ECONOMIA - Extrativismo Vegetal           

 

Amazônia ganhará centro de  biotecnologia

 

Programa tenta atrair investidores para exploração da fauna e flora locais

 

O ministério do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e  Amazônia Legal (MMA) publicou em agosto de 1998, em Manaus, no Amazonas, o edital de licitação para as obras do Centro de Biotecnologia da Amazônia - CBA, prevista para serem iniciada este ano. Resultado de um programa orçado em US$ 60 milhões, o centro deverá ser um dos maiores do mundo em biodiversidade. O CBA consolida a fórmula encontrada pelo Governo Federal para atrair investidores estrangeiros interessados na fabricação de medicamentos e cosméticos utilizado produtos da fauna e flora amazônica. Ao mesmo tempo, incentiva novas pesquisas em conjunto com a iniciativa privada, universidades e instituições diversas. O centro faz parte do programa Brasileiro da Biodiversidade da Amazônia - Probem. Do orçamento total do programa, US$ 14 milhões serão gastos na construção do centro. O restante está destinado à exploração da fauna e flora da região, coleta de materiais e manutenção dos laboratórios. O Probem, a princípio, será realizado em pareceria com oitenta grupos de pesquisa brasileiros além de oito universidades nacionais e 15 entidades estrangeiras - dos Estados Unidos, Japão e Europa. Mas espera aumentar essa quantidade de sócios. O documento que dá base à estrutura organizacional do emprendimento, assinado na última Quinta-feira pelo ministro do Meio Ambiente Gustavo Krause, estabelece a parceria entre as empresas e entidades interessadas através de contrato diversos. Como por exemplo, investimentos diretos através de "joit ventures" voltadas para projetos específicos ao desenvolvimento de produtos e tecnologias de ambas as partes. Cada entidade a integrar o CBA, de acordo com a legislação, terá seus direitos assegurados. Terá também de respeitar compromissos múltiplos envolvendo propriedade industrial, "royalties" e demais formas de participação nos resultados dos projetos. "Trata-se de uma nova oportunidade de investimento para a Amazônia em absoluta conciliação com a floresta", explica Krause. O trabalho dará prioridade ao uso de mão-de-obra local. Consiste, ainda, numa nova alternativa econômica para a região, além da Zona Franca. O coordenador do Probem, Wanderley Messias da Costa, assegura que as estimativas são bem positivas. Segundo dados do MMA, o mercado brasileiro de cosméticos e medicamentos movimentou, em 1996, US$ 18 bilhões. Desde, 25% são provenientes de produtos naturais. O Banco Mundial também prevê, através de um estudo recente, aumento na exportação de produtos agrícolas do País através da descoberta de novas espécies vegetais capazes de adaptação fácil em solos pobres e produção de biomassa em pouco espaço de tempo. O trabalho está sendo visto, ainda, como uma forma inteligente de se combater a biopirataria (extração clandestina de espécimes animais e vegetais). "Não podemos colocar a Amazônia numa redoma de vidro e proibir a exploração da floresta por parte dos estrangeiros. Queremos que esse pessoal passe a trabalhar conosco", disse Costa. O Tribunal de Contas da União também está como os olhos voltados para a região. Simultaneamente, os ministros aprovaram uma recomendação aos dirigentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre a adoção de providências para uma política de meio ambiente mais eficiente na área, sugerido o aumento da fiscalização e revisão da tabela de preços de serviços, penalidades e licenças. (*Especial para a Gazeta Mercantil).

Mão-de-obra local terá prioridade na contratação. Será uma alternativa econômica à zona Franca de Manaus

   

 

ECONOMIA- Extrativismo Vegetal                                

 

Amazônia inspira a Rhône-Poulenc

 

(Getulio Bittencourt de Collegevile)

 A Amazônia é uma das fontes de inovação para a indústria farmacêutica. A constatação é de Michel de Rosen, principal executivo da Rhône-Poulenc Rorer - braço farmacêutico norte-americano da francesa Rhône-Poulenc. Segundo ele, experiências com plantas amazônicas estão entre as prioridades de pesquisa da companhia. Aos 47 anos, o parisiense Rosen está entusiasmado com o sucesso do "p53", o modelo de terapia genética que pode chegar ao mercado ainda este ano para combater vários tipos de câncer. 

 

A Amazônia é fonte de inovação para a cura

 

A Amazônia é uma das fontes de inovação para a indústria farmacêutica global. A Rhône-Poulenc Rorer - braço farmacêutico americano da francesa Rhône-Poulenc - acredita nisso e já pesquisando na região há anos. Segundo o presidente do conselho e principal executivo da companhia, Michel de Rosen, entrevistado em sua sede em Collegeville, na Pensilvânia, experiências com plantas amazônicas estão entre as prioridades de pesquisa da companhia, junto com terapias genéticas. Aos 47 anos, o parisiense Rosen está entusiasmado com o sucesso do "p53", o modelo de terapia genética que pode chegar ao mercado ainda este ano para combater vários tipos de câncer, usando a substituição da célula do organismo humano que supervisiona e controla a subdivisão das outras células - e que está inoperante ou desaparecida em mais da metade dos casos de câncer. Nesta entrevista exclusiva, ele discute sua estratégia no comando da empresa; o processo de inovação na indústria farmacêutica; a consolidação dos negócios a nível global, e sua teoria dual sobre o crescimento das empresas com o método da fazenda e o do caçador; e o interesse da Rhône-Poulec Rorer pelo Brasil, onde a Rhône-Poulec controla também a Rhodia.

 

Em entrevistas a imprensa especializada do seu setor, ele tem dito que existe a maneira de crescer do caçador (através de aquisições) e a do fazendeiro (interna), que a do caçador pode ser mais espetacular, porém é a do fazendeiro que dá mais frutos.

Michel de Rosen- explicou . São milhões de detalhes, sobre os quais cada empregado na companhia tem que fazer alguma coisa, dia após dia, hora após hora. Isso trás uma contribuição efetiva para a companhia, de baixo para cima. A maneira do caçador é uma decisão de cima para baixo, tomada pelo principal executivo e sua diretoria, e que de repente acontece através da compra de outra empresa. Numa fazenda, você tem desafios diários. Espera que o tempo seja bom, e ele ficam ruim, ou então o contrário. Você tem boas colheitas e más colheitas; os preços sobem e descem; há insetos, o gado fica doente. A diferença vem da qualidade do seu trabalho, e da capacidade de enfrentar os desafios esperados e inesperados.

Nosso negócio é muito similar ao do fazendeiro. Nosso trabalho farmacêutico é trazer valor para o paciente. Em meu trabalho anterior, chefiando a divisão de fibras e polímeros da Rhône-Poulenc, eu viajei freqüentemente ao Brasil, onde a Rhodia produz nylon e poliéster. Estive em São Paulo e no Rio de Janeiro, em Cabo Frio. Se você tiver sucesso produzido fibras, o que vai acontecer? As roupas das damas serão mais elegantes. Nada mau, em termos de trazer valor para o cliente. Mas no negócio farmacêutico, o resultado é mais dramático. Você pode salvar vidas. Claro que ninguém é mortal, e que todos morremos um dia; mas você pode acrescenta um, dois, vários anos de vida ás pessoas com o remédio adequado. Ou você pode mudar a qualidade de vida.

Se você olhar a história das drogas que fizeram sucesso, tanto na nossa companhia como nas outras, parece que era óbvio. Mas de fato, não apenas demora muitos anos até desenvolver uma nova droga, como envolve muitos, muitos desafios entre a descoberta e a venda no mercado. Vou lhe dar um exemplo. Nosso remédio que mais vende é o Lovenox/ Clexane, que nós vendemos no Brasil e em muitos países do mundo, usado inicialmente para prevenir tromboses profundas nas veias. Esperamos receber em breve sua aprovação para uso também contra angina. Em 1983, a Rhône Poulenc adquiri uma empresa na França que tinha esse projeto na linha de montagem, sob o codinome PK10169. Eu me tornei gerente dessa companhia. No ano seguinte, fizemos uma reunião para avaliar o projeto, e convidei o autor da idéia original. Após algumas horas de conversas, o próprio autor da idéia nos disse para encerrar o projeto. Seus argumentos: é muito difícil de fabricar, as necessidades médicas são obscuras, os testes clínicos serão muitos difíceis de organizar. Ele foi embora, e nos deixou pálidos e deprimidos. Eu era um jovem, mas decidi continuar. Desde então, tivemos que superar muitos obstáculos, mostrar porque este remédio é melhor que os competidores, levar os pacientes médicos a entendê-lo e os pacientes a aceirá-los.

Este remédio vende hoje meio bilhão de dólares por ano. É o nosso primeiro candidato a campeão de vendas capaz de fazer um bilhão por ano. Mas de fato também temos o fracassos. Com Lovenox/Clexane, os testes foram realizados em porcos, porque é baseado numa enzima desse animal. Tínhamos grande esperança em prolongar a vida de pacientes com esquizofrenia, usando uma nova droga que estava em nossa linha de montagem. Havia boas razões científicas que nos levaram a pensar assim. Ela passou bem pela fase um. Mas chegou na fase dois, sua eficácia não se mostrou forte o suficiente. Tivemos que abandoná-la. É difícil para o nosso pessoal, que passou dias e noites, meses e anos, acalentando o projeto que tivemos de abortar.

A questão-chave para criar valor para o acionista é inovação . Se você apenas copia drogas de concorrentes, qualquer um pode fazer isso. Cada projeto emprega milhares de pessoas em pesquisa, toxicologia, clínica, manufatura, aspectos legais, distribuição, finanças, comunicações e marketing por anos.

Nosso atual presidente do conselho na França decidiu que a Rhône-Poulenc tem que ser mais global. Ele herdou uma empresa que era forte na França, forte no Brasil, forte no Reino Unido, mas fraca no resto do mundo. Seu objetivo inicial foi o de fortalecê-la na América do Norte e na Ásia. A empresa que ele recebeu para administrar era também muito centralizada, com muitas decisões tomadas no centro. A idéia hoje na Rhône-Poulenc é que a melhor maneira de ser eficiente e competitivo está na descentralização. Os negócios farmacêutico e de fibras são mais independentes agora. O terceiro ponto é que nós tínhamos 130 diferentes áreas de atuação, hoje reduzimos nossa atuação para 32 - com a decisão de ver no segmento farmacêutico a mais promissora delas. Em alguns países, nossa presença era muito pequena para crescermos internamente. Por isso, aquisições aconteceram em vários países, inclusive na Alemanha e aqui nos EUA. A companhia que opero tornou-se global.

Não é a nossa prioridade hoje, embora possamos voltar a adquirir algum dia. Ao contrário de outras empresas do setor, nós não necessitamos desesperadamente de uma transação. Temos uma presença global, uma boa organização, pessoas talentos e uma linha de montagem promissora, com experimentos em estágios diferentes. Se  algum dia aparecer uma complementação com outra companhia que nos torne mais inovadores, mais competitivos, mais forte, sim, poderemos estudar um acordo.

O raciocínio é o de que não podemos estar em todos os lugares, vamos então escolher as áreas em que temos pontos fortes. Mas eu posso lhe antecipar que isso vai mudar. Quando nos encontrarmos de novo, digamos, daqui há cinco anos, tenho certeza de que algumas das áreas em que somos fortes hoje ainda estarão lá, mas outras vão mudar. Porque a estratégia no ramo farmacêutico tem que ser flexível. Vou lhe dar um exemplo. Cinco anos atrás, nós já tínhamos Lovelox, mas não dispúnhamos de idéias interessantes na área cardiovascular. Desde então, fizemos um grande esforço, colocamos muita gente em pesquisa, e hoje temos compostos muito promissores na linha de montagem para doenças cardiovasculares. Cinco anos atrás, nosso foco estava em trombose; hoje está nesses dois campos; em um ou dois anos, cardiologia pode de tornar o nosso principal foco. Outro exemplo: o sistema nervoso central da era a principal área da Rhône-Poulenc nas décadas de 1950 e 1960. Ainda temos bons produtos, Rilutek é um exemplo no combate à degeneração muscular. Se dois ou três compostos promissores emergirem no futuro, esta área pode se tornar importante outra vez para nós.

Vacinas demonstram porque a estratégia precisa ser flexível. Dez anos atrás, o mercado de vacinas era muito limitado no mundo dos cuidados com a saúde. Desde então, tem crescido mais que o resto da indústria farmacêutica. O mercado farmacêutico global está crescendo entre 6% e 7% ao ano; o mercado de vacinas está crescendo entre10% e 12%. E nós acreditamos que, dentro de poucos anos, no máximo até o ano 2005, o mercado de vacinas estará crescendo de 20% a 25% ao ano. Investimos em vacinas, porque é um mercado promissor.

