MEIO AMBIENTE – Efeito Estufa

 

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MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

AMAZÔNIA E EFEITO ESTUFA

A floresta amazônica exerce influência decisiva no processo de redução do efeito estufa, pois absorve o excesso de carbono existente na atmosfera. Esta constatação, resultante de uma ampla pesquisa sobre a contribuição da Amazônia nas mudanças climáticas globais, começou a ser detalhada por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, no contexto do programa internacional “Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA)”, iniciado em 1999. O LBA é uma iniciativa internacional de pesquisa liderada pelo Brasil que procura um entendimento sobre as dimensões do comportamento da Amazônia como um sistema ambiental integrado e a resposta dos seus vários ecossistemas à intervanção do homem. Segundo dados apurados pelas medições de campo realizadas nos últimos dois anos, a floresta amazônica absorve cerca de 0,4 a 1 Giga tonelada (Gt) de carbono por ano da atmosfera. O valor é equivalente à emissão anual total de gás carbônico proveniente da queima de combustíveis fósseis na Europa Ocidental e de 5 a 12 vezes maior que as emissões de CO2 devidas à queima de combustíveis fósseis n Brasil. Fonte: Gazeta Mercantil, 26.11.01.

 

FHC omite as florestas ao abordar mudanças no clima - 12/11/00 (OESP)

Presidente cita até Trótski em seu discurso

MARCELO LEITE, da Folha de S.Paulo

A cinco dias de começar mais uma rodada de negociações sobre o clima mundial, em Haia (Holanda), o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou oficialmente no Itamaraty o Fórum de Mudanças Climáticas. Falou até de gases produzidos pelo gado na sua digestão, mas evitou tocar na questão do desmatamento.

O assunto é polêmico porque tem prevalecido no governo a tese de que florestas não devam entrar no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Tema central em Haia, o MDL, quando regulamentado, será um modo de carrear recursos para países pobres. Nações industrializadas investiriam em projetos de desenvolvimento no Terceiro Mundo capazes de evitar a produção de gases como o carbônico, que agravam o efeito estufa.

Havia uma menção ao tema no discurso impresso, omitida porém pelo presidente quando abordou o inventário das emissões locais de gases-estufa:

"(Ele) trará uma contribuição significativa para a metodologia da estimativa das emissões num país tropical, com vastos setores agrícola e silvicultor. Nossa comunidade científica também desenvolve trabalhos relevantes em relação à modelagem numérica da mudança global do clima e à compreensão das interações entre a atmosfera e a biosfera em nosso território, notadamente na Amazônia", escreveu FHC.

Após destacar que o Brasil tem matriz energética "limpa", FHC afirmava no discurso distribuído: "Determinei a diferentes órgãos do governo que analisem todos os setores de atividade do país do ponto de vista da mudança do clima. O setor de silvicultura merece atenção especial pela sua potencialidade de contribuir para mitigar a concentração dos gases de efeito estufa."

A inclusão das florestas no MDL é defendida por setores minoritários no governo, como o Ministério do Meio Ambiente (MMA). A omissão presidencial pode, portanto, ser considerada indicativa de sua fraqueza.

Com 40% das florestas tropicais do mundo, o Brasil renuncia assim a fonte considerável de recursos, na casa de bilhões de dólares. Sem florestas, estima-se que o país abocanharia no máximo 1% da receita com MDL.

Com a destruição de 20 mil km2 de floresta por ano, em média, a Amazônia é hoje a maior fonte emissora de gases do efeito estufa no país. As estimativas variam, mas ela pode ser três vezes maior que o emitido com a queima de combustíveis fósseis.

Floresta X reflorestamento

Um seminário realizado por organizações não-governamentais em Belém, semana passada, defendeu num "Manifesto da Sociedade Civil" que recursos do MDL sejam destinados a projetos de manejo florestal. Essa exploração racional da floresta pode cortar ao meio a derrubada pelo método tradicional, sem planejamento.

As conclusões do manifesto devem ser apresentadas hoje pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, na primeira reunião do Fórum, na presença de FHC.

Terá de enfrentar a oposição do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Itamaraty, formuladores da posição brasileira. O máximo que aceitam é incluir florestas plantadas no MDL.

Florestas e oceanos não conterão aquecimento global

Os oceanos e as florestas, que atualmente absorvem metade do gás carbônico arremessado na atmosfera, não poderão conter o aquecimento do planeta em um futuro próximo, conforme indicam estudos realizados por cientistas franceses e britânicos.

E, o que é ainda mais grave, as florestas, que hoje atuam como "poços de carbono" (absorvem mais gás carbônico com a fotossíntese do que o que despejam na atmosfera), vão degradar-se com o aumento da temperatura até se transformarem em emissores significativos de CO2 em 2050, segundo um estudo do Instituto Britânico de Meteorologia Hadleys que será publicado na quinta-feira na revista "Nature".

O papel dos "poços de carbono" das florestas é um dos temas polêmicos das negociações que serão iniciadas em 13 de novembro em Haia, com o patrocínio da ONU, e que se destinam a limitar as emissões de gases de efeito estufa no contexto do protocolo de Kyoto. Os Estados Unidos defendem um amplo controle das florestas, que lhes permitiria cumprir totalmente seus compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Princeton em 1998. Os países europeus são reticentes, pois temem que isso permita que os países que têm grandes florestas respeitem sem maiores esforços reais suas obrigações de redução das emissões contaminadoras.

As pesquisas científicas francesa e britânica questionam o papel positivo que geralmente é outorgado às florestas. O estudo britânico afirma que a "biosfera terrestre atuará como um poço de carbono até aproximadamente 2050, e depois se transformará em uma fonte de emissão de gás carbônico".

Por outro lado, os oceanos, que também desempenham papel de poços de carbono graças às correntes marinhas e ao plâncton que contêm, serão menos eficazes diante do efeito do aquecimento climático. 

No total, a temperatura pode aumentar 5,5 graus se for levada em consideração a interação entre o CO2, os oceanos e as florestas. E não os 4 graus, conforme prevê o modelo inicial do Centro Hadley.
 

 

Destruição da Camada de Ozônio

 

Em volta da Terra uma camada de gases, que varia entre 20 e 25 quilômetros de altitude. Nessa camada, concentram-se muitos gases naturais e alguns poluentes fabricados pelos homens. Os gases vivem se combinando e recombinando em complicadas reações químicas, muitas vezes "acionadas pela luz solar. E aí que se forma o ozônio, composto de três átomos de oxigênio e altamente instável.  O ozônio funciona como um filtro químico do planeta, absorvendo os raios ultravioleta do sol. Alguns produtos químicos feitos homem -  como os CFCs, Halons e HCFs- estão destruindo esse ozônio protetor. Sem o filtro, mais raios ultravioleta estão atravessado nossa atmosfera e causando mais casos de câncer de pele e doenças dos olhos. Por isso a enorme preocupação em banir completamente o uso  de gases de afetar a camada de ozônio que nos protege.

 

Efeito Estufa

 

A mesma camada de gases onde está o ozônio, em volta da Terra, tem gás carbônico, metano, monóxido de carbono e outros gases capazes de "prender" o calor na atmosfera. São os chamados gases do efeito estufa, porque funcionam como uma estufa de vidro, dessas usadas para cultivar plantas. Estes gases são naturais e sempre foram emitidos por vulcões, florestas, pântanos, etc.

O calor do efeito estufa tornou possível à vida na Terra e é o que mantém todo os seres vivos. Só que, no último século, o homem também passou a produzir grandes quantidades de gases do efeito estufa e os vulcões, florestas e pântanos não deixaram de emitir tais gases. Ou seja, temos uma "estufa" com "paredes" cada vez mais grossas e parece que a Terra está esquentado demais.

Se não diminuirmos a produção desses gases, o clima pode mudar e com conseqüências drásticas para a sobrevivência da humanidade: os mares subiriam, a  agricultura teria de ser totalmente reformulada, espécies desapareceriam, outras provavelmente tomariam seu lugar na Terra.

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

 

Qual o valor da Amazônia? Até pouco tempo atrás, os ecologistas nem queriam ouvir uma pergunta dessas. Hoje, muitos estão tentando descobrir quanto à humanidade precisariam gastar para manter o planeta sem a Amazônia. Dois estudos chamam a atenção. O americano Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Inpa, estimou que seriam necessários 3 trilhões de dólares por ano para controlar o efeito estufa, que se agravaria  com o fim da floresta. Uma outra conta, feita por pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, concluiu que os benefícios criados pela floresta corresponderiam a 1,1 trilhão de dólares por ano. É mais do que o produtor interno bruto do Brasil.

 

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Adeus CFC

 

Os aerossóis brasileiros se libertaram do clorofluorcarbono (CFC), o grande responsável pela descrição da camada de ozônio da estratosfera do planeta. Quem garante isto é Maurice Max, Vice- presidente da ABA - Associação Brasileira de Aerossóis. Ele afirma que o Brasil é o único país da América Latina a proibir este produto em sprays. A substância para o CFC é uma mistura de propano e butano, hidrocarboneto que compõe o gás de cozinha. Estes gases, que tem cadeias compostas respectivamente, são mais pesados que o CFC. Desta maneira, não chegam às camadas mais externas da estratosfera, onde a concentração de ozônio é muito grande. A história da substituição do CFC em sprays começou em 1978, quando o Ministério da Saúde determinou que os aerossóis de uso caseiro (inseticidas e produtos de limpeza) trocassem o composto por um gás que não danificasse a camada de ozônio. Em 1988 a medida tornou-se legal e extensiva a todos os produtos comercializados em aerossol. A exceção ficou por conta das bombinhas para asmáticos, que emitem uma quantia insignificante do gás. O CFC não eram um produto encontrado na natureza até 1930 quando foi sintetizado. Sabe-se hoje em dia que um átomo de cloro pode destruir cerca de 10.000 moléculas de ozônio por ano e permanecer na estratosfera por cinco anos. Esta teoria foi comprovada pelo Dr. Joe Farman, cientista da Universidade de Cambridge, Inglaterra, que estuda os danos causados pelo gás desde a década de 60.

 

HISTORIA;= expedição

Veleiro Laboratório

 

Um veleiro, aparelhado com laboratório, está sendo construído no estaleiro da Dinieper, em São Paulo, o mesmo que elaborou o barco de Amyr Klink. Seu objetivo: pesquisar a poluição dos rios e da costa marítima brasileira. O dia 12 de outubro foi escolhido para sua primeira viagem justamente por ser a data comemorativa dos 500 anos do descobrimento da América. O veleiro, batizado de Ondazul, foi idealizado pela Fundação Verdever. Para definir o projeto, Sérgio Prado, presidente da Verdever, explica a poluição dos hemisférios norte e sul como sendo basicamente diferentes. "O norte tende a poluir prioritariamente o ar - emissão de gás carbônico, efeito estufa e destruição da camada de ozônio pelo CFC. Já o hemisfério sul polui tragicamente suas águas: empresas que despejam seus excessos nos rios e no mar, falta de saneamento básico para as populações ribeirinhas , extrativismo à base de mercúrio na Amazônia, são alguns exemplos", afirma . "Pensando assim, criamos o projeto de veleiros para monitorar o meio ambiente brasileiro com a ajuda de satélites", diz. A preocupação com as populações ribeirinhas é outro dos objetivos o projeto. "Com as informações cedidas pelo laboratório, acreditamos que a população que vive às margens poderá se transformar em guardiã das matas". A Esca- Ambiental, empresa de engenharia de sistema e automação, está pronta para colaborar com o projeto através de monitoramento de imagens por satélites. "Através destas imagens, a empresa pode fornecer informações a qualquer tipo de pesquisa ambiental", diz Gerald Lesbazeilles, diretor de telecomunicação da empresa. Os primeiros estudos do indazul serão feitos no arquipélago de Alcatrazes, distante 30 quilômetros da cidade de São Sebastião, Estado de São Paulo. Este arquipélago, rico em flora e fauna, é freqüentemente usado pela Marinha para a prática de tiro a longa distância. "Queremos convencer a Marinha incêndios no local, interferindo na reprodução dos pássaros", alerta Rubens Villela, meteorologista do IAG (Instituto Astronômico e Geofísico) e o coordenador científico do projeto. O veleiro- laboratório custará cerca de 200 mil dólares e seus realizadores planejam atrair a iniciativa privada para captar recursos necessários à construção e aparelhamento de outros barcos. Pretendem também listar projetos de cientistas interessados em utilizar o laboratório flutuante.

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Amazônia e o Efeito Estufa

 

Segundo um estudo do INPE, o desmatamento da Amazônia produz anualmente 1,4% do gás carbônico emitido na atmosfera do planeta, informa um relatório preparado pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), mecanismo ligado ao Programa das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e a Organização Meteorológica Mundial. Segundo o meteorologista Luiz Gilvan Meira Filho, do Inpe, a emissão de gás carbônico na atmosfera pelo Brasil, se distribui da seguinte forma: 53 milhões de toneladas por queimada de combustíveis fósseis, 4 milhões de toneladas na fabricação de cimento e 110 milhões de toneladas pelo desmatamento. Isto significa que o país é responsável por 2,2% da emissão mundial. Por outro lado, Mauro Victor, técnico no Instituto Florestal, explica que para reverter o quadro de desmatamento, de verão ser investidos 30 bilhões de dólares em projetos de pesquisas e preservação. Segundo Victor, os países do Primeiro Mundo ajudarão com seis bilhões de dólares anualmente, a fundo perdido e um quarto deste valor seria destinado a florestas da América Latina. Segundo o  técnico, o Brasil saiu na frente para este financiamento lançado o projeto Floram - Florestas para o Meio Ambiente - objetivado reflorestar, com espécies nativas ou não, 20 milhões de hectares e áreas no país em um  prazo de 20 anos . O Japão deverá contribuir com cinco bilhões de dólares por ano, nos próximos três anos, visando implementar programas de preservação que serão  definidos na ECO 92.

 

Efeito Estufa na Ásia

 

O efeito estufa pode reduzir o volume das colheitas nas principais plantações do sudeste asiático. Estudo na Tailândia, Indonésia e Malásia indica que se as emissões de gás carbônico não puderem ser controladas, as temperaturas na região deverão aumentar em três a quatro graus centígrados até o ano 2000. O que levaria, segundo a ONU, a grandes perdas nas plantações de arroz, soja, milho e borracha da região.

 

Efeito Estufa e Doenças

 

Com o aquecimento gradual da temperatura devido ao efeito estufa, os casos de doenças parasitárias devem aumentar. Isto se dá porque os insetos, principais vetores dessas doenças, proliferam-se com maior facilidade em ambientes quentes. Portanto, o efeito estufa levará doenças características das zonas tropicais como malária, dengue e febre amarela, para regiões temperadas.

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Geleiras ameaçam nível dos oceanos

 

O aquecimento global não é a única ameaça à estabilidade do nível dos oceanos. Processos geológicos, que podem ter durações milenares e controlam o movimento de geleiras da Antártida, ameaçam fazer subir em até 6 m o nível do mar, afirmam cientistas.

O deslocamento de enormes quantidades de gelo para o oceano ocuparia um grande volume, fazendo o nível do mar subir, assim como cubos de gelo colocados em um copo com água, que podem fazer o líquido transbordar.

As chances dessa catástrofe mundial são imponderáveis, isto é impossíveis de serem avaliadas, segundo dois estudos a respeito do Manto de Gelo da Antártida Ocidental (MGAO), publicados hoje na revista “Nature”.  

O MGAO é composto por uma série de geleiras que se deslocam do interior do continente em direção ao oceano, gerando icebergs.

A velocidade média do deslocamento das geleiras é de 10 metros por ano, mas alguns setores se movem até seis vezes mais rápido, formando as correntes de gelo.

Robin Bell, da Universidade Columbia, nos EUA, coordenadora de um dos estudos, afirma que o movimento dessas correntes pode gerar instabilidades no MGAO, aumentando a taxa de descarga de gelo do manto no oceano.

Segundo Bell, correntes de gelo ocorrem onde a geleira cobre solos porosos e ricos em água, que oferecem pouca resistência ao deslizamento do gelo.

A própria massa de gelo altera o chão por onde passa. Processos internos à geleira poderiam criar condições para aumentar sua velocidade e, conseqüentemente, a quantidade de gelo lançado ao mar e o nível dos oceanos.

Apesar de também admitir essa possibilidade, Reed Scherer, da Universidade Uppsala, na Suécia, diz acreditar que a desintegração do MGAO só aconteceria por meio do aquecimento global.

Com o aquecimento, o nível do mar subiria e a água invadiria, na parte frontal das geleiras, o espaço entre o gelo e o solo, agindo como lubrificante, segundo Scherer.

Como resultado, o MGAO passaria a deslizar mais rapidamente para o oceano, gerando uma instabilidade que deveria fazer todo o seu volume cair no mar.

 “O colapso do MGAO ocorreu mais de uma vez no passado remoto. Nada impede que isso volte a acontecer”, diz Scherer.

Segundo o EDF (Fundo de Defesa Ambiental), uma entidade não governamental dos EUA, num intervalo de 50 anos a 200 anos a partir do presente, o aquecimento global pode provocar a desintegração do MGAO e a conseqüente elevação do nível dos oceanos em cerca de 6 m.                   

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa         

 

As agressões à atmosfera

 

A atmosfera é formada pelos gases que envolvem a terra. Ela tem uma função essencial de dar condições à vida, ao mesmo tempo em que exerce sua função climática, propiciando uma temperatura favorável à vida, filtrando os raios solares.

Esse envoltório gasoso é formado por 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 0,03% de gás carbônico e outros gases em mínima quantidade.

A atmosfera vem sido agredida pelo sensível aumento de gás carbônico (CO), oriundo da queima de combustíveis fósseis e de madeiras pelas queimadas. O gás carbônico, também denominado dióxido de carbono, não pode ser confundido com o monóxido de carbono, que é um outro gás asfixiante e mortal, produzido quando se queima algum combustível que tenha carbono. Na cidade de São Paulo há uma liberação diária de 1.000 toneladas de gás carbônicos e as queimadas de 1988 na Amazônia liberaram um volume de gás equivalente a dezenas de anos de sua liberação na capital de São Paulo.

