MEIO AMBIENTE – Reservas Biológicas

 

Reservas Biológicas:

 

Rio Trombetas

 

Lago Piratuba

 

Jarú

 

Guaporé

 

Reservas Biológicas

MEIO AMBIENTE – Reservas Biológicas


 

Unidades de Conservação

 

O Brasil está entre os 3 países do mundo de maior diversidade biológica. Possui a flora mais rica do planeta e a sua fauna é a primeira em número de espécies de vertebrados terrestres, primatas e peixes de água doce. Destaca-se ainda quanto ao número de espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios.

Para a proteção desse inestimável patrimônio natural, ao qual se juntam paisagens de excepcional beleza cênica, e outros recursos e valores não biológicos, de importância fundamental para a vida na Terra, iniciou-se há 55 anos de estabelecimento de áreas protegidas no Brasil. Hoje, estas áreas, conhecidas no conjunto como Unidades de Conservação, constituem um instrumento essencial para a proteção da biodiversidade do país. Cerca de 3,9% do território nacional está sob proteção governamental na forma de Parques Nacionais, Reservas Biológicas, Estações Ecológicas, Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas e Áreas de Proteção Ambiental, cada tipo de Unidade cumprindo papéis distintos e complementares, que vão desde a preservação estrita até a utilização direta controlada dos recursos.

Todas as formas de vida são únicas e o respeito às mesmas deve ser assegurado independentemente da sua utilidade. Além disso, o homem é parte da Natureza e dela depende para uma vida saudável. As unidades de conservação representam a materialização deste entendimento e constituem um trabalho prioritário do IBAMA, responsável, a nível federal, por sua criação, implantação e manejo.

 

Conservating Units

 

Brazil is one of the three countries of the world that shows the largest biological diversity. It owns the richest flora of the planet, and its fauna is the leader in number of land vertebrate species, primates and fresh water fish. It also exhibits an outstanding number of birds, mammals, reptiles and anfians.

To the protection of this unpriceable natural patrimony, to wich one may join exceptionally beautiful landscapes and other non-biological resources of first importance to life one earth, it was started, about 55 years ago, the settlement of protected areas in Brazil. Those areas, known as Conservating Units, represent today an essential tool to the biodiversity protection in the country. Near 3,9% of the national territory is under governmental protection as National Parks, Biological Reserves, Ecological Stations, National Forests, Natural Resoucers Extration Reserves and Environmental Protection Areas – each kind of Unit performing supplementary roles, from strict preservation to controled utlization of resoucers.

All life forms are unique, and the respect to them must be assured regardless of their utility. Besides of that, man is part of nature and depends on it for a healthy life. Conservating Units are the materializing of this approach and represent a top priority task for IBAMA – the federal agency which is responsible for their creation, implantation and management.

 

RESERVAS BIOLÓGICAS

 

Denominação

 

UF

 

Municípios Abrangidos

 

Superfície

Decreto

Número      Data

 

R.B. Abufari

AM

Tapauá

288.000

87.585

20.09.82

R.B. Guaporé

RO

Alta Floresta d’Oeste e Costa Marques

600.000

87.587

20.09.82

R.B. Gurupi

MA

Carutapera

341.650

95.614

12.01.88

R.B. Jarú

RO

Ji-Paraná, Machadinho d’Oeste

268.150

83.716

11.07.79

R.B. Lago Piratuba

AP

Amapá, Tartarugalzinho

395.000

84.914

16.07.80

R.B. Rio Trombetas

PA

Oriximina

385.000

84.018

21.09.79

R.B. Tapirapé

PA

Marabá e São Félix do Xingu

103.000

97.716

05.05.80

R.B. Uatumã

AM

 

550.000

99.277

06.12.90

 

MEIO AMBIENTE – Reservas Biológicas

 

Reserva Biológica do Abufari

 

Esta Reserva foi criada no dia 20 de setembro de 1982 pelo Decreto nº 87.585. Abrange 288.000 há dos municípios de Manacapuru e Tapauá no sudeste do Estado do Amazonas.