Na indústria farmacêutica, durante as décadas de 1950 e 1960, a busca de remédios naturais a partir das plantas foi muito popular. Nas décadas de 1970 e 1980, esse veio ficou menos popular, visto como algo do passado. Agora era a vez dos químicos e biólogos. Mas estamos voltando à idéia de que os recursos naturais podem ser de grande valia para ajudar-nos a inventar novas drogas. Não apenas dos compostos florestais, mas também de recursos marítimos - dos peixes, para ser mais específico. Como você sabe, estamos há muito tempo no Brasil. É um país muito importante para nós, do qual gostamos, mas também e um país no qual acreditamos, que está atravessando um  período positivo, e tem uma grande população. Há vários anos estamos pesquisando o que pode ser feito para usar o recursos florestais no desenvolvimento de novas drogas no Brasil. No ano passado, assinamos um contrato com uma empresa australiana, Amrad, especializada em analisar plantas para vendê-las a empresas farmacêuticas. A Austrália é um país interessante por estar cercado de água, então sua flora é diferente, não sofre contaminação.

Eu acredito que os recursos da Amazônia estão sub-utilizados. Haverá novas fontes de inovação farmacêutica surgindo de lá dentro de poucos anos. De fato, no ano passado, nomeei um novo chefe de pesquisas, e um dos objetivos - não é o único, mas é uma das prioridades - nessa escolha justamente envolve o estudo do que pode ser feito para explorar os recursos amazônicos e gerar inovações, porque temos uma presença no Brasil, é um país que conhecemos bem.

Vejo como um dos caminhos. Deixe-me começar pelo passado. Nos negócios em geral, mas particularmente em nossa indústria, antecipar a tendência do futuro antes dos outros é fundamental. Algumas pessoas vêem a névoa, outras vêm o que está surgindo dentro da névoa como os mercados emergentes, as idéias emergentes. Algumas cientistas da Rhône-Poulenc identificaram, na metade da década passada, a terapia genética como uma fonte de inovação para o futuro. A empresa na época criou um instituto de biotecnologia, que fez muitas pesquisas para entender como o genes e as células funcionam, e o que pode ser feito para criar drogas que enfrentam doenças. Em 1993, criamos uma divisão específica, chamada Gencell, porque identificamos muitas oportunidades promissoras.

A Gencell é um conjunto de idéias simples. Porque o assunto é muito sofisticado, se você apenas tem uma rede de colaboração, não funciona. É preciso Ter um grupo de pessoas muito qualificados internamente trabalhando no projeto. Ao mesmo tempo, como você precisa de muitas tecnologias diferentes, e essas tecnologias mudam tão rapidamente, que concluímos que só com os nossos recursos internos demoraríamos muito para progredir. Então fizemos parcerias com instituições acadêmicas, instituições de tratamento de saúde e investidores de risco para criar uma rede com tecnologias diferentes. Temos 18 parcerias pelo mundo, a maior parte nos EUA e na Europa. Basicamente, há duas abordagens distintas no desenvolvimento das terapias genéticas?

Uma é chamada "ex-vivo". Eu tenho uma doença, sangue é retirado do meu sistema e colocado num laboratório para exames onde ele é tratado e depois reinserido no paciente. "In vivo" se fez diretamente, com o paciente num hospital. Fizemos experiências clínicas com as duas opções na época, e os especialistas acreditavam que o formato "ex vivo" era uma oportunidade de curto prazo, e "in vivo", de longo prazo. Isso se provocou errado. Estamos desapontados com o que se conseguiu "ex-vivo", mas entusiasmados com os resultados "in vivo". Hoje concentramos a maior parte dos esforços do Gencell na área de experiências "in vivo". O principal produto desenvolvido até agora é chamado "p53", a mais avançada tecnologia em terapia genética para combate ao câncer. Já fizermos três teste da primeira fase com ele, e vamos fase. Não é mais futurologia.

Em mais de 50% dos casos de pacientes com câncer (especialmente em ocorrências no pescoço e na cabeça, grandes ocorrências no pulmão, ovário, pâncreas, seios, próstata, colo-recto e estômago, assim como nos linfomas e melanomas), o gene "p53"sofreu mutação ou foi destruído. Esse gene é o guardião do trabalho das células: ele confere as reproduções e, quando uma célula se reproduz com alteração, o "p53" ordena que a célula danificada interrompa suas divisões temporariamente até que o problema seja corrigido, ou determina seu suicídio. Sem o "p53" para fazer a revisão, células com mutações podem se multiplicar descontroladamente, provocando câncer. O que fazemos é introduzir genes "p53" normais dentro e em torno do tumor do paciente. Nas experiências que conduzimos, o novo gene "p53" pode restaurar as funções desse gene no paciente, seja mudando ou substituindo os "p53" originais. Já fizemos experiências com seres humanos. Temos esperança de registrar essa terapia genética ainda neste ano ou em 1999. Esta é a que está mais adiantada, mas temos outras terapias genéticas a caminho, também no curto prazo.

Eu não quero chorar nem os nosso cientistas nem os órgãos regulamentadores do governo americano. O que eu posso dizer é que em alguns casos a terapia genética será usada sozinha, e em outras, junto com outras terapias contra o câncer. Nós já testamos seus resultados em alguns tipos de câncer, agora vamos testar em outros. Ano após a ano, temos visto mais e mais aplicações para a terapia genética. No câncer mais do que em outras doenças você tem que observar não apenas para a relação entre risco e resultados, mas também para a qualidade de vida. Alguns tratamentos funcionam contra o câncer, porém com efeitos colaterais profundamente desagradáveis: cirurgias, drogas que afetam também o fígado e radiação com perda de cabelos. Com a terapia genética, o combate se dá apenas na área afetada, minimizando efeitos.     

 

Acho que há algo forte por trás dessa observação por duas razões. O que trás sucesso para uma empresa é a combinação de energia e criatividade. Sem energia, nada se move. Sem criatividade, você só repete o que os outros fazem, e aí serão Bill Gates e os outros que virão com inovações. Mas criatividade não cai do céu. Você precisa de idéias novas, e algumas vezes idéias novas também são erradas. Mas idéias novas emergem de pessoas pensando de modo diferente. Se todo mundo concorda, então você deve se preocupar. Às vezes você pode Ter uma idéia melhor olhando para fora, conversando com crianças, fazendo associações inesperadas. Não se trata apenas de trazer idéias financeiras para a indústria farmacêutica. O que eu não gosto hoje a respeito da minha própria vida é que não passo tempo suficiente do lado de fora, buscando idéias novas em outras áreas.

Trabalho para que uma qualidade seja crítica para um tipo de tarefa, e outra qualidade para outra tarefa. O gerente geral de um país precisa ter algumas qualidades diferntes, por exemplo, do chefe de nosso setor de toxicologia. A Segunda é que para a maioria dos trabalhos as qualidades que procuro são as do nível de energia, a capacidade de mover as coisas para a frente; a abertura, porque algumas pessoas pensam que já sabem tudo; a capacidade de trabalhar com os outros de humor, que é um bom sinal; o rigor; o espírito do empresário, a capacidade de tomar decisões; e a especialização profissional. Eu mesmo sou um generalista, mas em comunicações, por exemplo, preciso de um especialista.

Digo duas coisas. A empresa que uso como modelo, a que mais admiro na nossa indústria, é a Pfizer. Eles usam o modelo da fazenda. Acho que podemos ser uma outra Pfizer. Não se trata de uma grande decisão só; são muitos detalhes, cuidadosamente trabalhados, que passo a passo permitem que se cheguem lá. Já fizemos bastante, mas ainda estamos construindo a empresa globalmente; em troca, não estamos cuidando do que se fez no passado, e sim colocado desafios para o futuro. E o Brasil, eu tenho muita simpatia pelo Brasil e pelos brasileiros. Os brasileiros têm algo em comum com os americanos: são pessoas positivas. Nós, franceses, às vezes somos sérios demais, até deprimidos. O Brasil é um grande mercado de mais de US$ 10 bilhões, e Ter uma presença lá é importante para nós. Não só pelo nosso trabalho lá, mas também pelo que podemos fazer, exportando para outros países da região. Os brasileiros às vezes se subestimam. Temos muita gente boa trabalhando para nós lá.

 

ECONOMIA Extrativismo Vegetal

         

 

A Amazônia na sua vida

• A empresa inglesa Body Shop compra o Óleo Da Castanha- Do- Pará extraído pelos índios caiapós e o emprega na fabricação de cremes para a pele e xampus.

• A fábrica norte- americana aveda produz cosméticos utilizando o Urucum, um corante vegetal extraído da Floresta Amazônica.

• O Couro Vegetal usado na confecção das bolsas da famosa grife Hermès  é resultado do trabalho das tribos kaxinawá e uawanawá, do Acre.

Mogno e Angelim são as madeiras mais procuradas e, portanto, mais ameaçadas.

• O xampu com creme de Babaçu da empresa L'Oreal é sucesso de venda em Paris. 

  Há cerca de dois anos, sucos, vitaminas e sorvetes de Açaí entraram no cardápio dos brasileiros. Mas há séculos os povos da Amazônia já desfrutavam outras delícia dessa palmeira amazônica: seu palmito.

• O sofisticado perfume chanel N° 5 tem em sua fórmula o Pau - Rosa da Amazônia. A árvore está ameaçada de extinção.

• Os encontros de cabeça dos caminhos Mercedes- Benz são fabricados com Fibra de Coco.

• O princípio ativo do Flaxedil, um relaxante muscular fabricado pela Rhodia, é baseado uma solução venenosa fabricada  pelos índios a partir de Extratos Vegetais.

• A Pilocrapina é extraída do Jaborandi e empregada na produção de medicamentos para tratamento de glaucoma.

 

 

ECONOMIA – Extrativismo Vegetal      

 

Mercado Futuro Feira mostrou em São Paulo o potencial de novos negócios que aliam preservação da natureza e lucros

 

Amazônia busca parceiro para ecoproduto  

 

Camu-camu, jarina e andiroba. Já ouviu falar? Se não, pode estar perdendo o bonde do ecomercado. A Expoamazônia 98, feira realizada de  25 a 29 de julho de 1998 no Pavilhão da Bienal em São Paulo, mostrou o que a região tem para vender sem depredar a floresta.

Para quem não sabe, camu-camu é um fruto nativo da Amazônia que tem 1,5 mais vitamina C que a acerola e 65 vezes mais do que o limão. Jarina é uma palmeira cuja semente é similar ao marfim, sem o sacrifício animal. Andiroba é uma árvore da qual se extrai um óleo que pode ser usado como protetor solar, repelente ou aplicado em luxações.

A novidade não se resume aos produtos. A Expoamazônia teve a finalidade  implantar no Brasil um novo gênero de ecologia - o econegócio ou ecobusiness. É um tipo de empreendimento que associa preservação ambiental, desenvolvimento sustentado e, o que seria uma heresia para ecoxiitas, lucros.

“A melhor forma de proteger a floresta é ganhar dinheiro”, disse  Fábio Vaz de Lima, secretário-executivo do GTA (Grupo de Trabalho Amazônico), rede que reúne 355 entidades da Amazônia e está organizou" a feira.

“O desafio das ONGs (organizações não-governamentais) é se transformar em microempresa, mas com lucros sociais”, disse Eugênio Scannavino Netto, um médico que desenvolve um projeto de saúde na região de Santarém (PA).

 

Ecologia de resultados         

 

A equação de Lima é simples. Se as populações ribeirinhas, índios, pescadores, seringueiros e extrativistas não conseguirem se sustentar com negócios ecologicamente corretos, a floresta corre risco. Miséria implica destruição.

Para eles se viabilizarem economicamente, precisam de parceiros para criar produtos, marcas, design e distribuí-los nos principais mercados do país. É o que a feira estábuscou.

“Acabou o momento de ficar sós nas denúncias. Chegou a hora de apresentar propostas para viabilizar o homem da Amazônia”, disse Claudionor Barbosa da Silva, um pescador da Ilha de Marajó que preside o GTA.

O subtítulo da Expoamazônia mostra o tipo de proposta buscada: Feira Internacional de Ecoprodutos, Tecnologias Brandas e Desenvolvimento Sustentável.

A fase de denúncias está cedendo espaço às propostas porque já há projetos bem sucedidos que conjugam preservação e lucros.

A febre de consumo de açaí talvez seja o melhor exemplo (leia texto abaixo). Com a abertura do mercado Rio e São Paulo para o creme da fruta, a palmeira voltou a ser cultivada.

“O caboclo que destruiu o açaizal para criar gado teve prejuízo. Agora está todo mundo plantando açaí de novo no Pará”, conta Avelino Ganzer, um gaúcho que migrou para a Transamazônica em 1972 e tem terras em Rurópolis, sudoeste do Pará.

A retomada do açaí tem razões econômicas. Estudo do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos prevê que as vendas de açaí devem alcançar R$ 35,5 milhões no ano de 2000 e ultrapassar um produto clássico como a castanha-do-pará. Em 1994, a exportação de castanha rendeu US$ 22,1 milhões.

Outra pesquisa, sobre opções de investimentos na Amazônia, projeta um faturamento anual de US$ 56 mil para quem investir US$ 11.300 no plantio de cinco hectares de açaí.

Essa pesquisa foi patrocinada pelo Ministério do Meio-Ambiente e envolveu entidades tão díspares quanto o Grupo de Trabalho Amazônico, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a Comunidade Solidária e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), entre outras.

