MEIO AMBIENTE - Queimadas

Monitoramento diário

 

INPE

 

IPAM

 

IPAM

 

PROARCO

 

PREVFOGO/IBAMA

 

IBAMA/RORAIAMA

 

Ecoforça

 

SECTAM

Denúncias

 

Ministro do Meio Ambiente - Denuncia sobre funcionários do IBAMA e Biopirataria

www.mma.gov.br      

e-mail: mma@mma.gov.br

 

IBAMA - Denuncia via Internet sobre queimadas, desmatamentos, caça e comércio de aves e animais, etc.

www.ibama.gov.br/onda/linhaver/onda05.htm

 

IBAMA - Fiscalização

www.ibama.gov.br/atuacao/fiscal/atuacao8.htm

 

WWF - Fundo Mundial para a Natureza - Principais telefones para denúncias

www.wwf.org.br

 

Greenpeace - denúncias sobre desmatamentos, queimadas, caça, pesca, poluição em geral, riscos de poluição, etc.

www.greenpeace.org.br

 

Meio Ambiente Org - Telefones e Endereços dos principais Órgãos que recebem denúncias (Ibama, secretarias, prefeituras, policiais, órgãos de defesa do consumidor, Suipa, etc.)

www.meioambiente.org.br/site/portugues/legisla/denuncia/serv3.htm

 

Zurita

www.netflash.com.br/zurita

 

MEIO AMBIENTE – Queimadas

Queimadas provocam 'frio' e 'seca' na Amazônia



Jonathan Amos

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) mostrou pela primeira vez como as queimadas na Amazônia estão causando a queda da temperatura e das chuvas na região.

O estudo foi apresentado na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Boston, nos Estados Unidos.

Segundo os cientistas, o fogo libera para a atmosfera uma enorme quantidade de pequenas partículas que refletem a luz do sol de volta para o espaço.

A perda de calor no solo está levando a uma queda de cerca de 3ºC na temperatura média da estação seca na região, que vai de agosto a outubro. As partículas também estão retirando a umidade das nuvens, reduzindo em até 30% as chuvas em algumas partes da floresta.

Escudo solar

A comunidade científica internacional já sabe há algum tempo que essas partículas atuam como um escudo, absorvendo e devolvendo a radiação solar ao espaço e esfriando a superfície do planeta.

A pesquisa brasileira, porém, é a primeira a medir o impacto do fenômeno na Bacia Amazônica.

Os incêndios espontâneos e as queimadas atingem cerca de 15% do território da Amazônia, mas os efeitos da poluição causada pelo fogo podem ser percebidos em uma área mais extensa.

"A floresta nativa e intocada cobre cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados", disse Paulo Artaxo, um dos autores da pesquisa.

"Acreditamos que cerca de metade dessa área está sendo afetada por esse tipo de poluição secundária."

As finas partículas de carbono liberadas pelo fogo sobem a até 15 km do solo e se espalham sobre a mata.

"Esse fenômeno está perturbando fortemente o equilíbrio de radiação na Amazônia", afirmou o pesquisador.

"Em algumas áreas, estamos perdendo cerca de 40% da radiação total que estaria à disposição do ecossistema em condições normais. Isso pode afetar profundamente a saúde desse ambiente."

Vegetação ameaçada

As partículas também estão interferindo na formação das nuvens, tornando mais difícil a transformação das moléculas de água em gotas de chuva.

"Em algumas áreas que estão sofrendo queimadas, percebemos uma redução de 30% nas precipitações", afirmou Artaxo. "Em pouco tempo, os satélites vão registrar a queda no nível de chuvas na floresta como um todo."

Os incêndios também afetam a qualidade do ar, pois emitem monóxido de carbono e outros gazes causadores da produção de ozônio, que, em níveis elevados, prejudicam a vegetação.

Artaxo afirmou que sua pesquisa tenta precisar os efeitos que a queda na radiação solar e o aumento do nível de ozônio podem trazer para o ecossistema da floresta.

"É interessante notar que há alguns estudos, como um da China, por exemplo, que mostram que os altos níveis de ozônio podem reduzir a eficiência das colheitas em até 25%."

 

 

Queimadas em Setembro/2000

 

CAMPINAS -  O acompanhamento por satélites registrou, em setembro, 24.396 queimadas em todo o Brasil. O índice é apenas 1,5% superior ao total detectado em agosto, de 24.031 focos de fogo.

As piores concentrações do mês ocorreram ao longo da BR-364, de Rondônia até Rio Branco (AC); norte de Mato Grosso, entre os Rios Juruena e Xingu, e ao sul de Campo Alegre, no Pantanal; ao longo do alto e médio Araguaia, nas divisas Goiás-Mato Grosso e Pará-Tocantins; nas regiões de Açailândia, Imperatriz, Coroatá e Rio das Balsas, no Maranhão; no oeste da Bahia e entre Arinos (MG) e Serra de Sucuarana (BA), na divisa de Minas, Goiás e Bahia. Também houve focos no interior de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Embora fora dos padrões verificados nos anos anteriores, os índices de queimadas têm-se mantido abaixo dos observados desde 1997. Nesse ano, houve 27.677 focos em setembro; em 1998, 32300; em 1999, 32.063. As 24.396 queimadas der 2000 já desenham uma vitória da fiscalização e das agendas governamentais e não-governamentais.

MEIO AMBIENTE - Queimadas

O pequeno grande incêndio.

São muitas as divergências sobre o tamanho da área que foi queimada em Roraima em um dos maiores demorados incêndios que já atingiu a Amazônia. Uma coisa, no entanto é certa: a tragédia foi muito mais do que deveria. Houve muito atraso e desencontro nas providências contra os focos do incêndio. O fogo começou em novembro do ano passado e só foi controlado em abril deste ano. Nesse período lambeu uma área pelo menos do tamanho da Bélgica. Ainda em novembro o coordenador de assuntos humanitários da ONU, Vladimir Sakharov, ofereceu ajuda ao governo brasileiro para combater o incêndio. Naquele momento apenas áreas de cerrado haviam sido atingidas. Quase não fogo em zonas de floresta.Teria sido muito mais fácil controlar o incêndio. Militares brasileiros consideraram que "o fogo era um problema brasileiro e deveria ser combatido por nacionais". Somente no final de março o governo brasileiro aceitou a ajuda internacional. Caso tivesse concordado com ajuda antes, talvez Roraima não precisa ser transformada em um pedaço do inferno na Terra. No final de junho o porta-voz da Presidência da República, Sergio Amaral, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, ainda insistia em dizer que "o incêndio em Roraima foi várias vezes menor do que se dizia". Amaral queria dizer que a tragédia extrapolou em suas dimensões mais por obra da mídia, com suas reportagens diárias, no Brasil e no exterior, do que por ação do fogo. Talvez tenha razão, no entanto a falta de preparo para o combate desse tipo de incidente ficou clara. Roraima é um Estado novo, deixou a condição de Território Federal com a Constituição de 1988. Um terço de seu território é ocupado pela reserva dos índios Ianomanis, um dos últimos e mais primitivos grupos indígenas contatados pelos brancos. Apesar de ser um Estado que tem mais de 80% de seu território coberto pela Floresta Amazônica, não dispõe, assim como todos os outros Estados da região, de recursos e pessoal específicos para combate de incêndios florestais. Esses incêndios, na verdade formado por centenas de focos de fogo, põe a descoberto uma prática utilizada por agricultores desde muito antes do desembarque dos colonizadores europeus na América Latina: o uso do fogo para limpar a terra para plantio. É rápido e barato. Isso acontece habitualmente nos períodos de seca, agravada este ano pela ação do EL Nino. O fogo, usado principalmente por agricultores pobres, ficou fora de controle. É o resultado de um sistema que não oferece assistência técnica, crédito ou qualquer outro tipo de apoio.              

MEIO AMBIENTE - Queimadas

As chamas que destruíram uma parcela importante da cobertura vegetal de Roraima não apagarem de vez. Elas continuam ardendo em monturos e poderão voltar se as comunidades brasileiras não entenderam a sinalização da catástrofe. Tem sido assim na Ásia, Oceania e África, onde as florestas tropicais perdem a batalha para uma economia que considera a natureza um obstáculo ao desenvolvimento. Os danos ambientais e sociais provocados por essa visão canhestra do desenvolvimento são visíveis na Amazônia desde sua ocupação. Primeiro vieram os europeus e massacraram os índios e o formidável conhecimento que eles tinham da floresta. Depois, os próprios nativos e descendentes seguiram o exemplo, passando a agredir a natureza em nome de um progresso que nunca conseguiram usufruir. Talvez possamos relevar os erros de quem penetrou na Amazônia há meio século, ou menos, sem conhecê- la e temendo seus mistérios, mitos e fenômenos naturais. Mas não de quem a agride, empunhando diploma de especialista. Os agressores atuais sabem muito bem que estão destruindo. As autoridades brasileiras têm à sua disposição milhares de estudos, ensaios, teses, pesquisas e até experiências comprovadas e bem- sucedidas de como explorar a Amazônia gerando riquezas e sem esgotar os recursos renováveis. Mas fazem pouco- caso disso. Os que pensam e decidem pela região cometem, no mínimo, a insanidade de não refletir sobre a importância que ela para a sobrevivência do planeta. Para nós que vivemos na Amazônia, está claro que a sobrevivência com desenvolvimento e qualidade de vida está condicionada à manutenção da floresta e se outros ecossistemas, ou seja, à exploração de sua biodiversidade de forma sustentável. Somos extrativistas por excelência. A história prova como soubemos gerar riquezas como a borracha e a castanha do Brasil, há mais de cem anos. Existem produtos novos, como o açaí, o cupuaçu, a pupunha e o guaraná, abrindo mercados e dependendo apenas de boa vontade política para que o bem- estar coletivo e a riqueza sejam ampliados. Mas é exatamente a falta de vontade política que impede a Amazônia de se tornar um exemplo de desenvolvimento para a humanidade. As autoridades brasileiras insistem com os megaprojetos predadores, procurando "bovinizar" o Acre, inundar florestas no Amazonas e no Pará com a construção de hidrelétricas ou desmatar Roraima e Rondônia para plantar soja, por exemplo, isso quando não tratam a região como escoadouro de tensões sociais geradas por pressões por terra no Sul e Centro- Sul do país. O modelo que permeou todo o regime militar persiste com Fernando Henrique Cardoso e reflete, na verdade, a vontade de médicos e grandes empresários, políticos atrasados, tecnoburocratas e até cidadãos comuns, para os quais a palavra "progresso" virou um símbolo venerado, mas que não chega a alterar o cotidiano. Uma outra maneira de pensa a Amazônia ainda é a iniciativa de ONGs, pesquisadores e intelectuais, dos jovens e, naturalmente, das populações tradicionais com pouca representatividade . O Amapá optou pela Segunda tendência, e se deu mal com Brasília. De 1995 para cá, o governo do Estado tem se desdobrado para tocar sozinho, ou com a ajuda do exterior, o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), que FHC elogiou em reuniões em Carajás (PA) e Manaus, passando a ignora- lo em seguida. Mesmo assim, em quatro anos investimos R$21 milhões do Orçamento estadual em ações de parceria com as ONGs, cooperativas, associações e clubes de serviços, melhorando a saúde, a educação e estimulando as alternativas para gerar emprego e renda. Temos procurado, sobretudo, valorizar o conhecimento das populações tradicionais (índios, ribeirinhos, parteiras, pescadores) com a introdução de tecnologia para agregar valor aos produtos da floresta tradicionalmente explorados na região. Foi assim que nasceu a vela de andiroba, um repelente eficaz contra os mosquitos transmissores da malária, dengue e filariose que o ministro José Serra (Saúde) anunciou como descoberta da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), mas que na verdade foi desenvolvido no Iepa (Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá), em parceria com essa fundação. O ministro não sabe, mas o Iepa já evoluiu, obtendo um produto melhor do que a vela e também conseguindo ótimos resultados com o açaí i o óleo de castanha como alimentos. Os estudos do Iepa mostram que a economia do açaí gera U$$20 milhões anuais no Amapá, valor equivalente ao que a Zona de Livre Comércio, criada por José Sarny nesse Estado, movimenta no mesmo período. Paralelamente, a indústria francesa Provence Regina formou joint venture com uma cooperativa de castanheiros e prepara o primeiro embarque de 20 toneladas do produto, com o qual será elaborada uma espécie de azeite de mesa. Testes mostraram que esse óleo é superior ao azeite de oliva por ter menos colesterol e mais selênio, um antioxidante que reduz a presença de radicais livres no organismo. Os exemplos indicam claramente que a Amazônia demanda uma política honesta e inteligente para os produtos da região. Uma política para a castanha, o açaí, a borracha, o cupuaçu, a madeira de lei e outras espécies de nossa rica diversidade, provavelmente menos dispendiosa que a dos usineiros do Nordeste, para os quais o governo federal acaba de liberar R$1,3 bilhão. O estado do Amapá é reconhecido como modela de desenvolvimento sustentável pelo ministério do Meio Ambiente, mas isso não basta. É preciso que o presidente da República e seu governo como um todo assuma o compromisso reiterado em várias ocasiões, de ajudar o Estado a definir e concretizar um modelo para a Amazônia.       