A própria atmosfera vem sendo destruída pela emissão de clorofluorcarbono que devasta o ozônio da estratosfera causando o buraco na camada desse gás. Essa falha encontrada na Antártida, em 1989, tem o efeito de não mais filtrar os raios ultravioletas do sol, gerando conseqüências mortíferas às células, estendendo-se tão região lesada já para o sul da América do Sul. O clorofluorcarbono (CFC), também denominado freon, é um gás volátil também usado em aerossóis, circuitos de refrigeração em aparelhos de ar condicionado, geladeiras e em embalagens de ovos e sanduíches. A liberação do freon, se não for devidamente controlada, pode resultar no extermínio crescente da vida no planeta.

A atmosfera também é poluída por gases como o aldeído que é tóxico e irritante, resultado principalmente da queima do álcool nos veículos automotores e do uso maciço do tabaco.

O amianto, também liberado pelos automóveis e utilizado na vedação térmica de construções, é um irritante pulmonar e cancerígeno que polui a atmosfera, além de gerar problemas no aparelho digestivo, quando alguém bebe água depositada em caixas d’água feitas desse material.

A fuligem das indústrias, dos automóveis, além das toxinas que a compõe, obscurecem, refletem ou refratam a luz, propiciando modificações do ambiente como um todo.

Os óxidos de nitrogênio “produzidos por motores de combustão interna, aviões, fornos, mineradoras, uso excessivo de fertilizantes, incêndios de bosques e instalações industriais formam o smog das grandes cidades e podem ocasionar infecções respiratórias, entre elas a bronquite dos recém-nascidos”.

Logo, pelos exemplos trazidos percebe-se que a forma escolhida pelo ser humano de se apropriar do mundo encerra uma relação de dominação com relação à natureza, não mais atendendo suas necessidades, mas criando necessidades no interior de um mundo falsamente autônomo, com uma lógica própria que, a cada momento, mais se distancia da totalidade que o sustenta e dá condições para que ele exista enquanto espécie. No lugar de potenciar as práticas de pertinência, o ser humano se encasula numa pseudo-independência do meio ambiente que o circunda, cortando as raízes que dão sua própria razão de ser.

É na atmosfera que se dão outros fenômenos não mais oriundos diretamente de sua poluição, mas que atingem aspectos climáticos do planeta. Os mais conhecidos são os chamados efeito estufa e efeito ilha de calor. O dióxido de carbono (CO) e outros gases agem como se fossem uma parede de vidro de uma estufa, permitindo que o calor solar penetre em dado ecossistema , mas impedindo sua dissipação. Assim, funciona como se fosse um automóvel ao sol, ou uma estufa aprisionando calor. Isso pode gerar crescente aumento da temperatura planetária, podendo promover o degelo parcial das calotas polares com a conseqüente elevação dos níveis das marés, levando a inundações litorâneas. O efeito ilha de calor também é artificialmente provocado em áreas urbanas, modificando as condições meteorológicas em seus aspectos térmicos, de umidade, nebulosidade, pluviosidade e velocidade dos ventos, diferenciando umas áreas das da vizinhança.

Às vezes, fenômenos naturais, que acontecem em regiões industrializadas, geram problemas ambientais graves, como no caso da inversão térmica. Nas épocas mais frias do ano, pode acontecer uma inversão na circulação do ar quente. Nessas épocas, pode acontecer do solo estar muito frio, tornando as camadas inferiores de ar mais frias que as superiores, não havendo a circulação do ar entre as camadas baixas e altas. Isso gera a retenção de poluentes que ficam concentrados na camada inferior, causando expressivos danos para os seres vivos.

A guerra e a fabricação de armas atingem a atmosfera e todos os seres vivos quando a radioatividade é levada pelo ar para regiões distantes do impacto da bomba ou do acidente nuclear ocorrido. Os gases de combate têm no ar o veículo de dispersão de seus efeitos destrutivos, asfixiando, como o cloro e o fosgênio; causando lesões na pele, nos olhos e nas vias respiratórias, como o gás mostarda, e paralisando, como o ácido cianídrico.

Há fenômenos que são compostos em sua origem, como a chuva ácida que envolve a atmosfera e a água. Essa chuva constitui-se de precipitação de água, em estado sólido, líquido ou sob forma de vapor, poluída por gases liberados pela queima de carvão e derivados de petróleo. Tais chuvas, que se tornam cada vez mais freqüentes no Brasil, poluem as águas, penetram nos ecossitemas e destróem a vida aquática.

Sobre essas agressões, cabe citar a Resolução CONAMA n° 3, de 28 de junho de 1990, que estabelece padrões de qualidades do ar, concentrações de poluentes atmosféricos que, ultrapassados, afetam a saúde; a Portaria Normativa do IBAMA n° 348, de 14 de março de 1990, que fixa novos padrões de qualidade do ar e concentração de poluentes atmosféricos visando a saúde e o bem-estar da população, da flora e da fauna. A Portaria n° 534, do IBAMA, de 19 de setembro de 1988, proibiu a fabricação de propelentes à base de CFC. A Resolução CONAMA n° 5, de 5 de junho de1989, instituiu o Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar.

A Resolução n° 7 do CONAMA, de 16 de setembro de 1987, normatiza a comercialização e o uso de produtos que contenham amianto/asbestos. Podem ser encontradas referências ao ar na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e na Resolução n° 18, de 6 de maio de1986, que institui o Programa de Controle da Poluição do Ar por veículos automotores-PROCONVE.                             

                 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa - Protocolo de Montreal

 

Ozônio depende dos países pobres, disse ONU

 

Genebra - O destino da camada de ozônio que protege a Terra da radioatividade do sol depende principalmente dos países em desenvolvimento e da Rússia, segundo afirmou o Programa do Meio Ambiente da ONU (Unep), no relatório divulgado em 16 de setembro de 1998. Estes países são responsáveis por 80% da produção de clorofluorocarbonos  (CFCs), a substância química que mais devora ozônio, e 100% de halon, diz a Unep. Os CFCs são usados principalmente em refrigeradores e em sistemas de ar condicionado, enquanto os halons são utilizados principalmente em extintores de incêndio.

As medidas adotadas pelos países industrializados para acabar com a produção de CFCs, halons e outras substâncias químicas até 1996, já influíram consideravelmente para reduzir sua concentração na atmosfera, diz o documento. Especialistas ambientais prevêem que a camada de ozônio chegará a seu menor volume nos próximos anos, e em seguida começará a se recuperar lentamente voltando a níveis mais normais, perto de meados do século.

Entretanto, a Unep adverte que isto só ocorrerá se os países em desenvolvimento e a Rússia contribuírem para isto, e passarem a utilizar tecnologias menos agressivas em relação à camada protetora, precisarão de uma ajuda financeira adequada. O Protocolo de Montreal sobre os produtos químicos nocivos para o ozônio, que completou 12 anos , concedeu às nações mais pobres um prazo determinado para que possam adequar-se aos controles destas substâncias.

Entretanto, a partir de julho de 1999, os países em desenvolvimento tiveram inicialmente de congelar e depois reduzir aos poucos, acabando totalmente até 2010, toda produção de CFCs, halons e de outro destruidor de ozônio, o tetracloreto de carbono. Ao mesmo tempo, a Rússia e outros países ex-comunistas, que não cumpriram o prazo estabelecido para as nações industrializadas, prometeram parar a produção até o ano 2000, e reprimir as exportações ilegais de CFCs para o mundo em desenvolvimento.

Eles recebem a assistência do Banco Mundial e do Crédito do Banco Mundial/ONU para o Meio Ambiente Global, que já desembolsou US$ 111 milhões para 11 países. As nações em desenvolvimento têm a ajuda de um fundo multilateral que, até o momento, deu US$ 760 milhões a mais de 100 países em desenvolvimento para cortarem pela metade seu consumo de CFCs. O refinanciamento do fundo para o triênio 2000-2002 foi negociado no final de 1999.

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa - Conferência das Partes - Buenos Aires

 

Países disputaram destino de carbono

 

O conflito Norte-Sul  travado  em Buenos Aires, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, ganhou até uma versão florestal na revista “Science”.

Em disputa estão 1,9 bilhão de toneladas de carbono, vilão do efeito estufa. Um artigo diz que 90% disso é coletado por árvores da América do Norte; outro, que até 40% são sugados pela América do Sul.

Trata-se da questão dos sorvedouros de carbono, que será discutida nas negociações para evitar o aquecimento global. A conta não fecha, pois passa de 100%.

Representantes de 170 países vão discutiram na capital argentina o Protocolo de Kyoto, que fixou metas para enfrentar o aquecimento provocado por gases que aprisionam o calor do sol, como o carbônico (CO2).

Na reunião em Kyoto, em 1997, países industrializados aceitaram reduzir em 5% as emissões de Co2  até 2012. Não foram fixadas metas para países em desenvolvimento, mas haveram na Argentina novas pressões para que isso aconteça.

O país que mostrar que suas florestas absorvem CO2  pode buscar um desconto nas metas de redução, alegando que parte do carbono liberado é fixado como madeira nas ásvores que cresceram.

A novidade de um dos artigos da “Science” é a conclusão de que florestas como a amazônica vêm crescendo sob o estímulo do CO2 e das temperaturas mais altas.                                                    

Oliver Phillips, da Universidade de Leeds (Reino Unido), estudou a diâmetro de árvores. Sua equipe reuniu cerca de 600 mil medições, em florestas de 12 países.

O grupo converteu o volume de madeira em estimativa de biomassa (peso de carbono) e concluiu que só as florestas da América do Sul retêm 0,62 bilhão de toneladas por ano, ou quase 40% do carbono do qual não se sabia o destino.

Algo semelhante, mas em maior escala, ocorreria na América do Norte, diz outro artigo na “Science”. A partir da distribuição de CO2 na atmosfera e de modelos matemáticos, um grupo da Universidade de Princeton (EUA) concluiu que 1,7 bilhão de toneladas de carbono são absorvidas por florestas dos EUA e Canadá. O número, que pode estar exagerado, coincide com suas emissões com combustíveis. Certo ou errado, o número virá bem a calhar para os negociadores dos EUA em Buenos Aires. 

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa Conferência das Partes

 

Argentina se opõe a países em desenvolvimento

 

Nas negociações iniciadas em Buenos Aires sobre o futuro do clima da Terra, a Argentina foi contra o consenso estabelecido entre os países em desenvolvimento, que rejeitam limites às suas emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases ligados ao aquecimento global.

A Quarta Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que discutiu como pôr em prática os termos estabelecidos na reunião realizada em dezembro de 1999 em Kyoto, no Japão.

O governo argentino afirmou que o mundo industrializado é, em grande parte, responsável pelo estado crítico do clima atual, mas que os países em desenvolvimento “têm condições e o dever ético” de adotar medidas para a redução dos níveis de CO2.

“Todos os participantes desse encontro têm responsabilidades muito concretas”, disse na abertura da reunião Maria Júlia Alsogaray, secretária dos Recursos Naturais e do Desenvolvimento Sustentado da Argentina.

Países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China, defendem um rígido controle das emissões por parte dos países desenvolvidos, já que eles são os principais produtores de dióxido de carbono e os “responsáveis históricos” pela alteração climática.

Entidades ambientalistas como o Greenpeace e o WWF (World Wide Fund Nature) são intransigentes na implementação imediatas das chamadas tecnologias de “desenvolvimento limpo”, que envolvem o aproveitamento de energia solar e eólica (dos ventos), financiado pelos países ricos.

Os EUA e a Rússia (que juntos são responsáveis por 53% das emissões), se mostraram relutantes em assinar qualquer acordo que os submeta a regras e prazos rígidos. O que se delineia, portanto, é um confronto de interesses entre Norte e Sul.

Para o diretor do Departamento de Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antônio José Guerreiro, “dificilmente os países industrializados poderão cumprir compromissos e tomar medidas severas. Isso custa dinheiro”. 

 

MEIO AMBIENTE – Efeito Estufa – Conferência das Partes

 

Clima  País quer avaliar ‘poluição histórica’

 

Brasil rejeitou crédito para preservar floresta

 

O Brasil não quis negociar na Quarta Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Buenos Aires, a preservação de suas florestas nativas, que absorvem gás carbônico (ligado ao aquecimento global), em troca de créditos internacionais.

Luiz Gylvan Meira Filho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) e membro da delegação do Brasil, disse que não se pode “querer obter crédito por um seqüestro de emissão que já existia”.

Segundo ele, essa operação seria uma espécie de “chantagem” que, além de não contribuir para reduzir as emissões, seria mal vista pela comunidade internacional.

“É primário argumentar: vocês (países desenvolvidos) desmataram suas florestas; agora deixem que desmatemos as nossas, ou paguem por elas”, disse Meira Filho. Ela afirmou que o Brasil propõe uma solução ao mesmo tempo técnica e “profundamente política”. 

A idéia é “estabelecer critérios objetivos que avaliem a responsabilidade histórica de cada país no acúmulo de gases-estufa”. Isso é possível do ponto de vista técnico, e resultaria numa divisão mais equânime da conta a ser paga, afirmou o presidente da AEB.

Revolução Industrial

Traduzindo em miúdos, a delegação brasileira reivindica que se leve em consideração o acúmulo de emissões ocorrido desde a Revolução Industrial (iniciada há mais de 200 anos), e não apenas o nível das emissões em 1990 - o paradigma de avaliação hoje vigente.

Com isso, países de industrialização tardia, como o Brasil, teriam uma “responsabilidade histórica” bem inferior a países pioneiros na indústria - mesmo que suas atuais emissões sejam superiores.

O coordenador de pesquisas globais do Ministério da Ciência e Tecnologia, José Miguez, ilustrou essa situação da seguinte forma: “É como se, num rico jantar, a conta fosse dividida por igual, ainda que alguns só tenham chegado a tempo para o cafezinho”.

Aquecimento ameaça Amazônia, diz estudo

 

O governo britânico apresentou, na conferência sobre mudanças climáticas, em Buenos Aires, um estudo que afirma que o aquecimento global pode levar à desertificação da Amazônia a partir de 2050.

Segundo o Instituto de Ecologia Terrestre, de Edimburgo (Escócia), esses efeitos na vegetação do planeta seriam inevitáveis com o ritmo crescente de emissão de gás carbônico na atmosfera pela queima de carvão e de derivados de petróleo.

“Esses resultados são uma ameaça que não se pode ignorar”, disse o ministro britânico Michael Miacher, do Meio Ambiente.

“Há também simulações segundo as quais a morte da floresta amazônica pode ser adiada em 100 anos, se houver uma emissão muito reduzida de gás carbônico na atmosfera”, disse  Andrew White, pesquisador do instituto.

O estudo prevê ainda perda de áreas costeiras devido à elevação do nível do mar, à falta de água e comida e à maior incidências de doenças transmitidas por mosquitos, como a malária.

De acordo com o estudo, a temperatura média global do planeta terrestre deverá se elevar em 3°C nos próximos cem anos.                     

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

O ambiente e os países ricos

 

Países do Primeiro Mundo demonstram estar sempre muito vigilantes quanto à falta de cuidados ambientais. Notícias de desmatamento nos países em desenvolvimento têm lugar cativo principalmente na imprensa européia, e não são raras as manifestações contra a devastação, como atestou, em meio a outras críticas, o presidente Fernando Henrique Cardoso, em visita a Londres.

Preocupação louvável e oportuna. Espera-se igualmente que a conferência mundial sobre clima estipule limites legais para outra forma de deterioração ambiental: a emissão de gases, que, segundo cientistas, gera o superaquecimento do planeta.

Mas, além de louvável, a posição dos países desenvolvidos é também confortável. Uma vez devastada sua natureza, essas nações, os Estados Unidos em particular, querem dividir mundialmente a conta da destruição e do consumo exagerado dos recursos naturais do planeta.

Mas são os países desenvolvidos os maiores emissores de gases poluentes. Os Estados Unidos, que lideram o ranking dos poluidores, são os que defendem o ritmo mais lento de redução da queima de combustíveis fósseis, que produzem os gases de estufa.

As indústrias norte-americana e australiana temem particularmente que os países em desenvolvimento não sejam submetidos às restrições, o que poderia lhes acarretar uma desvantagem econômica.

Na avaliação dos ricos, se o mundo industrializado fizer cortes grandes e unilaterais na emissão de poluentes, estará encarecendo sua produção e estimulando a criação de empregos nos países periféricos.

Por outro lado, a generalização de uma perigosa redução da emissão dos gases pode dificultar ainda mais, quando não inviabilizar, o desenvolvimento econômico desses países mais pobres. Por mais perigoso que seja o efeito estufa, deve ser considerado que as nações igualmente precisam se desenvolver, respeitando, é claro, determinados princípios.

Quem polui mais também necessita de normas mais rigorosas.   

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa    

 

Maiores poluidores adiaram decisões 

 

 Os Estados Unidos e a União Européia (UE) trocaram farpas bem ensaiadas na 4a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática , mas ambos querem deixar de lado a questão de se a limpeza geral da poluição deve ser feita principalmente em casa.  Negociadores afirmaram que não haveria um debate final sobre a limitação ao comércio internacional de cotas de emissões de gases até pelo menos a próxima rodada de negociações, que pode ocorrer apenas no próximo século.

“Podemos fazer melhor uso do nosso tempo. Não posso, de maneira alguma, jurar sobre a Bíblia que não haverá uma decisão, mas parece que assim será”, disse à “Reuters” um importante negociador canadense na conferência. Canadá, EUA e outros países como Japão, Austrália e Rússia insistem em que não pode haver limitações ao comércio de cotas de emissões enquanto os países ricos lutam para cumprir as metas para reduzir suas emissões conforme o acordado em Kyoto, Japão, em 1997.