A Reserva situa-se nos terraços e planícies aluviais de origem holocênica, onde ocorrem três fitofisionomias intimamente ligadas a topografia que são: Floresta Aluvial, Formações Pioneiras e Floresta Densa Tropical com ocorrência de espécies de flora já em perigo de extinção como o pau-rosa, entre outros.

A Floresta Tropical Densa caracteriza-se por apresentar copas fechadas, alturas atingindo 25 a 34 metros, com árvores emergentes de até 40 metros. A Floresta Aluvial, considerada uma subdivisão da Floresta Densa, não constitui um ambiente clímax, e ocorre sobre os terraços aluviais, junto ao igarapé do Panelão. É uma vegetação ecologicamente adaptada às intensas variações de nível de água, sendo que sua atividade biológica diminui na época das cheias. As principais espécies desta área são a samaúma, o açaí e o buriti. Na Floresta Densa ocorrem o pau-rosa, a castanha-do-pará, o açacu, a maçaranduba, a seringueira, o caucho, o pau-d’arco, a ucuuba, a embaúba, dentre outros.

As Formações Pioneiras ocorrem na Reserva nas áreas lacustres de deposição aluvial. Estas são áreas que permanecem inundadas a maior parte do ano e é o ambiente onde se inicia a sucessão vegetal. Inicialmente, gramíneas, ciperáceas, aráceas e outras formas pioneiras ocupam a área, sendo que a evolução pedológica é acompanhada pelo aparecimento de vegetação lenhosa de porte arbustivo e arbóreo, como a embaúba, a ucuuba, a macaca-de-paca Aldina heliophylla, a muiratinga, a sumaúma e a faveira-do-igapó Crudia amazônica.

A fauna de Reserva é típica das áreas amazônicas muito “vascularizadas”, com grande número de alagados e igarapés. Quando o estudo da área para a criação da Reserva Biológica, dentre os inúmeros igarapés e lagos dois chamaram a atenção da equipe: o igarapé do Chapéu, onde constatou-se a presença do peixe-boi, e o igarapé do Panelão, onde havia grande concentração de garças, maçaricos, cararás, arirambas, maguaris, etc.

A área abriga grande abundância de quelônios, em especial a tartaruga-da-amazonia, que utiliza suas praias para postura. O melhor tabuleiro de desova do rio Purus e um dos maiores da Amazônia encontra-se dentro da área agora protegida.

Além dos já citados, foi constatada também a existência do macaco-coatá, do barrigudo, da onça-pintada e da ariranha, dentre outros.

O clima da região é quente e constantemente úmido. A temperatura média do mês mais frio é superior a 20ºC. Os índices pluviométricos oscilam entre 2.300 e 2.750mm anuais, sendo o período do que vai de janeiro até maio o mais chuvoso e o de junho até setembro, o menos chuvoso. A temperatura média das máximas é de 32ºC.

Muitas espécies aí ocorrem, mas salientamos as ameaçadas de extinção, como o peixe-boi e a ariranha, e aqueles já em perigo de extinção, como o jacaré-açu e o macaco-barrigudo.

Vários estudos precederam a criação dessa unidade de conservação. Entre elas destacamos os efetuados pelo IBDF com apoio financeiro do POLAMAZÔNIA, por serem os mais completos.

Sua terra é devoluta mas não sofreu ainda implantação por ter sido recentemente criada.

 

Reserva Biológica do Abufari

Superfície: 288.000 ha.

Decreto Federal nº 87.585 de 20-09-82

Localização: Estado do Amazonas

Longitude oeste: 63º15’ / 62º35’

Latitude sul: 4º50’ / 5º30’

Características Gerais: Inclui em seus limites um dos mais importantes tabuleiros de desova de tartarugas do rio Purus. Floresta Tropical densa e espécies da fauna ameaçadas, como o peixe-boi.