MEIO AMBIENTE - Queimadas

Incêndio atinge castanhal no Pará

Em 9 de setembro de 1998 começaram a surgir na fazenda Bamerindus, no sul do Pará, os primeiros focos de fogo dentro da maior reserva ecológica de castanheiras do Estado. Invasores, que já haviam aberto clarões dentro da floresta, começaram a fazer suas queimadas, segundo o superintendente do Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária) em Marabá, Vitor Hugo da Paixão Melo. Técnicos do Ibama foram ao local para tentar avaliar as proporções do perigo e a possibilidade de acionar a equipe do Prevfogo. Melo estimou que existiam mais de 500 focos de desmatamento dentro do castanhal de 28 mil hectares. "Pessoas inescrupulosas querem se aproveitar desta época de queimadas", disse Melo. A Polícia Federal suspeitou da ação de madeireiros e invasores. Sensíveis ao fogo, as castanheiras podem morrer somente com o calor das queimadas, facilitando a autorização para a retirada das árvores. Além das 1.200 famílias assentadas, cerca de 800 invasores, segundo estimativa do Incra, vivem na Bamerindus. Melo pretende inicias hoje, com o auxílio da Polícia Federal, o remanejamento destes invasores. Desde o final de julho, técnicos do Ibama , Incra e agentes da Polícia Federal estavam no local tentando evitar que as queimadas cheguem à reserva. Durante as últimas semanas, técnicos e assentados usaram tratores e pás para fazer os aceros que evitam a propagação do fogo das pastagens para a floresta. Cerca de 20 mil hectares de pastagem já foram queimadas, mas não alcançaram a reserva. O satélite NOOA registrou 1.711 focos de calor no Pará nos primeiros oito dias daquele mês. Somente em 9 de setembro, foram 558 focos. O número de focos de calor em agosto daquele ano foi cerca de 20% maior que no mesmo período do ano anterior, chegando a 6.717 focos. Na semana, Ibama e GTA (Grupo de Trabalho Amazônicos) fecharam os cursos sobre queimadas controlada para pequenos produtores. Foram treinadas 14,5 mil lidares. Apesar das nuvens de fumaça, os aeroportos da região operaram normalmente .

Espírito Santo

Um incêndio na reserva biológica federal de Sooretma, no Espírito Santo, que começou anteontem, destruiu cerca de 20 hectares da área de 24mil hectares até o final da tarde de ontem. O acesso ao local, segundo o Ibama, é precária. Bombeiro de municípios vizinhos como são Mateus, Linhares e Jaguaré sobrevoaram o local ontem, mas não conseguiram descer para a pagar o fogo por se tratar de mata fechada. A hipótese mais provável para o inicio do incêndio, de acordo com o Ibama, é ação de caçadores.

MEIO AMBIENTE - Queimadas

Fogo alastra- se e alcança Parque do Xingu

Em junho, o Ibama recebeu um estudo que apontava uma área total vulnerável ao fogo próxima de 430 mil km² de mata fechada

O fazendeiro Carlito Guimarães, de São José do Xingu (MT), perdeu 100 cabeças de gados e teve duas fazendas de pastagens praticamente destruídas pelo fogo. Agora ele está preocupado em não perder as outras sete. E com razão: pelas estimativas da Federação da Agricultura do Estado do Mato Grosso, de 2.300 a 2.800 cabeça de gado morreram queimadas e 70% dos pastos do Baixo Araguaia- 1,5 milhão de hectares- já estariam destruídos. A região, localizada a 870 quilômetros a leste de Cuiabá, tem o segundo maior rebanho de corte do estado, cerca de 3 milhões de cabeças. Os focos de incêndio extrapolaram, ontem, os limites da Amazônia- sobretudo Tocantins, norte de Mato Grosso, Goiás e sul do Maranhão -, e alcançaram os parques nacionais da Serra da Canastra (MG) e chapada Diamantina (BA), e também o sul do Pará. Os primeiros informes sobre o fogo começaram em julho, mas a situação agravou- se muito nos últimos 20 dias. No mato Grosso, onde a situação é mais críticas, as cidades mais afetadas são Alto da Boa Vista, São José do Xingu, Porto Alegre do Norte, Cana Brava do Norte, Confresa, Vila Rica e São Félix do Araguaia. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) diz que forças- tarefas compostas por técnicos federais e estaduais conseguiram controlar o fogo, mas só na serra da Canastra. Até ontem, apenas quatro oficiais do corpo de Bombeiros de Cuiabá estavam na região do Baixo Aragêndio. O primeiro reforço chegou no final da tarde: um avião Búfalo, com 30 soldados do Corpo de Bombeiros- equipados com abafadores. "O equipamento deles é mais rudimentares do que o nosso", disse Guimarães, que preside a Associação dos Fazendeiros do Araguaia e do Xingu (Asfax). "Não deixa de ser uma ajuda, mas o que nos animou mesmo foi a mudança do clima". Segundo ele, ontem os ventos diminuíram e havia ameaças de chuva. Um grupo de 40 bombeiros partiu ontem de Brasília em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ajudar os voluntários no combate aos fogos de incêndio. "Calculamos que foram destruídas pastagem suficientes para sustentar 120 mil cabeças de gado", disse Domingos Inglesias Valério, coordenador de Defesa Civil do Mato Grosso. Na tarde de ontem, o incêndio já havia coberto cerca de 90 quilômetros de extensão e já atingia a mata do Parque Indígena do Xingu. O avanço do fogo- da ordem de 15 quilômetros diários- reduziu seu ritmo, sobretudo por um pequeno aumento da umidade na região. Romildo Gonçalves, coordenador estadual do sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo), disse que, em três meses de seca, Mato Grosso tem 48,1% no total de incêndios florestais detectados pelo Ibama no País. Para combatê-los, segundo Gonçalves, seria preciso ao menos 300 homens, mas o PrevFogo tem só 50 fiscais de campo. A meta de treinar dez Brigadas Voluntárias fracassou. Apenas uma brigada, em Alta Floresta, foi capacidade. Cerca de 350 moradores do Baixo Araguaia estão passando dia e noite fazendo aceiros e contra-fogo para tentar controlar o incêndio. "Que Ibama, minha filha? Nem Ibama, nem bombeiro, nem nada! O Ibama só veio aqui para dar licença para mais queimadas", disse Fernando do Nascimento Tulha, um dos fazendeiros da região. O fogo queimou 20% dos 10 mil hectares de sua fazenda, destruindo cercas, barracos e porteiras. "Nem conseguimos pensar em prejuízos ainda. Dou graças a Deus pelo que sobrou", afirmou. "Neste fim-de-semana, minha diversão foi apagar fogo", disse Ângelo Belém Neto, presidente do Sindicato Rural de São Felix do Araguaia. Sua região não foi das mais afetadas, porque muitos pecuaristas abriram, com antecedência, aceiros em suas propriedades. ''A maioria foi precavia e ficou de prontidão, mas nosso problema só se resolveria com duas horas de chuva". O Ibama coordena os ações de 60 bombeiros nessas região, mas admite dificuldade. "Não existe força nesse mundo capaz de evitar um incêndio florestal", diz Giovanni Cornacchia, gerente de combate a incêndios florestais do Ibama. Na Chapada dos Veadeiros (GO), a 250 km de Brasília, outros 100 bombeiros e especialistas do Ibama trabalham dia e noite no combate ao fogo. Na Chapada Diamantina, sobrevôos do Instituto Estadual de Florestas identificou novos focos dentro do parque e os técnicos do governo federal estão traçado estratégias de combate aos incêndios. O pânico causado agora pelo fogo poderia ter sido minorado. Em junho , o Ibama recebeu um minucioso estudo sobre a reserva da água nos solos da região feito pela ONG Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). O relatório apontava uma área total vulnerável ao fogo próximo de 430 mil km² de mata fechada. Pelo menos 215 mil km²-área maior que  o estado do Paraná - foram classificados como de "altíssimo risco "até o final do mês de novembro, o auge da estação seca. Da região ameaçada, segundo o estudo, 13% estavam no Mato Grosso, 8% no Amazonas,6% em Rondônia e 15% entre Acre, Maranhão, Amapá, Roraima e Goiás.

