LINHÕES

 

Energia do Linhão viabiliza projetos turísticos no Tocantins

 

Com a operacionalização da Interligação Norte- Sul, em 01/03/99, e a Subestação rebaixadora de 500 para 138 mil volts em Miracema, dia 02/08/99, o Tocantins celebrou o fim de um dos maiores entraves para o seu desenvolvimento: a deficiência no fornecimento de energia elétrica.

As quedas e oscilações, que eram uma constante e fizeram muitos empresários recuar da decisão de investir no Estado, agora fazem parte do passado. Sim, o Tocantins está vivendo uma nova realidades, com animadoras perspectivas de desenvolvimento.

 

 

A grandeza do Linhão

 

O sistema de Interligação Norte - Sul, Linhão Norte - Sul, é um dos maiores e mais modernos sistemas de fornecimento de energia do mundo. A operacionalização acontece a partir da Subestação da Eletronorte, em Miracema, cidades localizada a 80 km de Palmas, a capital do Tocantins.

Na prática, o Linhão é a ligação entre dois sistemas na tensão 500 kV, com capacidade de transmissão de 1000 MW. Ele promove o intercâmbio energético entre os sistemas Norte/Nordeste e Sul/ Sudeste/Centro- Oeste, de forma que um possa suprir a necessidade do outro, em caso de falta de energia. O empreendimento foi iniciado em fevereiro do ano passado e custou US$ 936 milhões, sendo US$ 307 financiados pelo BID, US$ 300 milhões pelo Eximbank - Japão e US$ 329 milhões com recursos próprios da Eletrobrás. A rede começa em Imperatriz (MA) e termina na subestação de Samambaia, em Brasília (DF), com uma extensão 1.277 km e 3.015 torres. A obra se divide em duas partes. Uma de responsabilidade da Eletronorte e a outra, de Furnas. O trecho da Eletronorte corresponde a 517 km e começa na subestação de Imperatriz, passa por Marabá (PA), Presidente Dutra (MA), cidades onde a Eletronorte ampliou as duas subestações, e chega ao Tocantins. Neste Estado a empresa construiu uma subestação em Colinas e outras em Miracem, passado por Gurupi, Usina Hidréletrica de Serra da Mesa, em Minaçu (GO), até Samambaia, com uma extensão de 760 km. O Linhão corta todo o Estado, seguido a dirtriz da BR- 153 (Belém - Brasília). São 517 km de extensão em solo tocantinense e 1.232 torres. O empreendimento atinge diretamente 23 municípios. O traçado do Linhão passa próximo a Palmas, capital do Estado, e da futura UHE Luiz Eduardo Magalhães, em Lajeado. É na subestação de Miracema, com transformador de 500 kV, que a energia é transformada para 138 kV, com a estação rebaixadora construída pela Celtins (Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins).

 

 

LINHÕES

 

Pela linha de Transmissão que rasga a selva em direção a 12 sedes municipais e 126 localidades, o Projeto Tramoeste se concretiza, após décadas de sobressaltos e angústias. E essa angústia era causada, sobretudo, pelo fato de o Pará abrigar a maior hidrelétrica genuinamente nacional, não oferecer energia a todo seu povo, deixando regiões inteiras à mercê de usinas dieselétricas sucateadas, ultrapassadas e sem condições de atender à crescente demanda.

Tecnologia – Ao custo total de R$ 250 milhões, divididos entre Governo Federal (através da Eletronorte), Governo Estadual e Celpa (Centrais Elétricas do Pará), o Projeto Tramaoeste é formado por nove subestações, mais de 1.000 quiloômetros de linhas de transmissão, 470 km de redes de distribuição rural e 5.300 postes em redes de distribuição urbana.

Todo esse volume de torres metálicas, cabos de alta tensão e postes vem acompanhado de um tecnologia de última geração no setor de telecomunicações: cabos pára-raios com núcleo de fibra ótica, que permitem a transmissão de dados via rede informatizada, imagens de televisão, canais telefônicos e o funcionamento de bancos com sistema on-line. Tudo isso para beneficiar diretamente uma população de 800 mil pessoas.