 

Reserva Biológica do Guaporé

 

Criada pelo Decreto nº 87.587, de 20 de setembro de 1982, com área aproximada de 600.000 há, situa-se na região sul do Estado de Rondônia, abrangendo terras dos municípios de Vilhena e Guajará-Mirim

A área dessa extensa Reserva é coberta por vegetação não alterada pelo homem, abrangendo imensos pantanais denominados Médio e Alto Guaporé, com também terras altas com flora diversificada, abrigando rica fauna onde sobressai o cervo do pantanal, já em vias de extinção.

Esta reserva foi estabelecida em momento oportuno, justo quando ocorrem as migrações dirigidas e grandes investimentos federais e colonização agrícola que caracterizam o processo de expansão da fronteira econômica do sistema produtivo no Brasil, de ocupação da Amazônia.

Cinco formações vegetais distintas podem ser encontradas na área agora protegida: floresta ombrófila densa tropical, formações pioneiras, formação savana, floresta estacional semidecidual tropical e floresta ombrófila aberta tropical.

A Reserva Biológica do Guaporé inclui parte do refúgio do pleistoceno (ilha florestal) do “Guaporé”, baseado em Lepidóptera segundo K. S. Brown (1976).

Ao longo do rio Guaporé há diversos tabuleiros de desova da tartaruga-da-amazonia e de outros quelônios.

A temperatura média anual é da ordem de 25ºC, com uma amplitude térmica anual insignificante (inferior a 1ºC), média das máximas no trimestre mais quente (agosto, setembro, outubro) da ordem de 33ºC e média das mínimas do trimestre mais frio (junho, julho, agosto) da ordem de 15ºC.

A temperatura máxima absoluta situa-se entre 36ºC e 38ºC (setembro, outubro) e a temperatura mínima absoluta em torno de 4º C.

Convém observar que durante o inverno (junho, julho, agosto) o Território de Rondônia, bem como o Acre e parte do Amazonas, é freqüentemente invadido por anticiclones de origem polar. Alguns são excepcionalmente poderosos e provocam o chamado fenômeno de “friagem” caracterizado por forte umidade especifica e relativa, acompanhada de chuvas frontais e sucedidas por tempo bom e extraordinária queda de temperatura. Embora a passagem de frentes frias seja muito comum no inverno, o fenômeno da “friagem” não é muito freqüente. Deve-se observar ainda que a oscilação térmica entre os dias e as noites é de amplitude bem maior do que a oscilação estacional; por estar sujeita a invasão de anticiclone polar, a região apresenta uma das maiores oscilações térmicas diurnas da região Norte do País. O total pluviométrico situa-se entre 2.000mm e 2.200mm. O período chuvoso, de novembro a março, concentra cerca de 70% do total da precipitação anual enquanto que o inverno (junho, julho, agosto) corresponde à estação seca, sendo considerado seco aquele mês em que o total das precipitações em milímetros é igual ou inferior ao dobro da temperatura média em º C (Gaussen).

A umidade relativa média anual é igual ou superior a 80%. As áreas permanentemente alagadas são, às vezes, cobertas de vegetação de longas raízes que formam extensa colcha flutuante.

O rio Guaporé divaga nestes sedimentos deixando um sem número de lagos e meandros abandonados. O nível do alto terraço é constituído por sedimento argilo-arenoso, laterizado incipientemente. Este nível é coberto por vegetação de cerrado alto ou mata densa, e não apresenta rebordos de terraço. Esta área só é inundável nas grandes cheias.

A região apresenta um clima quente, úmido, com 2 a 3 meses secos, de tipo equatorial.

A quase totalidade da área da Reserva constitui-se de terras devolutas mas ainda não sofreu implantação por ter sido recentemente criada.

 

Reserva Biológica do Guaporé

Superfície: 600.000 ha.

Decreto Federal nº 87.587, de 20-09-82.

Localização: Estado de Rondônia

Longitude oeste: 63º30’ / 67º00’

Latitude sul: 12º00’ / 13º 00’

Características Gerais: Situada em área sob forte pressão de colonização, protege área de pantanais do rio Guaporé, na fronteira com a Bolívia e florestas de terra firme, com a fauna relacionada. Inclui parte do Refúgio do Pleistoceno “Guaporé”.