Investimento teria reduzido os prejuízos

Com algum investimento por parte dos produtores rurais e a adoção de uma agropecuária mais intensiva, os prejuízos dos incêndios poderiam ser muito reduzido. A análise é de Adriana Moreira, presidente do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). "No curto prazo, os incêndios acidentais podem ser controlados pela construção de aceiros, pelo monitoramento das mudanças climáticas e por uma maior Comunicação entre vizinhos", afirma. Levantamento realizado pela organização indica que a construção de aceiros-troncheiros para impedir a expansão do fogo-consome, em média, de 2% a 5% dos lucros gerados pelas pastagens. Em pequenas propriedades, com até 100 hectares, o investimento seria da ordem de R$94 ao ano, mas em glebas com mais de 5 mil hectares o investimento poderia chegar a R$7 mil anuais. "Em anos comuns, a simples construção dos aceiros costuma bastar, embora em anos excepcionais, como este, não seja suficiente". As perdas anuais associadas com a destruição de cercas e os dias que o gado deixa de pastar representam desde R$20 mil anuais. Para a pesquisadora, o combate às queimadas passaria por um longo trabalho de destruição das técnicas agropecuárias e florestais atuais, amigas do fogo, por sistemas de produção mais intensivos.

MEIO AMBIENTE - Queimadas                    

Número de queimadas aumentou em 145%

O número de queimadas no país aumentou 145% em junho 1998 em relação ao mesmo período do ano anterior. A seca naquele ano, que se estendeu até setembro na maior parte do território nacional  pôs em estado de alerta todo o Prevfogo, serviço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que monitora as queimadas e incêndios por  satélite, informou a Agência O Globo. Entre junho e julho do ano de 1997, os satélites registraram 4.401 focos de queimadas e princípio de incêndios. Entre junho e julho de 1998, foram registrados 10.805 focos, de acordo com o Prevfogo. Agosto também  foi um mês de aumento nas estatísticas,  só nos primeiros três dias do mês foram registrados 1.611 focos. Segundo os técnicos da área de meio ambiente, quando mais o Governo resolver o problema social da reforma agrária, assentando famílias, maior é o número de queimadas, utilizadas pelos colonos como técnica agrícola devido à dificuldade para comprar equipamentos e à falta de esclarecimento. Os estados com áreas compreendidas pelo chamado arco do desflorestamento, principalmente na Amazônia, tem registrado maior número de focos de queimadas e incêndios. Nos meses de junho e julho de 1998, foram detectados 5.523 focos só no estado do Mato Grosso, o que representou mais da metade das ocorrências no país.

MEIO AMBIENTE - Queimadas

E a única que cheira mal

Serra do Tapará, margens do Rio Iriri, paralelo 3. O ar pesado e um calor de 12 graus ficam mais importáveis à medida que o fogo se aproxima fazendo arder imensos angelins, Jatobás, jacarandás e castanheiras como se fossem gigantescos palitos de fósforo. Este novo massacre ecológico se repete dia após dia, numa rotina que parece não conseguir arrancar as pessoas da indiferença, mas cuja distância não coloca ninguém em lugar seguro. Todos os anos as queimadas na Amazônia jogam 500 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera. As nuvens de fumaça que chegam até a 4 quilômetros de altura lançam gases e partículas que são arrastadas pelas correntes de ar até a Antártica. Assim, cria-se o efeito estufa, destroem-se as madeiras de lei, os animais e a própria terra. Os custos desta tragédia seriam absurdos mesmo para os países mais ricos do globo. As matas queimadas enfraquecem o solo e, em menos de 5 anos de plantio de grãos ou pastagens, estas áreas se tornam improdutivas. As terras são abandonadas por outras nativas que também serão limpas com novas queimadas. Hoje são 45.452 km² de terras improdutivas em Rondônia, quase 20% do estado, 78.718km² em Mato Grosso, 9% do estados e 38.940 km² em Goiás, mais de 6% do estado. O Boticário, que sempre trouxe da natureza seus melhores perfumes e que faz do respeito a ela a matéria-prima do seu trabalho, não poderia virar o nariz para a essência que alguns maus brasileiros estão produzindo naquela região. Uma mistura da flora local com ambição, a irresponsabilidade e a ignorância, produtos bem mais universais. Por isso, não agradeça a eles por esta amostra grátis de fumaça queimada e destruição que você está recebendo. Você já pagou muito mais do que ela vale.

MEIO AMBIENTE - Queimadas                  

NOAA Controlará queimada no País

Inpe entrou para rede internacional, enquanto aguarda o lançamento de satélite

A coleta de dados ambientais em pontos estratégicos do território brasileiro e da América do Sul não será mais comprometida em função do término da vida útil do satélite SCD-1 ou pelo fracasso do lançamento do segundo satélite de fabricação nacional, o SCD-2A. O Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (Inpe) garantiu a continuidade desse serviço com a assinatura de um contato com a empresa francesa CLS Argos, responsável pela comercialização de dados dos satélites NOAA12 e NOAA14. Esses satélites possuem um transponder que funciona na mesma freqüência do satélite brasileiro SCD-1. Dessa forma, todas as 200 plataformas de coleta de dados (-PCDs) atualmente em operação no país poderão utilizar o serviço de transmissão efetuado pelo sistema Argos", explicou o diretor geral do Inpe, Márcio Nogueira Barbosa. O Inpe já vem utilizando os serviço dos satélites do sistema Argos há mais de dez anos na área de imageamento e identificação de focos de queimadas nas florestas da região amazônica. Para poder acessar os serviços da coleta de dados dos satélites e de localização geográfica de bóias científicas no Oceano Atlântico, o Inpe pagaria R$254 mil por ano. A idéia inicial do Instituto, segundo o diretor Márcio Barbosa, era a de antecipar o lançamento do satélite SCD-2, previsto para maio de 1998, para o mês de março, mas as negociações com a Nasa (Agência Espacial Americana) não deram certo. "Na programação Nasa existiam três lançamentos de satélites na nossa frente, cujas datas não poderiam ser alteradas", comentou. O satélite será lançado a partir da base do Kennedy Space Denter, na Flórida. O equipamento  foi montado e testado pelo Inpe. Segundo Barbosa, a campanha de lançamento e testes finais do satélite teve início em abril. O Brasil também tem a possibilidade de integrar uma rede internacional de coleta de dados ambientais, baseada na experiência francesa com os satélites do sistema Argos. O projeto do satélite SCD-3, por exemplo, cujo desenvolvimento será feito por um consórcio de empresas que estão sendo escolhidas através de concorrência pública, poderá ser adaptado para operar com sistemas compatíveis ao da rede internacional de coleta de dados.em dezembro de 1997 seria  a abertura do envelope técnico da concorrência do SCD-3. Participaram da concorrência os consórcios liderados pelas empresas Avibrás e Tectelcom. A Rede Internacional de Coleta de Dados Ambientais, segundo Barbosa, está sendo articulada pelo Japão, Estados Unidos e França. O início de suas operações está previsto para meados do próximos anos. Atualmente, apenas os satélites do sistema Argos oferecem serviços de coleta de dados ambientais. Até o final do ano, porém, o Japão esperava lançar com sucesso o satélite Adeos-2. Os serviços de coleta de dados ambientais, de acordo com Barbosa, vêm se revelando um excelente negócio no campo espacial. "A CLS- Argos arrecada perto de US$20 milhões por ano com a venda desses serviços", revelou. No Brasil, segundo o diretor, esse valor mais do que paga o custo de desenvolvimento de um satélite. "Podemos criar no país uma empresa para fazer parte dessa rede internacional e comercializar os dados dos nossos satélites para o mundo inteiro", disse.

MEIO AMBIENTE - Queimadas

Justiça ambiental pioneira puniu com criatividade

A fazendeira Maria Dorotéia Pacheco, proprietária de terra nos arredores de Manaus em 1998, promoveu uma queimada em parte de sua gleba para dar início a um empreendimento imobiliário. Como não tinha autorização dos órgãos ambientais, seu caso foi parar nas mãos do juiz Adalberto Carim Antonio, titular da primeira vara especializada em questões agrárias e ambientais do País. Após um acordo amigável, ele determinou que ela reparasse o dano levando 200 crianças carentes para uma aula de educação ambiental no Parque Estadual do Mindu, último reduto do sagüi de coleira, bem no meio da cidade. "A experiência foi tão bem sucedida que ela resolveu repeti-la outras vezes", conta Antonio. Num caso similar, o agricultor Orlando Ferreira, que foi pego queimando suas terras irregularmente, teve que se redimir levando 15 latas de leite em pó para alimentar os peixes-bois mantidos pelo Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia, o Inpa. Adalberto Antonio não é um Juiz como qualquer outro. Ele passou quatro anos navegando pelo interior do estado, com direito a um naufrágio e viagens de até 19 horas para chegar a comarcas mais distantes. Se não bastasse sua vivência, já coordenou a área ambiental da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas, fez pós-graduação em metodologia de avaliação de impactos ambientais na Universidade do Tennessee. "Não dá para tratar o infrator ambiental como um criminoso comum", opina Antonio, que já julgou mais de 100 ações, desde outubro, quando a Vara foi instalada em Manaus. "Juiz não pode  aplicar a lei feito robô, tem que levar em conta a realidade". Dotada de dois aviões-apreendidos de narcotraficantes -, um barco e uma equipe de dez pessoas, a Vara Ambiental tem competência civil e criminal sobre todo o território amazonense, atuando em conjunto com as comarcas locais. Ela segue uma tendência recente de proliferação de justiças especializadas em problemas específicos, como Pequenas Causas, Infância e Juventude ou Entorpecentes. Segundo o juiz, sua meta e seguir o espírito da nova Lei dos Crimes Ambientais, propondo penas alternativas e educativas. Um dos melhores exemplos disso aconteceu apenas três dias depois de sua instalação. Antonio teve de delibera sobre a invasão de um bosque no perímetro urbano de Manaus por 60 sem-terra. O juiz decidiu permitir que ''a Natureza, vítima no processo, assistisse à audiência preliminar". Reuniu os invasores no Parque Estadual do Mindu, de modo a convencê-los a desmontar os acampamentos espontaneamente. Pelo menos um terço concordou em retirar-se da floresta invadida logo após a reunião. Aqueles que permanessam no local seriam processados criminalmente. Desde então, o que não faltou para o juiz foi trabalho. A maioria dos processos apresentados à nova vara tem relação com queimadas ou poluição ambiental, como aquele que interrompeu a prospecção de nióbio no Parque Nacional do Pico da Neblina. Curiosamente, até agora não foi apresentada nenhuma ação envolvendo madeireiras asiáticas ou biopirataria, dois temas locais que preocupam ambientalista do mundo todo. 