A União Européia teme que o abuso do comércio de cotas de emissões resulte em que alguns países ricos não estimulem suas próprias indústrias e automóveis a emitir menos gases, mas comprem cotas de países onde os cortes das emissões sejam mais baratos. Tanto os EUA quanto os europeus pareciam falar duro antes de Buenos Aires, e o principal negociador americano para a questão do clima, Stuart Eizenstat advertiu que o Protocolo de Kytoto poderá ser destruído se a Europa fincar o pé.

Porém, segundo representantes canadenses, ansiosos por manter o ímpeto do pacto firmado em Kyoto, os europeus e os países liderados pelos EUA concentram-se em dominadores comuns, como a maneira de formar entidades nacionais que supervisionem o procedimento de informação sobre o comércio de emissões e o mercado de poluição. “O que esperamos em Buenos Aires é que haja pelo menos algumas decisões sobre esses instrumentos”, disse um funcionário do Canadá.

Grupos de lobby ambiental acusaram, com indignação, as principais potências de transformar as conversações que visam interromper um desastre ambiental global em negociações comerciais. “Essas conversações deveriam ser sobre investimentos em energia renovável, não sobre negociações para ver quem pode se beneficiar de uma mudança de 5 % no custo do carbono”, disse Kirsty Hamilton, do organização Greenpeace Internacional.

Os grupos apontaram para as ocorrências catastróficas em outubro de 1998 na América Central, onde cerca de 11 mil pessoas morreram vítimas de enchentes causadas pelo furacão Mitch, como o tipo de calamidade que pode atingir o mundo com maior freqüência, a menos que se tomem medidas rápidas para desacelerar o aimento da temperatura.

O Canadá conseguiu, com sucesso, que as terras cultiváveis passem a ser consideradas como “escoadouros de carbono”. Em Kyoto, os países desenvolvidos se comprometeram a reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em uma média de 5,2% abaixo dos níveis de 1990, até 2008-2012. Cientistas afirmaram que esse corte é muito pequeno para fazer alguma diferença na aquecimento global, e prevêem que a temperatura do planeta subirá em 1 a 3,5o C no próximo século, causando possivelmente inundações catastróficas e o atrofiamento de algumas culturas, além de tornar furacões mais comuns.             

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Clima  Floresta está mais seca, diz estudo

 

Aquecimento põe em risco a Amazônia

 

O aquecimento do planeta coloca em perigo a Amazônia e o fenômeno El Niño é um exemplo dos riscos que a maior floresta tropical do planeta corre, segundo pesquisa divulgada pelo Centro de Pesquisas Woods Hole, de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Apesar de ser uma floresta equatorial úmida, a mata amazônica apresenta este ano trechos ressecados, nos quais é possível colocar fogo com muito mais facilidade, de acordo com o estudo.

Durante sete anos, os cientistas estudaram as condições de cinco áreas da floresta amazônica. Eles concluíram que toda a região está perigosamente seca por causa do aquecimento global e do El Niño.

O El Niño é o aquecimento das águas do Pacífico ao longo da costa do Peru que modifica o clima de modo global, por exemplo criando estiagem no Norte e Nordeste brasileiros.

O estudo foi acompanhado por técnicos brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisa para a Amazônia (Inpa), em Manaus.

Os pesquisadores fizeram pequenas fogueiras na região leste da Amazônia e esperavam para ver o quanto o fogo se alastrava.

O processo vinha sendo feito no mesmo local desde o início da pesquisa, há sete anos. Neste ano, o fogo atingiu uma área dez vezes maior que nos testes anteriores.

“A situação pode se tornar mito perigosa nos próximos meses”, aponta o relatório de Daniel Nepstad, um dos pesquisadores.

O estudo afirmou também que em 1997 as regiões florestais no mundo - e não apenas a Amazônia - sofreram mais queimadas do que em qualquer época.

A proteção das florestas tropicais foi discutida em Kyoto, no Japão, na conferência internacional sobre mudanças climáticas.

A militante ambientalista Louise Coumeau, do Sierra Club do Canadá, reclamou que os governos presentes na conferência no Japão não estão interessados em proteger suas florestas por causa delas mesmas, mas porque elas podem “compensar” suas emissões de gases.  

As florestas são consideradas um “sorvedouro” que reduziria a concentração de carbono na atmosfera, na forma de gás carbônico, atenuando o aumento do aquecimento do planeta. Mas florestas velhas não absorvem o carbono emitido; apenas árvores em crescimento agregam o carbono.

Coumeau afirmou que os governos querem é ter uma liderança para poluir e citou as declarações do representante brasileiro, Luiz Gylvan Meira Filho (presidente da AEB, Agência Espacial Brasileira).

Meira Filho disse que usar a idéia dos “sorvedouros” para poder emitir 30% a mais de gases “não está no espírito da convenção”.

Um dinossauro feito de ferro-velho - partes de automóveis e latas de óleo, simbolizando a dependência humana do carvão e do petróleo - foi erigido pelo grupo ambientalista Greenpeace em frente ao local da conferência sobre o clima em Kyoto, Japão.

O “carbonossauro” era uma crítica à “diplomacia jurássica” da conferência, que  teve sua temperatura aumentada graças a uma proposta do delegado da Nova Zelândia, Darryl Dunn.

Ele propôs que os países em desenvolvimento se comprometam a reduzir, a partir de 2014, suas emissões de gases que provocam o aquecimento do planeta.

A proposta provocou uma verdadeira comoção entre os países em desenvolvimento, que condenaram energicamente essa idéia de admitir, “pela porta dos fundos”, um compromisso que, durante a conferência passada, em Berlim, em 1995, já se havia decidido que não seria necessário.

“Já vi esse filme antes. Ele se chama ‘Proposta Indecente’”, disse um dos negociadores brasileiros, se referindo ao filme em que uma mulher recebe a oferta de US$ 1 milhão por uma noite de sexo.

O encontro em Kyoto, Japão, buscou negociar um “protocolo” para a redução das emissões dos 33 países ricos - listados no chamado “Anexo 1” da Convenção do Clima, assinada na Eco-92.

Esses países respondem por dois terços das emissões de gases como dióxido de carbono e metano, que causam aquecimento da Terra ao aprisionar radiação solar.

O Senado dos EUA aprovou há dois anos uma resolução para impor compromissos aos países pobres como condição para os EUA ratificarem um eventual acordo. Os EUA, sozinhos, produzem 22% dos gases que aquecem a Terra. Sem esse país, um acordo ficaria sem dúvida ineficaz.

O lobby industrial dos EUA, expresso na associação GCC (sigla para Coalização do Clima Global), que reúne 230 mil empresas, é contra as reduções e, mais ainda, se elas não incluírem os países em desenvolvimento.

Ao países pobres lembraram que só 5 dos 33 países ricos têm estabilizado ou diminuído as emissões de gases e se revezaram no microfone para castigar a proposta feita pela GCC.

O físico José Goldemberg, ex-reitor da USP e ex-ministro da Ciência e Tecnologia e da Educação, declarou na época, que os países pobres vão precisar controlar suas emissões.

Goldemberg se referiu à Índia, à China e ao Brasil, países citados na resolução do Senado americano.

Mas Goldemberg ironizou a atitude dos congressistas americanos. “O Senado americano age como se fosse o Senado romano, como se fosse o dono do mundo”, disse ele.            

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Clima  Pesquisadores dizem que o sol é o principal causador do aquecimento na Terra

 

Estudo “inocenta” gases de efeito estufa

 

A principal causa do aquecimento global neste século pode não ter sido o aumento da concentração de poluentes associados ao chamado efeito estufa, segundo um estudo divulgado anteontem no Estados Unidos.  

O aumento da temperatura média da atmosfera terrestre pode ter sido causado principalmente pela intensificação do calor trazido á Terra pela radiação solar, de acordo com a pesquisa apresentada na 150a Reunião Anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência), em Filadélfia, na Pensilvânia.

“Existem correlações persuasivas de mudanças no clima com mudanças no número de manchas solares há pelo menos quatro séculos”, disseram Brian Tinsley, da Universidade do Texas, e Kenneth Beard, da Universidade de Illinois (ambas nos EUA).

Essas correlações implicariam que metade ou mais do aquecimento global no século 20, que se atribui correntemente a emissões de gases por atividades humanas se deve a essa “variabilidade solar”, segundo os pesquisadores.

As temperaturas médias na superfície terrestre subiram entre 0,3o C e 0,6o C desde 1860, data de início dos registros. A causa desse aumento tem sido atribuída à intensificação do efeito estufa, que por sua vez é atribuída ao aumento de gases lançados à atmosfera pela queima de derivados de petróleo, de carvão e de florestas.

Em 1750, no início da Revolução Industrial, a concentração de gás carbônico na atmosfera era de aproximadamente 280 partes por i milhão (ppm). Agora, está próxima a 360 ppm.

O efeito estufa é um fenômeno natural. Ele permitiu o desenvolvimento da vida na Terra, pois garantiu o calor necessário.

A intensificação desse fenômeno foi tema de um protocolo assinado no ano de 1997 em Kyoto, Japão, pelo qual os países que mais produzem esse efeito prometeram reduzi-los.

O estudo pode também modificar os cálculos dos modelos climáticos: a ligação do vento solar com a formação de nuvens. O vento solar de partículas eletricamente carregadas afetaria a formação de nuvens, com conseqüências ainda desconhecidas sobre o futuro aquecimento do planeta.

Para eles, o fluxo de cargas elétricas na atmosfera interfere na formação dos cristais de gelo das nuvens. E a cobertura de nuvens é um dos pontos-chave no estudo do clima, pois elas podem refletir a radiação solar que de outro modo seria aprisionada pelos gases-estufa, desse modo ajudando a esfriar, e não esquentar, a Terra.

 

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Ciência  Emissões de poluentes ligados ao efeito estufa e fatores naturais favoreceram aumento da temperatura global

 

Aquecimento Europeu é o maior desde 1400

 

Durante os  anos de ( 1995 a 1997) foram os que tiveram maior aquecimento da temperatura média do Hemisfério Norte desde 1400, segundo estudo publicado na edição de 23 de abril de 1998 da revida científica britânica “Nature”.

Fatores naturais como o aumento da intensidade da radiação solar e a atividade vulcânica têm contribuído para alterações no clima do planeta nesse período.

Mas os gases relacionados ao efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2), ainda parecem ser o fator mais importante ligado ao aquecimento global nos últimos 50 anos.

O estudo foi realizado por Michael Mann, do Departamento de Geociências, da Universidade de Massachusetts, em Amherst, e colaboradores.

Apesar de ainda não ser um fato bem determinado, Mann diz haver fortes indícios de que atividades humanas estejam relacionadas ao aumento da concentração de gases-estufa na atmosfera.

O estudo detectou uma relação entre os gases-estufa e o aquecimento global semelhante às obtidas em simulações sobre efeito do CO2 no clima.           

Para prever a variação de temperatura desde o início do século 15, os cientistas usaram dados indiretos, como anéis do caule de árvores, amostras de gelos polares, marcas de crescimento de corais e registros históricos do clima.

Os registros confiáveis do clima, feitos com instrumentos, começaram a cerca de um século.

Segundo Mann, o modelo mostra a evolução climática dos últimos 600 anos com “incertezas relativamente pequenas”. Ele disse acreditar ser possível reconstruir a temperatura média global de todo este milênio.

Em artigo publicado na edição de amanhã da revista norte-americana “Science”, o pesquisador Phil Jones, da Escola de Ciências Ambientais de Norwich, no Reino Unido, questiona a confiabilidade do método e dos dados usados pelos pesquisadores norte-americanos no estudo de Mann.

A reconstrução climática feita por Mann e colaboradores mostrou que o século 17 e 19 foram mais frios que o atual. Segundo o estudo, o ano de 1816 praticamente não teve verão.

Em outro artigo publicado na mesma edição da “Nature”, Grabriele Hegerl, da Universidade de Washington, ressalta a importância do estudo de Mann para a obtenção de dados confiáveis da influência humana no clima global. 

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Clima  Cientistas refutam a idéia de que a Terra não passa por aquecimento devido à poluição

 

Estudo fortalece teoria do efeito estufa

 

O principal argumento científico contra o efeito estufa está caindo por terra. Artigo publicado em 13 de agosto de 1998 na revista “Nature” mostra que não há tanta discrepância quanto se pensava entre medidas da temperatura, um enigma usado para atacar o aquecimento global.

Segundo a visão dominante, o planeta é aquecido pela poluição humana. Já ficou 0,6o C mais quente, em média, este século.

Gases como o carbônico (CO2), lançados por veículos e indústrias, funcionam como os vidros de uma estufa, aprisionando o calor do sol. Esse aquecimento é medido com três tipos de instrumentos: termômetros, balões  e satélites.

Os termômetros são os mais precisos, mas a rede de estações não é densa o bastante para fornecer imagem detalhada. Ela é completada com balões e satélites, que “varrem regiões mais amplas. O problema é que medições de superfície e áreas nem sempre batem. O mistério mais explorado pelos “céticos” do efeito estufa era a diferença entre os valores em terra e na fatia baixa da atmosfera.

A cerca de 3,5 Km de altitude, sensores de microondas dos satélites indicavam resfriamento da ordem de 0,05o C por década. Já os termômetros na superfície apontavam aquecimento de 0,13o C por década (medições de 1979 a 1995).

Frank J. Wentz e Matthias Schnabel descobriram que as medidas dos satélites eram distorcidas. Pequenas perturbações nas suas órbitas afetam os dados. Ao refazer os cálculos, os autores do trabalho na “Nature” descobriram uma cifra mais próxima (aquecimento de 0,07o C por década) da verificada na superfície.

Para o físico Paulo Artaxo, 44, coordenador do Grupo de Estudos de Poluição do Ar do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo), esse é um resultado importante.

No seu entender, o estudo reforça o que já é aceito pela maioria dos pesquisadores: o efeito estufa é uma realidade e está sendo causado pelo homem.

A importância da trabalho de Wentz e Schnabel pode ser medida pelo fato de que a revista americana “Science”, grande rival da britânica “Nature”, destaca o artigo na edição de amanhã.

‘Cético’ vê falha em medições

A discussão sobre o aquecimento global é ideologicamente carregada.

Soterrados sob o consenso de cientistas liderados pelo IPCC (sigla em inglês de Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, da ONU), os “céticos” usam de todas as armas para ser ouvidos.

O cacique dessa tribo é S. Fred Singer, que preside o Sepp (Projeto de Política Científica e Ambiental). A Folha o procurou por e-mail.

A mensagem acabou sendo respondida, na forma de um recado de seis linhas, por John Christy, professor da Universidade do Alabama (EUA).

Christy, 47, acusa Frank Wentz de não ter levado em conta outros três fatores de distorção. Isso reabilitaria, diz, a conclusão anterior, de resfriamento.

Christy tem competência científica para participar do debate. Ele é citado no comentário de Dian Gaffen, da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (Noaa, responsável pelos satélites), na mesma “Nature”.

Questionado sobre a publicação de seus resultados, Christy argumentou que trabalhos científicos podem demorar até 18 meses para ser aceitos. Afirmou que seriam editados na publicação “Journal of Climate”. Queixou-se de ter sido excluído do processo de revisão da “Nature”.

 

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Um Frágil Escudo

 

A camada de ozônio protege a vida sobre a Terra contra a radiação ultravioleta prejudicial que vem do sol. É um escudo protetor bastante frágil: na última década ficou perfeitamente claro que pode ser atingido pelas atividades humanas.

O ozônio esta presente na atmosfera em pequenas quantidades. Em média, existe no planeta apenas uma molécula de ozônio para 30 milhões de moléculas de ar. E quase 90% desse ozônio fica na estratosfera , onde as concentrações atingem nível 300 vezes acima da média. O ozônio é um elemento químico bastante instável: se mantém em continua formação pela ação da radiação do Sol sobre as moléculas normais de oxigênio. Está sendo destruído por uma gama enorme de processos químicos. O ozônio se forma também ao nível do solo pôr causa da poluição do ar, em quantidades pequenas na escala global, mas muito significativas em termos locais, principalmente por seus efeitos prejudiciais sobre a saúde humana.

Na camada mais baixa da atmosfera, chamada troposfera, as temperaturas diminuem com a altitude. A camada seguinte, estratosfera, se caracteriza por um perfil invertido de temperatura que conduz à estabilidade atmosférica. Além disso, a estratosfera é muito seca, não chove nessas alturas, e a chuva é o mecanismo mais eficaz para eliminar poluentes da atmosfera inferior. Por isso, os poluentes injetados na estratosfera ficam ali durante muitos anos antes de continuar seu percurso em direção à troposfera.

Há mais de 20 anos chamamos à atenção para certas substâncias químicas industriais chamadas clorofluorcarbonos (Cfcs). Elas entram em decomposição na estratosfera e, assim, depositam ali elementos químicos cujas reações dão início a um processo que culmina com a destruição do ozônio. Os Cfcs têm sido usados principalmente em máquinas de refrigeração, como geladeiras e ar condicionados, solventes e propulsores para aerossóis. Têm duas propriedades importantes: quimicamente são muito estáveis e por isso são anti-inflamáveis, não tóxicos e não se decompõem dentro de uma geladeira ou dentro de uma lata de aerossol. Além disso podem facilmente transformar-se de líquido a vapor sob condições leves de temperatura e pressão, que e exatamente o que os faz funcionar como refrigeradores ou propulsores.

No começo dos anos 70 ficou claro que estes compostos se acumulam na atmosfera e que sua presença pode ser sentida no Hemisfério Sul, ainda que a liberação aconteça nas latitudes do Norte. Suas concentrações atmosféricas são pequenas: somente entre uma e três moléculas de cada bilhão de moléculas de ar está formada por Cfcs. Sua estabilidade química é o que lhes permite chegar à estratosfera. Por contraste, os produtos resultantes de sus decomposição incluem átomos de cloro, que podem destruir dezenas de milhares de moléculas de ozônio através de um processo catalítico. É devido a este fator de ampliação que, apesar de suas pequenas concentrações, têm efeitos importantes sobre o ozônio.

