento de projeto, na compra de barcos e na construção de pousadas flutuantes com dormitórios e refeitório para os hóspedes. Os flutuantes estarão concluídos no próximo ano. Mas a idéia não é encher Mamirauá e Amanhã de visitantes. O excesso poderia quebrar o perfeito equilíbrio das reservas. "A meta é alcançar a marca de 1 000 ecoturistas por ano", destacada a gerente de marketing do programa, Nelissa Bezerra, 22 anos. Pode parecer pouco. E é. Mas é justamente isso que vai assegurar a preservação de todo esse patrimônio ecológico. Quem chega a Mamirauá sai encantado. Estarrecido. Maravilhado. Ao contrário do Pantanal, por exemplo, na Amazônia os bichos não passeiam em campo aberto. Em Mamirauá e em Amanã ele se escondem entre árvores centenárias, num emaranhado difícil de ser desvendado.

 

MEIO AMBIENTE – Reservas Extrativistas   

 

 

Manejo Sustentado  02-05-00

Áreas destinadas à exploração de recursos naturais renováveis

Nome

Área (há)

População

Principais recursos

manejados

Alto Juruá (AC)

506.186

3.600

Seringueira

Chico Mendes (AC)

970.570

7.500

Castanha, copaíba, seringueira

Rio Cajari (AP)

481.650

3.800

Castanha, copaíba, seringueira, açaí

Rio Ouro Preto (RO)

204.583

700

Castanha, seringueira, copaíba

Pirajubaé (SC)

1.444

600

Berbigão, peixes, crustáceos

Ciriaco (MA)

7.050

1.150

Babaçu, agricultura de subsistência

Extremo Norte do Tocantins (TO)

9.280

800

Babaçu, pescado, agricultura de subsistência

Mata Grande (MA)

10.450

500

Babaçu, pescado, agricultura de subsistência

Quilombo do Frexal (MA)

9.542

900

Babaçu, pescado, agricultura de subsistência

Arraial do Cabo (RJ)

-

600

Pesca

Médio Juruá (AM)

253.226

700

Seringueira, pesca

Tapajós Arapiuns (PA)

647.610

16.000

Borracha, pesca óleos e resinas

Totais

3.158.176

36.850