 

Reserva Biológica do Jaru

 

A Reserva Biológica do Jaru, recentemente criada no Estado de Rondônia, ocupa parte da extinta Reserva Florestal do Jaru.

Esta antiga Reserva Florestal estava assentada sobre uma área de 1.085.000 hectares e ocupava os melhores solos daquele Território. Uma vez que sua criação datava de 25 de julho de 1961, e que o atual Código Florestal Brasileiro, instituído pela Lei Federal nº 4771 de 1965, não inclui em seu bojo a figura “Reserva Florestal”, foi necessário enquadrar esta área dentro de uma das categorias previstas na Lei. Se por um lado essa Reserva Florestal representava um valioso patrimônio de floresta tropical úmida da Amazônia, desenvolvida sob solos de grande fertilidade, por outro nela existiam legítimos proprietários de terras, posseiros e invasores em grande número. Uma feliz composição entre o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) foi feita. O INCRA pôde assumir uma grande área de boas terras agrícolas, próprias para o cultivo da seringueira e do cacaueiro, entre outras culturas, e o IBDF ficou com uma outra de 268.150 hectares livre de ocupações indesejáveis, representativa daquela magnífica biota.

A Reserva Biológica do Jaru enquadra-se na Província Biogeográfica Madeira (Udvardy, 1975) e no “Domínio Equatorial Amazônico” (Ab’Saber, 1977).

A cobertura vegetal á rica, luxuriante e primitiva e o principal rio que a banha é o Ji-Paraná ou Machado. Uma vez que se acha localizada em região de difícil acesso, sua flora e fauna ainda não são bem estudadas. Segundo levantamentos do RADAMBRASIL (1978), a formação vegetal dominante na área é a Floresta Aberta com Palmeiras, associada à Floresta Tropical Aberta e á Floresta Tropical Densa. Ocorrem entre as principais espécies da flora, as seguintes: breu-manga, abiorana-seca, castanheira, quinarana, seringueira, angelim-rajado, açoita-cavalo, buriti, faveiras, curuaru, etc.

Da fauna citaremos apenas as seguintes espécies, mais comuns: jaguar, suçuarana, paca, anta, caitetu, queixada, cujubim, jacamim, mutum-cavalo, tartaruga-da-amazonia, tracajá, jibóia, sucuri, surucucu, pirarucu, tucunaré, entre vários outros.

Não obstante, pretendem as autoridades responsáveis implanta-la brevemente, sendo que já se iniciaram os trabalhos preliminares com vistas à elaboração de um Plano de Manejo para a área.

 

Reserva Biológica do Jaru

Superfície: 268.150 ha.

Decreto Federal nº 83.716, de 11-07-79

Localização: Território Federal de Rondônia

Longitude oeste: 61º30’ / 62º00’

Latitude Sul: 9º20’ / 10º15’

Características Gerais: Protege a mata amazônica que vegeta sobre solos muito férteis. Vegetação primitiva, pouco estudada e local de difícil acesso.

 

Reserva Biológica do Lago Piratuba

 

Criada pelo Decreto nº 84.914, de 16 de julho de 1980, tem área estimada em 395.000 hectares, estando situado no Território Federal do Amapá, entre as coordenadas 1º 10’ – 1º 50’ latitude N e 49º 40’ longitude W. Gr., no município de Amapá.

A unidade de conservação situa-se na Província Biogeográfica Guiana (Udvardy, 1975) e na Província Amazônica, subprovíncia da Planície Terciária, Setor Oceânico, segundo a Divisão Fitogeográfica do Brasil (Rizzini, 1963)

A área da Reserva Biológica do Lago Piratuba pertence à Planície Fluvio-Marinha Macapá – Oiapoque, constituindo-se de extensas áreas planas formadas por sedimentos quaternários (argila, silte e areia) de origem mista, fluvial e marinha, sendo sujeita a inundações periódicas, com trechos permanentemente alagados com características de colmatagem evidenciadas pelo paleocanais e lagos residuais. Trata-se de uma planície ainda em formação, cuja gênese está ligada a movimentos eustáticos do final do Pleistoceno.