Grande estrela do Projeto Energético do Estado – devido ao volume de investimentos e à população atingida -, o Tramoeste capitaneia os demais sistemas de expansão de energia que estão sendo implantados no Pará. Em agosto, a região do Baixo Tocantins também começa a ser iluminada pela luz que vem da hidrelétrica. Tão próxima fisicamente – mas durante mais de uma década tão distante – a energia gerada em Tucuruí “passava sobre as cabeças”do povo dessa região, porém não estava disponível com um simples toque num interruptor doméstico.

O Linhão do Baixo Tocantins é a certeza de energia farta para os municípios de Cametá, Limoeiro do Ajuru, Mocajuba, Baião, Moju e Tailândia, além de 116 localidades situadas ao longo das rodovias PA-150, Transcametá e PA-151, onde residem cerca de 100 mil pessoas. Sob a coordenação da Eletronorte e Celpa, com apoio dos Governos Federal e Estadual, o Sistema Baixo Tocantins inclui a construção de quatro novas subestações, mais de 350 km de linhas de transmissão, 320 km de redes de distribuição rural e 2.400 postes em redes de distribuição urbana, um investimento total de R$ 35 milhões.

Outros três sistemas, cujas obras já estão em andamento, também aposentarão as usinas diese-elétricas antigas. Através do Sistema Interligado Norte-Nordeste, a energia de Tucuruí chegará aos municípios de Tucumã, Ourilândia do Norte de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará. O mesmo sistema – um investimento superior a R$6,2 milhões, elitrificará ainda os municípios de São Geraldo do Araguaia e Piçarra – este último um dos maiores produtores de leite da região sudeste.

Com o sistema Bragança-Viseu, será ampliada a oferta de energia para Viseu e áreas próximas, substituindo os sistemas a diesel.

A usina dieselétrica de Viseu, situado no extremo Leste do Estado e dono de belíssimas praias, será desativada, beneficiando cerca de 51 mil pessoas. São mais de R$ 5,7 milhões investidos nessa obra, essencial para o desenvolvimento do nordeste paraense. No município de Ulianópolis, na mesma região, a população dispõe, desde junho de 98, da energia gerada pela hidrelétrica de Tucuruí, assim como o município de Pacajá, na Transamazônica, que a partir de abril passou a contar com a energia segura, que sai da usina, passa pela Subestação de Maracajá (no município de Novo Repartimento) e chega a Pacajá.

Terceirização – Solucionar o abastecimento de energia nos municípios localizados na margem esquerda do rio Amazonas, no Arquipélago do Marajó e Alto Xingu também não era tarefa fácil. Para os habitantes dessas regiões do Estado, o racionamento de energia não era apenas um fantasma assustador: era uma realidade cruel, que bloqueava qualquer tentativa de desenvolvimento e transtornava a vida dos moradores.

Através do Projeto de Terceirização, o Governo do Estado e a empresa Guascor do Brasil, vencedora da concorrência pública, estão renovando todo o parque térmico dos municípios de Faro, Terra Santa, Oriximiná, Óbidos, Juruti, Alenquer, Monte Alegre, Almeirim, Prainha, Porto de Moz, Gurupá, Afuá, Breves, Curralinho, Oeiras do Pará, Portel, São Sebastião da Boa Vista, Muaná, Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure. São mais de R$40 milhões investidos na adaptação do espaço físico das usinas termelétricas e na compra de 82 novos grupos geradores, fabricados na Espanha. Em alguns municípios, a oferta de energia será triplicada em relação à demanda.

Longe de representar apenas o fim do racionamento de energia, renovação do parque termelétrico dessas três regiões do Pará vai proporcionar a abertura de oportunidades de investimentos, principalmente na infra-estrutura turística. Tanto a margem esquerda do Amazonas, também conhecida como Calha Norte, como o Marajó e o Alto Xingu dispõem de belezas naturais ainda pouco conhecidas, até mesmo pelos paraenses. Rios, cachoeiras, serras, parques, campos, animais, selvagens e muitas outras atrações que só a Amazônia pode oferecer aos turistas, são encontrados com fartura nesses pontos privilegiados do território paraense. Com isso, hospitais, escolas, estabelecimentos comerciais, frigoríficos, hotéis e outros segmentos poderão funcionar sem sustos, porque a energia estará garantida.