Foi estudada a viabilidade de 17 produtos  - (copiar quadro)

A jarina, o tal marfim vegetal, pode render US$ 324 mil por ano e exige um investimento de US$ 50.700, segundo o estudo. No Equador, a jarina ocupa o terceiro lugar no ranking de exportações.

 

Desinformação e preconceito           

 

A pergunta óbvia é: se os resultados projetados são tão especuladores, por que o empresariado da Amazônia não se interessa por esses negócios?

É por desinformação e preconceito, segundo o economista Francisco de Assis Costa, do Núcleo de Altos Estudos da Amazônia, da Universidade Federal do Pará.

“As elites do Norte desprezam o conhecimento do cabloco e não investem nos produtos da floresta. Prefere plantar soja, que acaba com o solo em quatro anos”, disse Costa.

Há preconceito, mas não é tão simples assim. Existe necessidade de investimento em pesquisa - e aí os riscos são imponderáveis. O camu-camu, por exemplo, é hospedeiro de uma série de pragas que são minimizadas quando a fruta é encontrada na floresta.

Mas o cultivo do fruto pode ser problemático porque não é fácil neutralizar as pragas da planta, segundo o agrônomo Sidney Ferreira, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Tanto que os Estados Unidos e o Japão querem importar o fruto, mas não há oferta suficiente, afirma Ferreira.

Uma empresa norte-americana começou a produzir tabletes a base de camu-camu, o Camuplus, e teve de desistir do produto porque não conseguia encontrar fruta suficiente no mercado.

É esse tipo de nó que a Expoamazônica quisdesatar.

 

Vendas do açaí crescem em até 6.400%

 

A explosão de consumo de açaí mostra o que pode acontecer com produtos amazônicos quando há a combinação de apelo à saúde, gosto palatável, boa distribuição e propaganda gratuita da novelas da Rede Globo.

Não há números globais, mas há distribuidores que aumentaram suas vendas de açaí em 6.400% nos últimos cinco anos.

É o caso da Bela Ischia, empresa do Rio que é uma das gigantes do açaí. Em 1994, quando o creme da fruta era consumido só por lutadores de jiu-jitsu e fanáticos da malhação no Rio, a distribuidora vendia 2 toneladas por mês de polpa. Em março de 1998, a empresa bateu seu recorde - vendeu 131 toneladas.

“Nem com a acerola foi assim”, conta Marcelino Tilli, um dos sócios da Bela Ischia. Hoje, o açaí é a fruta mais vendida pelo atacadista, à frente de morango, maçã e pêra. Segundo ele, o Rio consome cerca de 350 toneladas por mês de açaí.

Em São Paulo, as vendas num dos maiores distribuidores, chamado O Poderoso açaí, cresceram 1.025% em menos de um ano. Criada em maio de 1997, a empresa começou vendendo 4 toneladas. Em março de 1998, alcançou 45 toneladas, segundo Fabíola Patrícia Fonseca José, dona da empresa.

Estudo do economista Luis Guimarães, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará, prevê que o faturamento com vendas de açaí vai ultrapassar o da castanha-do-pará em dois anos.

“Sem o açaí estaríamos falidos”, conta Rui Erinaldo da Silva, gerente da Copama (Cooperativa Agrícola Mista da Amazônica).

A cooperativa foi fundada há 20 anos para trabalhar com pimenta, passou para o mamão, o melão e depois para a acerola.

“Quase falimos porque os outros Estados passaram a cultivar esses produtos e tinham preços melhores porque estavam mais perto do mercado do Rio e São Paulo”, diz Silva. Como o açaí é nativo da Amazônia, esse risco é menor.

O crescimento exponencial deve-se ao fato de o açaí ser um bom negócio para todos os elos envolvidos. O ribeirinho vende a lata de 7 Kg em Belém por R$ 2 na época da safra. A fruta é beneficiada e o quilo da polpa chega aos bares por R$ 4. Um prato de açaí, com xarope de guaraná, granola e cerca de 100 Kg de açaí custa, em média, R$ 5 em bares de São Paulo.

Caso se levasse em conta só o preço da fruta - o que é uma simplificação porque há custos de transporte, de beneficiamento e da operação do bar -, o açaí sofre um aumento de 17.757% no trajeto entre Belém e São Paulo.

O sucesso do açaí pode provocar um efeito colateral na dieta dos moradores da Amazônia. No Pará, por exemplo, a fruta faz parte da dieta básica e é comida com tapioca ou camarão. Com o aumento de vendas para a região Sudeste, pode faltar açaí no Pará. 

 

ECONOMIA - Extrativismo Vegetal          

 

Azeite do Amapá

 

A indústria Francesa Provence Résine fechou uma parceria com a Colaja (Cooperativa Extrativista do Laranjal do Jari), costurada pelo governador do Amapá, o zootecnista João Alberto Capiberibe (PSB), para produzir azeite de castanha extraída da floresta amazônica de maneira ecologicamente correta, sem destruição.   Em agosto de 1998 enbarcou para a fábrica da Provence, em Montpellier, no interior da França, um lote de 15 toneladas da amêndoa desidratada para ser transformada em 7,5 toneladas de azeite. Para chegar à mesa dos consumidores europeus e brasileiros em três meses, inicialmente para testes de mercado. Se tudo der certo a Colaja e a Provence instalam uma fábrica no Amapá no regime de joint venture.

 

ECONOMIA – Extrativismo Vegetal 

 

Pesquisa biotecnológica na Amazônia

 

Tem início o estudo da biodiversidade com fins econômicos   

 

O governo federal lançou em 3 de novembro de 19970, em Manaus (AM), a pedra fundamental do Centro de Biotecnologia da Amazônia, que será construído numa área de 24 mil metros quadrados dentro da Zona Franca de Manaus (ZFM). O centro faz parte do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia (Probem), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e tem orçamento previsto para os próximos cinco anos de US$ 55 milhões.

O Centro vai se concentrar em pesquisas de prospecção para o aproveitamento industrial de curto e médio prazos dos recursos biológicos ainda não explorados na região Amazônica. Os laboratórios especializados a serem construídos, nos próximos cinco anos, estarão voltados para pesquisas nas áreas de germoplasmas, biologia molecular, fitoquímica, venenos animais e de interação inseto-planta e inseto-inseto. Eles estão vinculados à Rede Nacional Associada de Laboratórios.

O vice-presidente Marco Maciel, que participou da solenidade de descerramento simbólico da pedra fundamental das obras do Centro, disse que um pólo de bioindústria da Amazônia chega em boa hora para conter a biopirataria na região. Não há números disponíveis sobre suas ocorrências, mas o governo acredita que ela é imensurável face à biodiversidade da região. De acordo com o MMA, a Amazônia representa pelo menos a metade de todas as espécies de organismos dos planeta, cujo total no mundo é estimado entre 5,0 e 30,0 milhões, das quais 1,5 milhão já classificadas.

O futuro pólo bioindustrial da Amazônia estará localizado dentro da Zona Franca de Manaus por questões estratégicas. A idéia do governo é de que, à medida que as pesquisas se desenvolvem, o empresariado nacional e internacional passe a investir nas novas vocações econômicas descobertas pelo Centro de Biotecnologia da Amazônia, tais como novos produtos farmacêuticos, bioinseticidas, enzimas de interesse biotecnológico, óleos essenciais, polimentos desagradáveis, anti-oxidantes, corantes naturais e aromatizantes.

Segundo o secretário de coordenação da Amazônia do MMA, José Seixas Lourenço, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), enquanto agências de desenvolvimento regional, terão um papel decisivo nesse programa, em todas as suas fases. “A Suframa dispõe de mecanismos fiscais que poderão ser amplamente utilizados para, a partir das atividades desse Centro, desenvolver um pólo bioindústria voltado para o aproveitamento racional dos recursos naturais da Amazônia”, disse.

O orçamento previsto para a implantação do Centro de US$ 55 milhões será aplicado em instalações físicas, equipamentos laboratoriais e recursos humanos. Uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, estará habilitada a obter financiamentos e doações, considerados pelo governo como necessários para o custeio do empreendimento. As atividades paralelas do Centro envolverão a criação de um banco de dados, estudos de mercado, captação de fundos, transferência de tecnologia, patentes e certificação de produtos.

O governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), disse que a construção de um pólo bioindustrial em Manaus abre um novo ciclo econômico na região. O primeiro, citou ele, foi o extrativismo, o segundo veio com a ZFM e o terceiro inicia agora com a busca e identificação das vocações econômicas de região. Para Amazonino, o modelo da ZFM serviu à região e ao País durante 30 anos, mas chegou o momento de reciclar e acompanhar o desenvolvimento econômico e tecnológico da era da globalização. Hoje, segundo ele, Manaus vive apoiada numa “economia artificial”, como ele definiu a ZFM.                   

      

ECONOMIA – Extrativismo Vegetal      

 

Senado vota lei contra pirataria genética

 

Projeto visa a evitar que a Amazônia continue a fornecer matéria-prima de graça para a indústria farmacêutica mundial

 

Um sapo amazônico é a mais nova estrela das Laboratórios Abbott, em Illinois (EUA). “E. tricolor” – diz a placa de identificação. Epipadobates tricolor, é o nome dele. Nos últimos  dias ajudou a multiplicar as perspectivas de lucro do Abbott, um dos gigantes mundiais do setor químico-farmacêutico. Cientistas do grupo anunciaram a revista Science, a “bíblia” dos pesquisadores norte-americanos, a síntese de um novo composto (ABT-694) a partir de uma toxina extraída da pele desse sapo amazônico.

Descreveram o E. tricolor como a chave da porta para toda uma nova geração de analgésicos, do tipo inibidor da dor crônica e sem os efeitos colaterais característicos dos derivados do ópio (depressão respiratória, constipação e dependência química). A nova droga é duzentas vezes mais potente que a morfina, a rainha secular dos analgésicos.

A “ajuda” do sapo amazônica ao Abbott vai muito além do tubo de ensaio. Ele deu ao grupo vantagem estratégica sobre a concorrência, que há pelo menos uma década mantém pesquisadores no oeste da Amazônia caçando sapos e catalogando suas secreções. Apostavam na pele de P. bicolor, ou Phyllomedusa bicolor, coletado em áreas indígenas na fronteira do Brasil com o Peru.

Nessa milionária disputa da indústria farmacêutica mundial, o Abbott saiu no frente: registrou a patente do analgésico. É um novo caso de multiplicação de lucros privados a partir da exploração do patrimônio genético da floresta Amazônica, onde matéria-prima é grátis.

Mas o Senado indica que assim será mas por pouco tempo. Prevê para breve a votação da Lei da Biodiversidade, que estabelece instrumentos de controle do acesso, no país, aos recursos biológicos e seus derivados. O governo pretende que o projeto seja votado pela Câmara .

Com a lei, todos recursos genéticos disponíveis no País e o conhecimento a eles associados – incluindo o das populações indígenas – são classificados como bem públicos “de uso especial”. Para efeitos jurídicos e econômicos passam a ser tratados como mercadoria, a exemplo do petróleo, da soja ou de um analgésico. “É, com certeza, a legislação autoral mais importante depois da Lei de Patentes” – definiu o ministro do Meio Ambiente , Gustavo Krause (PFL).

O projeto vem sendo maturado a meia década, como sucedâneo da Convenção da Biodiversidade, assinada por 152 países durante reunião da ONU no Rio, em 1992. Esse acordo deu aos países detentores de reservas naturais com grande diversidade biológica a base jurídica internacional necessária à produção de suas próprias leis de controle do patrimônio genético. Mas, desde a Rio-92, os Estados Unidos evitam reconhecê-la: nos EUA estão os principais centros mundiais de pesquisas genéticas.

A proposta inicial nasceu pelas mãos da senadora Marina Silva (PT). Foi modificada numa longa negociação entre o governo , o Senado e quase uma centena de organizações não-governamentais. Mas as empresas e suas entidades mantiveram-se à margem. “Não apareceram nem mesmo nas inúmeras audiências públicas”, nota a senadora, acrescentando: “Talvez achem que o texto negociado foi bem adequado às suas necessidades”.

Na vida real, o motivo é outro. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), os interesses das empresas em operação no Brasil ainda se concentram na reprodução dos processos já conhecidos síntese químico-farmacêutica.

Só a poucos meses a Abifarma começou a avaliar o potencial do mercado brasileiro para negócios nas áreas de farmacologia, genética e biotecnologia. Analisam-se parcerias entre universidades e empresas locais, subsidiárias de transnacionais. No alvo, a produção de vacinas.

Efeitos da divisão internacional do mercado. Pesquisa e desenvolvimento de tecnologia ficam nos laboratórios centrais, situados no exterior. Já a reprodução dos processos industriais patenteados é operação regionalizada.

Assim, a reserva genética tropical se mantém como uma grande mina biológica, cuja prospecção é tarefa dos centros de pesquisas estabelecidos nos Estados Unidos, Europa e Japão. Nela estão disponíveis mais de 55 mil espécies de plantas, 428 diferentes mamíferos e, pelo menos, 1,6 mil aves, como atesta o World Conservation Monitoring Center no seu catálogo biológico mundial.