Têm ocorrido perdas no ozônio estratosférico nos últimos anos, especialmente em latitudes superiores, durante os meses de inverno e primavera. O efeito é ainda mais dramático sobre a Antártida, onde mais de 98% do ozônio desaparece na estratosfera inferior. Muitos estudos de laboratório, medições de campo e cálculos com modelos atmosféricos confirmam que esta perda do ozônio se deve às reações químicas com elementos da decomposição do CFCs e outros compostos de origem industrial.

Como resposta à crescente preocupação pública, se negociou em 1987 o chamado Protocolo de Montreal. Através dele, proibiu-se totalmente no final de 1995 a fabricação das maiorias dos Cfcs nos países industrializados. Enquanto isso, têm sido desenvolvidas tecnologias e substância alternativas.

Espera-se que a camada de ozônio comece a recuperar-se até fins desse século, sempre e quando se acate o Protocolo.

 

 

Em defesa de nosso único céu     

 

Há dez anos, o buraco da camada de ozônio parecia um tema de ficção científica. Atualmente, no entanto, já são contabilizados casos de pessoas, no extremo sul da América, que morrem com câncer de pele causado pela radiação que atravessa esse deteriorado escudo protetor.

 Se alguma coisa parece surpreendente é a dimensão do estrago que podemos causar. Os efeitos negativos das atividades industriais não atingem somente o rio de nosso município ou o ar de nossa cidade: podem causar impacto na alta estratosfera, a 25 quilômetros da superfície da Terra. É pôr isso que a Terramérica dedica esta edição à camada de ozônio.

O Prêmio Nobel de química, Mário Molina, nos explica os segredos do fenômeno, enquanto em outras seções descrevemos seus impactos sobre a saúde e, sobretudo, os esforços globais para seu combate. Porque, como em nenhum outro caso, a comunidade mundial chegou a um acordo prático e eficiente para salvar a camada de ozônio: o Protocolo de Montreal, que completou seu décimo aniversário em 1997.

Nesta edição temos também a alegria de ter um novo parceiro de Terramérica, o jornal Correio Popular, de Campinas (SP – Brasil), que também faz sua estréia na coluna Nossa Cidade, com um excelente artigo escrito pelo jornalista José Pedro Martins.

 

O termômetro da polêmica            

            

Controvérsias sobre o aquecimento do planeta encobrem as questões centrais, que vão além das temperaturas

 

Gente como os executivos das companhias de petróleo e carvão gosta de desfazer os temores em relação ao aquecimento global, classificando-os de completo absurdo. Em anos recentes, esses tipos vêm fazendo grande estardalhaço com informações obtidas por meio de satélites que mostram que, em lugar de estar sofrendo um processo de aquecimento, o mundo está na realidade esfriando um pouco. Em contraste, os resultados que os ambientalistas repetem com mais insistência é o de medições feitas na superfície terrestre, indicando que as temperaturas subiram 0,3 a 0,6 graus centígrados desde o final do século XIX – um aumento considerável, comparado com outras alterações climáticas ocorridas em períodos longos.

Mas até mesmo os pesquisadores, muitos dos quais preocupados com as mudanças climáticas, embora discordem como reagir a elas, têm estado confusos com as informações fornecidas pelos satélites e particular pelas medidas da temperatura da camada mais baixa, a troposfera. A troposfera é a parte da atmosfera que começa na superfície da Terra e termina a cerca de 10-15 quilômetros acima dela. Climatologistas acreditavam há tempos que o restante das temperaturas da troposfera seguia o mesmo padrão daquelas da superfície. Ainda assim, entre 1979 (a data em que os dados do satélite começaram a ser colhidos) e no último ano, os poucos quilômetros mais baixos da troposfera realmente parecem ter-se esfriado, por uma fração de grau.

Agora, o debate vem apresentando diversos desdobramentos novos. Em um artigo na revista “Nature” desta semana, Frank Wentz e Matthias Schabel, dois físicos do Remote Sensing Systems, uma empresa de pesquisa com sede na Califórnia, argumentam que as informações do satélite contêm um erro, e que a troposfera parece estar sofrendo um aquecimento. Ainda assim, John Christy, da Universidade do Alabama, em Huntsville, um dos pesquisadores responsáveis pelo cálculo dos números fornecidos pelo satélite, defende rigorosamente suas informações. O Dr. Christy divulgou inclusive os mais recentes números do satélite. Para acirrar ainda mais a controvérsia, os números mostram que o período de fevereiro a julho deste ano foi o mais quente semestre em 20 anos. Grupos ambientalistas como os “Friends of the Earth” (“Amigos da Terra”) se agarraram a esses resultados, pedindo “ação contra a crise” das mudanças climáticas. O vice-presidente americano, al gore, também se juntou ao grupo, argumentando que “não é preciso ser cientista para saber que este verão foi perigosamente quente”. Apesar disso, Christy é um cientista, e ele argumenta que a recente onda de calor não é uma indicação de aquecimento global. Ainda assim, diz ele, isso foi conseqüência do El Niño, a corrente excepcionalmente quente do Pacífico que vem desorientando a temperatura mundial.

Normalmente, os detalhes de tal controvérsia estatísticas ficariam melhores se restritos às publicações acadêmicas. Mas eles são crucialmente importantes para o futuro de ambos, a indústrias de combustíveis fósseis, que movimenta US$ 1 trilhão por ano, e, possivelmente, para o clima do planeta. Eles também ilustram como a complexidade e incerteza confundem o estudo de mudanças climáticas.

Medições de temperatura baseadas em satélite são efetuadas por instrumentos chamados unidades de microondas sonoras (MSUs). Elas medem a radiação de microondas emitidas por moléculas de oxigênio na atmosfera, a partir da qual a temperatura ambiente pode ser calculada. Mas a captação de radiação das MSUs é feita de uma variedade de altitudes, não apenas da troposfera mais baixa. Assim, o modo como são utilizadas para isolar a temperatura de uma determinada parte da atmosfera é necessariamente complexa. Para as medições, uma MSU é primeiro apontada diretamente para baixo e então colocada em um ângulo em relação à vertical. Quando está direcionada para longe da vertical, se torna mais sensível à microondas de altitudes maiores. Isso ocorre porque a radiação de altitudes mais baixas teve de viajar mais para alcançá-la. Em termos simplificados, os pesquisadores subtraem leituras retiradas “da”vertical das leituras tiradas “na” vertical. O que permanece é uma estimativa de radiação da troposfera.

Com o tempo, entretanto, os satélites gradualmente perdem a altitude por causa da ação exercida sobre eles pela atmosfera (um fenômeno conhecido como declínio orbital). A irregularidade nas informações que os autores do artigo da “Nature” apontaram depende desse declínio. Quando um satélite cai, o ângulo da MSU em relação à superfície da Terra muda. Isso altera o cálculo necessário para obter a temperatura da troposfera. Wentz e o doutor Schabel descobriram que isso não havia sido levado em conta de forma apropriada nos resultados originais dos satélites. Se tivesse sido, argumentam, as temperaturas no período que vai de 1979 a 1995 mostrariam um aquecimento de 0,07 graus centígrados por década (anteriormente, indicaram um esfriamentode 0,05 graus por década).

Christy admite que o declínio orbital tem um importante efeito sobre os dados. Mas afirma que tem conhecimento e está levando isso em consideração desde fevereiro. Com essa correção incorporada, a tendência entre 1979 e 1997 (um período pouco maior que o estudado por Wentz e por Schabel) mostra um menor grau de esfriamento, mas ainda assim um esfriamento de 0,01 grau centígrado por década.

Por que os números de Christy ainda conflitam com aqueles apresentados no artigo da “Nature” ? A resposta parece ser : porque os dados do satélite corrigidos por Wentz e Schabel já continham um elemento não-intencional de correção de queda orbital. Para assegurar que os dados estejam corretos, Christy e sua equipe vêm opondo as medições de um satélite contra o outro e alternando as informações antes da publicação. Algumas potenciais fontes de erro são conhecidas por longo tempo (por exemplo, em virtude das sutis mudanças em suas órbitas, os satélites nem sempre medem a temperatura precisamente no mesmo horário do dia). Mas aferir um satélite por outro permite que todas as espécies de erro sejam compensadas, sendo elas conhecidas ou não.

A controvérsia provavelmente não terminará aí. Os cálculos necessários para corrigir a temperaturas mais baixas da troposfera são tão ínfimos que outras lacunas devem ser encontradas. Wentz e Schabel dizem que estão esperando pelos novos números de Christy, que serão revisados antes da publicação.

O argumento de Christy de que o aumento das temperaturas este ano deve-se ao El Niño pode mostra-se controverso. O aumento repentino combina mais com aquela explicação do que com a do aquecimento global de longo prazo (apesar de alguns pesquisadores afirmarem que os Niños em si estão se intensificando por causa do aquecimento global). O calor do oceano leva tempo para transferir-se para a atmosfera, o que explica porque as temperaturas estão ainda tão elevadas, mesmo que o último Niño esteja perdendo intensidade. Um Niño anterior, em 1982 – 1983, teve menor efeito de aquecimento, mas isso em parte foi porque um vulcão chamado El Chichon entrou em erupção quase ao mesmo tempo. Os vulcões lançaram grande quantidade de poeira, que esfria a terra ao formar um escudo ao redor dela, o que a mantém fora do alcance dos raios solares.

Para efeito de argumentação, tome por princípio que – El Niño como exemplo – a temperatura da troposfera inferior está de fato esfriando, ou pelo menos não está esquentando. Isso lança mais dúvidas sobre os dados que mostram aquecimento na superfície da Terra ? Certamente, essas informações são imperfeitas. Ao contrário dos satélites, que são capazes de registrar temperaturas ao redor do globo, as medições feitas na superfície são distribuídas de forma desigual. No século passado, mais informações foram coletadas no Hemisfério Norte que no Sul e, por razões óbvias, tem havido relativamente poucas medições no mar (apesar de isso poder mudar em breve).

As tendências de temperatura na Terra devem ser corrigidas para efeito de urbanização – ao se expandirem para além de seus limites, as cidades “aquecem” as áreas circundantes, dando a falsa impressão de aquecimento natural. Outra dificuldade está em comparar os registros de diferentes instrumentos. Até 1940, por exemplo, os navios mediam a temperatura do mar mergulhando um termômetro em uma caçamba com água do mar. Hoje, muitos termômetros são presos a bóias.

Climatologistas ao redor do mundo vêm trabalhando duro para estipular e responder a todos esses erros potenciais. Enquanto alguns argumentam que a magnitude do aquecimento estimado pode estar errada, poucos pensam que não tem havido nenhum aquecimento. Uma explicação mais plausível para a discrepância entre uma troposfera de altitude mais baixa em esfriamento e uma superfície em aquecimento é uma forma incompleta de aquecimento. Por meio de alguns processos físicos ainda não explicados, a superfície e o restante da troposfera podem estar menos intimamente ligadas do que os cientistas presumem.

Mesmo que o enigma sobre as temperaturas do passado seja resolvido, o debate sobre aquecimento global está longe de terminar. Pesquisadores ainda lutam para desvincular os efeitos das emissões de dióxido de carbono realizadas pelo homem da natural variabilidade do clima. Eles também discordam dos efeitos das mudanças no ciclo da mancha solar sobre as temperaturas. E eles sabem pouco sobre o papel desempenhado pelos oceanos em regular o clima ou sobre a influência das nuvens. (Dependendo em parte de sua altitude, nuvens poderiam ou umedecer ou acelerar o ritmo do aquecimento global). Entretanto, quando foi lançado o último relatório em 1995, a Comissão Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – principal autoridade no assunto – concluiu que “as evidências sugerem que há uma perceptível influência humana sobre o clima”. Antes que possam realizar algum progresso em confirmar essa suposição, os climatologistas necessitam de uma série de dados confiáveis sobre as tendências das temperaturas ao redor do globo, tanto na superfície quanto na atmosfera. O aquecimento global pode vir a ser uma catástrofe tão grande que vale a pena gastar uma soma considerável para reduzir a utilização de combustíveis fósseis – ou talvez não será. Mas pelo menos parece sensato investir em termômetros melhores.

 

 

O temido buraco

 

Desde os anos 80

Com base nos dados recompilados desde a década de 1950, os cientistas determinaram que os níveis de ozônio se mantiveram relativamente estáveis até fins da década de 70. O grave processo de esgotamento sobre a Antártida (o famoso buraco) começou em 1979 e desde o começo de 1980 observa-se uma diminuição geral nos níveis mundiais de ozônio.

 

As duas Américas atingidas  

Além da Antártida, o esgotamento do ozônio atinge atualmente quase toda a superfície da América do Norte, Europa, Rússia, Austrália e Nova Zelândia e uma parte considerável da América do Sul. Os níveis mundiais de ozônio diminuíram em média uns 3% entre 1979 e 1991. Essa taxa é aproximadamente três vezes mais rápida que a registrada na década de 1970.

 

Conselhos úteis 

Para proteger-se dos raios nocivos do sol, você pode:

Reduzir ao mínimo a exposição ao sol, especialmente entre as 10h e 15h, quando os raios solares são mais intensos.

Utilizar guarda-sol, óculos escuros contra os raios Uv-B e camisa de manga comprida e calças.

Aplicar na pele exposta ao sol um filtro de fator de proteção solar 15 ou maior, e voltar a aplicá-lo a cada hora ou depois de nadar ou mesmo realizar uma atividade que exija muito esforço.

 

 

Corrida contra o tempo

 

 

O Brasil terá de acelerar as providências para cumprir uma meta  que definiu por vontade própria: iniciar o século XXI sem usar os gases que ameaçam a camada de ozônio.

Dos investimentos estimados em US$900 milhões para completar o programa, até agora só estão sendo aplicados US$ 41,4 milhões, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. São US$25,4 milhões do Fundo Multilateral para Implementação do Protocolo de Montral, destinados a 52 projetos mais US$ 16 milhões em recursos próprios das empresas privadas. Apenas 4,6% do total previsto.

O Programa Brasileiro de Eliminação da Produção e Consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio ( Pbco) estabeleceu o ano 2000 para a sua conclusão, abrindo mão do prazo até 2010 que foi concedido ao Brasil, como país em desenvolvimento, pelo protocolo firmado em Montreal há dez anos. Restam portanto apenas três anos. Algo se avançou na conversão industrial, especialmente nas grandes empresas que produzem refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, avaliam Liamarcia Silva Hora, assessora técnica dedicada ao assunto no Ministério do Meio Ambiente e Delcio Rodrigues, que responde pela área de poluição atmosférica do Greenpeace no Brasil.

Está proibida desde 1989, pelo Ministério da Saúde, a fabricação e comercialização de cosméticos e produtos de higiene em aerossóis que usam o gás Cfc como propelente. Os 52 projetos em andamento devem eliminar 3.492 toneladas de substâncias destruidoras da camada de ozônio, sendo quase dois terços na área de refrigeração.

Automóveis se adaptam

Desde o início do ano passado foi proibido o uso dessas substâncias danosas em ar condicionados dos novos modelos de carros. Ainda assim, nos últimos anos houve um pequeno aumento de consumo no país, hoje em torno de 11 mil toneladas anuais.

Isso é fruto, segundo Liamarcia, do grande aumento da demanda pôr eletrodomésticos desde de 1994, com o Plano Real. O Brasil, que lançava na Atmosfera apenas 1% do total mundial de substâncias que destroem a camada de ozônio, agora responde por 5%. Isso porque os países desenvolvidos, os maiores consumidores, já reduziram dramaticamente o uso dessas subst6ancias, antecipando metas numa atitude oposta à adotada em relação aos gases que provocam o efeito estufa.

A grande indústria pôs em marcha a substituição dos Cfcs por gases alternativos, algumas empresas já estão na fase final da conversão, atesta Roberto Peixoto, engenheiro da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo ( Cetesb ) que também assessora a Associação Brasileira de Refrigeração.

A Eletrolux do Brasil, pôr exemplo, lançou no ano passado o primeiro refrigerador ecológico no país, em que o Cfc-12 foi substituído pelo Hfc 134 a, que não afeta o ozônio. A empresa de capital sueco afirma estar eliminando anualmente 123 toneladas do gás nocivo com o novo produto que custou cinco anos de pesquisa e investimento de US$ 3 milhões.

O programa caminha mais lentamente nas fábricas de espumas de poliuretano e de solventes, seguimentos dominados pôr médias e pequenas empresas. O maior desafio, no entanto, está na área de manutenção e serviços, que participa com metade do consumo nacional de substâncias danosas à camada de ozônio. A pulverização e desorganização tornam muito difícil envolver e fiscalizar esse setor, admitem Liamarcia e Peixoto.

O greenpeace vê outros problemas. O Hfc, usado como principal substituto, não é a melhor opção, porque contribui para o efeito estufa, criticou Rodrigues. A organização ambientalista defende o uso de hidrocarbonetos, como o gás isobutano, proposta que conquistou a Europa mas nenhuma empresa adotou em seus novos produtos no Brasil.

Incoerência tributária

Uma incoerência, reconhecida também pelo Ministério do Meio Ambiente, é a importação do Cfc ser estimulada por um imposto mais baixo, 10%, do que o cobrado sobre os gases alternativos, tributados em 14%. Uma correção está sendo reclamada ao Ministério da Fazenda.

Paralelamente à conversão industrial, o Brasil tem contribuído para um maior conhecimento dos problemas na camada de ozônio. Com uma rede de medidores que ultrapassa as fronteiras e se estende até a Bolívia, Chile e Antártida, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( Inpe) observa o fenômeno desde o nível do mar a altitudes dos Andes, na América do Sul, que é a região com menos dados conhecidos sobre o meio ambiente, segundo Volker Kirchhoff, chefe do laboratório de ozônio e vice-diretor do Inpe.

Os progressos nessa área que permitem uma liderança na América Latina, são importantes também para complementar as informações fornecidas pelos satélites, que precisam de medições terrestres para serem calibrados, explicou o pesquisador, que em 1993 detectou a chegada de ar pobre em ozônio no Sul do Brasil.

O monitoramento do Inpe oferece outra contribuição especial, por ser o único que se faz na região equatorial. Como se trata da área teoricamente mais protegida, uma perturbação na camada de ozônio ali indica que a coisa está feia, concluiu Kirchhoff. 