MEIO AMBIENTE - Queimadas

Queimadas na Amazônia poluem mais que cidades

Rio - Os desmatamentos na Floresta Amazônica lançam a cada ano na atmosfera de 150 milhões a 220 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2). Quantidade três a quatro vezes superior às 73 milhões de toneladas emitidas anualmente por todas as outras fontes de poluição no Brasil. A informação foi do pesquisador Emílio Lebre La Rovere, da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), em palestra proferida na semana Mundial do Meio Ambiente em 1993, na sede do BNDES, no centro do Rio. Falando sobre o tema "Contribuições das Megacidades nas Transformações Climáticas Globais", La Rovere disse ainda que dessas 73 MTC (milhões de toneladas de CO2), 42 MTC saem dos canos de descarga dos automóveis e das chaminés e das fábricas. Esse dado não é nada desprezável para as análises da poluição nos grandes centros urbanos,  revelou o professor Ricardo O. Neves, do Instituto de Tecnologia do Cidadão, 1% de toda a frota nacional de veículos está na Tijuca tradicional bairro.

MEIO AMBIENTE Queimadas                          

Em 1998,Megaincêndio em RR secou rios e afetou o  equilíbrio

QUEIMADA  Para pesquisador, fogo de proporções gigantescas que afeta Estado pode ser catástrofe ecológica com conseqüências para todo o planeta 

A biodiversidade e o equilíbrio ambiental da parte mais ao norte da Amazônia brasileira, no Estado de Roraima, foram seriamente comprometidos por um enorme incêndio que se estendeu no tempo. Fazendeiros, colonos e índios perderam o controle das queimadas em suas áreas de cerrado e lavoura e o fogo se alastrou, facilitado pela estiagem mais rigorosa da história da região, dizimando a fauna e a flora. O pesquisador Reinaldo Imbrozio Barbosa, 38, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), em Boa Vista (RR), considerou a perda do carbono estocado na cobertura vegetal da região a conseqüência mais grave do fogo. "O carbono foi completamente liberado para a atmosfera na forma de gases efeito estufa, principalmente o CO2 (carbono) e CH4  (metano)", declarou. Vários rios, igarapés e lagos da região estão completamente secos. O rio Branco, o maior da região, está com profundidade média de 40 cm. Em vários trechos, os bancos de areia estão a céu aberto, sendo possível atravessar o rio a pé. "O que ocorre aqui é grave, quando os estudos sugerem que a água depositada na Amazônia seja responsável pelo ciclo hidrológico de quase toda a América do Sul e um pedacinho do Oceano Atlântico", disse, ciclo hidrológico são as transformações pelas quais passa a água, em seus diferentes estados. O pesquisador critica a ocupação desordenada da Amazônia, que está provavelmente na origem do gigantesco incêndio. "Para o meio ambiente, pode significar uma catástrofe ecológica com séria conseqüências para o planeta por causa da biodiversidade e dos ciclos hidrológicos e do carbono". O Estado de Roraima, com 225 mil km2, é coberto por floresta tipicamente amazônicas e suas variações. São quatro tipos de florestas (ombrófila de baixa e média altitude, ombrófila aberta e estacional semidecídua), duas savanas (estépica e do baixo Sumuru) e uma cobertura florestal (vegetação dos Tepui), no extremo norte, que não existe em outra região do planeta. Imbrozio Barbosa, que há três anos pesquisa a concentração de carbono nas savanas, disse que o efeito E1 Niño deve ser encarado apenas como um efeito maximizador da situação no Estado. O pesquisador disse que 60% das savanas, cuja área total é de 37,8 mil km2 (16% da área do Estado), foram devastadas pelo fogo no período de junho a janeiro de 1998. "O que eu esperava que queimasse no ano interior, queimou em oito meses, o que me leva a estimar, por causa das conseqüências do E1 Niño, que 80% das savanas serão queimadas. Estou sendo otimista", disse. Os focos de incêndio que se formaram na floresta surgiram primeiramente nas savanas, onde vivem 22 mil índios. Cerca de 6% das savanas já sofreram troca de uso da terra. Nelas são plantados arroz e soja e formadas pastagens para gado.

Sobrevôo mostra morte de animais na região

Os incêndios que devastaram a maioria das savanas e  avançaram contra a floresta, em Roraima,  causaram enormes transformações no meio ambiente. Em março de 1998, ao sobrevoar de helicóptero a região a oeste de Boa Vista, a capital de Roraima, a Agência Folha presenciou uma espessa nuvem de fumaça, de 150 km de extensão. O vice governador Airton Soligo Cascavel (PTB), disse que pelo menos 50 mil hectares de floresta virgem do Estado  foram queimados. A Serra Grande ( a 20 km de Boa Vista) foi cercada por dezenas de focos de incêndios. O fogo avançou a partir das propriedades rurais, estimulado pelos ventos fortes, comuns na região nessa época do ano. Os dois lados das estradas vicinais estão tomados por cinzas. A maioria dos animais fugiu para o mato ou para a estrada com medo do fogo, enquanto parte morreu queimada, incluindo gado. No sobrevôo, era fácil ver urubus devorando animais mortos como preguiças, tamanduás e veados. O cenário era desolador. A pastagem de várias fazendas virou cinzas e seus proprietários tiveram de transferir o gado. O governo estadual estimou que 12 mil cabeças de gado morreram. E temia que, até 20 de abril, quando se espera que volte a chover na região, este número cresça muito. "Visto de cima, Roraima parecia muito com São Paulo durante um sobrevôo noturno", comparou Cascavel. Nas savanas,  se via  muita areia branca nos locais onde, em situação normal, formavam-se lagoas nessa época do ano. O fogo se espalhou com facilidade por baixo da floresta, onde a folhagem estava excessivamente seca. Existiam colunas de fumaça até em pontos da floresta onde não existia atividade humana. O colono Elias Danielle,51, um gaúcho que mora há 16 anos em Vila Apiaú (a 200 km de Boa Vista), disse que passou três dias com três filhos e um empregado trabalhando no mato até conseguir conter três focos de incêndios que ameaçavam sua propriedade. "Todo esse fogo foi provocado pela imprudência dos homens da região", disse Danielle. Para ele, é a agricultura atrasada, baseada na foice e no fogo, que está na base dessa situação.

Goldemberg anunciou a área de desmatamento

BRASÍLIA - A taxa média de desmatamento da Amazônia no período de 1978 a 1989 foi de 21.800 quilômetros quadrados por ano- cerca de 2,2 milhões de hectares. Este número é quase quatro vezes menor do que o anunciado pelo Worod Resources Institute (Instituto de Recursos Mundiais) - 80 mil quilômetros quadrados por ano. Os dados foram divulgados ontem pelo secretário de Ciência e tecnologia, José Goldemberg, com base em recentes estudos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos - São Paulo. Pelas informações do Inpe, o secretário concluiu que o desmatamento da Amazônia ainda é elevado, porém, "não está crescendo tanto quanto se temia". Os dados do Inpe indicam também que a área total desmatada até o ano passado foi de 394 mil quilômetros quadrados, dos quais 93 mil anteriores a 1974. Para os técnicos do instituto, os desmatamentos têm progredido a uma taxa constante desde 1974, e não exponencialmente como previsto pelo Banco Mundial e outros organismos internacionais. Eles informaram ainda que o desmatamento do Pará e Rondônia deixou de crescer significativamente nos últimos anos. O documento elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espacial, que já foi enviado à embaixada brasileira em Washington para ser divulgado, faz um balanço sobre os efeitos do desmatamento da Amazônia nas emissões globais de carbono. Segundo o estudo, o desmatamento da Amazônia contribuiu com 254 milhões de toneladas por ano para essas emissões, num total de 3,7%. O secretário de Ciência e Tecnologia afirmou que esses dados também não confirmam os estudos feitos pelo Instituto de Recursos Mundiais. Pelas informações do Word Resources, o Brasil estaria ocupando o terceiro lugar entre os países que mais liberam gases causadores do efeito estufa, com um percentual de 11%. Para José Goldemberg, os países ricos poderiam ajudar o Brasil a reduzir a emissão de carbono em razão dos desmatamentos. O secretário defendeu um auxílio anual dos países ricos para o Brasil de US$2,2 bilhões para reflorestamento. "Não seria nenhuma filantropia dos países ricos, pois eles também têm interesses em reduzir as conseqüências do efeito estufa". Pelas contas do secretário, são necessários mil dólares para reflorestar um hectare de área desmatada.   

 

MEIO AMBIENTE - Queimadas       

Pará é recordista em desmatamento da Amazônia

No ano de 1991, foram derrubados 3.780 km2 florestas no Estado, um terço de toda região

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - Em 1991, foram derrubados 3.780 quilômetros quadrados de florestas no Estado do Pará um terço da área desmatada em toda a Amazônia brasileira, no mesmo período (11.130 Quilômetros quadrados). Com isso, o Pará ainda é o Estado recordista em desmatamentos, mas segue a tendência geral de queda no ritmo das derrubadas. A tendência também vale para o Mato Grosso, Rondônia e Maranhão, em segundo, terceiro e quinto lugares no ranking dos desmatamentos. O quarto lugar no ranling é do Amazonas, um dos poucos Estados a apresentar aumento na taxa anual de derrubadas. Em 1991, foram desmatados 980 quilômetros quadrados, quase o dobro do que os amazonenses derrubaram em 1990. Os outros Estados onde houve aumento dos desmatamentos são Roraima e Amapá. No Amapá, os desmatamentos crescem ano a ano: em 89 foram 130 quilômetros quadrados, em 90 outros 250 e em 91 mais 410 quilômetros quadrados. O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Márcio Barbosa, observa que os números do Amapá devem ser ponderados. "Em 1990, as imagens de satélite do Amapá tinham muitas nuvens, que atrapalharam o cálculo das áreas", diz ele. "Em 1991, obtivemos imagens sem nuvens e  pudemos calcular melhor. Isso quer dizer que os 410 quilômetros quadrados de desmatamentos verificados no Amapá podem corresponder em parte a 1990", disse Barbosa. Ainda assim, os desmatamentos são crescentes e deveriam merecer a atenção das autoridades ambientais. As áreas desmatadas no Amapá já se comparam aos  380 quilômetros quadrados verifique no Acre e aos 440 quilômetros quadrados registrados no Tocantins, Estados onde o problema é mais conhecido e combatido. Os números dos desmatamentos nos Estados amazônicos foram divulgados pelo Inpe, em São José dos Campos, a 86 quilômetros de São Paulo, durante o World Forest Wastch, evento relacionado à Rio-92, que começou ontem e discute até Sexta-feira tecnologias e métodos de monitoramento de floresta com auxílio de satélites. O total da Amazônia brasileira foi divulgado em abril, mas o detalhamento por Estado só ficou pronto esta semana.