Nesse reservatório de genes, florescem oportunidades. O químico Conrad Gorinsky percebeu. Viveu duas décadas em Roraima, cuja fronteira norte é povoada pelos índios Wapixana. Há algum tempo Gorinsky trocou Boa Vista por Londres, onde chegou à presidência da Fundação para a Etnobiologia.                

No final do ano de 1997, conseguiu do Escritório Europeu de Patentes o direito de propriedade intelectual, em escala mundial, sobre dois compostos farmacológicos originários de plantas da Amazônia, cujos usos pertencem à tradição dos Wapixana: o anticoncepcional Rupununine, extrato de sementes do arbusto Biruru, ou Octotea rodioei (patente EP 610060), e o estimulante do sistema nervoso Cunaniol, extraído do Cunani, ou Clibadium sylvestre (patente EP 610059).

Dono dos direitos de exploração dos compostos farmacológicos, Gorinsky montou a BioLink em parceria com o grupo canadense Geenlight. Desde novembro negocia a produção comercial com Glaxo e Zêneca, dois gigantes mundiais da quimíco-farmacêutica.

Uma investigação do Senado,  sobre casos de biopirataria demostrou que o certificado emitido pelo Escritório Europeu de Patentes explicita o uso tradicional do Rupununine pelos Wapixana como contraceptivo oral. É aplicável, também, no controle de tumores em processos de câncer e AIDS. Já o cunaniol é eficaz como anestésicos nas cirurgias em que é necessário a paralisação do sistema cardíaco.

Plantas, animais, grupos humanos geograficamente isolados, ou de maior homogeneidade genética, estão no alvo central das empresas especializadas em biotecnologia. Há razões econômicas muito objetivas. No mercado norte-americano os direitos sobre um único gene útil para pesquisas sobre obesidade têm sido negociados por US$ 70 milhões, na média.      

O potencial de lucro levou o grupo Axys Pharmaceuticals à região serrana do Rio de Janeiro. Desde outubro de 1997, uma família de Petrópolis, com 170 pessoas de ascendência suíça, compõe o grupo de cobaias da sua pesquisa de isolamento do gene da asma.

Entre os coordenadores do projeto está o geneticista gaúcho Noé Zamel, do Instituto de Pesquisas Lunnenfield, vinculado ao Hospital Mount Sinai, da Universidade de Toronto (Canadá). A Axys é uma espécie de consórcio de bioprospecção de 11 dos maiores laboratórios privados do planeta, todos envolvidos na investigação genética da obesidade, osteoporose e esquizofrenia.

A lei que o Senado está preparando tende a mudar a forma de operação dos laboratórios no mercado brasileiro. Ela não apenas define a biopirataria como crime. Também cria mecanismos de contratação, pelas empresas, do acesso aos recursos genéticos disponíveis e aos conhecimentos a eles associados. Plantas, animais e genes humanos passam a ser caracterizados como mercadoria de valor estratégico. Como já acontece na vida real.      

 

Empresas aguardam novo texto

 

Regulamentação muda a prospecção do material genético da Amazônia

 

Algumas empresas decidiram suspender investimentos no Brasil até que o Congresso edite a Lei da Biodiversidade. É o caso da Shaman Pharmaceuticals, da Califórnia, especializada em bioprospecção em áreas indígenas, que já classificou mais de sete mil espécies de plantas amazônicas.

Quatro anos atrás, a Shaman conseguiu a patente do princípio ativo de uma planta conhecida como Sangue de Drago. Nós catálogos de botânica essa planta leva o nome de Croton lechieri. O gênero é comum no Peru, Equador e Brasil, onde é encontrada em matas secundárias, nas zonas úmidas e alagadas. Índios de diferentes tribos costumam usar seu látex como medicamento cicatrizante e anti-viral, aplicável nos casos de doenças pulmonares, herpes genital e holsten.

A Shaman registrou o princípio ativo da planta, um alcalóide chamado taspina, que não é sintetizável em laboratório mas somente extraído a partir do látex. Pretende empregá-lo, também, em medicamentos usados na terapia da diabetes e da diarréia associada ao vírus da AIDS. Sua estimativa é de um mercado potencial de 26 milhões de pessoas, apenas no continente americano.

Como as reservas naturais da planta estão abaixo da linha do Equador, a Shaman projetou uma vasta plantação de Croton no Mato Grosso, para abastecer seu laboratório californiano. Chegou a treinar índios da região nos métodos de extração do látex, aperfeiçoados a partir da técnica tribal.

No final do ano de 1997, optou pelo recuo no empreendimento até a aprovação da lei pelos congressistas. Do  projeto da senadora Marina Silva (PT-AC) . A empresa comunicou sua decisão à comissão parlamentar que investigou casos de biopirataria no País. Aparentemente, preferiu o custo da espera, diante de potenciais riscos numa atividade ainda sem lei, onde a pirataria prevalece. Manteve coerência com seu método singular de operação nas áreas indígenas, que tangecia os princípios da Convenção da Biodiversidade.

Ao contrário da maioria, que simplesmente se apropria dos recursos genéticos e conhecimentos associados, a Shaman mantém uma fundação para distribuir às tribos envolvidas os benefícios econômicos resultantes de suas pesquisas. Mas retém a propriedade intelectual integral sobre os medicamentos que produz. E não vincula as atividades da sua fundação com as das quais extrai os conhecimentos que lhe permitem chegar a novas drogas.

A lei em preparação no Senado prevê um mecanismo jurídico novo para tais casos. É o “Contrato de Acesso”. Ele fixa as condições de acesso e posterior utilização dos recursos genéticos, seus derivados e o conhecimento a eles associados, “para fins de pesquisa, desenvolvimento, difusão, conservação ou aproveitamento comercial”.

É uma situação diferente daquela em que se meteu uma outra empresa da Califórnia, a International Plant Medicine Corporation. Ela patenteou um cipó amazônico de propriedades terapêuticas e efeitos alucinógenos usados em cerimônias religiosas por mais de 300 tribos da Amazônia. É como se os índios requeressem a patente da hóstia usadas nas missas católicas ou do processo kosher que os judeus adotam na purificação de seus alimentos.

A planta é usada como Oasca, da lado brasileiro, ou Ayahuasca, do lado hispânico da Amazônia. Os catálogos de botânica identificam como Banisteriopsis caapi.seitas como o Santo Daime, desde a década de30, distribuem aos fiéis na forma de chá como sacramento nos seus ritos de “purificação”. O presidente da International Plant, Loren Miller, acabou sendo declarado “inimigo” pelo Conselho de Organizações Indígenas da Amazônia, com sede em Quito (Equador), que representa interesses de tribos de nove países da região.

O conselho decidiu: “Proíbe-se a sua entrada e a de qualquer funcionário ou técnico da IPMC em qualquer comunidade indígena amazônica, sem responsabilidade pelas conseqüências para sua integridade física” – anunciou a entidade em comunicado, ao mesmo tempo em que recorreu aos tribunais dos Estados Unidos para anular a patente.

Um dos aspectos centrais dessa fragilidade exposta pelo Brasil no domínio de seus recursos genéticos é a rarefeita atividade de pesquisa científica nacional na Amazônia. Há uma lei de proteção da biodiversidade a caminho, mas o País continua sem ter na área-alvo o mínimo necessário de pessoal qualificado.

Com cinco milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia tem apenas 500 doutores. Significa um para cada 10 mil quilômetros quadrados, área que para ser vasculhada, na média de 68,5 hectares por dia, consumiria 40 anos de trabalho ininterrupto de qualquer pesquisador. Além disso, não há sequer uma política de investimento de recursos públicos em pesquisa e desenvolvimento na região. O Norte brasileiro tem 7% da população do Brasil, recebe 2,09% das bolsas de estudo e 2% dos recursos destinados à Ciência pelos cofres públicos. Já o Sudeste concentra: tem 43% da população, recebe 62,9% das bolsas e 67% dos recursos para pesquisa científica.

A maior empreitada de pesquisa na floresta tropical continua sendo o acordo do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA) com o Smithonian, dos Estados Unidos, em pastagens na bacia do Juruá, a 70 quilômetros de Manaus. Um de seus articuladores é Thomas Lovejoy, assessor especial da Casa Branca.

O projeto, em operação há 20 anos, foi tema de estudo de um analista de Ciência e Tecnologia do INPA, William Nazaré Gama. Ele notou que raras são as publicações das dezenas cientistas estrangeiros envolvidos no empreendimento, financiado por empresas privadas (Citibank e McDonald’s, entre outros). Os resultados das pesquisas são retidos, a pretexto da proteção da propriedade intelectual. Gama constatou, também, que a área tornou-se base de exportação legalizada de plantas, anfíbios e mamíferos para centros de bioprospecção e universidades agregadas ao Smithonian.

O governo federal  organizou a montagem de mega-laboratório de pesquisas na Amazônia. O plano está avançado. A burocracia deu-lhe um nome quilométrico: “Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia”. O Probem, como é chamado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, despertou interesse imediato de uma dezena de instituições científicas nacionais e quase uma centena de organizações estrangeiras.

Prevê a construção de um conjunto de cinco laboratórios, em Manaus para pesquisas em :

. Germoplasmas - com sistemas de criogenia para conservação de tecidos e catálogos de genes;

. Biologia Molecular – com estrutura de isolamento, caracterização e sequenciamento de DNA e RNA; clonagem, cultura de células e/ou tecidos; microscopia eletrônica de transmissão e varredura;

. Fitoquímica – com infraestrutura de extração e purificação de moléculas orgânicas de baixo peso; base de espectroscopia e síntese orgânica;

. Venenos Animais – com sistemas de purificação para microgramas e nanogramas; bioensaio de farmacologia básica e de ensaios “in vivo”;

. Interação Inseto-Planta – com estrutura de micro-caracterização de moléculas orgânicas de baixo peso, sobretudo as de natureza volátil; sistemas de baixas temperatura e de síntese orgânica.

 

O projeto do mega-laboratório e a Lei da Biodiversidade, são conseqüências da dinâmica de um mercado novo, no qual 1,5 mil empresas norte-americanas de biotecnologia têm somado lucros superiores a US$ 10 bilhões ao ano. Quatro em cada 10 novos medicamentos que têm lançado contêm substâncias ativas derivadas de plantas típicas de florestas tropicais. A Amazônica é a maior delas.

 

Negócios na selva

(Mercado livre de material genético no Brasil multiplica lucros de empresas e laboratórios) 

 

BioLink

Fundação para Etnobiologia  

Sementes de Biruru e Cunani

 

O químico Conrad Gorinsky, presidente da fundação para Etnobiologia, de Londres, conseguiu do Escritório de Patentes Europeu o direito de propriedade intelectual em escala mundial sobre dois compostos farmacológicos originários de plantas da Amazônia, cujos usos pertencem à tradição dos índios Wapixana, de Roraima. Tratam-se das patentes EP 610060, para o Rupununine (extraída de sementes do Biruru ou Octotea rodioei), e EP 610059, para o Cunaniol (extraída da Cunani, ou Clibadium sylvestre). O Rupununine tem aplicações anticoncepcionais. O Cunaniol é estimulante do sistema nervoso. A empresa BioLink, sociedade de Gorinsky com o grupo canadense Geenlight, tornou-se a dona dessas patentes e negocia a produção em escala comercial com os laboratórios Glaxo e Zêneca, gigantes a químico-farmacêutica.  

 

Axys Pharmaceuticals

Gene da asma

Sua pesquisa para isolar o gene da asma tem como cobaias uma família de cerca de 170 pessoas, de ascendência suíça, que vivem na região de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A pesquisa, em diferentes comunidades nos cinco continentes, foi iniciada pela Sequena Therapeutics, que apostou US$ 70 milhões. A Sequana está se unindo à Arris Pharmaceuticals, da Califórnia. Da fusão, negócio de US$ 160 milhões, nasce a Axys Pharmaceuticals, voltada para prospecção de genes da asma, da obesidade, da osteoporose , da esquizofrenia e da maníaco-depressão. Os sócios na empreitada são a Boehringer Inghelheim (Alemanha), Glaxo-Welcome (Reino unido), Novartis (Suíça), Merck  (Estados Unidos), Bayer (Alemanha), Pharmacia & Upjohn (Suécia), Amgen (Estados Unidos), Abbott (Estados Unidos), Warner-Lambert (Estados Unidos), SmithKline Beecham ( Estados Unidos), e Hoffman-Roche  (Suíça).

 

Johnson & Johnson

Produtos florestais em geral

 

Mantém acordo de pesquisa com Faculdade de Farmácia de Ribeirão Preto (SP). Propôs acordo idêntico à Universidade do Amazonas, que recusou que todos direitos de publicação, patente ou de processos industriais desenvolvidos a partir das pesquisas passariam a ser de propriedade da Johnson.         

