MEIO AMBIENTE - Protocolo de Montreal

 

CE combateu inimigos do ozônio

 

Indústria química disse que projeto era desvantajoso para empresas

 

Bruxelas - A Comissão Européia anunciou em julho de 1998 que pretendia reduzir paulatina e completamente a fabricação e o uso, em todos os 15 países da União Européia (UE), de substâncias químicas que destroem o ozônio. O projeto visa clorofluorocarbonos (CFCs) e hidroclorofluorocarbonos (HCFCs) - gases usados nos sistemas de refrigeração, aerossóis, espuma para isolamento térmico, solventes e substâncias para apagar o fogo - e o pesticida brometo de metila.

A indústria química européia atacou a proposta, afirmando que se trata de uma “iniciativa unilateral”, que colocará as empresas européias em desvantagem e não obterá o menor apoio do resto do mundo. “Terá conseqüências graves para empresas como Solvay, Elf Atochem e Dupont, que foram encorajadas pelos legisladores a investir na produção de HCFC a fim de reduzir aos poucos a de CFC”, comentou Ben Jensen, da CEFIC, associação da indústria química européia.

Segundo Jensen, há ainda um mercado para os produtos químicos, principalmente nos países em desenvolvimento. Os EUA, por exemplo, rejeitaram toda e qualquer limitação às exportações de HCFC. “Nossos estudos sobre as exportações atuais e potenciais mostram que estas restrições não afetarão a produção européia nos próximos 10 anos. Os produtos que destroem a camada de ozônio representam menos de 2% do faturamento dessas companhias, em todos os casos”, disse um executivo aos jornalistas.

“A Europa está na liderança no desenvolvimento de alternativas e isso poderá criar oportunidades para pequenas e médias empresas”. As normas planejadas são mais rigorosas do que os controles globais acertados em 1987, no âmbito do Protocolo de Montreal sobre a proteção da camada de ozônio. Esta camada é um frágil escudo de gás protetor ao redor do planeta, que absorve os raios ultravioletas do sol, prejudicando à saúde.

O emprego de substâncias químicas fabricadas pela indústria, como os CFCs e os HCFCs, cria buracos cada vez maiores no escudo, o que contribui para provocar alguns tipos de câncer de pele, cataratas, queda do crescimento das culturas e danos ao meio ambiente. A Comissão pretendia exigir a proibição do uso dos HCFCs até o ano 2004 e uma eliminação gradativa na produção destes a partir de 2008.

Hoje, não há controles da produção de HCFCs, que originalmente eram considerados boas alternativas para os CFCs, mais prejudiciais. A proibição global do uso dos HCFCs deverá ser imposta em 2040. A comissão disse que a produção e uso de brometo de metila deveria acabar até o ano 2001. O brometo de metila deixará gradativamente de ser produzido em todo o mundo até o ano 2005.

As novas formas proibirão a venda de CFC e de outros halogenados aproximadamente a partir do ano 2000, na tentativa de deter as importações ilegais. Na União Européia, a produção de CFC parou em 1996.a UE produz cerca de 220.000 toneladas métricas de HCFCs ao ano e utiliza 160.000. A produção de brometo de metila é limitada, mas o consumo anual é de quase 15.000 toneladas, segundo o representante da Comissão.

Em 1997, o bloco usou cerca de 5.000 toneladas de CFCs. O representante disse que os HCFCs poderão ser substituídos por depuradores à base de água em solventes, amoníaco e hidrocarbonos (HCs) em geladeiras e HCs ou dióxido de carbono na produção de espuma. Boas alternativas ao brometo de metila incluem o emprego de variedades de culturas mais resistentes às pragas, a rotação das culturas e a solarização. Jensen disse que as alternativas poderão ter “efeitos colaterais muito prejudiciais”, se usadas de modo inadequado.