Desmatamento é recorde no governo FHC

AMAZÔNIA Ministros começam a divulgar dados com otimismo mas acabam assumindo aumento na devastação da floreta

O governo Fernando Henrique Cardoso anunciou em janeiro de 1998  a quebra no recorde histórico de desmatamento da Amazônia: 29.059 km2 em 1995, contra 21.130 km2/ano, média registrada no período 1978-1998, a maior marca aterior. Com isso, 12,9% da área de florestamento da Amazônia Legal, estimada em 4 milhões de km2 já está devastada. Na área desmatada em 95 cabe com folga o Estado de Alagoas (27.933 km2). Como em 96 o desmatamento atingiu 18.161 km2 da Amazônia, nos dois primeiros anos do governo FHC desapareceu uma área de floresta superior à do Estado do Espírito Santo (45.733 km2). "Temos uma situação relativamente confortável", disse o ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas, ao ser perguntado se esperava um impacto negativo no exterior da divulgação dos números do desmatamento da Amazônia no governo FHC. "Os resultados são bons e mostram que o governo está agindo para reduzir o desmatamento. Se ria uma profunda decepção para mim se os ambientalistas internacionais ficarem 'borboleteando' esses dados", emendou o ministro do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, Gustavo Krause. As declarações de Vargas e Krause foram feitas em entrevistas depois da divulgação das taxas de desmatamento da Amazônia na sede  do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos (a 97 quilômetros de São Paulo). A apresentação do levantamento feito por meio de interpretação de imagens geradas pelo satélite Landsat, foi marcada por um tom otimista. Como o Inpe é vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, coube a Vargas fazer a abertura da apresentação. Ele destacou a qualidade técnica do levantamento e adiantou que os números mostrariam "redução considerável do desmatamento da Amazônia". Segundo ele, essa melhoria reflete o cancelamento de incentivos fiscais para projetos agropecuários na Amazônia, o decreto que determinou a interrupção temporária de novos projetos de extração de mogno e virola e a melhoria da fiscalização do Ibama ( Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Para justificar o otimismo, o diretor do Inpe, Márcio Barbosa, destacou a queda considerável do desmatamento em 96 em relação a 95. Além disso, o Inpe fez uma projeção que aponta uma queda da taxa de desmatamento para 13.037 km2 em 97. A projeção para 97 foi feita com base em 47 imagens do Landsat, escolhidas por representar historicamente as áreas mais críticas de desmatamento na região. O levantamento completo, retratando a taxa de desmatameto  de 95 e 96 tomou por base 229 imagens que cobrem toda a Amazônia. Segundo Barbosa, a margem de erro da projeção em relação ao levantamento completo é de até 5%.

Críticas

O otimismo do governo FHC com projeção da taxa de desmatamento de 97 foi é criticando por entidades ambientalistas respeitadas, como o Instituto Sócio-Ambiental, a Amigos da Terra e o Greenpeace, que acompanharam ontem a divulgação do relatório do Inpe. João Paulo Capobianco, diretor do Instituto Sócio-Ambiental, lembra que o governo Fernando Collor chegou a comemorar a inversão para baixo da curva de desmatamento na Amazônia.  A comemoração se baseou no levantamento do Inpe referente ao ano de 91, que apontou uma taxa de 11.130 km2, quase 2.000km2 inferior à projeção para 97. Depois do bom resultado de 91, a taxa de desmatamento anual da Amazônia subiu continuamente até chegar ao pico de 95. "Temos receio de que o governo FHC subestime a possibilidade de uma nova escalada no desmatamento da Amazônia", diz Capobianco. Ao serem questionados sobre o recorde de 95 e o fato de a taxa de 96 ser pouco inferior ao pico anterior (78-88), Krause reconheceu que não havia motivos para comemoração: "Realmente os números não são confortáveis, e por isso o governo está adotando uma série de medidas para conter o desmatamento na Amazônia". Krause divulgou 13 medidas de combate ao desmatamento. São 5 decretos, 1 projeto de lei, protocolos e  convênios entre os Ministerios da Reforma Agrária, Meio Ambiente e Agricultura. Cinco das medidas se referem à política de assentamento de sem-terra.

Estradas aceleram desflorestamento                

A floresta amazônica permaneceu praticamente intacta até a década de 60. As atividades produtivas - basicamente extrativistas - não chegavam  a afetar a mata. O transporte dos produtos era feito por via fluvial, o que também contribuía para a preservação da floresta. Naquele ano, a região só tinha 6.000km de estradas, dos quais menos de 300 asfaltados. Esse isolamento relativo resguardou a vegetação nativa. Um levantamento do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), divulgado em 97, revela que o desmatamento atingiu 41% das florestas Iatino-americanas, em contraste com asiáticas (88% de desmatamento) e européias (62%). O isolamento da Amazônia começou a ser quebrado em 1964, com abertura da rodovia Belém-Brasília. Com 1.900km, a BR-010 estimulou a expansão da pecuária (e atividades subsidiárias) nas regiões adjacentes. De 1960 a 1970, a população na zona de influência da estrada passou de 100 mil para 2 milhões de pessoas. Em 1970, o governo Emílio Médici instituiu o Programa de Integração Nacional, que forneceu recursos para a abertura de 15.000km de estradas, incluindo a Transamazônica (o primeiro trecho foi inaugurado em 72) e da Guiabá-Santarém (completada em 76). O Incra tentou criar uma rede de agrovilas ao longo dessas estradas, mas a iniciativa não teve sucesso: as terras não eram férteis, e o desmatamento provocou um crescimento de malária. O fracasso dos assentamentos protegeu a floresta. Em 1968, a construção da Cuiahá-Porto Velho (BR-364) abriu uma nova frente de desmatamento em Mato Grosso e Rondônia. A descoberta de jazidas minerais (cassiterita e ouro) na região, conjugada com a distribuição de lotes para pequenos produtores, impulsionou a ocupação da região.

Megaprojetos

O fracasso da Transamazônica induziu o governo a substituir a colonização baseada na pequena propriedade pelos megaprojetos. O Polamazônia (Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia), de 74, conjugava a construção de um infra-estrutura com a concessão de subsídios para as empresas privadas. O mais conhecido dos megaprojetos é o Grande Programa Carajás, que cobre uma superfície de 895.000 km2, mais de 10% da área total do país. Além de assegurar o fornecimento de energia elétrica (a hidrelétrica de Tucuruí começou a operar em 1984) e transporte ferroviário, o Estado também concedeu grandes incentivos fiscais. O crédito governamental incentivou a destruição da floresta por projetos agropecuários. Os Estados mais atingidos são Pará, Mato Grosso e Rondônia. A devastação foi acompanhada pela proliferação de associações ambientais no país (em geral localizadas no Sul e Sudeste). A primeira associação surgiu em 1971, em Porto Alegre - um ano antes da conferência da ONU sobre meio ambiente, em Estocolmo. A maioria das associações é criada após 1974, quando começa o processo de "distensão".

MEIO AMBIENTE  - Queimadas repetir em:  INSTITUTOS - Ibama 

Na mira dos satélites

O monitoramento por satélite já permite controlar as atividades clandestinas dos homens nas profundezas da floresta. Já dá para chegar aos lugares mais escondidos da Amazônia através de radares e sensores aerotransportados que, ligados a um satélite, oferecem imagens nítidas dos prejuízos que os homens provocam na natureza. No Brasil, o equilíbrio ecodinâmico da floresta tropical está ameaçado por várias atividades humanas. Entre elas três principais: desmatamento, incêndios florestais e queimadas. Tudo isso poder se monitorado através de satélites e a posterior verificação no campo. É exatamente isso que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) quer fazer através de um projeto de sensoriamento remoto, no dentro do Programa Piloto para a proteção das Florestas Tropicais no Brasil.

Colonialismo atinge também a tecnologia

“O problema que se enfrenta na Amazônia é a falta de metodologia no trabalho com as informações sobre a própria região, como no caso do sensoriamento remoto (recepção de imagens transmitidas regularmente por um satélite), que é uma ciência nova”. Quem afirma isso é o coordenador do centro de Hidroclimatologia e Sensoriamento Remoto da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, Evaldo Guilherme Martins César. É por isso que as informações sobre focos de incêndioutilizadas pelo instituto Brasileiro de Meio Ambiente e recursos Naturais Renováveis (Ibama) no combate às queimadas são fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que por sua vez, as obtém através de imagens transmitidas pelo satélite Noaa.

Os paulistas estão melhor informados sobre os problemas que atingem a Amazônia do que os amazônidas.

Evaldo Cezar afirma que isso acontece porque o Inp e possui equipamento e pessoal para trabalhar com as imagens  do Noaa, condições que não existem no Centro mantido pela Sudam. Para Cezar, a maior dificuldade não é o equipamento, mas a qualificação da mão-de-obra. Outro detalhe citado pôr ele é a falta de estudos de sensoriamento voltados especificamente para a Amazônia – a “metodologia” a que se refere.

Isso acontece, não pôr incompetência dos profissionais paraenses, mas principalmente pelo fato de o sensoriamento remoto ser uma ciência bastante nova.

Diferença – o coordenador do Centro cita a diferença entre as informações disponíveis sobre São Paulo e a Amazônia: “é mais fácil você fazer sensoriamento remoto sobre o volume de água do Rio Tietê, pôr exemplo, uma vez que a metodologia para isso, do que para o Rio Amazonas, que tem um volume de água maior, o que já é uma grande diferença. Para você Ter uma idéia da necessidade de aprofundamento dos estudos nessa área, eu só conheço uma pessoa, no Brasil, que trabalha com balanço hídrico ( informações diversas sobre características de rios ) além de mim: um pesquisador do Rio Grande do Sul.

Apesar de trabalhar com informações de três satélites ( os norte americanos GOES e Landsat e o francês SPOT ), o Centro só recebe dados através de sensoriamento remoto do satélite GOES, que está 36 mil quilômetros de distância do planeta, em quanto Landsat e o SPOT estão numa órbita situada a 820 quilômetros da Terra. Do Landsat e do SPOT, o centro recebe fitas com dados para a elaboração de balanços hídricos.