Os dados climáticos obtidos em Amapá (latitude 2º 05’ N, longitude permitem apresentar o seguinte quadro climático para a Reserva Biológica do Lago Piratuba: temperatura média anual da ordem de 26º C, sendo os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro os mais quentes, e os meses de junho, julho e agosto os mais amenos; temperatura média do mês mais frio nunca inferior a 22º C e temperatura máxima absoluta da ordem de 36º C; altura média da precipitação pluviométrica total anual superior a 3.250mm sendo o trimestre de março – abril – maio – o mais chuvoso; ocorrência de um período seco (segundo o conceito de Gaussen) de 3 meses, de setembro a novembro; umidade relativa da ordem de 80% durante o ano e nebulosidade elevada, com cobertura do céu em torno de 5/8. O clima da área, portanto, é um clima equatorial quente úmido com 3 meses secos (termoxeroquimênico atenuado).

A cobertura vegetal da área apresenta-se dominada por formações vegetais que ainda se encontram em fases de sucessão, com ecossistemas dependentes de fatores ecológicos instáveis, denominados Formações Pioneiras pelo setor de vegetação do Projeto RADAM. Além dessas formações pioneiras, ocorrem algumas manchas de floresta tropical densa de planície aluvial, em geral coincidentes com as manchas de laterita hidromórfica, em locais ligeiramente mais elevados. As formações pioneiras consistem de dois tipos, em função da influência marítima: a formação de mangue ou manguezal, onde a salinidade do mar funciona com fator seletivo da vegetação e a formação dos campos da planície do Amapá, ocupando os terrenos aluviais, onde não há influencia de salinidade do mar e que apresenta problemas de drenagem. O mangue, ocupando as áreas justamarítimas, da foz do rio Araguari até o canal Turiuna no limite norte da Reserva, apresenta maior desenvolvimento na região dos lagos compreendida entre o povoamento de Sucuriju e o Lago Piratuba. Esta comunidade é dominada por espécies adaptadas as condições particulares do habitat, sendo as mais representativas a siriúba, o mangue-vermelho e o mangue-amarelo ou mangue-branco; na área, a grande influencia das águas do rio Amazonas condiciona a dominância da siriúba pela redução do índice de salinidade. Os campos da planície do Amapá, outra formação pioneira, ocupam a maior parte dos terrenos aluviais constituídos de depressões, sofrem o efeito das inundações periódicas, conseqüentes tanto dos elevados índices pluviométricos locais (mais de 3.250mm), quando do represamento ocasionado pela maré. A cobertura vegetal, com abundância de gramíneas, ciperáceas e melastomatáceas, apresenta variações locais, segundo o maior ou menor grau de inundação. Nos locais mais baixos e mais alagados, a vegetação tem maior porte e é composta principalmente por aninga, tiriricão, buriti, piri e, nos lagos, mururés. Na terra firme dominam diversas melastomatáceas. A vegetação das partes mais altas dos campos inundáveis é predominantemente composta por gramíneas, dentre as quais destacam-se canaranas, capim-rabo-de-rato, capim-serraperna, capim-arroz. Em meio aos campos inundáveis, principalmente na sua parte mais oeste, nota-se a formação de parques de cerrado ocupando pequenos “tesos” com dominância de capim-barba-de-bode, lixeira de mata de galeria e veredas de buritis.

As manchas de floresta tropical densa de planície aluvial, ocupando áreas aluviais, influenciadas ou não pelas cheias dos rios, ocorrem ao longo das margens do rio Araguari e na parte oeste e noroeste da Reserva. É uma floresta de estrutura complexa, normalmente rica em palmeiras, tais como o açaí, que apresenta árvores emergentes providas de sapopemas e de difícil acesso em face da água e do emaranhado de raízes, como no Parque Nacional do Cabo Orange.

De modo geral, segundo o Projeto RADAM, as espécies florestais mais comuns na área são: ucuubas, ananis, andirobas, açacu, samaúma, tachis, taquara, pracuuba e açaí.