 

 

Substâncias perigosas

 

Ainda não há consenso sobre a proibição do brometo de metila, substância que esgota a camada de ozônio. Trata-se de um dos temas mais candentes do debate ambiental global.

 

 

Em 1992 foi proposto incluir o brometo de metila como substância destruidora da camada de ozônio no acordo do protocolo de Montreal.

Os países signatários ainda não chegaram a um consenso sobre este tema, que constituiu um dos mais candentes do debate global sobre o ozônio.

Em termos científicos, foi fixado em 0,6 o potencial de destruição do ozônio pelo brometo de metila.

O brometo é usado em menor quantidade de que o cloro, porém tem uma capacidade 50 vezes maior de destruição das moléculas de ozônio.

Através de diversos estudos, estimulou-se que se as emissões de brometo de metila produzidas pelo homem fossem eliminadas no ano 2001, haveria uma redução na perda total do ozônio de 13% nos anos seguintes.

Acredita-se que 90% do brometo usado escapa para a atmosfera, e que entre 5% e 10% da destruição da camada de ozônio seja causada pelo brometo.

Embora existam outras fontes produtoras de brometo, como os oceanos (60 a 160 mil toneladas/ano), a queima de biomassa (0,5 a 22 mil toneladas/ano) e o uso de gasolina com chumbo, a quantidade de brometo produzida por fontes agrícolas antropogênicas é suficiente para romper com o equilíbrio natural e ter um forte impacto no ozônio estratosférico.

No mundo são usados cerca de 76 mil toneladas/ano de brometo de metila. Mais ou menos a metade deste volume se usa nos Estados Unidos e cerca de 18% nos países em desenvolvimento, sobretudo na área agrícola.

Neste setor, a perigosa substância serve para o tratamento do solo: o controle de doenças, pragas e plantas nocivas. Além disso é usado em armazenamento, quarentena, estruturas e transporte.

Fora a exposição ocupacional ou acidental a este agrotóxico,a maioria dos trabalhadores rurais da região trabalham com a pele exposta ao sol, sofrendo as conseqüências nocivas do aumento da radiação Uv-B.

Parte importante desta população carece geralmente de recursos financeiros e não pode pagar por serviços médicos.

 

Velhas práticas        

As economias latino-americanas estão promovendo estratégias de desenvolvimento baseadas na abertura comercial, aumento de exportações e diversificação técnica da produção agrícola.

Por outro lado, se registra um aumento da consciência internacional sobre a necessidade de uma agricultura sustentável, onde sejam conservados os recursos naturais e sejam produzidos alimentos limpos.

Porém, apesar das restrições já existentes, há um aumento do uso de brometo de metila nos países em desenvolvimento.

As empresas produtoras parecem pressionar para que seja assim, em função do maior período que se concede a estes países para o uso da substância.

Trata-se, dizem, das velhas práticas do abuso do mundo desenvolvido.

Apesar da tendência da redução de gastos na região, é urgente o impulso de tecnologias alternativas do brometo de metila para que possamos estabelecer uma agricultura sustentável.

É indispensável que as agências internacionais apóiem os governos neste esforço.

Porém, sobretudo, deveríamos refletir no custo/ benefício do brometo de metila e de outros agrotóxicos, incluindo nesta equação a saúde humana e o equilíbrio da natureza, indispensável para a sobrevivência dos seres vivos.       

 

Campinas faz parte do esforço global

 

Instituições científicas com sede em Campinas estão envolvidas no esforço planetário pela redução das emissões de gases que contribuem para destruir a camada de ozônio. Os pesquisadores também estão empenhados, por outro lado, em monitorar os efeitos da concentração de ozônio na baixa atmosfera, em função do crescimento da frota de automóveis e outras fontes de emissão de gases SOx e Nox.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) participam do Programa Estadual de Mudanças Climáticas, lançado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, na gestão de Fábio Feldmann. Os especialistas da Unicamp atuam na execução do inventário estadual sobre as fontes de emissão de CFC e outros gases que colaboram para reduzir a camada de ozônio.

Responsável por 10% do PIB brasileiro, a região de Campinas sedia um importante parque industrial, que se utiliza de muitos dos gases responsáveis pela destruição da camada de ozônio. As inovações tecnológicas, como forma de substituir esses gases, são estimuladas pelos pesquisadores da Unicamp, entre as empresas da região.

A DuPont, empresas que desenvolve pesquisas visando substituir os gases CFC, tem uma unidade no pólo petroquímico de Paulínia, na região de Campinas, e está inserida no esforço de proteção na camada de ozônio. Outras empresas da região, que se utilizavam de sistemas de refrigeração à base de freón, já estão providenciando a substituição dos processos tecnológicos.

Outra instituição envolvida no esforço global de proteção da camada de ozônio é o Núcleo de Monitoramento Ambiental (NMA) da Embrapa, sediado em Campinas. A partir de maio de 1998, o NMA está aprimorando a sua colaboração na mobilização coletiva pelo cumprimento das metas estabelecidas no Protocolo de Montreal. No início do mês, o NMA recebeu uma nova antena, que vai poder captar diretamente as imagens dos satélites NOAA, que possibilitam a medição da concentração de ozônio.

Desde 1991 o NMA faz o monitoramento das queimadas em território brasileiro, mas o núcleo dependia das imagens fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos. Com a nova antena, o NMA vai receber diretamente as imagens dos satélites da série NOAA da Nasa.

 

O ozônio que respiramos      

 

Os pesquisadores do NMA Embrapa estão, em contrapartida, também preocupados com o aumento da concentração de ozônio na baixa atmosfera em Campinas e região, principalmente durante o inverno. “O empenho pela proteção da camada de ozônio é fundamental,, pela conscientização das empresas e a utilização de novos recursos tecnológicos, mas a concentração de ozônio na baixa atmosfera é cada vez mais preocupante para a saúde”, diz Evaristo Eduardo Miranda, coordenador de pesquisas do NMA.

A concentração de ozônio na baixa atmosfera na região de Campinas deve-se a dois fatores principais, observa Miranda. Ele cita as queimadas em canaviais e a emissão de gases NOx pela frota automotiva e fontes industriais. “ Pelo excesso de adubação nos canaviais, uma quantidade expressiva de ozônio é liberada durante as queimadas “, salienta.

O crescimento da frota automotiva é outro elemento inquietante, diz o pesquisador do NMA. Campinas tem hoje 400 mil veículos, contra 300 mil em 1993. Uma pesquisa da Cetesb indicou que cerca de 50% da frota automotiva de Campinas apresenta problemas nos motores, o que indica a possibilidade de maior emissão de poluentes como o NOx.

Um estudo da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp confirma as preocupações do NMA. O estudo revelou que a emissão de gases como o SOx e NOx na região de Campinas é, em termos de per capita, somente 10% menor do que na Grande São Paulo. São 115 Kg/ano pôr habitante na Grande São Paulo, a região de mais altos índices de poluição atmosférica no Brasil.   

 

Firmes avanços na região

 

Todos os países do continente americano, com exceção de Belize e Suriname, fazem parte da Convenção de Viena para a proteção da camada de ozônio (1985) e assinaram o Protocolo de Montreal (1987), que os obriga à redução e à eventual eliminação de substâncias que agridam a camada de ozônio, conforme um calendário estabelecido. Entre estas substâncias estão os clorofluorcarbonos (Cfcs), os hidroclorofluorcarbonos (Hcfcs), o metilclorofórmio, o brometo de metila, e o tetracloreto de carbono (usado como solvente e matéria química na produção de substâncias químicas). Essas substâncias são usadas sobretudo no setor de refrigeração e ar condicionado, na eletrônica, na fabricação de espumas aerossóis e extintores de incêndio, assim como na agricultura.

Dada a importância destas substâncias para o setor industrial em todo o mundo, sua substituição deve ser feita de forma cuidadosa e eficiente, com o menor impacto possível nas economias locais.

Os países desenvolvidos, que fazem parte do Protocolo de Montreal, criaram o Fundo Multilateral, para ajudar os países em desenvolvimento a eliminar o uso de produtos que agridam a camada de ozônio. O Fundo Multilateral tem colaborado com a América Latina e Caribe na realização de estudos nacionais e no estabelecimento de “Escritórios de Ozônio” para apoiar estratégias nacionais.

O Fundo ajuda as indústrias de cada país em seus processos de conversão concedendo-lhes financiamento parcial. Até agora foram financiados projetos na América Latina e Caribe de mais de US$ 129 milhões, o que resultará na eliminação de 13 mil toneladas de substâncias nocivas.

O quadro que apresentamos nesta página indica uma clara tendência de redução no uso destas substâncias, resultado dos esforços dos Pontos Focais Nacionais, as indústrias nacionais e internacionais, e o Fundo Multilateral, através de suas agências de implementação: o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Pnud, o Banco Mundial, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial - Onudi e o Pnuma.

Alguns exemplos interessantes na região:

A companhia Souza Cruz criou com recursos próprios um inovador processo denominado Sistema Float para produção de tabaco, com o qual se elimina o uso de brometo de metila, usado como praguicida. Atualmente o consumo total de brometo de metila no Brasil é de quase 1.200 toneladas por ano. Este sistema poderia eliminar o uso de 500 toneladas do pesticida.

Gigante, uma cadeia mexicana de supermercados está implementando, com o apoio financeiro do Fundo Multilateral, um projeto para a conversão de todos  os seus equipamentos de refrigeração e ar condicionado para utilizar substâncias alternativas. Até julho de 1997 converteu 500 máquinas nas 77 filiais, garantindo a eliminação de 12,7 toneladas de clorofluorcarbonos.

Na Venezuela existe um projeto de recuperação e reciclagem de gases nocivos ao ozônio. Em apenas cinco meses foram recicladas mais de cinco toneladas destas substâncias.

Cuba desenvolveu um novo enfoque para estender a vida útil das geladeiras domésticas sem usar gases nocivos: uma mistura de três hidrocarbonetos usada como gás refrigerante que não precisa de modificação no sistema. Mais de 100 mil geladeiras operam com esta mistura.

O caminho mais difícil é cumprir a data-limite de 1999 para estabilizar o consumo de Cfcs aos níveis médios utilizados nos anos 1995-1997. Para isso deve-se priorizar o setor de refrigeração, tanto de geladeiras como de condicionadores de ar, o maior consumidores de gases nocivos ao ozônio da região. A maioria dos países deverá conseguir cumprir este objetivo.

 

O mesmo céu              

 

Todos sabemos que nosso planeta enfrenta uma crise de modelo de desenvolvimento e de sobrevivência. Esta é a percepção de nossos povos e de nossos governos.

Contudo, ainda que poucos, há exemplos concretos de solidariedade e complementaridade na busca de soluções ambientais, envolvendo a todos: o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste.

Um deles comemora agora em setembro seu décimo aniversário: o Protocolo de Montreal.

Prognósticos da comunidade científica sempre alertam sobre os perigosos efeitos de um aumento das penetrações das radiações ultravioletas procedentes do sol ao nível da superfície terrestre.

Disseram que experimentaríamos efeitos múltiplos como o aumento na freqüência dos cânceres de pele e das cataratas oculares, além de outros tantos sobre o sistema imunológico do homem.

Também destacaram que se registrariam conseqüências prejudiciais sobre as algas e animais marinhos microscópicos, que são a base das cadeias alimentares  das quais dependem as populações de peixes.

A proteção da atmosfera em geral é um trabalho amplo e multidimensional onde intervêm vários setores da atividade econômica.

Talvez a característica mais importante do Protocolo de Montreal seja a disposição dos países desenvolvidos na formação de um fundo internacional que possibilite a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento.

A experiência levada a cabo até agora pelo Fundo Multilateral permite a transição de Cfc e outros gases nocivos a substitutos e novas tecnologias de manejo que não ameacem o ozônio e que são efetivas quanto a custos.

Tanto o Brasil quanto o estado de São Paulo dispõem de programas próprios para o cumprimento dos prazos de redução estabelecidos internacionalmente.

O Protocolo, em sua forma emendada, tem sido descrito como o mais significativo acordo com relação ao meio ambiente. Funciona como precedente importantíssimo em relação à transferência de tecnologia ambiental entre o mundo desenvolvido e os países em desenvolvimento e à provisão de recursos financeiros.

Apesar dos avanços, o conteúdo total de cloro das substâncias que diminuem a camada de ozônio da atmosfera ainda não diminuiu. Para isso é necessário continuar aplicandoas medidas de controle que figuram no acordo.

Nossa região prioriza esta agenda de controle porque aponta a um equilíbrio entre atender as necessidades de hoje e das futuras gerações.

E já que temos um sol somente, expressamos nossa esperança de que a experiência do Protocolo de Montreal sirva como exemplo para as futuras ações internacionais, especialmente aquelas relativas ao aquecimento global.

Nosso continente tem que definir um caminho claro e contar com uma estratégia séria em questões ambientais e de desenvolvimento.

 

O desafio político do efeito estufa  

 

Ministros  de Meio Ambiente do mundo chegaram, no final do ano passado, a um acordo para a redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa ou aquecimento global. A redução deverá ser de 5,2% até o ano 2012, porém ainda existem dúvidas sobre os efeitos reais do chamado Protocolo de Kyoto, assinado no Japão em dezembro último.

O acordo é considerado apenas mediano e com muitas brechas. Muitos dos temas considerados importantes não foram resolvidos pelos negociadores, como a permissão de que alguns países vendam a outros seus “direitos de poluir”. Com isso, um país mais industrializado poderia “comprar” de outro menos poluidor sua cota não utilizada para emitir gases. Isso ficou para outra reunião que deverá ser agendada ainda para este ano.

Mesmo assim, o Protocolo marca um grande avanço. Foi a primeira vez que 34 países industrializados se comprometeram legalmente a alcançar metas de redução da emissão de gases que causam o efeito estufa. Estes mesmos países haviam se comprometida antes, durante a Conferência de Cúpula Ambiental Rio-92 a reduzir as emissões desses gases aos níveis de 1990 quando chegar o ano 2000. A maioria, porém, não cumpriu nenhuma etapa dessa meta, principalmente porque não eram obrigatórias. Na média, as emissões aumentaram entre 8% e 9% desde 1990.

 

EUA negociam  recuos        

 

Para chegar a um acordo em Kyoto, negociadores de 160 países estiveram reunidos de 1° a 10 de dezembro de 1997. O país mais reticente em assumir uma redução de suas emissões era os Estados Unidos, responsável por 25% das emissões globais de dióxido de carbono, o principal responsável pelo efeito estufa. Finalmente conseguiram que os representantes de Washington assumissem o compromisso formal de recuar suas emissões totais a 7% menos do que os níveis de 1990 antes de 2012.

A União Européia havia proposto uma redução unificada de 15% para todos os países industrializados. No entanto aproveitou a brecha aberta pelos americanos e se comprometeu com apenas 8% menos que em 1990.

Algumas organizações de defesa do meio ambiente, no entanto, acreditam que o protocolo de Kyoto pode ser apenas uma “carta de intenções”, com grande conteúdo político e nenhum efeito prático. Muitos ativistas acreditam que não se poderá reduzir as emissões apenas com as metas de Kyoto, mas que é necessária uma mudança nos modelos de desenvolvimento dos países emergentes e no estilo de vida dos países desenvolvidos.

 

América Latina em área de risco   

 

Os países em desenvolvimento, principalmente da América Latina, estão na lista dos mais vulneráveis às alterações climáticas do que as nações industrializadas que estão mais bem preparadas financeira e tecnologicamente. Essa conclusão é de cientistas de vários governos que estiveram reunidos em Kyoto. Para eles, o aquecimento global pode simplesmente eliminar da face da Terra pequenos países em ilha.

No entanto, os países litorâneos da América Latina e da África são particularmente vulneráveis ao aquecimento global. Na África o documento preparado por mais de 2 mil cientistas e especialistas apontam o risco de aumento das áreas desérticas. A maioria dos países do mundo com problemas para o abastecimento de água fica no continente e esse número poderia aumentar.

A América Latina vem em segundo lugar como área de risco. Nesse caso, principalmente pela diversidade de climas da região e pelo uso inadequado da terra para a agropecuária. O estudo prevê que diversas áreas da cordilheira dos Andes e de florestas seriam afetadas pelas mudanças no clima. O aquecimento global seria um agravante de outros problemas da região, como o desmatamento na Amazônia. Isso poderia reduzir as chuvas na região, com graves danos a biodiversidade e efeitos no ciclo do carbono.

O Brasil viveu em março deste ano uma experiência dramática resultante de um longo período de estiagem na região Amazônica. O incêndio de Roraima, quando cerca de 25% da área de Estado foi queimado por labaredas incontroláveis. Diversos países ofereceram ajuda para controlar o fogo, no que pode ser considerada a maior tragédia ambiental deste ano no país.

A perda de biodiversidade na América Latina inclui recifes de coral, mangues, áreas de alagados de estuários, mamíferos marinhos e pássaros. Os homens ainda teriam de arcar com os prejuízos da invasão de água salgada em algumas áreas litorâneas e a perda de casas, estradas e partes de algumas cidades.

Na Ásia tropical as mudanças resultantes do aquecimento global poderão resultar na perda dos lares de 1,6 milhão de pessoas. Naquela região esse problema irá se somar aos outros que o continente vem enfrentando, além da crise econômica, como o excesso de concentração urbana e as pressões para a retomada do crescimento econômico a qualquer preço.

A todos esses fatores se soma a exploração de recursos naturais sem a preocupação explícita de preservar, evitando-se uma maior contaminação desses recursos e sua permanente degradação.     

           

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Brasil e os Temas Globais

 

Alterações climáticas globais e suas implicações para o Brasil

 

Uma das grandes questões que concentram as atenções internacionais é o aquecimento da temperatura terrestre, o chamado "efeito estufa" , provocado pela emissão de gases como dióxido de carbono (CO2), metano (CH ), o óxidos nitrosos (NOx), ozônio (O3) e hidrocarbnetos halogenados (CFCS e halons).