Tecnologia – o Centro de Hidroclimatologia surgiu em maio de 1977, com a finalidade de executar o Projeto de Hidrologia e Climatologia da Amazônia, ou seja, fazer coleta, organização e interpretação de informações relacionadas à bacia hidrográfica e às variaçòes climáticas nos mais diversos pontos da região amazônica. A partir de 1979, o Centro passou a utilizar o sistema de telemetria ( informações fornecidas pôr satélite através de fitas ), introduzindo o uso desse recurso no estudo das peculiaridades da região. O último recurso tecnológico adotado pelo Centro foi i sistema de sensoriamento remoto em setembro de 1987.

É pôr isso que o fato de o sensoriamento remoto ser uma ciência bastante nova – passou ser utilizada em 1972, com o lançamento do satélite Landsat, aliado a exist6encia de poucos pesquisadores brasileiros, e principalmente paraenses, nessa área, faz com que “toda a informação sobre a Amazônia esteja em São Paulo” – mais uma prova do colonialismo de São Paulo sobre a Amazônia, especialmente considerando-se que “o paraense até hoje não percebeu a import6ancia do domínio da informação a seu respeito, permitindo, ao mesmo tempo, a sua própria exploração e o surgimento das já conhecidas idéias feitas sobre a região, que quase nunca correspondem à realidade, como é o caso da expressão pulmão do mundo”.

Centralização – o monopólio da informação fornecida pôr satélite não é um problema enfrentado apenas pelos amazônidas, pois os demais países da América do Sul estão em situação bem pior: todas as informações sobre a parte meridional do continente americano estão centralizadas numa estação localizada na cidade de Cuiabá, no estado do Mato Grosso. De acordo com a avaliação feita pôr Evaldo Cezar, a estação de Cuiabá concentra 90% das informações disponíveis, em termos de satélite, sobre toda a América do Sul. Os 10% restantes são justamente as informações relativas à região amazônica, divididas entre a Sudam e o Inpe.         

MEIO AMBIENTE – Queimadas              

O Perigo vem do fogo

Nos últimos 20 anos o Pará vem sofrendo um acelerado processo de devastação de sua vegetação nativa, em função da derrubada de matas e das queimadas. Usadas geralmente para retirar a cobertura vegetal de grandes áreas, destinadas a atividades agrícolas ou pecuárias, as queimadas tornaram- se um pesadelo em determinadas áreas do Estado. A queima e a derrubada indiscriminada de árvores deixam a região sensível a mudanças no clima. Sem a proteção da mata, podem ocorrer também incêndios espontâneos. Mas os perigos não páram por aí. A fumaça decorrente das queimadas lança na atmosfera gases, partículas de materiais e grande quantidade de gás carbônico. Esses elementos, associados aos gases naturais produzidos pela floresta, afetam até a camada de ozônio, causando ainda inúmeras doenças respiratórias no homem. Nem mesmo os animais conseguem escapar da destruição ambiental causada pelo fogo, que ameaça de extinção várias espécies e acaba gerando um grave desequilíbrio biológico. O fogo acaba com espécies vegetais responsáveis pela manutenção de insetos polinizadores(que espalham o pólen das plantas pela floresta). Outra conseqüência desastrosa das queimadas verifica- se na fertilidade dos solos. Após a queima da mata, o solo fica com uma camada superficial rica em nutrientes, mas que em pouco tempo desaparece, levada pelas águas das chuvas, no processo chamado de lixiviação. Com a repetição das queimadas, o solo perde todas as suas propriedades naturais, tornando- se imprestável para a agricultura e abrindo caminho para o avanço da erosão. No Pará, as áreas mais atingidas pelas queimadas e pela derrubada de árvores são o Sul e o Sudeste, onde se concentram grandes projetos madeireiros e agropastoris, e a Ilha do Marajó, onde a produção de palmito é a principal causa da destruição dos açaizeiros.

MEIO AMBIENTE - Queimadas

Combate aos incêndios na Amazônia terá mais verbas

Governo espera aumento de 20% sobre os R$ 5,8 mi de 1999         

O Ministério do Meio Ambiente inicia este mês o terceiro ano da campanha de combate aos desmatamentos e queimadas da região amazônica, programa criado após os incêndios que devastaram metade do estado de Roraima em1998

. A expectativa, no governo, é de obter pelo menos 20% além dos R$5,8 milhões repassados pelo Banco Mundial (Bird) no ano passado – e que, desta vez, os recursos cheguem antes da temporada de incêndios. Isso porque, no ano passado, o governo federal levou mais de um ano para enviar o projeto ao Senado, de modo que os recursos só chegaram em outubro, no fim da temporada seca em boa parte da Amazônia.

 O anúncio do reinício da campanha “Amazônia Fique Legal” foi feito ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em seu programa semanal de rádio “Palavra do Presidente”. Ela terá o apoio de duas mil pessoas, quatro vezes mais do que no ano passado, já que envolverá também as agências ambientais estaduais, além de funcionários do Ibama (agência ambiental federal), das Forças Armadas e de organização não-governamentais.

 O foco principal da campanha de combate aos desmatamentos e queimadas é o chamado Arco do Desflorestamento, uma faixa de 3 mil quilômetros de extensão e até 600 quilômetros de largura que inclui porções dos estados do Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso,Tocantins, Maranhão, Amazonas e Pará. Neste trecho, de acordo com Fernando Henrique, ocorrem 80% dos desmatamentos e das queimadas na Amazônia. O presidente acrescentou que quase metade das queimadas e incêndios florestais são acidentais. A meta do Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, é reduzir em 30% os acidentes com fogo.

 No ano passado, incêndios destruíram parte dos parques nacionais do Xingu (MT), do Araguaia (TO), da Chapada Diamantina (BA) e da Chapada do Veadeiros (GO). Desde 1978, a média anual de desmatamento na Amazônia brasileira é de 19 mil quilômetros quadrados. Entre 1990 e 1903 houve uma pequena redução, em seguida de um aumento entre 1994 e 1995, associada à violenta queda de preços da terra após o início do Plano Real. Depois, a média anual recomeçou a cair até 1997, ano em que foram desmatados 13 mil quilômetros quadrados. Há indicações de que a área voltou a crescer desde então.

“Fica difícil, porém, avaliar o que ocorreu desde o início da campanha ‘Amazônia Fique Legal’, já que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ainda não divulgou os índices de 1998 e 1999”, afirma Ana Cristina Barros, diretora-executiva do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), organização não-governamental que acompanha a questão de perto. Ela lembra que o satélite do Inpe também tem algumas limitações, como uma escala muito grande, de 250 por 250 quilômetros.

 A campanha antidevastação deste ano terá algumas diferenças em relação aos anos anteriores, além da participação das agências estaduais. Segundo Hélio Pereira, da coordenação de planejamento da campanha, a principal delas, é quanto aos recursos. “Estamos empenhados em conseguir os recursos necessários um pouco mais cedo este ano”, diz. As atividades preventivas, como o treinamento e a capacitação dos produtores rurais, também serão reforçadas. “Pretendemos regularizar e acompanhar a prática de pequenas queimadas ou desmatamentos.”

 

MEIO AMBIENTE    Queimadas

Presidente alerta produtores rurais sobre risco de queimadas no País

FHC anunciou campanha nacional para desestimular prática

Brasília – O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, pediu ontem aos produtores rurais que procurem o órgão responsável pelo meio ambiente no município antes de desmatar e queimar parte da sua propriedade. No programa de rádio Palavra do Presidente, avisou que quem insistir em desobedecer deverá ser punido.

Fernando Henrique anunciou também que o Ministério do Meio Ambiente inicia, ainda este mês, a campanha anual de combate aos desmatamentos e queimadas da região amazônico. Na edição deste ano, 2 mil profissionais vão dispensar dedicação integral aos trabalhos preventivos. Primeiramente, o Ibama ou o órgão ambiental de cada Estado vai orientar o produtor a trabalhar de forma legalizada, com cuidado para evitar acidentes.

Numa segunda etapa, será feita a campanha de prevenção das queimadas. De acordo com Fernando Henrique, 48% das queimadas e incêndios florestais que acontecem hoje são acidentais. A meta do governo é reduzir em 30% os acidentes com fogo. 

Na fase inicial da campanha, os cerca de 240 pontos de desmatamento identificados por satélite serão imediatamente fiscalizados pelas equipes de campo. “Faremos uma verdadeira varredura nos Estados mais críticos, o Mato Grosso e o Pará”, disse Fernando Henrique.

Roraima – O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, informou que os focos de incêndio de Roraima já estão sob controle. Os satélites mostraram que a fumaça tinha origem na Venezuela e na Colômbia, onde as queimadas atingiram reservas indígenas. O comitê estadual de prevenção e combate aos incêndios florestais, do qual o Ibama participa, está recebendo informações diárias sobre a situação.

MEIO AMBIENTE - Queimadas         

Desmatamento

O desmatamento das florestas tropicais está aumentando rapidamente na Amazônia, como é indicado nas estimativas de área total  desmatada, baseadas em análises de imagens do satélite Landsat. Aestimativa da área total desmatada até 1990 é de aproximadamente 415 mil km2, tendo-se registrado um decréscimo da taxa anual de desmatamento de 1989 (19 mil km2) para 1990 (14 mil km2). A Tabela IV.I mostra estimativas de área total desmatada e taxas anuais de desmatamento na Amazônia brasileira. Dado este cenário, uma questão que pode ser levantada é se o desmatamento em grande escala na Amazônia poderia afetar o clima regional com conseqüências para a biota da região.

Uma vez conhecida a área total desmatada e a taxa anual de desmatamento, pode-se, em princípio, estimar a quantidade de CO2 emitido para a atmosfera pela queima da biomassa. Há muitas dificuldades para tal estimativa, dado o alto grau de incerteza no cálculo da quantidade de biomassa por unidade de área, da fração de carbono da biomassa que efetivamente se transforma em CO2 e da quantidade de carbono que é retirada da atmosfera através do crescimento secundário, entre outros atores. As estimativas de biomassa acima do solo variam de 230 a 400t/ ha. Para se transformar a biomassa total em quantidade de carbono estacado utiliza-se comumente um fator empírico que varia de 0,45 a 0,50. Tomando um desmatamento médio na Amazônia brasileira de 21.000km2/ ano na década de 1980, a contribuição máxima anual das queimadas na Amazônia seria de 12 a 21% da contribuição mundial. Deve-se, entretanto, considerar que as queimadas não apresentam eficiência total de combustão, que uma parte do carbono da biomassa permanece na forma orgânica ou se transforma em carvão vegetal e que o carbono se fixa pelo crescimento da floresta secundária. Assim, esta contribuição seria ainda menor. O desmatamento da Amazônia representa de 4,4 % a 7,6 % da queima gleba de combustíveis fósseis, e o CO2 emitido corresponde apenas ao que a vegetação retirou recentemente da disponibilidade de nutrientes.