Embora muito pouco estudada, a fauna da Reserva Biológica do Lago Piratuba revela-se muito rica e bastante diversificada, diversidade esta diretamente relacionada com a diversidade de habitats. Dentro da ordem Chelonia, é muito provável a ocorrência de várias espécies de tartaruga tanto fluvial e lacustre como de terra firme; quanto às tartarugas marinhas Chelonia mydas, Dermochelys coriacea, embora no passado tenham sido registrados desovas nas praias arenosas entre os rios Calçoene e Amapá, um pouco ao norte da Reserva, não se tem dados atuais. A grande extensão de lagos e alagados na área sugere a possível ocorrência de vários representantes da ordem Crocodila entre os quais o jacaré-açu Melanosuchus niger, ameaçado de extinção, bem como uma grande diversificada de peixes de água doce. Sua fauna, entretanto, é basicamente a mesma citada para o Parque Nacional de Cabo Orange, portanto não repetiremos a listagem.

 

Reserva Biológica do Lago de Piratuba

Superfície: 395.000 ha.

Decreto Federal nº 84.914, de 16-07-80

Localização: Território do Amapá.

Longitude oeste: 49º40’ / 50º30’

Latitude norte: 1º50’ / 1º27’

Características Gerais: Localiza-se em região de campos de várzea e mangues de grande interesse conservacionista por abrigar espécies ameaçadas de extinção. 

 

Reserva Biológica do Rio Trombetas

 

A Reserva Biológica do Rio Trombetas, com 385.000 hectares, criada pelo Decreto Federal nº 84.018, de 21 de setembro de 1979, como parte das solenidades de comemoração da “ Semana da Árvore”, situa-se no médio rio Trombetas, no município de Oriximiná, Estado do Pará. Constitui-se em uma área natural, praticamente livre de ação antrópica, uma vez que sua área era explorada apenas pelos apanhadores de castanha-do-pará, alguma pesca comercial e pela captura de tartarugas-da-amazônia, do tracajá e do pitu ou iaçá, sendo que esta última atividade era praticamente livre até 1964, quando então se iniciaram os trabalhos de proteção a esses quelônios, reduzindo-a bastante.

A área se acha localizada na Província Biogeográfica Amazônica (Udvardy, 1975 e na Província Amazônica, subprovincia Jarí-Trombetas, segundo a divisão fitogeográfica do Brasil, de Rizzini (1963).

Englobando planície e baixos planaltos amazônicos, situados entre os Escudos da Guiana e Brasileiro, é constituída principalmente por rochas sedimentares. É drenada pelo rio Trombetas e seus afluentes. Esse rio, que deu seu nome a reserva, é afluente da margem esquerda do Amazonas e por correr sobre planície desenvolve meandros e lagos, além de inundar durante as cheias as planícies aluviais que o margeiam. Dos inúmeros lagos existentes dentro da Reserva merecem destaque o Erepecu e o Jacaré.

Na vazante o rio baixa até 7 metros quando então aparecem várias praias fluviais de areia, de grandes extensões, utilizadas (preferencialmente a do Leonardo) principalmente pela tartaruga-da-amazônia, para desova.

As unidades geológicas são representadas desde que o Arqueano até o Holoceno, com unidades do Siluriano Inferior, Devoniano, Indiviso, Carbonífero Superior e Terciário (Piloceno).

Os solos mais comuns são o latossolo vermelho-amarelo e podzólico vermelho-amarelo, sob floresta tropical úmida; solos pouco desenvolvidos, aluviais recentes de relevo plano e solos hidromórficos são encontrados sobre floresta e várzea.

A temperatura média anual é de 26,5º C com a média das máximas atingindo 31,3º C e a média das mínimas 21,8ºC. A precipitação média anual é de 1.863mm, sendo meses de maior pluviosidade de dezembro a maio, com a média mensal de 254mm e os mais secos entre junho e novembro, com média mensal de 57mm. A média da umidade relativa anual é superior a 80% e o clima do tipo Aw na classificação de Köppen.