 

Couro Vegetal da Amazônia S.A

Látex

 

O empresário carioca João Augusto de Andrade Fortes tornou-se o único proprietário da patente de invenção do “couro vegetal”, originalmente desenvolvido pelos seringueiros do Acre. A patente foi concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), sob o número PI94029083, classificação internacional sob o código D06N003/000. É um caso raro de empresa privada que, a partir de uma tecnologia tradicional, conseguiu reunir uma grande quantidade de parceiros, tanto governamentais como não-governamentais, na produção, aperfeiçoamento e comercialização de um produto tipicamente amazônico. E, no final, ainda ficou com todos os direitos de propriedade. O couro vegetal é vendido com marca registrada (Treetap). Tem aplicação crescente em produtos do Greenpeace, Depp & C.O, Rainforest Action Network, entre outros. Desde o ano de 1997, quando seu registro de patente do processo indígena tornou-se público, Fortes passou a enfrentar problemas com organizações ambientais.

 

Shaman Farmaceuticals

Croton ou Sangue-de-Drago, planta

 

Essa empresa da Califórnia (EUA) já estudou e catalogou sete mil plantas típicas da floresta Amazônica com potencial de aplicação na indústria químico-farmacêutica. Deteve-se na espécie sangue-de-drago, ou Croton Iechieri, para produção de remédios usados no tratamento de doenças pulmonares, herpes genital e holsten, entre outras. Dedica-se, também, a testes com princípios ativos aplicáveis em medicamentos para terapias de seqüelas da AIDS, como a diarréia e diabetes. A estimativa da Shaman Phamaceuticals é que este remédio tem um público potencial de 26 milhões de pessoas no continente americano. A empresa estava montando uma área específica para cultivo do cróton no Mato Grosso, resolveu esperar a aprovação da Lei da Biodiversidade pelo Congresso.

 

Dow Chemical

Bristol Labs

Warner-Lambert / Park Davis

Microorganismos

 

Os balcões da American Type Culture Collection (ATCC) exibem microorganismos patenteados pôr esses laboratórios, depois de coletados na Amazônia. São vendidos ao preço médio de US$ 500,00 a cultura.

 

Genes de índios

 

Realizam pesquisas e venda de culturas células, amostras e coleções de DNA de índios brasileiros, como os das tribos Karitiana e Suruí, de Rondônia. Índios Karitiana e Suruí, de Rondônia, tiveram sangue coletado para compor banco de DNA da Coriell Cell Repositories, que vende até pela Internet (US$ 5,00 a cultura).

 

Bem & Jerry’s

Frutas amazônicas

 

Há sete anos mantém no mercado norte-americano o “Rainforest Crunch”, um sorvete crocante “da floresta tropical”. O sorvete é o carro-chefe da empresa. Custa mais caro do que a maioria dos similares porque, supostamente, é um produto “politicamente correto”. Ben & Jerry’s, de Vermont (EUA), lucrou US$ 4 milhões em 1996. Só cm sorvete.

 

Tawaia S.A

Exportação de sementes

 

Essa empresa de Cruzeiro do Sul (AC) especializou-se na exportação de sementes amazônicas. Exporta cerca de 600 quilos anuais de sementes dos mais variados tipos: amarelinha, aricuri, bálsamo, canfista, cedro branco, copaiba, jarina, limãozinho, manixi-da-terra-alta, manixi-da-várzea, marfim, mógno, mulateiro, mulungu, mutumba-mel, mutumba-voadora, orelha-de-negro, pãma, patoá, tanimbuca, entre outras.

 

Nikko Chemicals Co. Ltd.

Carjuru e Andiroba

 

Essa empresa japonesa está pesquisando extratos de Carjuru (Arbidaea chica) e Andiroba (meliaceae), entre outras espécies amazônicas, para uso na produção de cosméticos.

 

Aveda Cosméticos

Jenipapo e Urucum

 

Essa empresa de Rio Branco (AC) vem negociando com comunidades indígenas a extração do pigmento azul do jenipapo bem como o fornecimento e o processamento do urucum para aplicação na formulação de cosméticos. Os índios Yawanawa, no Acre foram os primeiros a fazer um acordo com a Aveda. Teriam recebido US$ 150 mil pôr seu trabalho no fornecimento de urucum. Já os índios Guarani-Kayowa, do Mato Grosso do Sul, teriam obtido US$ 51 mil dólares na extração do azul do jenipapo.

 

Fox Chase Cancer Center

Quebra-Pedra, planta

 

A Fox, da Filadélfia (EUA) registrou a patente da planta Phyllantus niruri Linn, do gênero filanto, conhecida como Quebra-Pedra, que tem aplicações terapêuticas específicas contra a hepatite B. Esse gênero de planta é comum na Amazônia. Suas qualidades terápicas sobre complicações hepáticas e renais há muito são conhecidas de índios e cablocos amzônicos que a chamam de Quebra-Pedra, numa alusão aos seus efeitos no tratamento de “pedras” nos rins. A ação específica da Quebra-Pedra contra a hepatite B, da mesma forma, há bastante tempo é reconhecida na área científica.

 

Phyto Pharmaceuticals Inc.

Produtos Farmacêuticos Siemens

Universidade de Roma, Instituto de Farmacologia Médica

Plantas e animais

 

A Phytos habitualmente convida cientistas do Brasil, China e Tailândia para “colaboração em pesquisa”. Oferece “treinamento adicional” em seus laboratórios para classificação de plantas e preparação de extratos certificados. Vende cerca cerca de 20 mil extratos ao ano. A Siemens mandou carta a pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia propondo “colaboração em pesquisa” com seus laboratórios na Itália, nas quais especifica até mesmo a transportadora a ser usada para remessas do material coletado. Já o Instituto de Farmacologia Médica da Universidade de Roma fez propostas formais de pagamento ( em dólares, valor a ser escolhido pelo pesquisador) a cientistas brasileiros por coletas e remessas de peles das rãs das espécies Phyllomedusinae bicolor  Phyllomedusinae palliata e tomopitera, fontes primárias de analgésicos muito mais potentes que a morfina e com menores efeitos colaterais.

 

International Plant Medicine Corp.

Oasca, planta

 

A IMC tem sede na Califórnia e patenteou uma planta tropical considerada sagrada, usada há pelo menos quatro séculos em rituais religiosos por mais de 300 tribos indígenas da Amazônia. Ela se chama Oasca (Ayahuasca, em espanhol), ou Banisteriopsis caapi. É um cipó amazônico com propriedades terapêuticas, de efeitos alucinógenos. Seitas como o Santo Daime, desde a década de 30, distribuem aos fiéis na forma de chá como sacramento durante os rituais de “purificação”. Loren Miller, presidente da IMP, foi publicamente declarado “inimigo” pelo Conselhos de Organizações Indígenas da Amazônia, com sede em Quito (Equador), que representa interesses de tribos de noves países da região amazônica.                       

                                     

         

ECONOMIA – Extrativismo Vegetal             

 

Brasil aceitou projetos associados no PPG-7

 

O argumento para recusá-los, a partir de 95, era de que cairia o ingresso de novos investimentos

 

Os países membros do G-7, grupo que reúne as sete nações mais ricas do mundo, dobraram a resistência do governo brasileiro e conseguiram aprovar em 30 de outubro de 1997, no último dia da reunião anual do programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), a inclusão de projetos bilaterais associados como parte do programa. O Brasil chegou a aprovar a inclusão de cinco projetos associados no PPG-7, entre 1992 e 1995, mas passou a recusar novos projetos desde então por entender que eles fugiam ao desenho original do programa.

A recusa sistemática dos projetos bilaterais associados vinha sendo motivo de insatisfação e conflitos diplomáticos entre os países que financiam o PPG-7 e o Brasil. O G-7 sempre discordou do entendimento do governo brasileiro de que apenas financiamentos estrangeiros destinados diretamente aos projetos ambientais definidos pelo PPG-7 deveriam ser considerados como contribuições ao programa. Na avaliação do G-7, quaisquer tipos de investimentos voltados para a preservação das florestas brasileiras e para melhorar a qualidade de vida das populações nativas deveriam ser considerados como parte do programa, ainda que na categoria de associados.

A resistência do governo brasileiro, entretanto, vinha sendo baseada numa razão específica. Segundo o secretário da Amazônia Legal do Ministério do Meio Ambiente (MMA), José Seixas Lourenço, o governo brasileiro sempre foi “cauteloso” nessa discussão porque, desde 1992, os países doadores do PPG-7 apresentaram pilhas de projetos ambientais já em andamento no Brasil, alegando que eles já significaram uma valiosa contribuição financeira para o programa. “A intenção do programa sempre foi de atrair novos investimentos e, se passássemos a aceitar todos os tipos de projetos, o programa se esvaziaria”, observou.

Um outro motivo para o obstáculo brasileiro na aceitação de projetos bilaterais associados ao PPG-7 era o fato de que o Brasil nunca havia definido critérios sobre o real significado do termo “projetos associados” dentro do programa. O termo sempre mereceu interpretações conflitantes do G-7 e do Brasil. A reunião do PPG-7 em Manaus finalmente pôs um fim no conflito depois que o governo brasileiro aceitou ceder às pressões do G-7 e, por outro lado, os países financiadores aceitaram a condição de o Brasil ter direito a dar um parecer sobre cada projeto associado apresentado e também ter a palavra final se o projeto se enquadra ou não como parte do PPG-7.

A estimativa do Ministério do Meio Ambiente é de que cerca de quarenta projetos associados, particularmente originários dos Estados Unidos, França, Japão e Alemanha, já estão na lista para serem apresentados oficialmente ao governo brasileiro. Um deles é o projeto Lage-Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia (LBA), que prevê o compromisso da U.S. National Aeronautics and Space Administration (Nasa) de investir US$ 25 milhões nos próximos cinco anos para pesquisas na área de ecologia, química atmosférica e hidrologia.

Os critérios para aceitação d projetos associados pelo governo brasileiro vão ser testados a partir de agora e avaliados na próxima reunião do PPG-7, marcada para junho de 1998, na França. As critérios, que pela primeira vez serão colocados em prática, foram mais amplamente discutidos na reunião anual do PPG-7 em 1999, no Brasil, quando será feito o balanço das mudanças acertadas no encontro de Manaus. Na próxima reunião, o G-7 também vai avaliar de forma mais detalhada os resultados dos projetos que estão sendo desenvolvidos para, então, definir a segunda etapa do programa que deve ser iniciada no ano 2000.

 

ECONOMIA – Extrativismo Vegetal   

 

Canadá abandonou programa do G-7

 

Com orçamento reduzido, país desistiu de proteger florestas brasileiras  

 

O governo brasileiro admitiu ontem que um dos membros do G-7, grupo dos países mais ricos do mundo, desistisse do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7). O Canadá, que não enviou representantes à reunião atual do PPG-7, em Manaus, comunicou ao Banco Mundial, a  que não tem a intenção de doar recursos adicionais ao programa pelo menos a curto e médio prazos.

 

De acordo com o diretor do PPG-7 no Bird, Robert Schneider, o governo canadense agradeceu mas declinou do convite de enviar representantes ao

Brasil para a reunião do programa. Schneider disse que a justificativa apresentada foi a de que o Canadá experimenta um momento de dificuldade orçamentária e não considerava “justo” participar do encontro quando sua contribuição como doador financeiro do programa não é significativa.

 

Na avaliação do Banco Mundial e do governo brasileiro, porém, a saída do Canadá não trará maiores conseqüências políticas ou financeiras para o programa. “O Canadá sai, mas em compensação a Holanda e o Japão vão passar a investir mais. Além disso, a Espanha enviou representantes a essa reunião e já nos comunicou do seu interesse em entrar no PPG-7”, disse o secretário da Amazônia Legal do Ministério do Meio Ambiente, José Seixas Lourenço. O diretor Gobind Nankani, do Bird, recomendou que a posição do Canadá seja respeitada e que não seja esquecida a “significativa contribuição canadense na área ambiental”, no passado, inclusive financiando todo o inventário ambiental do Acre.

 

A expansão da participação da Holanda no PPG-7 é apenas verbal, até agora. O país já liberou US$ 3,2 milhões, através do Rain Forest Trust Fund, do Banco Mundial, para o programa e anunciou ontem a disposição de novos investimentos – mas não anunciou valores. A delegação japonesa também não adiantou valores, mas anunciou que o Japão está especialmente interessado em financiar a preparação dos projetos apresentados ao Bird. Essa é uma área de interesse do PPG-7, uma vez que, em média, três em cada dez projetos são recusados pelo Bird em função do excesso de erros no design dos objetivos, metodologias e aplicação dos recursos.

O Banco Mundial recebe anualmente cerca de US$3 milhões destinados à preparação de projetos gerais a serem submetidos ao próprio banco. O financiamento do Japão, portanto, é visto com bons olhos pelo Bird, uma vez que pela primeira vez um país passa a contribuir com o PPG-7 especificamente numa área considerada problemática do programa. A elaboração de um projeto do PPG-7,segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente, chega a custar 5% do valor total do projeto – em torno de US$ 2 mil a US$ 5 mil.

Num momento em que o PPG-7 discute o seu futuro, o Bird aproveitou a reunião anual para anunciar o seu projeto de descentralização iniciado, efetivamente, em setembro de 1997. A descentralização em andamento veio como resultado de uma “client survey” que apontou a necessidade do Bird quebrar burocracias e se modernizar.