Dentre as atividades antropogênicas responsáveis pelo aumento da concentração destes gases se destacam: a produção de energia a partir de combustíveis fósseis, responsáveis pelo aumento de CO2 em 5,5GtC/ano; atividades agropecuárias, relacionadas especialmente com o aumento de CH4 e NO2; produção e utilização de CFCS; desflorestamento, relacionado com a produção entre 0,4 e 2,6GtC/ano de CO2 (Giga toneladas de Carbono).

A concentração de CO2 na atmosfera é 25 % maior que na era pré-industrial. A quantidade atual é de 735 Gt e o aumento anual acumulado é de 3 Gt. A concentração de metano dobrou nos últimos três séculos e aumenta à razão de 1% ao ano. O aumento de N20 na atmosfera desde a etapa pré-industrial foi da ordem de 5 a l0%, enquanto o aumento anual é de 0,25 %.

O controle das emissões de gases passíveis de provocar alterações climáticas começou a ser objeto de consideração internacional apenas em 1987. Naquele ano, o Conselho de Administração do PNUMA aprovou resolução, endossada pela Assembléia Geral da ONU, sobre alterações climáticas mundiais, que determinava a constituição de grupo de trabalho para estudar os diversos aspectos do fenômeno .

O relatório daquele grupo apontou para as dificuldades dos formuladores de política e tomadores de decisão face às alterações climáticas. Requerem maiores considerações, tanto a efetividade e custo das medidas destinadas a minimizar tais alterações , quanto os efeitos sobre o crescimento econômico  e as implicações sociais. Devido ao aumento das emissões de gases relacionados com "efeito estufa" na atmosfera, o imperativo que as alterações   climáticas parecem colocar seda o da urgência de se implementar medidas para minimiza-las, antes mesmo de se obter os resultados de pesquisas mais aprofundadas.

O relatório vislumbra, num horizonte de décadas, profundas modificações no clima do planeta, com impactos significativos sobre as atividades humanas. Com isso, fica evidenciada a importância de se avaliar os impactos no clima do Brasil, resultantes das mudanças climáticas globais provocadas pelo aumento do "efeito estufa". O problema das mudanças climáticas no Brasil é complexo. Sua análise leva a três perguntas básicas:

. Como as mudanças da cobertura vegetal, em particular o desmatamento, podem alterar  o atual equilíbrio climático na Amazônia e em outras áreas do Brasil?

. Como as emissões devidas ao desmatamento, às atividades industriais, aos transportes e à produção de energia no Brasil podem contribuir para as mudanças globais?

. Como estas mudanças afetariam os ecossistemas naturais e os de produção agropecuária no território brasileiro e quais seriam os efeitos das emissões de outros gases sobre o clima global, mesmo que as emissões e o desmatamento no Brasil fossem controlados?

 

Não existem respostas completas para estas questões. No entanto, o conhecimento científico disponível permite analisar a problemática de diversos ângulos.

As estimativas quantitativas dos efeitos que as grandes modificações nos ecossistemas terrestres podem ter na temperatura, na circulação e na precipitação têm-se revelado uma difícil tarefa.

Uma série de pesquisas nestes últimos 20 anos evidenciaram que a vegetação amazônica representa importante papel no atual clima da região. Assim, um grande número de cálculos independentes da evapotranspiração real mostra ser ela responsável por mais de 50% da precipitação local. A umidade na atmosfera da Amazônia ocidental é maior do que próximo à costa, indicando uma umidificação doar próximo à superfície - à medida que este ascende da floresta -, provavelmente causada por reciclagem do vapor d'água pela vegetação. Quando tomadas em conjunto, todas as evidências indicam que a floresta Amazônica é muito eficiente na reciclagem da água das chuvas de volta à atmosfera. Os resultados das simulações e as poucas observações disponíveis mostram que as pastagens não poderiam'manter estas mesmas altas taxas de evapotranspiração. Estas evidências indicam que, no caso de ocorrerem desmatamentos em grande escala, mudanças climáticas podem ser esperadas na região.

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

Cientistas iniciam check-up da Amazônia

 

Está prevista para este fim- de- semana em Brasília a chegada de um avião ER-2, da Nasa (agência espacial dos EUA), derivado do espião voador U-2. Ele vem em missão civil: iniciar o maior projeto científico internacional no Brasil. O ER-2, que voa a até 17 km de altura, é a estrela do Experimento de Grande Escala da Biosfera - Atmosfera na Amazônia. Mais conhecido pelo apelido inglês, LBA, o projeto vai consumir seis anos e mais de US$ 100 milhões. Com esse dinheiro, será possível utilizar aviões e satélites para esmiuçar ventos, nuvens e gases sobre a floresta. Estão também sendo montadas 15 torres com até 60 metros de altura, equipadas com sensores e instrumentos. O objetivo é fazer um check-up do metabolismo da Amazônia. Mais precisamente,como se dá a interação entre floresta e atmosfera. Metade da biomassa (madeira) das florestas tropicais fica estocada nela, o que torna uma gente global da mudança climática. A principal questão que o LBA deve ajudar a responder é se a Amazônia contribui para agravar o aquecimento global ou para mitigá-lo. Trata-se de saber se ela é um sumidouro ("Sink", em inglês) ou fonte líquida de carbono. Houve um tempo em que de acreditava que a floresta sul-americana era o "pulmão"do mundo. O mito, baseado só na fotossíntese, foi substituído pela idéia de equilíbrio. De noite, a respiração das plantas consumiria todo o oxigênio gerado durante o dia. Existem indícios de que os pratos dessa balança podem pender para um lado. Se emitir mais CO2 do que absorve, a floresta reforça o cobertor de gases que impede o planeta de perder calor (efeito estufa). Caso contrário, contrabalança as emissões mais graves, da queimada de combustíveis. Esse debate tomou as páginas das revistas científicas. Na "Nature"do último dia 17, americanos afirmaram que a Amazônia se torna fonte líquida de carbono nas épocas de El Niño, quando a falta de umidade inibe a fotossíntese. Brasileiros discordam, pois acham que o efeito do El Niño ocorrem até dois anos depois. Dois cientistas pretendem escrever à "Nature", questionando o artigo: Carlos Nobre, chefe do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec/Inpe), e Niro Higuchi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Não por acaso, Nobre e Higuchi estão entre os líderes e iniciadores do LBA. Eles esperam que o experimento os ajude a tirar a teima, assim como a melhorar a capacidade de realizar no país a parte nobre da ciência, interpretar dados e gerar modelos de previsão. Nobre, 47, afasta desconfianças nacionalistas contra o LBA: "A gente vai deixar sempre o valor agregado ser feito fora do Brasil, ou dentro dele? Colaboração é a melhor maneira de se aperfeiçoar. Conhecimento científico não tem dono, é público, está disponível também para o Brasil". Outro astro do experimento LBA é Paul Crutzen, Nobel de Química de 1995. Chefe do Instituto Max Plank de Química (Alemanha), é um dos pesos- pesados da ciência internacional atraídos pelos brasileiros. Crutzen deve seu Nobel a descobertas sobre a camada de ozônio. Por sinal, parte da investigação foi feita na Amazônia. Por sua extensão e complexidade, o ecossistema por equipes internacionais. No caso do LBA, dividem a conta três parceiros: Brasil, EUA e Europs (Reino Unido, Holanda, Alemanha, França e Itália). As entidades-âncora do projeto na área em estudo são: Inpa, de Manaus, Museu Goeldi, de Belém, Embrapa e Universidade Federal do Pará.

 

Avião só decola com supervisão

 

Até o final de fevereiro, cientistas do LBA em Brasília e Porto Velho farão todo dia telefônicas para decidir se o avião ER-2 decola da capital para fazer medições e observações sobre Rondônia. A decisão depende da previsão do tempo, em particular da presença das nuvens de chuva que se pretende estudar em detalhe. Só o ER-2 consegue observá-las de uma grande altitude (até 17 km). Caso se decidam pela decolagem, começa outro ritual, o da Segurança Nacional. Técnicos brasileiros vasculham o avião. A câmara de vídeo é selada. Normalmente, representantes do Brasil deveriam também embarcar. Mas o ER-2 é um avião não- pressurizado com espaço só para o piloto, que voa com traje especial. É o mesmo sistema do U-2, que protagonizou em maio de 1960 crise mais séria. Em plena Guerra Fria, um U-2 caiu na então URSS. Uma das dificuldades para fazer o LBA sair do papel estava no envolvimento de outro países, o fantasma da internacionalização" da Amazônia. Chegou-se a considerar a hipótese de submeter o projeto à aprovação do Congresso, o que o adiaria por meses, ou anos. Outra fonte de resistências no governo decorreu de uma suposta  superposição do LBA com o módulo ambiental do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). Concluiu-se que não há competição, mas sim complementação entre os projetos. O LBA vai inclusive usar dados do Sivam - quando eles começaram a ser coletados. (ML).

Um estetoscópia gigante

 

Conheça a estratégia e os instrumentos do Experimento de Grande Escala da Biosfera - Atmosfera na Amazônia (LBA)

 

Os instrumentos

 

Aviões                                                                                     

ER-2                                                                                       

(Nasa, EUA)                                                                             

Citation

(Universidade da Dakota do Norte, EUA)

Bandeirante

(Inpe, Brasil)

 

 

Satélites

SCD (Brasil)

CBERS (China/Brasil), lançamento previsto para junho deste ano

TRMM (Japão/EUA)

Spot (França)

EOS (EUA), lançamento neste ano

Séries Landsat, Goes e Noaa (EUA)

 

Serão realizados sobrevôos e instalados torres de medição ao longo de duas grandes linhas no país, chamadas de transações ecoclimáticas

 

Amazonas - Santarém- Brasília

Linha que corresponde a uma diminuição gradativa da umidade e à transição da floresta equatorial para o cerrado.

 

Amazonas - Porto Velho- Mato Grosso

Escolhida mais para medir os efeitos da agropecuária e do desmatamento, particularmente intensos em Rondônia

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

As convenções setoriais

 

Proteção da camada de ozônio

 

A Convenção de Viena (1985), em seu preâmbulo, retoma o Princípio 21 da Declaração de Estocolmo, que passou. a fundamentar a pesquisa e eventuais ações de controle da poluição transfronteiriça do ar.

São objetivos da convenção proteger a saúde humana e o meio ambiente contra os efeitos adversos resultantes ou possivelmente resultantes de atividades que modificam ou que podem modificar a camada de ozônio.

O primeiro protocolo concluído no âmbito da Convenção de Viena foi adotado em Conferência de Plenipotenciàrios, realizada em Montreal, de 14 a 16 de setembro de 1987, de acordo com decisão do

Conselho de Administração do PNUMA. O preâmbulo do protocolo reitera a determinação de proteger a camada de ozônio mediante a tomada, em todo o mundo, de medidas de controle de emissões de substâncias que possam deteriora-la. Estabelece como objetivo a eliminação dessas substâncias e introduz a noção de que, nesse processo, sejam levadas em conta considerações de ordem econômica. Os demais países signatários se comprometeram a reduzir gradativamente, até 1999, a produção e o consumo de 50 % do nível de 1986. Para os halons, o compromisso foi o de reduzir a produção e o consumo aos níveis de 1986 até o dia 30 de junho  de 1993.

A II Reunião das Partes Contratantes do Protocolo de Montreal encerrou a etapa do processo de revisão do protocolo de maneira favorável para a proteção da camada de ozônio e para o atendimento das

reivindicações dos países em desenvolvimento.

O Brasil aderiu à Convenção de Viena e ao Protocolo de Montreal em 19 de março de 1990 - após aprovação dos respectivos textos pelo Congresso Nacional -, por considerar politicamente importante participar do esforço internacional para conter os danos à camada de ozônio. Estimou-se ainda conveniente participar das negociações que então ocorriam para a revisão do protocolo e que vieram a definir mecanismos mandatórios de cooperação financeira e tecnológica em favor dos países desenvolvidos. Como ficarão restritos às partes contratantes os benefícios tecnológicos e comerciais decorrentes do protocolo - vetores de aceleração do progresso tecnológico -, considerou- se necessário propiciar à indústria brasileira de refrigeração, produção de compressores espumação, equipamento eletro-eletrônico e componentes de computadores o acesso a essas tecnologias e vantagens de mercado.

Estão envolvidos no processo de redução de CFCS e halons interesses econômicos de monta. Por exemplo, o mercado mundial de CFCS para refrigeração é estimado em USS 1 bilhão a cada ano. Os custos de adaptação industrial e desenvolvimento de bens de capital para produção de novas substâncias, apenas nos EUA, seriam da ordem de USS 135 bilhões.

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa

 

A problemática do ozônio

 

A destruição verificada na camada de ozônio que protege a Terra é causada pelo cloro, substância química que faz pane da molécula de substâncias sintetizadas conhecidas pela sigla CFC. Estas substâncias foram sintetizadas no final da década de 1930, para ser usadas no ciclo de refrigeração, em grande escala, a partir de 1960. O CFC, ao contrário dos produtos anteriores, não é inflamável, explosivo, tóxico, nem possui cheiro desagradável, sendo encarado como totalmente inofensivo durante várias décadas.

O Brasil produziu l0 mil toneladas de CFC em 1988 e 8,6 mil toneladas em 1990. Já a produção nos EUA foi de 280 mil toneladas em 1985, quando constatou-se a existência de um buraco na camada de ozônio sobre a Antártica.

A redução do ozônio ocorre principalmente na baixa estratosfera, durante o mês de Setembro, quando a luz solar retorna à região polar. Reduções de mais de 50 % de ozônio total já foram observadas. Os dados mostram que, após a redução máxima em final de setembro ou início de outubro, a coluna de ozônio se recupera em algumas semanas, comum aquecimento final na área e o desaparecimento do vórtice polar.

Não há indícios de que a camada de ozônio tenha diminuído em latitudes tropicais. Existe, no entanto, uma preocupação como aumento do buraco de ozônio da Antártica, através da exportação de massas de ar pobres em ozônio para baixas latitudes.

A destruição da camada de ozônio sobre o Brasil ainda não é notada, apesar de estar sendo investigada por meio de balões-sonda desde 1978. A maioria das estações de medida de ozônio - cerca de 20 - estão no hemisfério Norte, ao passo que no hemisfério Sul existem apenas três. Com sua atual base de dados equatoriais, a estação brasileira localizada no litoral do Nordeste tomou-se o centro de observação mais importante da região tropical.

A extensão horizontal do buraco na camada de ozônio preocupa porque poderia atingir regiões de maiores densidades populacionais. A Figura IV.4 mostra o buraco de ozônio em duas dimensões, isto é, sua profundidade em UD (Unidade Dobson) e sua extensão entre o pólo e o equador. Estão representados dois cortes, em planos perpendiculares entre si, ambos centralizados no pólo Sul. O primeiro começa na interseção com o meridiano 0° e termina no meridiano 90°W. Pode-se ver que o buraco não é exatamente simétrico. Outra constatação é que o buraco já está influenciando as regiões próximas a 40°/45°, onde em diversas longitudes o decréscimo da concentração de ozônio já representa 33% do decréscimo máximo polar, atingindo a parte setentrional do Chile e Argentina, na América do Sul, e também parte da Nova Zelândia, na Oceania.

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa - Kyoto

 

Japão pesquisa o clima tropical      

 

Além de ser anfitrião da conferência sobre mudanças climáticas, o Japão continua empenhado em financiar pesquisas fundamentais sobre o tema fora do país. Entre as áreas-chave estão os trópicos, incluindo a Amazônia brasileira.

O moderníssimo satélite japonês Jers-1 está hoje observando em detalhe as florestas tropicais do planeta. E há uma missão projetada para medir especificamente a quantidade de chuva nos trópicos.

O Jers-1 é diferente dos outros satélites que observam a Terra - chamados de sensoriamento remoto - por ser capaz de enxergar através das nuvens. Em vez de fazer observações apenas no espectro ótico (como a visão humana) ou em outros comprimentos de onda de radiação (luz) que são vulneráveis a nuvens no caminho, o satélite japonês utiliza também um radar de microondas.

O estudo chama-se Projeto Global de Mapeamento de Florestas Tropicais, é uma iniciativa da agência espacial japonesa Nasda e da agência americana Nasa e tem no Brasil a colaboração do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do Inpa (Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia).

O diretor da agência espacial brasileira, que também chefiou a delegação do país na conferência de Kyoto (antes  do ministro da Ciência e Tecnologia, Israel Vargas), considera o projeto japonês importante por essa capacidade de enxergar por baixo das nuvens, um problema constante para a observação em uma região onde chove quase todo dia (a floresta não é chamada de “rain forest”, floresta pluvial, por acaso).

Nos intervalos das discussões, Gylvan checava ele próprio um CD-ROM com dados de observação do Inpe sobre a Amazônia. Medir o dano à floresta é uma das atribuições do instituto. “Interpretar esses dados novos de microondas é mais difícil”, diz. Mas os resultados podem compensar.

Outra missão japonesa ligada aos trópicos chama-se TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission, ou Missão de medição da Chuva Tropical). O satélite foi projetado junto com a Nasa, e seu Radar de Precipitação é um instrumento único, projetado para medir a quantidade de chuva que cai nos trópicos.

O ciclo hidrológico - de onde vem, para onde vai e o que faz a água pelo caminho - é um dos elementos essenciais para a compreensão do clima terrestre - e das mudanças que o aquecimento do planeta deverá trazer.

 

O que fazer para reduzir sua cota de emissão de CO2

O homem, durante as atividades do dia- a- dia contribui para as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás agravador do efeito estufa. Veja o que você pode fazer para reduzir sua participação no aquecimento global.

 

Táxi

Um táxi emite duas vezes mais CO2 por passageiro do que um meio de transporte de massa.

 

Eletricidade

Nos EUA e na Europa, grande parte da energia elétrica vem da queima de petróleo e carvão, os combustíveis que mais emitem CO2. No Brasil, a eletricidade é produzida por hidrelétricas, que não emitem CO2. Mas o sistema está quase esgotado. É hora de economizar energia

 

Avião

Voar pode ser rápido mas o avião é um dos meios de transporte que mais emite CO2

 

Nos EUA, cada pessoa emite em média

 

7 mil kg de CO2 por ano em atividades e diárias

 

Emissão Zero

Andar de bicicleta ou a pé não emite CO2.