A flora da região é bastante estudada. A área foi visitada por Spix-Martius, Bates, Wallace, Spruce, Coundreau, Rodrigues, Trail, Huber, Ducke e muitos outros naturalistas. Especificamente na área da Reserva o Projeto RADAM-BRASIL (volume 10) indica várias espécies ocorrentes e as principais são: acariquara, sucupiras, castanheira, cupiubas, cordeiro, muiraúba, itaúba, mandioqueiras, maçaranduba, piquiarana, angelim-pedra, angelim-rajado, pau-d’arco, andiroba, morototó, acapu, cedro, andirobarana, Amapá-doce, jataí-açu, macaúba.

A fauna da Reserva Biológica do Trombetas, assim como a flora, já está sendo objeto de estudos, apesar de ser a tartaruga-da-amazônia o animal que desencadeou todo o processo de criação da Reserva e que tem merecido estudos mais detalhados e minunciosos como veremos mais adiante. Várias equipes realizaram pesquisas recentemente na área. Dentre elas destacamos as seguintes:

Ávila-Pires et alii (1979) listaram 10 espécies de marsupiais distribuídos pelos gêneros Calluramys, Marmosa, Philander, Monodelphis, Didelphis, Metachirus e Chironectes; 13 espécies de quirópteros nos gêneros Rhynchonycteris, Noctilis, Saccopteryx, Micronycteris, Trachops, Glossophaga, Uroderma, Desmodus, Carolia, Thyroptera e Molussus; 8 primatas também foram listados e são: parauacú-de-cara-branca, o cuxiu, o prego, o macaco-de-cheiro, o coatá-de-cara-vermelha e os sagüis; de desdentado destaque a preguiça-real, enquanto as outras espécies se dividem pelos gêneros Tamanduá, Cyclopes, Bradypus, Myrmecophaga, Eyphractus e Dasypus; 17 espécies de roedores nos gêneros Sciurus, Sciurillus, Oryzomys, Rattus, Neacomys, Nectomys, Proechimys, Holochilus, Signomys, Echimys, Agouti, Dasyprocta e Myoprocta; 9 espécies de carnívoros distribuídos nos gêneros Eira, Nasua, Procyon, Galictis, Felis e Pantera (Leo). Destaca-se entre eles a ocorrência da ariranha, animal ameaçado de extinção. Foram ainda listados 1.055 espécies de artrópodes. Sick (1979), em relatório ao IBDF, listou as seguintes espécies de aves na Reserva Biológica: o corujão, e o sócio, ainda não citados para o local, e observados pela primeira vez, o uirapuru, o trinta-réis, o corta-água, os maçaricos, o bacurau-da-praia e gavião-de-penacho. Entre os répteis, destacam-se o jacaré-açu, o jacaretinga, a sucuri, e, principalmente os quelônios tracajá, iaçá ou pitiú e a tartaruga-da-amazônia, que merece atenção especial por constituir a principal razão da Reserva Biológica, pois é na sua área que elas são encontradas em maior quantidade em toda a bacia de drenagem do rio Amazonas, devido ao trabalho persistente realizado inicialmente em 1964 pela Prefeitura da cidade de Oriximiná, de 1965 a 1975 pelo Ministério da Agricultura e de 1976 até hoje pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF – através do apoio financeiro do Programa de Pólos Agropecuários e Minerais da Amazônia – POLAMAZÔNIA. Hoje, um programa de pesquisa bio-ecológicas sobre este quelônio está sendo desenvolvidos pelo IBDF, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP -, órgão da Secretaria de Planejamento da Presidência da República. Os primeiros resultados já foram obtidos e trabalhos já foram concluídos sobre a ecologia e manejo deste quelônio na Reserva Biológica.

O seu comportamento social na época de nidificação por um lado facilita o trabalho de proteção e fiscalização pelo IBDF, e por outro toma a espécie  altamente vulnerável à predação, não tanto pelos inimigos naturais, mas principalmente pelo homem. Alho et alii (1979) citando Bates, indicam que já em 1963, muitos indivíduos adultos e jovens eram coletados e sacrificados, além da retirada de cerca de 48.000.000 de ovos anualmente. Fazem referencia, ainda, à grande procura destes animais para a alimentação humana, onde o preço em Manaus chega a atingir US$ 180,00 por indivíduo durante as festas de fim de ano.