 

Em respostas às críticas quanto à “lentidão e insatisfatória qualidade técnica” do Bird, disse Koch-Weser, o banco decidiu se reestruturar baseado no conceito “client first” (os clientes em primeiro lugar). Como parte das mudanças, o banco criou dois novos tipos de empréstimos, o empréstimo adaptado (Adaptable Lending) e o empréstimo para aprendizagem e inovação (Learning and Innovations Loans). O Adaptable Lending” é um programa que vai financiar projetos experimentais em que o banco aceita os riscos sem saber se o projeto vai efetivamente vingar. Já o “Learning and Innovations Loans”” vai financiar projetos a longo prazo de até US$ 5 milhões.

Pela primeira vez na história de financiamento do Bird a projetos ambientais, a instituição criou uma linha de créditoespecífica para o setor privado interessado em investir em meio ambiente. De acordo com Maritta Koch-Weser, os empresários interessados em investir em qualquer país do mundo na área ambiental podem agora negociar diretamente com o Banco Mundial e não mais necessariamente através dos seus governos. O Bird está especialmente interessado no empresariado que quer investir nos setores energético, hidráulico, e de desenvolvimento urbano.  

 

 

ECONOMIA - Extrativismo Vegetal             

 

Extrativismo preocupa o setor

 

Madeireiras malaias que se encontram no estado têm gerado polêmica, mas trazem também maior produtividade.

 

Sair de uma realidade puramente extrativista para um cenário que permita agregar maior valor à madeira de suas florestas é o desafio que o Pará enfrenta agora, com o aporte de capital externo e novas tecnologia. Além disso, o estado também se debate com outro conflito importante nesse setor: como aproveitar os recursos madeireiras da Amazônia sem esgotá-los. O setor madeireiro, no Pará, é o terceiro na geração de empregos. A participação de madeireiras da Malásia na exploração das florestas no estado tem provocado polêmica, mas tem trazido também maior produtividade. As madeireiras brasileiras que atual na Amazônia têm uma perda de 50% no processamento industrial. Os malaios modificam esse quadro de forma dramática: aproveitam praticamente tubo. Produzem mais madeira serrada com menos toras.

O pesquisador Permínio Pascoal Costa Filho, coordenador da área de florestas do Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental (CPATU), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), afirma que para tornar a atividade madeireira eficiente é preciso "criar competitividade, melhorar o maquinário e profissionalizar a mão-de-obra".

O lado negativo da atuação de grupos estrangeiros na atividade madeireira, segundo o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), é que eles "não parecem muito dispostos a cumprir as regras". Para os pesquisadores do Imazon, "basicamente os malaios fazem a mesma coisa que os madeireiros tradicionais, só que a escala é muito maior: eles têm capital, têm uma enorme demanda de várias partes do mundo e um grande poder de fogo".

O instituto alerta para as práticas utilizadas por essas madeireiras nos países em que atuaram anteriormente: em nenhum caso houve preocupação de recompor a cobertura florestal. Quando a madeireira acaba ou ocorre e proibição de continuar explorando -com a criação de reservas florestais -, eles simplesmente mudam-se para outro país ou outra região, deixando as áreas desmatadas para trás.

No caso específico do Brasil, essa situação ganha complexidade. Por um lado, pela dificuldade que os órgãos governamentais têm em fazer cumprir a legislação e, por outro, pela própria inadequação de algumas leis e regulamentos.

O exemplo mais eloqüente de que existe alguma coisa muito errada com a legislação florestal, lembra Roberto Pupo, presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará (Aimex), está no fato de que é muito mais simples conseguir autorização para desmatar uma área do que para realizar o manejo ou reflorestamento. O desmatamento é considerado, pelo Ibama, como benfeitoria. E, segundo Pupo, "paga-se imposto sobre área de floresta do que sobre área desmatada". Isto, numa região em que ainda ocorre expansão da fronteira agrícola, serviria como incentivo às derrubadas indiscriminadas.

Paulo Amaral, diretor executivo, e Paulo Barreto, pesquisador do Imazon, concordam em parte co Pupo: "Em termos legais, de fato, é mais fácil desmatar". Só que adicionam uma informação igualmente grave: "Os madeireiros estão abrindo estradas, facilitando a expansão dessa fronteira selva a dentro, para depois serrar a madeira originada do desmatamento". Para eles, "a fronteira madeireira está além da fronteira agrícola".

O presidente da Aimex acredita que a sociedade brasileira, como um todo, precisa decidir se quer ou não a exploração os recursos florestais da Amazônia. Caso a resposta seja positiva, é preciso mudar a forma de tratar o assunto. "A atividade madeireira tem de retomar sua legitimidade e para isso a fiscalização precisa funcionar. A melhoria do Ibama, por exemplo, é uma tarefa de toda a sociedade", afirma Pupo, referindo-se ao fato de que hoje, cada vez que um órgão como o Ibama precisa de recursos, tenta buscá-los exclusivamente entre os madeireiros e exportadores, com isso criando taxas e aumentando as já existentes.

O eixo do raciocínio do presidente da Aimex está em que a ineficiência da fiscalização cria um círculo vicioso prejudicial ao estabelecimento de uma atividade econômica rentável e profissional.

Sem fiscalização, não há como fazer destinação entre quem cumpre e quem não cumpre a lei e um mato de suspeita acaba cobrindo todos, facilitando a exposição negativa da atividade à opinião pública.

Pupo acredita que um ganho significativo para a atividade madeireira do Pará seria a transferência, para o estado, das tarefas hoje federais de legislar e fiscalizar sobre o setor. "Em sete anos, o Ibama teve 14 presidentes.

Isso nos faz suspeitar de que essa área não esteja sendo tratada seriamente pelo governo federal", afirma o presidente de Aimex.

A necessidade de certificação da origem da madeira (exigência de alguns compradores internacionais) é uma tendência irreversível, mas sua adoção aparentemente será muito mais lenta para o comércio interno do que para as exportações. Segundo do Imazon, apesar de formalmente a maioria das madeireiras Ter planos de manejo florestal registrados no Ibama, na prática nada acontece. "Como ninguém iniciou o manejo, agora que começa surgir a necessidade de certificação, não se trata de fazer algumas alterações para atender aos requisitos do certificador; trata-se literalmente de começar do zero, e aí muitos vão reclamar que não têm recursos para obter os certificados", explica Paulo Amaral.

O debate sobre questões florestais na Amazônia, apesar de recente, tem evoluído. Agora, a discusão é sobre os mecanismos (políticos, legais e incentivos) necessário para aplicar no manejo ( que é como se sintetiza, na região, o complexo conjunto de atividades que permitem a exploração sustentável da floresta). O manejo floresta é um processo de longo prazo que enfrenta, por ora, várias dificuldades, originadas principalmente da falta de um plano estratégico do governo para a exploração madeireira na Amazônia.

 Entidade de madeireiros, de exportadores e organizações não- governamentais têm, sobre o governo federal e sua ação, opiniões semelhantes, que podem ser resumidas pela frase ouvida no Imazon: "É mais reação que ação, está sempre atrasada no debate e só aparece quando tem alguma ameaça à imagem externa".

 

ECONOMIA Extrativismo Vegetal

 

Banco Mundial no Amazonas

 

Denúncias de uma ocupação desordenada levaram o barco a reduzir drasticamente os recursos para a Amazônia.

 

O Banco Mundial (Bird) vem reduzindo o nível de investimentos na região amazônica e concentrando-se em projetos menores, cujo principal componente seja a preservação ambiental. O fator principal para a retratação para a retração foram as acusações, feitas por organizações ambientalistas, de que os financiamentos em infra-estrutura estariam levando a uma ocupação desordenada da região. Desde a década passada, quando o banco financiava grandes projetos como Carajás e o Polonoroeste (para o desenvolvimento de Mato Grosso e Rondônia), o volume total de financiamentos foi reduzidos a cerca de um terço. "O banco vai trabalhar cada vez mais com projetos de menor escala por causa da repercussão negativa dos megaprojetos financiados na década passada. Projetos menores possibilitam a gestão compartilhada com todos os envolvidos", diz Robert Schneider, coordenador do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, hoje a principal ação do Bird na Amazônia: "Não há planos para a criação de novos projetos. Os investimentos se concentrarão nos já existentes", afirma Schneider. O programa - piloto é a primeira experiência de cooperação entre governos de países estrangeiros, o governos de países estrangeiros, o governo brasileiro e o Bird visando à utilização racional das riquezas naturais da Amazônia. Os recursos, repassados a fundo perdido a ONGs, instituições públicas federais e estaduais e institutos de pesquisa, são resultado de doações dos países do G-7 (os sete países mais industrializados do mundo), União Européia e Holanda, além de uma contrapartida de 11% do governo brasileiro. "É um programa inovador de cooperação internacional com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. São onze grandes áreas, com centenas de ações em andamentos, como formação de reservas extrativistas e pesquisas para o melhor manejo dos recursos florestais e aquáticos", explica Schneider. Segundo o analista do banco Christoph Dievald, dos US$ 290 milhões alocados para a primeira fase, US$ 35 milhões já foram investidos, estando o restante já comprometido com projetos a serem executados, numa duração média de três a cinco anos cada. Os parceiros começaram as negociações para a extensão do Programa. Com recursos próprios, o Bird concede empréstimos ao governo federal para a implantação de dois projetos específicos para a Amazônia: os programas de manejo de recursos naturais de Rondônia, o Planafloro, e de Mato Grosso, o prodeagro. "São iniciativas multissetoriais, englobando a agricultura e o extrativismo sustentáveis, saúde e educação básicas, infra-estrutura de estradas e zoneamento para ordenação econômico - ecológica do desenvolvimento", diz o analista John Garrison, do Bird. Os recursos são repassados pelo governo federal aos estaduais, que os administram em conselhos com a participação de fóruns de ONGs e entidades empresariais. O Planafloro tem um orçamento total de US$ 228 milhões, dos quais US$ 167 milhões vêm de empréstimos do banco e US$ 61 milhões da contrapartida federal e estadual. Cerca de 30% dos recursos ainda não foram de fato investidos. O volume total dos recursos do Prodeagro chega a US$ 285 milhões - US$ 35 milhões em empréstimos do banco e US$ 80 milhões em contrapartida. O montante ainda disponível gira em torno de 51 % do total.

 

Reestruturação - O Bird anunciou recentemente a reestruturação do Planafloro, o controvertido programa ambiental que a instituição já financiou na Amazônia. A nova estrutura pretendia simplificar e descentralizar a administração do projeto e aumentar a um nível sem precedentes a participação das organizações representativas nas comunidades locais na gerência de seus vários componentes. Aprovado em 1992, o Planafloro foi concebido para corrigir os problemas ambientais provocados pela instalação do Programa de Desenvolvimento Integrado do Noroeste Brasileiro, ou Polonoroeste, no final do regime militar. O Polonoroeste tornou-se um pesadelo para o Bird na Segunda metade dos anos 80, depois que as queimadas na Amazônia e o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes transformaram a proteção da floresta brasileira numa tema de interesse internacional.

 

 

O Bird concede empréstimos ao governo federal  para dois projetos específicos: manejo de recursos naturais de Rondônia (Planafloro) e de Mato Grosso (Prodeagro).

 

ECONOMIA - Extrativismo Vegetal

 

 

Cresce o mercado de produtos da Amazônia

 

Região concentra volume expressivo de árvores, flores, raizes e espécies animais com boa demanda internacional

 

 

1- Algumas das principais oportunidades de negócios

 

Entre os produtos da região amazônica com maior oportunidades de negócios estão acerola, açaí e as diversas espécies de peixes. A seguir as características principais dos produtos amazônicos:

Açaí - Eleita a fruta dos últimos verões cariocas, é servidas nas praias e academias de ginástica do Rio. Em toda a Amazônia , o "vinho de açaí" é empregado na fabricação de sucos, picolés e sorvetes. Seus palmito também é comercializado em larga escala.

Acerola - Outra fruta exótica que ganhou popularidade no Centro- Sul, devido a sua alta concentração de vitamina C. Um copo pode Ter de 50 a 100 vezes mais ácido ascórbico do que a mesma quantidade de suco de limão ou laranjal.  Um hectare de acerola, com 500 plantas, rende tanto quanto 66 de laranja.

Andiroba - O óleo extraído de suas sementes e madeira é usado na produção de velas repelentes de insetos, sobretudo o mosquito transmissor da malária. Na forma de cápsulas, é utilizado contra diabetes e reumatismo, e o bálsamo é usado em luxações.

Borracha - Até o início do século, o Brasil era o maior produtor de borracha natural do Mundo. Hoje, entretanto, a produção brasileira não passa de 0,8% de uma produção mundial total de 5,7 milhões de toneladas. A produção de todos os seringais nativos da Amazônia em 1995 foi de 3.227 toneladas.

Camu - camu -  Imbatível como fonte de vitamina C, ele tem 1,5 vezes mais ácidos ascórbico do que a acerola. Como o açaí, tem caído, tem caído no gosto dos grandes pólos consumidores do País. O fruto nasce de um arbusto nativo da várzeas amazônicas e pode ser usado em sucos, sorvetes, vinhos e doces.