 

Ônibus

A cada 1,6 km rodado num ônibus, você contribui com 300 gramas de CO2 lançadas na atmosfera

 

Trem

A cada 1,6 km rodado num trem, você contribui com 227 gramas de CO2 lançadas na atimosfera

 

Lixo reciclado

 

Muitas coisas que você joga fora requerem energia para ser produzidas. Produzir algo a partir de material reciclado consome 1/3 da energia necessária à fabricação do mesmo produto desde o começo. Se você reciclar seis garrafas de vidros por semana, emitirá menos 113 kg de CO2 por ano.

 

Carro

 

Um carro emite em média 454 gramas de CO2 por cada 1,6 km rodado. Um carro econômico e bem regulado pode reduzir a emissão pela metade. Se você evitar rodar 32 km a cada semana, você emitirá 454 kg de CO2 a menor por ano. Pegue e  dê carona

 

Árvores

Para crescer, as árvores absorvem grande quantidade de CO2 que normal, iria para a atmosfera. Plante árvores.

 

Gado

 

 Se você quer ser radical, evite comer  muita carne ou mesmo tomar muito leite. As fezes do gado emitem metano. NO Brasil, não é problema, mas na Holanda, um país pequeno com um rebanho grande, isso já é motivo de preocupação

 

 

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa    

 

EUA geram mais CO2  do que dizem reter

 

Ao contrário do que vêm afirmando, os EUA não conseguem absorver todo o gás carbônico que jogam na atmosfera, contribuindo, portanto, para o aumento do aquecimento global devido ao efeito estufa.

O aquecimento global devido à emissão de gases, especificamente o gás carbônico, que faz com que o calor do Sol seja retido na atmosfera, é uma das principais pendências ambientais. Os Estados Unidos sempre afirmam que suas florestas e campos absorvem todo o gás carbônico emitido.

O país não ratificou o Protocolo de Kyoto (tratado de 1997 que determina a redução das emissões de gases em 5% pelos países industrializados até 2012).

"A quantidade absorvida é de apenas 0,15 bilhão de toneladas de carbono por ano", disse á Folha Ron Neilson, da Universidade de Oregon, EUA, e um dos autores do estudo publicado dia 17 de março de 2000 na revista "Science". Esse valor corresponde a 10% de carbono lançado pelos EUA, o que significa que 90% dele ainda permanece na atmosfera ou está sendo absorvido fora da América do Norte.

Ano passado, cientistas do centro de pesquisa de Woods Hole, nos EUA, já haviam anunciado dados semelhantes. "Os trabalhos são como os dois lados de uma mesma moeda, porém, proporciona uma visão mais precisa da quantidade de carbono absorvida, porque considera, além do tipo de uso da terra, variações climática e o aumento da quantidade de gás carbônico na atmosfera", disse Neilson.

O modelo de Neilson avaliou a absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres dos EUA no período de 1895 até 1993. Durante este tempo, ela variou de ano para ano, conforme o clima.

"Condições ambientais mais secas e quentes tendem, a estressar as plantas, causando liberação de carbono pela maior taxa de respiração e maior fotossíntese", afirmou pesquisador.

Com isso, a contribuição de um país na emissão ou seqüestro de carbono pode ser muito variável, mudando a cada ano. A constatação de que a variabilidade de absorção de carbono pode ser anual revela uma falha do Protocolo de Kyoto. O Protocolo recomenda que os países sejam avaliados como emissores, mas não anualmente. Ou seja, dependendo do clima, o balanço entre a absorção e emissão de um país pode variar totalmente de ano para ano, se a avaliação não corresponder a papel real daquele país.

"Todos estes resultados indicam que e preciso melhor nossas tecnologias na mensuração do carbono, determinando para onde ele esta indo, achando como trabalha com variações anuais e verificando quais serão os impactos alongo prazo dessas variações. De qualquer forma, os dados mostrar que os EUA são responsáveis pelo aumento da temperatura global e precisam responder isso", disse Neilson.

MEIO AMBIENTE – Efeito Estufa

 

Debate sobre o valor da floresta é restrito

 

Discute-se freqüentemente no meio científico e ambiental se a floresta amazônica deve ganhar um valor, gerando remuneração para o Brasil por seqüestrar carbono, mas essa discussão não alcança a opinião pública.

Seqüestrar carbono? Não é mesmo fácil levar esse debate para fora do meio técnico. Ela envolve a compreensão de assuntos complexos, como o efeito estufa (aquecimento da atmosfera alimentado pela emissão de gás carbônico, CO2, com a queima de combustíveis fósseis e a destruição de florestas, por exemplo).

Custa dinheiro diminuir emissões. Poluição evitada, assim, é um bem escasso, mas com grande demanda – vale dizer, tem valor. O país que conseguir emitir menos poderia vender as cotas economizadas no mercado. Um dos maiores depósitos de carbono do mundo está nas árvores da Amazônia, estocado na forma de madeira. Alguns cientistas e ambientalistas são a favor de obter receita com isso, ou com florestas plantadas em áreas degradadas. Em qualquer dos casos, o Brasil tem as maiores áreas do mundo para fazer negócios com o seqüestro de carbono.

“É uma das últimas chances de negociar bem uma coisa que é muito valiosa para a lógica do capitalismo”, afirma o economista Gilberto Dupas, do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA). O IEA realiza sexta-feira o seminário “Desenvolvimento Sustentável da Amazônia e Certificados de Carbono”.

Entre outros, deverão participar Ignacy Sachs (da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, da França), José Goldemberg (USP), José Seixas Lourenço (Ministério da Ciência e Tecnologia) e Luiz Gylvan Meira Filho (Agência Espacial Brasileira).

Meira Filho tem participação ativamente das negociações nos foros internacionais sobre mudança climática  e o chamado “mecanismo de desenvolvimento limpo”. O MDL, aliás, foi uma proposta brasileira, para estimular países em desenvolvimento a também economizar emissões.

Setores do governo federal resistem a que as florestas nativas sejam incluídas no MDL. O argumento é que isso não seqüestraria carbono da atmosfera (seria deixar de fazer algo, e não fazer algo contra o efeito estufa). Mas alguns cientistas brasileiros defenderam o oposto no Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, um grupo que reúne milhares de pesquisadores.

“Não sei se o governo brasileiro já tem uma posição”, diz Dupas. Ele afirma que o objetivo do seminário é pressionar o governo e obter apoio da opinião pública.

 

 

MEIO AMBIENTE – Efeito Estufa

 

Efeito-Estufa

 

O homem primitivo consumia uma quantidade de energia equivalente a 50 kg de petróleo ao ano. Um habitante da América do Norte, atualmente, consome, em média, o equivalente a 8.000 kg. Grande parte dessa energia é tirada do petróleo. Acontece que a queima de combustíveis fósseis, como também a queima das florestas, contribui para aumentar a quantidade de gás carbônico existente no ar. Em conseqüência, podem ocorrer mudanças, no clima da Terra, o que pode significar enormes transtornos para todos os seres vivos.

O gás carbônico, inofensivo em porções normais, é a substância que as plantas retiram do ar para realizar a fotossíntese. Juntamente com o vapor d’água e gases como o metano (CH4), o ozônio (O3), os clorofluorcarbonos (CFCs) e o óxido nitroso (N2O), entre outros, o gás carbono atmosférico funciona como um teto de vidro de uma estufa de plantas. É transparente à radiação de ondas curtas, provenientes do Sol, mas absorve e emite a radiação de ondas longas que é refletida pela superfície terrestre.

Gás carbônico, vapor d’água e os demais gases-estufa são responsáveis pela manutenção de uma temperatura adequada à vida em nosso Planeta. Sem eles, a temperatura média da Terra seria em torno de 33o C, mais fria que a atual.

Já em 1896, o químico sueco Svante Arrhenius havia previsto que a queima de combustíveis fósseis acabaria por aumentar a quantidade de gás carbônico e, em conseqüência, aumentaria também a temperatura da Terra. O cientista, que batizou o fenômeno com o nome de efeito-estufa, não foi ouvido, mas sua previsão se confirmou. Na época, se alguém se pusesse a estudar a quantidade de cada tipo de gás presente na atmosfera, verificaria, como fez Arrhenius, que havia 300 partes por milhão de gás carbônico. Quase 100 anos depois, o número delas havia se elevado para 350 e continua aumentando rapidamente.

A cada ano, são lançadas, na atmosfera, 24 bilhões de toneladas de gás carbônico, a maior parte (19,2 bilhões), pelos países industrializados do Hemisfério Norte. A América Latina contribui com uma parte ainda insignificante, 3,5 bilhões. Quatro quintos do total provêm da queima do petróleo; o resto, da queima das florestas. As florestas desempenham um papel importante nesse processo. Quando vivas, ajudam a atenuar o problema, porque absorvem gás carbônico na fotossíntese; quando queimadas, liberam gás carbônico.

Estima-se, atualmente, que o aumento da temperatura de 3,5 a + ou – 2,0OC, como resultado de uma duplicação de concentração de CO2 atmosférico, induziria uma elevação de 20 a 165 cm do nível dos mares. Como resultado desse aquecimento da atmosfera pela intensificação do efeito-estufa, haveria o derretimento do gelo retido nas regiões polares da Terra, o que, em conjunto com a expansão térmica das águas dos oceanos, poderia ocasionar a inundação das regiões costeiras dos continentes e a submersão de muitas ilhas em todo o Planeta.

Se isso se confirmar, a humanidade pode preparar-se para grandes catástrofes, advertem os cientistas. Entre outras conseqüências, as partes baixas de cidades brasileiras próximas à costa, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Santos, Salvador, Recife e Belém, entre outras seriam inundadas. Ilhas inteiras desapareceriam e até países seriam submersos parcialmente. Em Bangladesh, por exemplo, o aumento de um metro alagaria 10% do território e levaria 8 milhões de habitantes a deixarem suas terras.

Nos últimos 100 anos, a temperatura da atmosfera aumentou entre 0,3 e 0,6O C. Pode ser resultado de aumento do efeito-estufa. À primeira vista, esse aumento parece insignificante. Mudanças assim levam milhares ou milhões de anos para acontecer, tempo necessário para as espécies de plantas e animais se adaptarem. Por isso, um aumento do efeito-estufa pode extinguir plantas e animais, aumentar o número de dias quentes, diminuir o número de noites frias, intensificar a violência das tempestades e provocar mais terremotos.

 

Buraco na Camada de Ozônio

 

Além do envoltório de gás carbônico, a vida na Terra está protegida também por uma camada de gás ozônio, uma forma de oxigênio que tem três átomos, em vez de dois. Situada a uma altitude de 15 a 50 km no céu, a Camada de Ozônio, de aproximadamente 30.000 m de espessura, cuida de filtrar os raios do Sol, impedindo que a radiação de ondas longas (ultravioleta), tão prejudicial à vida vegetal e animal, alcance a superfície terrestre. Agora, cientistas têm verificado que há um buraco na Camada de Ozônio, sobre o Pólo Sul, e talvez esteja se formando outro sobre o Pólo Norte.

Em princípio, a poluição do ar, promovida pelo homem, seria a responsável pela destruição da Camada de Ozônio. O alerta foi dado em 1982, quando uma equipe de cientistas ingleses, fazendo pesquisas no Pólo Sul, observou o que parecia ser uma das maiores rarefações na Camada de Ozônio, observada até então. A descoberta chamou a atenção da comunidade científica internacional. Tratava-se de saber por que isso estava acontecendo. Antes disso, em 1974, outros pesquisadores haviam afirmado que gases à base de cloro, flúor e carbonos – os clorofluorcarbonos (CFCs) - , que são compostos químicos sintetizados pelo homem e utilizados na indústria de refrigeração (geladeiras, freezers, condicionadores de ar, etc), na fabricação de isopor e plásticos, como elemento pressurizante (para embalagens do tipo spray) e em outros produtos que usamos diariamente, ameaçava destruir esse escudo protetor, mas pouca gente acreditou nisso.

Aparentemente, havia razoes para pensar assim, pois os CFCs, que não tem cheiro, não são inflamáveis, nem explosivos ou tóxicos, sempre pareceram produtos perfeitos para serem usados em casa. Nem por isso, entretanto, gases, na aparência inofensivos, deixam de ser perigosos.

Na realidade, ainda não se sabe com clareza se o buraco descoberto na Camada de Ozônio tem causas naturais nem se é provocado, de fato, pelos CFCs. Em se tratando de assunto tão importante, é preferível continuar vivo na dúvida, do que morrer equivocado com a certeza.

Não se brinca com os raios ultravioleta. A pequena quantidade desses raios que consegue penetrar a atmosfera, já é motivo de muita preocupação. Em excesso, são responsáveis pelo câncer da pele, uma doença que mata 12 mil pessoas por ano nos Estados Unidos e que continua se alastrando. Além disso, os raios ultravioleta podem enfraquecer o sistema de defesa do organismo, abrindo, assim, as suas portas para todo tipo de infecção. São os principais responsáveis pela catarata, doença cega 12 milhões de pessoas por ano em todo mundo.

Alterar a Camada de Ozônio poderá levar a um aumento de incidência de doenças provocadas pela radiação ultravioleta. Além de atingir as pessoas, prejudicam também a maioria das plantas que o homem cultiva para se alimentar. Quando atingem as águas dos oceanos, provocam sérios danos ao fitoplâncton (conjunto de microorganismos fotossintetizantes) que é o primeiro elo da delicada cadeia alimentar que mantém a vida dos peixes, dos menores aos maiores.

Por todas essas razões, os países do mundo todo se reuniram em Montreal, no Canadá, em 1986, e decidiram diminuir em 50% a produção de CFCs até o fim deste século. Os países desenvolvidos são os maiores consumidores dos CFCs produzidos no mundo, mas o Brasil também gosta de usar sprays. O problema é que se confirmar que os CFCs são de fato os responsáveis pela rarefação da Camada de Ozônio, as complicações vão aumentar no futuro, pois os CFCs podem continuar produzindo efeitos na atmosfera por mais de 100 anos.

 

 

O Tiro pela Culatra

 

Os gases CFCs foram festejados, na década de 20, como uma grande descoberta para a indústria. São inertes, não inflamáveis, nem tóxicos, nem corrosivos. Seu uso disseminou-se rapidamente pelo setor de refrigeração (geladeiras, freezer, ar-condicionado de uso doméstico, comercial e de automóveis) e da indústria do frio (frigoríficos), pela indústria de plásticos expandidos, de espumas e de embalagens (isopor, colchões) e de aerossóis (produtos domésticos, sanitários e de higiene pessoal), além de utilização especificamente industrial, como desengraxante para limpeza de circuitos integrados e outros.

Como gás propelente, no sistema de aerossóis, ainda hoje considerado o grande vilão da destruição da Camada de Ozônio, na verdade já foi substituído em todos os países industrializados e até mesmo naqueles que têm menos peso nas emissões globais, como o Brasil. Desde 1988, a indústria brasileira de aerossóis vem usando como propelentes os gases propano e butano, derivados de petróleo. O único uso em aerossóis ainda permitido pelo Ministério da Saúde, é em medicamentos como bombas para asmáticos, em que os CFCs são de difícil substituição.

Sabe-se hoje que os CFCs demoram de 10 a 20 anos e, segundo alguns autores, até 50 anos para serem transportados da superfície até a estratosfera, a partir do momento em que são liberados. Os mais largamente utilizados, o CFC 11 e o CFC 12, têm vida útil de 65 e 200 anos, respectivamente. Isso significa que os níveis medidos atualmente dizem respeito a emissões dos anos 60 e 70, na melhor das hipóteses. E que, apesar de a destruição da Camada de Ozônio já alcançar níveis dramáticos, o problema não deverá regredir antes de algumas décadas.

Até lá, alguns países, como os escandinavos, vêm subsidiando empresas para extrair e destruir os CFCs dos compressores das geladeiras amontoadas em ferros-velhos. Ao mesmo tempo, países pobres lutam para que suas populações possam comprar os refrigeradores a que têm direito. Se não houver dinheiro para gases substitutivos, eles certamente serão movidos a CFCs.

 

 

MEIO AMBIENTE - Efeito Estufa 

 

Camada de ozônio

 

A necessidade de proteger com urgência a camada, de ozônio, ameaçada pela emissão de clorofuorcar bonetos, levou à realização do melhor exemplo de iniciativa de preservação ambiental bem-sucedida, unido cientista, empresas, organizações não governamentais e governos. O buraco na camada de ozônio fez com que 24 países desenvolvidos assinassem um compromisso em 1987, o Protocolo de Montreal (Canadá), para a erradicação gradual da produção de gás clorofluorcarbono (CFC) no mundo. Situada na estratosfera, entre 20 e 35 quilômetros de atitude, a camada de ozônio tem cerca de 15 quilômetros de espessura. Sua constituição, há 400 milhões de anos, foi crucial para o desenvolvimento da vida na Terra. Composta de um gás rarefeito, formado por moléculas de três átomos de oxigênio - o ozônio -, ela impede a passagem de parte da radiação ultravioleta emitida pelo sol. A agressão à camada de ozônio interfere no equilíbrio ambiental e na saúde humana e animal. Sem sua proteção, diminui a capacidade de fotossíntese na plantas e aumenta o risco de desenvolvimento  de doenças como o câncer de pele. O impacto do CFC na camada de ozônio começa a ser observado em 1974 pelos químicos Frank Rowlanda e Mario Molina, ganhadores do Prêmio Nobel de Química de 1995 por seus estudos sobre o assunto. Eles confirmam que o CFC reage com o ozônio, reduzindo a incidência desse gás e, conseqüentemente, a espessura da camada. Na época, o CFC é usado em propelentes de sprays, embalagens de plástico, chips de computador, solventes para a indústria eletrônica e, sobretudo, nos aparelhos de refrigeração, como geladeiras e sistemas de ar-condicionado. Em 1984, as observações dos dois químicos são confirmadas com a detecção de um desgaste na camada de ozônio num ponto sobre a Antártica. Sua extensão, de 7 milhões de quilômetros quadrados, supera as previsões mais pessimistas, feitas nos dez anos anteriores. De acordo com os números registrados então, os Estados Unidos (EUA), sozinhos, respondiam por quase um terço do consumo global de CFC. Os negócios com o gás movimentavam cerca de 28 bilhões de dólares em produtos e serviços essenciais ao funcionamento e à manutenção de sistemas de refrigeração e estavam associados a equipamentos estimados em 130 bilhões de dólares. Entre 1998 e 1995, o consumo de CFC cai 76% no mundo inteiro, em conseqüência do acordo de Montreal. Nem todos os países desenvolvidos, entretanto, cumprem a meta de substituir o gás por outro agente inócuo. Em meados da década de 90, um mercado negro de negócios com o CFC, estimado entre 20 mil e 30 mil toneladas anuais, começa a se consolidar. Segundo dados da indústria química mundial, cerca de 20% de todo o CFC em uso na época é obtido no mercado negro. Hoje a camada de ozônio é ameaçada também pelos efeitos da utilização na agricultura do brometo de metila, um inseticida que protege as plantações de tomate e morango, mas produz os mesmos efeitos nocivos dos CFC. 