A matriz energética do Brasil indica que a maior parte da energia elétrica é proveniente de usinas hidrelétricas. A contribuição das termelétricas a carvão é reduzida. Dessa forma, a contribuição do Brasil para o "efeito estufa" é proveniente do desmatamento e da utilização dos derivados de petróleo, conforme as comparações internacionais da Figura IV, l. Por outro lado, a utilização de álcool como combustível faz com que sejam minimizadas nossas contribuições. Existem poucas estimativas para as contribuições dos outros "gases estufa" (NOx, CH4 e CFCS). A contribuição do metano pode ser significativa tendo em vista o tamanho do rebanho bovino no Brasil (Figura IV.2). Essa participação se toma relevante pela contribuição das práticas agrícolas para o aquecimento global (figura IV. 3).

Uma questão que freqüentemente se coloca é se o reflorestamento pode modificar o clima, a ponto de aumentar as chuvas locais. Pelas razões mencionadas anteriormente, não é provável que isto aconteça nas áreas não-tropicais do país. Nas áreas tropicais do Brasil Central e do Nordeste a resposta a esta questão não é conhecida. No caso do Nordeste, entretanto, o reflorestamento poderia ter um efeito positivo ao diminuir o albedo e aumentar a rugosidade da superfície, criando condições para aumento de chuvas. Uma outra conseqüência importante do reflorestamento no Nordeste seria o aumento da retenção de água no solo. Entretanto, não se deve esperar uma reversão, mas talvez somente uma atenuação das condições semi-áridas.

Reflorestamento de grande escala, com o objetivo de retirar CO2 da atmosfera e fixá-lo na biomassa, poderia ocorrer em áreas degradadas na Amazônia e em muitas outras partes do Brasil e do mundo. Na Amazônia, estima-se que mais da metade da área total desmatada, isto é, mais de 200 mil km2, já se encontra degradada. E plausível que se imagine reflorestar 10 mil km2 por ano em todo o Brasil durante 40 anos. Isto significaria que em tomo de 2030, aproximadamente, 0, lGtC por ano seria absorvido anualmente até que as florestas atingissem maturidade, o que aconteceria entre 40 e 100 anos. Isto poderia significar uma absorção de carbono correspondente a uma percentagem entre 25 % a mais de 50 % das atuais emissões brasileiras de carbono devido ao desmatamento na Amazônia.

MEIO AMBIENTE - Queimadas          

ONGs calculam que as rodovias do Avança Brasil tornarão as florestas mais pobres e inflamáveis

Estudo também aponta risco de fogo

O estudo das ONGs, Ipam, ISA e WHRC não se limita à previsão de desmatamento entre 80 mil e 180 mil Km2, cálculo baseado no padrão histórico de outras rodovias amazônicas (33% a 55% de perda na faixa de 50 Km de cada lado da rodovia asfaltada). Inclui ainda a estimativa de que outros 187 mil km2 se tornarão suscetíveis ao fogo, com o adensamento da presença humana.

Isso ocorre numa espécie de círculo vicioso. A estrada atrai madeireiros, que fazem um corte seletivo de árvores de valor comercial e abrem clareiras na floresta. Com mais luz, resseca-se a camada de folhas acumulada no chão, que em condições normais permanece muito úmida para pegar fogo. Não é nada fácil iniciar queimadas na Amazônia.

A rodovia também facilita a colonização da área por pequenos agricultores. Descapitalizados, empregam o fogo para limpar e fertilizar o solo com cinzas. O fogo escapa para a floresta ressequida, queimando o sub-bosque e abrindo caminho para mais radiação solar, o que a resseca ainda mais. E assim por diante.

Intensificar a agricultura

Os pesquisadores do Ipam, ISA e WHRC vão mais longe que a objeção tradicional de ambientalistas a estradas. Eles estão dispostos a discutir prioridades, ou seja, estradas e políticas que tragam benefício real para as populações locais, como a saúde, educação e melhoria de renda.

Seu exemplo é a Transamazônica, cuja recuperação permitiria intensificar a produção agrícola numa área já mais densamente ocupada e ambientalmente degradada. Com investimentos em extensão rural, crédito e infra-estrutura para beneficiamento, essa população já assentada poderia passar de uma agricultura de subsistência (mandioca, etc) para culturas perenes, como frutíferas, pimenta e palmito.

Nesse caso, a estrada não seria o vilão, mas um elemento a mais numa política integrada de desenvolvimento sustentável. Serviria para escoar a produção no mercado regional e local.

O contra-exemplo é o Santarém-Cuiabá. Seu afastamento beneficiaria mais a produção de soja no Mato-Grosso, que obteria com ela um novo acesso pelo Atlântico pelo porto de Santarém e por via fluvial. A rala população ao longo da estrada pouco ganharia – a não ser um risco aumentado de ver a floresta pegar fogo, destruindo cercas e pastos. Estudos do Ipam indicam que essa é uma das principais formas de erosão do parco capital dos agricultores da região.

“Ignorar as questões associadas à abertura de estradas e expansão da fronteira é arriscado, sob pena de transformar a Amazônia em uma área permanentemente periférica, com perpetuação da cultura de extração de recursos naturais, que beneficia poucos”, conclui o estudo.

Espaço desordenado

Para Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama e consultor ambiental, “essas infra-estruturas acabam sendo implantadas em áreas em que não existe ordenamento, adotando-se uma estratégia em que o eixo é indutor da incorporação de novos espaços, o que vem sendo feito sempre sem a apropriada avaliação das conseqüências ambientais”.

Ele faz, no entanto uma ressalva ao estudo, cujas previsões considera no geral “apropriadas”. Cita pesquisa da ONG Imazon apresentada semana passada em reunião no Banco Mundial, em Brasília, segundo a qual o excesso de chuvas é um obstáculo natural para a expansão da agropecuária.

Reputação de ONGs veio com incêndios

O Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam) e o Centro de Pesquisas Woods Hole (WHRC) representam um tipo novo de organização não-governamental: a ONG científica. Sua reputação cresce no meio acadêmico, sobretudo após artigo sobre empobrecimento da floresta ganhar a capa da revista “Nature”.

Foi em 8 de abril do ano passado. Os 12 autores – 6 brasileiros, incluindo instituições como a ONG Imazon e as universidades federais do Acre e do Pará – revelavam aquilo que os satélites têm dificuldade em enxergar – a ação de madeireiros e do fogo.

Utilizando dados de campo, estimaram que o levantamento oficial brasileiro, que usa imagens de satélites, poderia estar subestimando a destruição da floresta em 50%. Isso porque eles não conseguem “ver” clareiras.

Floresta pode ganhar mercado

O governo brasileiro recusa incluir a maior floresta tropical do mundo no que se pode ser o mercado do futuro, a compra e venda de estoques de carbono. Na forma de gás carbônico (CO2), produto da queima de combustíveis fósseis e florestas, o composto agrava o efeito estufa (aprisionando calor solar na atmosfera, o que a aquece).

Como os países industrializados assumiram compromisso de reduzir suas emissões de gás carbônico no Protocolo de Kyoto, surgiu a idéia de comprar emissões economizadas no Terceiro Mundo. Ou então, o carbono “sequestrado” em florestas (árvores fixam o CO2 do ar na forma de madeira).

Não existe ainda metodologia nem acordo internacional sobre a contabilização do carbono, mas avalia-se que a tonelada possa alcançar US$ 2 bilhões (100 milhões de toneladas de carbono na atmosfera).

O governo federal não aceita incluir florestas virgens na discussão. Nas negociações internacionais, fala-se em “chantagem florestal”. O tema será debitado dia 24 de março de 2000 em seminário do Instituto de Estudos Avançados da USP (tel. 0/xx/11/818-3919).

 

MEIO AMBIENTE – Desmatamento    

Veja abaixo quais são as dez empresas e pessoas que sofreram as maiores multas do Ibama acusadas de crime ambiental

1º Aguinaldo Rodrigues Caldeira

Ø      Corte ilegal de floresta em Paragominas (PA)

....................................................................

R$ 11,72 milhões (em fase de recurso)

2º Agropecuária Araçatuba

Ø      Queimada ilegal de floresta Cumaru do Norte (PA)

...........................................................................

R$ 9 milhões (em fase de cobrança)

3º Zênite Okada

Ø      Corte, queimada e venda ilegal de floresta em Alta Floresta (MT)

................................................................................................

R$ 4,12 milhões (em fase de recurso)

4º Aluísio Coelho de Barros

Ø      Corte ilegal de floresta em Aripuanã (MT)

...............................................................

R$ 2,12 milhões (em fase de cobrança)

5º Evandro Theodoro de Andrade

Ø      Queimada ilegal de pastagens em Itaúba (MT)

......................................................................

R$ 1,53 milhão (em fase de recurso)

6º Wilson Sierra

Ø      Queimada ilegal em Alta Floresta (MT)

...........................................................

R$ 1,05 milhão (em fase de recurso)

7º Rui Carlos Liso

Ø      Queimada ilegal em Peixoto de Azevedo (MT)

....................................................................

R$ 900 mil (em fase de cobrança)

8º Agropecuária Mahl

Ø      Queimada ilegal de pastagem em Itaúba e Paratinga (MT)

      ......................................................................................

      R$ 561 mil (em fase de recurso)

9º Silvio Roberto Castanheira Silva

Ø      Queimada ilegal de pastagem em Marabá (PA)

......................................................................

R$ 500 mil (em fase de recurso)      

 

MEIO AMBIENTE - Queimadas  

A prática de queimar os campos para a limpeza do solo antes do plantio da lavoura ou das pastagens, comum no Brasil nos meses de agosto e setembro, torna-se nos últimos anos um sério problema ambiental, sobretudo no Centro-Oeste e no Norte. Em 1998, em Roraima, o fogo devasta 10 mil quilômetros quadrados de floresta. A falta de cuidado com o isolamento da área a ser queimada e a execução do procedimento sem autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos  Recursos Renováveis (Ibama) são os principais fatores do crescimento do número de incêndios nessas regiões. De acordo com o Centro de Monitoramento por Satélite da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa), em agosto de 1999 a quantidade de queimadas em todo o território nacional cresce 12%. A Região Centro-Oeste ocupa o primeiro lugar em focos de incêndio, mas o estado de São Paulo, no Sudeste, também sobressai, ao registrar um aumento de 118% em seu número: de 580 focos em 1998 para 1.346 em 1999. Comparando esses dados com os de 1997 - anos em que o El Niño se manifesta com mais força, aumentando a estiagem no país, mas com menos incêndios -, os técnicos do Centro de Previsão do Tempo de Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluem que o fenômeno não é o  principal responsável pela disseminação do fogo, e sim as queimadas irregulares. Por essa  razão, o governo apressa a regulamentação da Lei de Crimes Ambientais, que prevê a aplicação de multas pesadas, de até 50 milhões de reais, para quem utilizar a prática de forma irregular. Além disso, o Ibama lança o projeto Proteger, em parceria com o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), para informar os agricultores da Amazônia sobre os riscos de incêndio e incentivar a solicitação da autorização de queima controlada.