Castanha - Produto que todos os estados amazônicos, à exceção do Pará, fazem questão de chamar de castanha- do- Brasil. De fato, Pará e Acre são os grandes produtores do fruto que substitui a borracha como sustentáculo da economia da Amazônia. Rica em proteínas, lipídios e vitaminas, a castanha produz um óleo que pode ser alimentício ou usado como lubrificante na aviação.

Capaíba- Desta árvore aproveita - se a madeira, na movelaria, construção civil leve e indústria de embalagens - e o óleo, que tem propriedades antiinflamatórias, cicatrizantes e, segundo seus entusiastas, anticancerígenas. Cada árvore produz 2 quilos (2,5 litros) de óleo por ano.

Couro Vegetal - Produzindo com tecido e látex defumado, tem aparência semelhante à do couro animal, usado nas indústrias de confecções e calçados. Por agregar valor à borracha nativa, é visto como solução para os problemas do setor.

Cupuaçu - Este fruto é encontrado em toda a Amazônia, sobretudo no Pará, que produziu 1,8 mil toneladas de polpa em 1995. Sua demanda, crescente, encontra uma oferta insuficiente. Belém tem uma demanda reprimida de 400 toneladas/anos, para uma oferta que não chega à metade desse volume.

Graviola - A graviola pode ser consumida fresca, em sorvete, suco ou néctar e tem uma vantagem sobre a maioria das polpas: ela não se oxida. O fruto verde pode ser cozido, assado ou frito. Folha e frutos verdes são tidos como antidiarréicos e adstringentes.

Guaraná - Arbusto encontrado no Amazonas e na Venezuela, produz frutos que devem passar por limpeza e torrefação. Possui três vezes mais cafeína do que o café e, por isso, é usado como estimulante das funções fisiológicas. Desde o final dos anos 80, a Bahia é o maior produtor.

Jarina - Também conhecida como marfim vegeta é uma palmeira encontrada em toda a Amazônia. As sementes amadurecidas são duras, brancas e opacas como marfim, com a vantagem de fáceis de trabalhar e de não serem quebradiças. Com as sementes fazem botões, colares, enfeites, estatuetas e até teclas de piano.

Piscicultura - Há entre 1,3 mil e 2 milhões de quilômetros quadrados da bacia amazônica brasileira. A piscicultura pode produzir de 2.500 a 10 mil quilos por hectares por ano -, em contraste com a produção média da pecuária, de cerca de 70 quilos por hectares por ano. O mercado nacional da piscicultura é estimado em cerca de 600 mil toneladas anuais.

Plantas medicinais - A aplicação comercial de espécies terapêuticas é bastante rara na Amazônia, inclusive pela falta de verbas, equipamentos e recursos humanos para desenvolver pesquisas em fitoterapia. Entretanto, calcula-se que existam pelo menos 5 mil princípios ativos já identificados em plantas da região.

Plantas ornamentais - A comercialização em escala de plantas ornamentais é uma atividade recente na Amazônia. Até 10 anos atrás, havia apenas um comércio informal. A oferta era pequena e o trabalho de marketing, pouco ou nenhum. Já foram identificados 99 gêneros e 300 espécies de orquídeas na Amazônia.

Pupunha - Palmeira abundante na costa atlântica da Amazônia, a pupunha é cada vez mais cultivada no interior do estado de São Paulo, a exemplo do que ocorreu, no passado, com a borracha. Seus frutos têm alto teor de vitamina A. Produz um palmito de  diâmetro maior que o do açaí e que pode ser cortado aos dois anos.

Urucum - Planta rústica, ocorre naturalmente em toda a Amazoniz, mas o Pará é o único estado onde ela é cultivada em escala. Dispensa grandes cuidados e é pouco atacada por pragas. Ganha espaço com as crescentes suspeitas que recaem sobre corantes industriais por parte da Organização dos Nações Unidas para a Alimentação (FAO). Vários estados brasileiros já proibiram o uso dos corantes artificiais.

 

 

 

 

Opções de investimentos na Amazônia*

Produto

Produção anual

Invest.total**

Custo total (Em mil US$)

Receita total

Margen de lucro %

Retanbilidade %

Período de retorno

Açaí

4 mil cestos de 15kg, a US$ 14 cada, a partir do 4° ano de plantio

11,3

24,1

56,0

43,21

213,83

6 meses

Acerola

80 mil kg de polpa a US$ 3,75/kg

197,0

191,8

300,0

26,75

40,74

2 anos e 6 meses

Andiroba

323,1 mil cartuchos de velas repelentes a US$ 2/cartucho

122,3

464,2

646,2

20,9

110,43

10 meses e 26 dias

Borracha

273,6 mil pares de solas de sapatos a US$ 2/ par

412,9

394,2

547,2

20,76

27,51

3 anos e 8 meses

Camu-camu

25 mil kg de polpa a US$ 5,5/kg

119,3

93,7

137,5

23,61

27,20

3 anos e 9 meses

Castanha

396 mil garrafas de "leite"(200 ml) e 36.480 pacotes de farinha de 500 mg, ambos produtos a US$ 0,80 a unidade

251,4

265,3

345,9

16,09

23,2

4anos e 4 meses

Copaíba

4,4 t. de copaíba, sendo 3 mil litros de óleo, 25 mil frascos com cápsulas contendo óleo essencial e 154 pacotes de resina

66,3

152,9

257,0

30,10

116,0

11 meses

Couro vegetal

1,5 mil lâminas de couro Vegetal ou 12 mil m2 a US$ 2,5/m2

53,8

98,2

150,0

25,6

71,35

1 ano e 5 meses

Cupuaçu

30t. de polpa congelada, 26 toneladas de polpa pasteurizada, 20 mil bastões de 200g de cupulate e 64 mil vidros de 270g. de geléia

238,8

394,6

507,8

16,54

35,16

2 anos e 10 meses

Graviola

40 mil pacotes de 0,5 kg de polpa congelada a US$ 2 cada

62,8

55,8

80,0

22,41

28,53

3 anos e 10 meses

Guaraná

107 mil sachês de 100g, 57 mil frascos com 70 cápsulas e 7 mil frascos de 50g guaraná em pó

136,5

319,7

438,9

20,16

64,84

1 ano e 7 meses

Jarina

39,6 mil peças de bijuterias

50,6

225,4

324,7

22,69

145,46

9 meses

Piscicultura

77 mil de tambaqui fresco, refrigerado a US$ 3,10 /kg

140,5

185,4

238,7

16

27

3 anos e 8 meses

Plantas omam.

17,5 mil plantas variadas (exóticas e nativas)

109,7

167,4

221,5

18,13

36,57

2 anos e 9 meses

Pupunha

150 mil latas de palmitos com 500 g a US$ 3/latas

443,9

330,3

450,0

19,74

20,00

5 anos

Urucum

75 mil pacotes de 200 g de colorau (US$ 0,80/pacote) e 51 mil frascos de cápsulas de urucum em pó (US$ 3/frasco)

75,0

159,5

213,0

18,65

52,59

1 ano e 10 meses

ECONOMIA - Extrativismo Vegetal Renovável 

 

Frutos Cupuaçu

 

Chocolate de cupuaçu tem lançamento mundial nos EUA

 

Sete toneladas do produto fabricado em Manaus foram exportadas para os Estados Unidos

 

O Chocolate do caroço do cupuaçu, industrializado desde o final do ano passado pela PRB da Amazônia será lançado mundialmente nos Estados Unidos pela revista especializada Chocolatin Magazine, que tem uma tiragem de 150 mil exemplares. A revista comprou as primeiras 3,5 toneladas produzidas pela empresa amazonense para distribuir em pacotes de 20 gramas encartados na edição comemorativa de seus 10 anos de circulação. "É o primeiro chocolate em pó no mundo que a revista americana vai mostrar aos seus leitores", destacou Antônio Carlos Alencar, um dos sócios da PRB, que produz na sua fábrica da cidade Nova o chocolate de cacau é que o de cupuaçu tem um gosto mais refinado, suave. Outras 3,5 toneladas foram adquiridas pela Kopok International, com sede em Cliveland (EUA). O embarque das sete toneladas para o EUA, que renderam à empresa um faturamento de US$14 mil, ocorreu na Sexta - feira e concretiza o sonho de dois irmãos itacoatiarenses (José Roberto, físico; e Antônio Carlos Alencar, engenheiro mecânico) que há vários anos, com o apoio da Embrapa, trabalham no projeto do chocolate extraído do caroço do cupuaçu. "Nunca imaginamos que as primeiras toneladas que produzíssemos seriam vendidas para o exterior", conta Antônio Carlos, entusiasmado com a aceitação que o chocolate de cupuaçu teve dos editores da revista americana. O chocolate de cupuaçu chega no mercado americano por um preço ainda promocional de US$ 2 dólares por quilo. Este valor deve ficar 30% mais caro dentro de três ou quatro meses. "Tudo vai depender da aceitação dos norte-americanos", disse. Os especialistas no mercado de chocolate nos Estados Unidos estimam que após a divulgação na revista chocolatin Magazine, as vendas da PRB para o mercado norte-americano deve alcançar rapidamente a marca de 50 toneladas/mês. E isso é uma das preocupações dos donos da empresa. Segundo Antônio Carlos, não existe no momento matéria-prima (caroço de cupuaçu) suficiente para atender essa demanda. "Não há no Amazonas a tradição de utilização do caroço do cupuaçu, mas acredito que isso vai acontecer somente daqui a alguns anos", disse Antônio Carlos. Na semana passada, a PRB recebeu o primeiro lote de 4 toneladas de caroço de cupuaçu do município amazonense de Altaz Mirim. Com a exportação do cupuaçu e seu lançamento no mercado de Manaus previsto para o final deste mês, a PRB está estudando a ampliação da capacidade produtiva de 50 toneladas /mês para 100 toneladas. "Já estamos nos preparando para o inevitável crescimento do consumo", adiantou. Chocam - Até então, a PRB tinha seu faturamento sustentado pela venda de chocolate em pó de cacau da marca Chocam para o Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará, Paraná e São Paulo e de manteiga de cacau para o exterior. O chocolate Chocam foi lançado no ano passado em sua venda hoje é de 30 mil latas de 400 gramas/mês. Um dos apoio decisivos que a empresa vem recebendo é do governador Gilberto Mestrinho, que introduziu o chocolate de cacau na merenda escolar. O Estado compra mensalmente 10 toneladas do produto. A Prefeitura de Manaus também colocou o chocolate na merenda escolar, comprado no primeiro mês 5 toneladas. Antônio Carlos acredita que ainda neste semestre, o chocolate de cupuaçu estará na merenda dos alunos das escolas públicas do Amazonas.

 

Batom é feito com manteiga do cupuaçu

 

O grande filão do beneficiamento do caroço de cupuaçu não é o chocolate em pó, mas a manteiga. Este produto é mais caro que o chocolate em pó e tem mercado garantido nas outras regiões brasileiras e, principalmente, no exterior, que compra aquilo por quase 3 dólares. As importadoras são basicamente indústrias de cosméticos da França, Itália Alemanha e Estados unidos. "Puca gente sabe, mas muitos batons produzidos no exterior são feitos com a manteiga de cupuaçu", disse o diretor da PRB, Antônio Carlos Alencar. Do caroço do cupuaçu, 54% é de gordura que é transformada em manteiga. Cinqüenta quilos de caroço de cupuaçu resulta em 22,9 quilos de manteiga e 20 quilos de chocolate em pó. Os outros 7,5 quilos são desperdiçados no processo de beneficiamento. Além da indústria de cosméticos, a manteiga é utilizada para a produção de chocolate branco. A diferença em relação à manteiga de cacau, é que a de cupuaçu é menos consistente. "Temos um mercado garantido no exterior", disse Antônio Carlos, que trabalha com a exportação de produtos regionais há 10 anos. Só para produzir a manteiga e o chocolate em pó de cupuaçu e de cacau, a PRB emprega 25 funcionários diretos. A empresa foi fundada no ano passado e tem como carro-chefe de suas vendas o chocolate em pó chocam, vendido nos supermercados e mercearias de Manaus pela metade do preço de seus concorrentes.

 

Produto é exportado para indústrias de cosméticos da Europa e EUA.  