 

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Buraco na camada de ozônio aumenta neste ano

 

O buraco no trecho da camada de ozônio sobre a Antártida deve se ampliar neste ano. Primeiras avaliações indicam um crescimento significativo na taxa de destruição do ozônio, informou a agência climática das Nações Unidas. Quatro estações de observações baseadas na Antártida informaram uma queda no ozônio de 20% a 35%, em comparação com o período de 1964 a 1976, antes que o “buraco do ozônio” fosse observado, disse Taysir al-Ghanem, porta-voz da Organização Mundial de Meteorologia (WMO, na sigla em inglês). “ Não é possível ser otimista com base nessas últimas medições”, ele disse.

A diminuição do ozônio na região normalmente tem início em julho, e se intensifica em agosto. De acordo com WMO, o maior “rombo” já’ registrado ocorreu em 1998, quando a abertura atingiu 12 milhões de quilômetros quadrados. Ano passado, o tamanho foi de 10 milhões de km².

A camada de ozônio da atmosfera protege a superfície da Terra dos perigosos raios ultra-violeta do Sol. O excesso de radiação ultra-violeta pode causar câncer de pele, e destruir os minúsculos vegetais que estão na base de cadeia alimentar terrestre.

Umas das principais causas da destruição do ozônio é a disseminação, na atmosfera, de alguns produtos químicos produzidos artificialmente, como os clorofluorcarbonetos (CF-Cs), usados em certos tipos de aerosol. A WMO informa que o uso dessas substâncias caiu graças ao Protocolo de Montreal, que levou diversos países a se comprometerem a eliminar a produção de agentes nocivos à camada de ozônio. Mas, de acordo com a agência da ONU, a camada só estará recomposta por volta de 2050.

 

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Grupo lança na Internet página para protestos

 

Gland, Suíça - Em preparação para uma conferência internacional sobre o clima global em novembro, um grupo de 16 organizações ambientais lançaram ontem uma página na Internet para canalizar mensagens de protesto contra o aumento da temperatura do clima mundial. O objetivo de organizações como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e o Greenpeace é repassar mensagens da população para líderes políticos, pedindo que utilizem o encontro para cortar a emissão de poluentes.

No site www.climatevoice.org, internautas podem mandar e-mails já preparados para chefes de Estado de todo o mundo, selecionados semanalmente ao longo da campanha. Um dos nomes na lista é o do presidente Fernando Henrique Cardoso. O site foi lançado em inglês, mas versões em francês, espanhol e alemão estão sendo preparadas. Na conferência de novembro, os governantes deverão finalizar as regras internacionais para o cumprimento do Tratado de Kyoto.

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Montanhas estão perdendo gelo “eterno”

 

Pesquisador alerta para o derretimento de geleiras em terra em razão de mudanças no clima

 

Campinas - Não é só o gelo ártico que está derretendo, com anunciado por cientistas americanos que viajaram ao Pólo Norte a bordo do quebra-gelo russo Yamal. Segundo alerta publicado por Lester Brown, do Worldwatch Institute, o planeta também está perdendo o gelo da Antártida e das principais geleiras dos Alpes, Andes, Himalaia e das Montanhas Rochosas.

A equipe do Yamal encontrou uma passagem de 1,6 quilômetro de largura no Pólo Norte – onde, em 1994, o mesmo navio havia enfrentado gelo de 1,8 a 2,7 metros de espessura. Na “lagoa” degelada, o pesquisador James McCarthy, da Universidade de Havard, notou presença de plâncton, sinal de que o gelo já tinha derretido havia algum tempo.

Esse derretimento de geleiras, consideradas “eternas” não é apenas indício de que os efeitos das mudanças climáticas começam a ser mensuráveis. É também um sinal para os cientistas reverem suas teorias de “gatilho”. Em outras palavras, o derretimento do gelo não só está associado ao aumento médio do nível dos oceanos – que já subiu 30 centímetros no último século – como pode “disparar” outros desastres ambientais de grandes proporções.

Conforme Brown, o derretimento massivo do gelo do Himalaia, por exemplo, afetará o suprimento de água da maior parte da Ásia, sobretudo Índia, Paquistão, Bangladesh, Tainlândia, Vietnã e China. Esses países são abastecidos por rios que dependem da água acumulada como neve no alto das montanhas e de seu lento derreter durante o verão.

 

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Fim de geleiras pede uma ação global, diz ONG

 

A presença de água líquida sobre a calota do pólo Norte, anunciada há poucos dias, não é a única notícia arrepiante sobre geleiras, anuncia em relatório a organização não-governamental dos EUA Worldwatch Institute. É apenas um de três estudos recentes sobre o derretimento geral.

Na realidade, há uma série de indícios gelados de que o aquecimento global é uma realidade. Com o acúmulo de gases como o carbônico (CO2) na atmosfera, produto da queima de combustíveis fósseis, a radiação solar fica presa, aquecendo a atmosfera além do normal.

A ONG afirma que uma pesquisa dos cientistas noruegueses Lars Smedsrud e Tore Furevik, da Universidade Bergen, projetou um oceano Ártico desprovido de gelo no verão, em 50 anos. Já se foram 42% da espessura da calota.

O outro estudo, de W. Krabill, saiu na revista "Science" em 21 de julho e indica que a massa de gelo sobre a Groenlândia está diminuindo. Medições semelhantes vêm sendo feitas nas geleiras sobre cadeias de montanhas, como Andes, Alpes e Himalaia.

"Temos energia eólica, solar e geotérmica mais do que suficiente para ser economicamente utilizada para mover a economia mundial", afirma o relatório.

"Se incorporarmos o custo da perturbação do clima no preço dos combustíveis fósseis, o investimento rapidamente migraria para fontes de energia benignas."

 

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EUA estão pessimistas com negociação na Holanda para conter o efeito estufa

 

Os Estados Unidos não esperam um acordo firme sobre a mudança climática com resultado da reunião-chave que se realizará na cidade de Haia (Holanda) em novembro, anunciou em Londres um auxiliar do presidente Bill Clinton.

Roger Ballentine, assessor para assuntos ambientais, disse que seu país reafirma o compromisso de combater o efeito estufa e que investirá US$ 4,1 bilhões em 2001 para alcançar esse objetivo. Disse que espera progressos em Haia, mas não o fechamento de um acordo amplo sobre como obter as reduções previstas no Protocolo de Kyoto.

Esse tratado, firmado em dezembro de 1997 no Japão, define que países industrializados devem reduzir em 5,2%, em média, suas emissões de gases-estufa, até 2012, sobre o ano-base de 1990. Em Haia será realizada a sexta conferência das partes (países signatários), ou COP-6.

Efeito estufa é a retenção anormal de calor solar na atmosfera, sob um cobertor de gases, como o carbônico (produzido na queima de combustíveis fósseis).

A reunião deveria definir mecanismos internacionais para alcançar essa meta, como a troca de cotas de emissão entre países, mas não há acordo à vista.

“Eu não sei de ninguém que pense que vamos completar as negociações na COP-6”, disse Ballentine. “Nosso objetivo é ter um consenso de que estamos fazendo progresso significativo e de que cada país vai seguir seu próprio ritmo.”

Ballentine informou que a proposta orçamentária dos EUA para 2001 – que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso – prevê US$ 2,4 bilhões para reduzir emissões domésticas, por exemplo com incentivos fiscais para energias limpas, e mais US$ 1,7 bilhão para pesquisa em escala global. Esses gastos representariam um acréscimo de 43% sobre os de 2000.

 

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O Derretimento dos Pólos

 

O que está acontecendo nos pólos da Terra? Os últimos relatos de viajantes e de cientistas é que tanto o Ártico quanto a Antártica estão passando por um período sem precedentes de derretimento das suas áreas de gelo. No verão deste ano, enormes áreas dos mares ao norte do Canadá estão livres de gelo pela primeira vez na história. Na Groelândia, a lâmina de gelo que existe há centenas de milhares de anos está perdendo de 2 a 5  metros de espessura por ano. Na Antártica, enormes plataformas de gelo, algumas com 8.000 km² estão se fragmentando e se espalhando pelo mar. Geleiras das montanhas estão também derretendo com velocidade surpreendente. Animais que dependem do ciclo natural das estações, como os ursos polares, pingüins e peixes marinhos, estão sendo devastados.

As organizações de proteção do meio ambiente, como a Greenpeace, a World Wildlife Fund (WWF), e grupos de cientistas e ecoativistas acha que existem evidências irrefutáveis de que isso está sendo causado pelo aquecimento global, e que a atividade humana é grande responsável, por esse aumento, através do chamado “efeito estufa” (aumento dos gases na atmosfera que retém o calor emitido pelo sol). Recentemente, mais de 1,500 cientistas, inclusive 80 nobelistas e centenas de organizações científicas assinaram um manifesto a favor dessas idéias, e pedindo uma acordo global entre as nações que tenha como meta a diminuição substancial dos níveis de emissão. Tanta gente importante e sabida assim pode estar errada? O problema é que pode estar, sim, como veremos adiante.

De fato desde o início do século, a temperatura média do planeta aumentou em 0,5º C, sendo que aproximadamente a metade desse valor desde 1960. A Agencia de Proteção Ambiental dos EUA (E.P.A.) determinou que os 10 mais quentes do século ocorreram nos últimos 15 anos, e que 1998 foi o ano mais quente de todos. O nível médio dos oceanos aumentou entre 5 a 12 cm, sendo que 40% desse valor foi devido ao derretimento das geleiras em montanhas. O restante é devido à expansão do volume de água devido ao próprio aumento de temperatura (dilatação). Se todo o gelo dos pólos se derreter (hipótese altamente improvável), o nível médio dos oceanos aumentará em mais de 80 metros, submergindo todas as cidades costeiras do mundo, e engolindo ilhas e zonas costeiras inteiras (o Estado da Flórida e a Holanda, por exemplo, praticamente desapareceriam debaixo das águas!). A quantidade de precipitação de chuvas também aumentou em 1% neste século.

Os ambientalistas argumentam que o aquecimento global está sendo causado pelo aumento do efeito estufa, principalmente pelo gás dióxido de carbono. Segundo eles, os maiores culpados do aumento dos níveis de CO2 na atmosfera por emissão de gases por combustão de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) são os países mais desenvolvidos. Por exemplo, os EUA, que representam apenas 4% da população mundial, contribuem com 20% dos gases do efeito estufa, com cerca de 5,3 toneladas por habitante por ano (em comparação, a China produz 0,7 toneladas, e Bengladesh, apenas 0,04 toneladas). Europa e Japão contribuem com 20% adicionais.

Aos adeptos dessa teoria dizem que se nada for feito para coibir as emissões de CO2 pela atividade humana, a Terra poderá esquentar até 3,5º C nos próximos anos. Pode parecer pouco, mas seria um aumento catastrófico, principalmente para a modificação de ecossistemas e a para a extinção de centenas de milhares de espécies de vida, inclusive a erradicação de milhões de quilômetros quadrados de florestas no hemisfério norte.

Todas essas afirmações, no entanto, têm sido o objeto de uma enorme polêmica. Muitos cientistas acham que os dados que os ambientalistas brandem com tanta veemência na condenação do progresso material e industrial, são refutados por muitos estudos sérios. Não existe de forma tão clara essa alegada relação entre atividade humana, aumento de gases atmosférico e aquecimento global. Nenhum sequer desses elos foi claramente comprovado até agora, e existem até evidências em sentido contrário. Por exemplo, cerca de 12.500 anos atrás, a temperatura média da terra subiu mais de 20 graus em apenas 50 anos: apenas devido as causas naturais (desconhecidas até hoje, mas suspeita-se que possa ter sido um aumento da atividade solar). Na chamada “Pequena Idade Glacial”, que começou no século 17, a temperatura terrestre chegou a ser dois graus menor do que agora, sem que a humanidade tenha se extinguido. Portanto, 0,5 grau de aumento em um século significa apenas uma pequena variação, que tanto poderia ser para cima como para baixo, e que não é necessariamente causada pelo ser humano. Embora o nível de CO2 esteja realmente aumentando  na superfície do planeta (e pode ser que seja mesmo o resultado da queima aumentada de combustíveis fósseis, principalmente pelos automóveis), isto não está ocorrendo nas partes superiores da atmosfera, onde ocorre o efeito estufa. Além disso, o vapor da água que existe nessas regiões é o maior responsável pelo efeito, e não o CO2 ou o gás metano, como se pensava.

Outra falha na argumentação sobre o efeito do CO2: os ambientalistas apresentam apenas o quanto é emitido a mais pela atividade humana. Geralmente não citam o que realmente fica a mais na atmosfera, pois existem muitas fontes naturais de absorção: as florestas e os mares, por exemplo. De fato, existem evidências que as florestas do norte dos EUA absorvem mais CO2 (2 bilhões de toneladas por ano) do que é gerado (1,7 bilhões). Um dos motivos é que os ecossistemas terrestres são precisamente auto-regulados: quando aumenta o CO2 na atmosfera estimula-se o crescimento das árvores e outras plantas, que por sua vez passam a remover mais CO2.

O ambiente terrestre e a vida podem ser muito mais estáveis e resistentes do que imaginamos. Ao mesmo tempo, em períodos relativamente curtos, podemos passar por grandes modificações. É cedo, ainda, para apontar o dedo para os culpados. Mas, de qualquer forma, tenta diminuir a poluição é sempre uma boa meta.

 

MEIO AMBIENTE - Efeito estufa

 

ONU agora debate clima

Greenpeace fez protesto contra o uso de energia nuclear

 

Lyon (AFP) - O primeiro-ministro francês Lionel Jospin inaugurou ontem a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Lyon, na França. O evento reúne 1.700 especialistas que representam governos e ONGs de 154 países.

 

Enquanto era realizada a sessão de abertura, cerca de 20 membros da organização ecológica Greenpeace manifestaram-se diante do Palácio dos Congressos de Lyon, onde está sendo realizada a conferência, para protestar contra a utilização de energia nuclear como alternativa para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Os manifestantes exibiam cartazes que diziam: "A energia nuclear não é a solução para a mudança de clima".

 

Jospin anunciou a organização "até o final do ano" de um plano de economia de energia na França e afirmou que as medidas de diminuição dos impostos sobre os combustíveis, tomada recentemente pelo seu governo, "não colocam em dúvida" o programa francês de luta contra o efeito estufa.

 

A Conferência de Lyon é uma nova etapa da negociação sobre as formas de aplicação do Protocolo de Kyoto, acordo internacional sobre a redução da emissão de gases que causam o efeito estufa.

 

De acordo com Jospin, os países mais ricos devem tomar atitudes "urgentes" para reduzir a emissão artificial de gases que afetam o clima do planeta.

 

Jospin destacou o fato de que o aquecimento global deverá prejudicar, em maior medida, os países pobres. O primeiro-ministro não acusou nenhum país diretamente, mas os EUA eram o alvo de suas observações: de acordo com números da ONU, os Estados Unidos respondem por 36% das emissões de dióxido de carbono; a União Européia, 24%; e a Rússia, 17%. A França, assim como os EUA, ainda não ratificou o acordo de1997.

 

Assembléia do milênio

 

Depois dos chefes de Estado e de Governo, que na semana passada participaram na Cúpula do Milênio, agora é a vez dos ministros das Relações Exteriores dos 189 Estados membros da ONU iniciarem hoje seu tradicional debate de duas semanas na Assembléia Geral das Nações Unidas.

 

A secretária americana de Estado Madeleine Albright e seu colega francês Hubert Vedrine serão os principais oradores. Esta nova sessão da Assembléia Geral (de número 55), chamada Assembléia do Milênio, foi formalmente iniciada no último dia 5, vinte e quatro horas antes da Cúpula dos líderes mundiais.

 

MEIO AMBIENTE – Efeito Estufa   

 

Mata virgem prende mais gás carbônico

 

Reflorestar não resolve

 

Um estudo feito pelo Instituto de Biogeoquímica Max Planck em Jena, Alemanha, jogou dúvidas sobre uma peça importante da proposta de tratado para combater o aquecimento global: a plantação de florestas na tentativa de capturar o gás carbônico.

A pesquisa concluiu que as florestas selvagens originais são melhores que plantações de árvores jovens para capturar o dióxido de carbono, liberado quando carvão ou outros combustíveis fósseis são queimados.

Os EUA e outros países com grandes massas de terra querem usar plantações de florestas para atingir as metas estabelecidas. Os autores do estudo dizem que o tratado precisaria proteger as velhas florestas e que, até agora, não há sinais de que isso esteja sendo levado em consideração.

Os negociadores irão se encontrar em novembro para discutir meios de reduzir o aquecimento global. As discussões terão por base o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, mas ainda não ratificado pelas nações signatárias.