A estação de postura no Trombetas se inicia em meados de outubro estendendo-se até o início de novembro. Como a incubação dura em média 48 dias (Alho et alii, 1979) e eclosão dos filhotes se inicia em dezembro.

Anualmente, dentro da Reserva, 7 praias ou “tabuleiros” aparecem no Trombetas denominadas por: Rasa, Abuí, Jauarí, Viana, Jacaré, Farias e Leonardo, sendo esta última o local onde ocorre maior número de desovas.

Na época da desova as tartarugas migram dos lagos em direção às praias e por razão ainda não explicada preferem a praia do Leonardo para realizarem a postura, o que levou Alho et alii (1979) a levantar a hipótese de “imprinting” ao assim se expressarem: “Há evidências de que as tartarugas preferem sempre a mesma região para pôr seus ovos, retornando para ela a cada estação de nidificação. Parece que o estímulo que o animal jovem percebe durante o processo de estampagem (“imprinting”) quando nasce, afeta a escolha específica para nidificar quando se torna adulto”. Alho et Pádua (em publicação), observaram um comportamento de nidificação muito estereotipado, o qual se acha relacionado com o sucesso da estratégia evolutiva da espécie. Textualidade assim se exprimiram: “A evolução da eficiência crescente da técnica estandardizada da postura de ovos resulta numa taxa de reprodução melhor como conseqüência dos padrões motores (trabalho muscular) de maneira e uniformizar o processo de ovoposição, independente de experiência ou aprendizado”.

As tartarugas botam em média 93 ovos em cada estação de postura, podendo, segundo os autores já citados (1979), variar a postura de 53 a 134 ovos.

Os filhotes ao nascerem aguardam o cair da noite para saírem das covas e se dirigirem para o rio, procurando abrigo nas águas rasas e/ou sob entulhos, contra os predadores naturais que são inúmeros. Os mesmos autores (1979) citam os seguintes principais predadores naturais de filhotes de tartaruga-amazônica: gaivota, jaburu, urubu, sapo-cururu, aruanã, jandiá, piranha-branca, piranha-preta, pirarara, piracatinga, piramutaba, traíra e os tucunarés. Entretanto, com intuito de acelerar o repovoamento da região com estes animais, o IBDF fez até 1979 a retirada manual dos filhotes das covas, colocando-os em berçários ou viveiros, onde os jovens permanecem por cerca de 20 dias a salvo dos predadores, absorvendo o resto das substâncias alimentares ainda presentes na região umbilical, quando então são levados em barcos e soltos, em distancias regulares, nos lagos.

O acesso à Reserva pode ser feito por linhas aéreas comerciais até Santarém, a Oriximiná ou à mineração Rio do Norte e de um destes lugares até a sede da Reserva por barco.

A Reserva não permite turismo, entretanto possui boas acomodações para pesquisadores.

Além da proteção aos quelônios, uma outra função de elevado interesse econômico-social da Reserva é o papel que ela desempenha na garantia de uma vazão mínima para o rio Trombetas, vazão esta que possibilita o acesso de navios de grande calado até o Porto de Mineração Rio do Norte, responsável pela exploração das enormes jazidas de bauxita, que se localizam à sua jusante.

A Reserva Biológica do Rio Trombetas existe hoje graças à tenacidade e visão de muitas pessoas que lutaram durante anos a fio por sua criação.

 

Reserva Biológica do Rio Trombetas

Superfície: 385.000 ha.

Decreto Federal nº 84.018, de 21-09-79.

Localização: Estado do Pará.

Longitude oeste: 56º15’ / 57º05’

Latitude sul: 1º00’ / 1­º45’

Características Gerais: Esta Reserva criada em comemoração à festa anual das árvores, se destina a proteger as tartarugas da Amazônia, permitir uma vazão mínima do rio Trombetas, que possibilite a navios de grande calado retirarem bauxita à sua jusante e preservar aquele tipo de mata amazônica e espécies da fauna ameaçadas de extinção.