MEIO AMBIENTE – Queimadas    

Amazônia em Chamas

 

Para aumentar a concentração de nutrientes no solo e poder plantar, muitos lavradores costumam realizar queimadas na Amazônia. Mas, em pouco tempo, a área deixa de produzir. Outras partes da floresta passam a ser queimadas, destruindo mais a mata e os animais. Ao mesmo tempo, as queimadas na Amazônia contribuem com o chamado efeito estufa. É como se a camada de gases gerados pelo calor do fogo formasse um escudo, impedindo a saída de parte da radiação solar que atinge a Terra e elevando as temperaturas em todo o planeta. Preservar a floresta é essencial para manter sob controle o clima mundial.

MEIO AMBIENTE - Queimadas

Começa combate a fogo na Amazônia

Operação do Ministério do Meio Ambiente também prevê ação contra desmatamentos

Brasília – O Ministério do Meio Ambiente vai deflagrar a partir de hoje, com a ajuda de três helicópteros, uma operação de combate às queimadas e aos desmatamentos irregulares na Amazônia. A operação será desenvolvida em todo o Arco do Desflorestamento (área que abrange os Estados do Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Amazonas, Pará e Amapá), onde a incidência de incêndios florestais é grande nesta época do ano.

A operação faz parte do Programa de Combate aos Incêndios nas Florestas (Proarco). Segundo o coordenador Humberto Candeias, Mato Grosso e Pará receberão atenção especial porque nesses dois Estados os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vem registrando anualmente um número significativo de focos de calor. Dos 22.323 focos detectados em agosto pelo Inpe, 11.555 (51,76% do total) ocorreram nesses locais.

Este ano, o número de focos no Mato Grosso baixou de 13.269 para 6.070. A redução, segundo Candeias, ocorreu porque as queimadas no Estado a partir do início de julho. No Pará, houve uma pequena redução: de 5.679 para 5.475 no mês passado.

 

MEIO AMBIENTE - Queimadas

 

Menos fogo na Amazônia

 

Em 2000 houve cinco mil focos de calor a menos na Amazônia Legal do que em 1999, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A expectativa é que os focos diminuam ainda mais em setembro, resultado das condições climáticas favoráveis e das ações articuladas do Ministério do Meio Ambiente/Ibama com órgãos federais, estaduais e entidades civis.

 

MEIO AMBIENTE – Queimadas

 

Diminuem as queimadas na Amazônia

 

Fiscalização, clima e acordos com fazendeiros já reduzem focos de fogo no chamado Arco do Desflorestamento

 

A Amazônia não está em chamas, pelo menos não na proporção dos anos anteriores. A combinação de campanha de repressão, acordos com fazendeiros e chuva está, pela primeira vez, revertendo o ciclo de queimadas descontroladas na região.

Dados colhidos por satélite indicam que este deve ser um dos anos com menor número de queimadas desde que os incêndios começaram a ser monitorados no final dos anos 80. Entre junho e agosto, a queda foi de 9%, em comparação com o mesmo período de 1999. Até outubro, quando termina o período mais crítico, o governo estima que a redução fique em torno de 20%.

O centro dessa reviravolta ambiental é o Mato Grosso, Estado onde mais se queima no país.

Ação conjunta entre a Secretaria do Meio Ambiente estadual e o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) cancelou as autorizações de queimadas até o dia 30, programou comerciais de TV atacando os incendiários e colocou fiscais em três helicópteros para verificar denúncias de incêndio. Resultado: o número de focos de fogo caiu pela metade.

"O resultado é muito positivo, porque, em geral, nos anos de eleição o número de queimadas cresce. Candidatos tentam ganhar votos promovendo incêndios ilegais para abrir estradas e lavouras", disse o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.

O fogo faz parte do ciclo da agricultura da região Norte. É usado para limpar os pastos para o plantio da safra de verão, ou para destruir os tocos de uma floresta depois da retirada das madeiras mais valiosas. Nos casos de agricultura e de desmatamento legal, os fazendeiros podem queimar área se tiverem licença do Ibama.

 

Palmatória e diálogo

Nos últimos três meses, mais de 20 fazendeiros foram detidos no Mato Grosso, acusados de tocar fogo sem autorização. Os valores das multas já passam dos R$ 500 mil. Simultaneamente, as organizações não-governamentais lideraram negociações nas quais os agricultores se comprometiam a queimar seus pastos depois de dias de chuva -o que diminui a possibilidade de o fogo se alastrar.

"Foi a pedagogia da palmatória com o diálogo. Por um lado, montamos uma fiscalização dura. Do outro, só liberamos o fogo para quem se responsabiliza pelas conseqüências", disse Humberto Candeias, coordenador do Programa de Prevenção e Controle às Queimadas do Ibama.

Os melhores resultados ocorreram nas cidades em que foram feitos contratos públicos, assinados pelos fazendeiros, para a redução voluntária de queimadas. "Em Marabá, no Pará, o número de focos de fogo caiu 64%. Em Alta Floresta, no Mato Grosso, foi de 82% e em Xapuri, no Acre, chegou a 90%", disse Roberto Smeraldi, da organização Amigos da Terra e coordenador dos acordos.

O terceiro fator que ajudou no controle do fogo foram as chuvas. Embora Mato Grosso esteja passando por uma estiagem, os índices pluviométricos foram acima do normal no Pará, o vice-campeão nacional de queimadas.

"A queda no número de queimadas é real, mas é preciso atenção. Existe o risco de o fogo se descontrolar em outubro, quando o Ibama volta a dar autorizações de queimadas no Mato Grosso", alertou Paulo Moutinho, da organização Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Em 1997, numa das mais completas pesquisas já realizadas sobre o tema, o Ipam descobriu que 48% das queimadas na Amazônia perdem a direção e atingem áreas não previstas nas autorizações do Ibama, incluindo florestas.

O exemplo mais conhecido desse descontrole ocorreu em 1998 e deixou cinzas sobre 15% do território de Roraima. Mesmo quando não tem essa intensidade, as queimadas na Amazônia são um desastre para o planeta inteiro. Estima-se que, por ano, as queimadas na região produzam a mesma quantidade de gás carbônico que a Grande São Paulo.

"O trabalho de controle das queimadas na Amazônia se assemelha à vacinação. Uma dose única de vacina não resolve o problema. A campanha tem de ocorrer todo ano", disse Garo Batmanian, da organização WWF.

 

MEIO AMBIENTE - Queimadas

Fonte: Estado de São Paulo 05 de Fevereiro 2001.

Inpe cria sistema para identificar tipo de vegetação danificada.

Tecnologia fornece dados que podem mudar visão sobre a devastação da Amazônia.  (JÚLIO OTTOBONI)

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - As polêmicas em torno da localização das queimadas e seus estragos ambientais na Amazônia Legal estão para acabar. A partir deste ano, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) terão condições de saber com exatidão que tipo de vegetação está sendo destruída pelo fogo e qual o impacto disso no ambiente. O Projeto Queimada foi desenvolvido ao longo do ano passado e entrará em operação nas próximas avaliações de incêndios na Amazônia. O novo método utiliza imagens de satélites para conseguir definir os locais de maior concentração dos focos de incêndio e saber a espécie de cobertura vegetal existente naquela região. Assim, o Inpe saberá se o que está sendo queimado é pastagem, vegetação de cerrado ou de floresta tropical. "Queremos saber se há ou não queimadas no mesmo local e o tipo de vegetação está sendo atingida", explica o coordenador do Programa Institucional da Amazônia, João Roberto dos Santos. As informações veiculadas sobre os incêndios na Amazônia sempre deixaram dúvidas sobre que tipo de vegetação estava sendo consumida pelas chamas. Isso ocorria tanto no meio científico como entre as autoridades governamentais e ambientalistas de todo mundo. Os números recordes de pontos de fogo mostrados pelas imagens do satélite norte-americano da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa) sempre causaram a impressão de catástrofe ambiental na maior reserva natural da Terra. Esse costuma ser o principal estopim para acirradas discussões, troca de acusações e movimentos de vários portes em defesa da floresta, que estaria sendo destruída pelo fogo. A falta de dados concretos levou a interpretações distorcidas sobre esse fenômeno, dando margens à disseminação de idéias, como a necessidade da internacionalização da Amazônia brasileira para preservação ambiental da região. No entanto, tudo sempre se baseou em mera especulação. "Esse levantamento inexistia antigamente e não dava para falar o que realmente estava acontecendo", comenta o cientista do Inpe. Landsat - Um grande levantamento preliminar feito com dados de 1999 utilizou 156 imagens do satélite de sensoriamento remoto Landsat, correspondente à cobertura de 60% da Amazônia Legal. Foram escolhidas as partes com maior concentração de pontos de incêndio, consideradas críticas pelos pesquisadores. Sem perder o aspecto maléfico da queimada, o resultado foi surpreendente e começou a desmistificar a visão de um gigantesco incêndio florestal. As imagens do Landsat revelaram 107 focos de incêndio na floresta, equivalente a uma área de 715 quilômetros quadrados. A porção tomada pela vegetação de cerrado (ou savana) apresentou 7,3 mil focos, correspondendo a 26,5 mil km2. Já as pastagens registraram 6,2 mil focos de incêndios, totalizando 10,2 mil km2. Embora parte dos atuais pastos tenham sido dominados por florestas, os números revelam um quadro diferente do propagado. "Com esse levantamento estaremos acabando com as polêmicas sobre as áreas queimadas", reforçou Santos. Segundo ele, apesar dos números mostrarem outra panorâmica do problema, isto não ameniza a gravidade. Contudo assegura uma leitura muito mais verídica sobre os incêndios amazônicos e destrói alguns mitos criados sobre queimadas. "Não se pode esquecer também que há sempre a incidência de fogo nas bordas da floresta no encontro com a pastagem."