ECONOMIA – Extrativismo Vegetal     

 

 

Manejo Sustentado

Áreas destinadas à exploração de recursos naturais renováveis

Nome

Área (há)

População

Principais recursos

Manejados

Alto Juruá (AC)

506.186

3.600

Seringueira

Chico Mendes (AC)

970.570

7.500

Castanha, copaíba, seringueira

Rio Cajari (AP)

481.650

3.800

Castanha, copaíba, seringueira, açaí

Rio Ouro Preto (RO)

204.583

700

Castanha, seringueira, copaíba

Pirajubaé (SC)

1.444

600

Berbigão, peixes, crustáceos

Ciriaco (MA)

7.050

1.150

Babaçu, agricultura de subsistência

Extremo Norte do Tocantins (TO)

9.280

800

Babaçu, pescado, agricultura de subsistência

Mata Grande (MA)

10.450

500

Babaçu, pescado, agricultura de subsistência

Quilombo do Frexal (MA)

9.542

900

Babaçu, pescado, agricultura de subsistência

Arraial do Cabo (RJ)

-

600

Pesca

Médio Juruá (AM)

253.226

700

Seringueira, pesca

Tapajós Arapiuns (PA)

647.610

16.000

Borracha, pesca óleos e resinas

Totais

3.158.176

36.850

 

 

ECONOMIA - Extrativismo  

 

Açaí para o mundo

 

Pequenos produtores formam cooperativas para exportar polpa

 

Os sistemas agroflorestais são a base do que se espera para o futuro do setor agrícola do Amapá. Uma alternativa coerente com a atual estrutura do setor primário do estado, baseado principalmente no extrativismo vegetal, onde se destaca o açaí, um dos  produtos florestais mais importantes na vida alimentar e cultural da população amapaense. De acordo com o Instituto de Pesquisas Científicas e tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), a cadeia econômica do açaí movimenta anualmente perto R$ 20 milhões, desde a extração até a produção do suco. Só em Macapá são consumidos diariamente cerca de 30 mil litros do produto. Enquanto o restante da Amazônica volta-se para cultivos industriais como a soja, no Amapá busca-se a integração entre a agricultura e a preservação ambiental, em um processo de formação de cooperativas de pequenos produtores rurais que lançarão as bases para a formação de agroindústrias. "Não queremos produtores ocupando grandes extensões de terra e cultivos. Nosso estado tem solos pobres, a produtividade de grãos é muito baixa . Estamos imitando a natureza ao fixar o pequeno produtor na terra com a prática da fruticultura em áreas  degradas, valorizando as coisas regionais com um modelo diferente para a Amazônia", disse o secretário de Agricultura do estado. A idéia é fortalecer a pequena iniciativa privada para que, mais tarde, ela possa consolidar-se economicamente. Sob essa perspectiva, a agricultura está em plena fase de transição, saindo da monocultura de mandioca para um sistema produtivo que reúne extrativismo, manejo de florestas, plantios tradicionais que reduzam o nível de importação de alimentos de outros estados, fruticultura e agroindústria voltada para o mercado externo. O que pareceria utópico já começa a se cristalizar em personagens como Luís Rodrigues dos Santos, um ribeirinho de 50 anos. Morador da comunidade de Fortaleza, na zona rural de Macapá, ele é um extrativista típico. "Estou no ramo açaí e da pesca há 40anos. Foi com isso que criei 14 filhos", conta com orgulho caboclo. Ao longo das últimas quatro décadas, a rotina do extrativismo levou Santos a comercializar açaí durante a época de safra, que vai de janeiro a setembro. Quando a fruto acabava nas palmeiras era época de ir pescar o camarão que iria garantir o sustento da família durante a entressafra. Uma revolução começa a se processar na vida do extrativista. O interesse mudou. Santos quer mais do açaí do que assegurar a sobrevivência dos nove filhos que ainda vivem sob sua dependência. Sua idéia é tornar-se exportador. Para concretizar os sonhos, Santos já comprou uma máquina de bater açaí, equipamento comum na região, utilizado para retirar a polpa do fruto, e está se filiando à Associação dos Batedores de Açaí de Macapá, resultante do trabalho de estímulo ao associativismo feito pela Secretaria de Agricultura. Com o apoio de entidades já formadas, o governo está construindo uma unidade de processamento de polpa em Macapá para ser administrada pelo produtores e que deverá entrar em atividade em 1999. Com a unidade de processamento operando, será possível transformar em polpa as frutas regionais produzidas por pequenas agricultores ou extraídas das florestas nativas. "O produto terá alto padrão de higiene e qualidade e ganhará embalagens próprias a exportação", explica o secretário de Agricultura. A escala para a industrialização das polpas já está sendo garantida com a incorporação dos produtos regionais ao programa de merenda escolar do estado. O mercado aberto com as compras do governo estimulou os pequenos agricultores a aumentar a produção, que já começa a ter excedentes. "Estou esperando o frigorífico para começar a exportar. Por enquanto, vivo com minha máquina, tirando uns R$ 600 por mês. Quando a exportação começar, vou comprar outra máquina e um terreninho para fazer o manejo de açaí. Meu objetivo daqui para diante é crescer", planeja Santos.

FRUTOS Açaí   

 

O popular açaizeiro ou seja Euterpe oleracea Martius como é conhecido cientificamente faz parte da família botânica da Palmao. Esta palmeira brasileira de predominância na região norte, é encontrada abundantemente nas margens dos rios, e com menos freqüência em terrenos mais afastados e locais úmidos.

Do açaizeiro tudo se aproveita: das raízes, usadas como vermífugas ás folhas usadas pelo caboclo para cobertura das casas. As sementes são consideradas como excelente adubo e dela também se extrai palmito, matéria-prima para a indústria de papel e celulose. Dos frutos amassados se faz o " vinho de açaí", que faz parte da dieta básica da população.

 

A Palmeira

 

A proliferação da espécie ocorre por formas peculiares, sendo através de brotações por touceiras ou disseminação de sementes realizadas por animais silvestres, mais precisamente aves que durante o consumo semeiam as sementes para a germinação. A palmeira do Açaí apresenta uma estirpe elegante, suas folhagens são grandes, finamente recortadas em tiras, de cor verde escura atingindo freqüentemente 2m de comprimento.

Compõe sua característica cachos de flores miúdas amarelas que sugerem predominantemente de setembro a janeiro, podendo aparecer quase o ano todo. Os frutos também dão em cachos, que são de coloração violácea, um roxo quase negro quando maduras, tendo rica.

 

A  Polpa

 

Autoridades médicas e nutricionistas afirmam, que a polpa do açaí contém alto teor energético, com valor calorífico superior ao leite de gado, e com duas vezes de glicídios. Sua riqueza em proteína não elevada, nem a porcentagem de lipídios. No entanto, com relação a teores de cálcio, fósforo e ferro existem doses de relativo interesse e contém vitaminas "A" e "B". As análises efetuadas na polpa dos frutos acusaram o seguinte: 41% de umidade; 24,38% de gorduras; 03,35 de substâncias protéicas, 12,02% de açúcares totais; 18,00% de celulose (fibra bruta); e 01,25% de cinza.

O "vinho" do açaí, preparado como alimento, nas análises feitas acusou a seguinte composição: 85,00 de umidade; 07,60% de gordura 01,25 % de substância protéica; 01,00% de açúcares; 00,30% de cinza; e 04,85% de fibras brutas.

 

ECONOMIA  Extrativismo Vegetal 

 

Receita Caseira

 

Tratamento de doenças com remédios naturais dá bons resultados

 

O potencial econômico da biodiversidade amazônica não escapa aos olhos do governo estadual. O Instituto de Pesquisa Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) foi criado com o objetivo de transformar-se em um centro de pesquisas científicas e tecnológicas para aproveitamento dos recursos naturais amazônicos. O órgão resultou da fusão de dois museus de história natural e de plantas medicinais. O primeiro passo para o domínio do conhecimento da biodiversidade da região foi a realização, juntamente com o governo da Guiana Francesa, do zoneamento ecológico e econômico do estado. Agora o Iepa parte para a pesquisa. A entidade é  responsável pelo suporte técnico do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá. O saber popular vem sendo sistematizado e ganhando suporte científico através do trabalho dos pesquisadores da entidade para estruturar um parque tecnológico de produto naturais e ampliar o uso da fitoterapia - tratamento de doenças com plantas - no estado. A fitoterapia é o setor mais avançado. O Centro de Plantas Medicinais e Produtos Naturais é referência no tratamento de diabetes, gastrite, reumatismo e doenças respiratórias com remédios naturais. Os resultados obtidos nessas pesquisas atraem pacientes do Brasil, em especial da região Norte, e até do exterior. O centro está instalado em um prédio de 400 metros quadrados no município de Macapá, onde há laboratórios de química de produtos naturais e de tecnologia de alimentos e divisões de fitoterapia, avaliação terapêutica e recursos naturais. No laboratório de química são produzidos 77 medicamentos fitoterápicos à base de ervas medicinais da Amazônia, comercializados em uma pequena farmácia anexa. Para ter acesso aos remédios, a população precisa apresentar um laudo médico da doença. Com base no laudo, um dos farmacêuticos de plantão indica o medicamento adequado. "A maior vantagem está nos preços: o remédio mais caro custa R$ 4,00", explicou o presidente do Iepa. Com as denúncias de falsificação de medicamentos , o movimento na farmácia do centro aumentou. O laboratório vem conseguindo atender bem à demanda porque foi equipado recentemente com máquinas que profissionalizaram em parte a produção, antes totalmente artesanal. Até outubro deste ano o número de medicamentos fabricados chegava a 27,5 mil. No mesmo período atendeu 7,8 mil pessoas. A venda de 17,8 mil unidades de medicamentos, no valor de R$ 62,3 mil garantiu auto-suficiência ao laboratório. Além da venda ao público externo, os medicamentos fabricados servem para o atendimento realizado pela divisão de avaliação terapêutica, onde são realizadas as pesquisas sobre o uso de produtos naturais no tratamento de doenças crônicas. A divisão mantém hoje pacientes sob controle de diabetes, gastrite, reumatismo e doenças respiratórias. Além do uso da fitoterapia, eles recebem acompanhamento integral com dietas especiais. Os resultados obtidos até agora mostram-se excelentes: alguns pacientes de grupos de controle de gastrite já receberam alta e vários diabéticos estão voltando apenas a cada seis meses. Além de eficientes, os remédios fitoterápicos apresentam um nível mínimo de agressão ao organismo. O uso da fitoterapia também amplia-se com projetos como o de criação de farmácias vivas nos municípios. A população vem sendo estimulada a fazer pequenas horas domésticas com ervas medicinais. O material para formação de mudas é obtido no horto medicinal existente no Iepa. N área de tecnologia de alimentos, a direção é outra. O objetivo é fazer pesquisas para dar suporte ao projeto Incubadora de Empresas de Base Tecnológica. A incubadora vem estimulando a formação de empresas que agreguem valor aos produtos amazônicos. Atualmente cinco empresas recebem assistência no município de Laranja do Jari, no Sul do estado. Todas são cooperativas que industrializam castanha-do-pará produção de farinha, de biscoitos e de um snack feito com castanha torrada.

 

ECONOMIA – Extrativismo Vegetal

 

Ambientalista propõe “econologia” no lugar da economia predatória

 

O presidente em exercício da ONG norte-americana World-watch, Christopher Flavin, defendeu em 08-08-00 no Trigésimo Primeiro Congresso Internacional de Geologia – Rio de Janeiro/ago/2000 adoção da “econologia” como um desafio da humanidade “para que o progresso econômico continue, mas em equilíbrio com o planeta”.

A tese foi apresentada no lançamento oficial do Cids (Centro de Desenvolvimento Sustentável) da Fundação Getúlio Vargas.

A econologia, que combina princípios da economia, sociologia e ecologia, é defendida por ambientalistas como forma de viabilizar o desenvolvimento sustentado. O conceito prevê a “reinvenção da economia” com a adoção de energia renovável.

Flavin se encontrou com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, para defender que o Brasil reforce o pedido de reconhecimento formal do E-9 – grupo de nove países que, segundo a ONG, dominam o mundo do ponto de vista econômico-ambiental (Brasil, EUA, China, Rússia, Índia, Indonésia, Canadá, África do Sul e União Européia).

A Worldwatch, formada por cientistas, lançou o relatório “Sinais Vitais 2000”. Trata-se da versão brasileira para o relatório que aponta as tendências ambientais no mundo. O livro pode ser adquirido pela Internet (www.worldwatch.com.br).

 

MEIO AMBIENTE – Extrativismo Vegetal

 

Regras para explorar florestas na Amazônia

 

Em um mês o governo deverá encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei prevendo regras para a  concessão de exploração de madeira e de outros recursos das florestas nacionais da Amazônia Legal. O madeireiro não precisará comprar terras, mas terá que pagar royalties ao governo sobre o produto retirado.

A floresta nacional é uma categoria de unidade de conservação com permissão para o uso dos recursos naturais, desde que sejam obedecidas regras de sustentabilidade previamente fixadas. A Lei do Sistema Nacional das Unidades de Conservação (Snuc), sancionada há cerca de um mês e que garantiu tal finalidade para as florestas nacionais, proíbe a exploração de recursos naturais em parques nacionais, estações ecológicas e reservas biológicas.

O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, afirma que com a Lei das concessões será possível ter um modelo de uso racional em substituição à exploração florestal predatória predominante atualmente, que leva à extinção da floresta. “Os recursos serão retirados de maneira biologicamente aceitável e, ao mesmo tempo, fica assegurado a função ecológica da floresta de protetora do solo, dos recursos hídricos e do hábitat da fauna.”

Atualmente, no Paraná e no Rio Grande do Sul já há concessão para exploração de florestas nacionais. Na Amazônia,  apenas na floresta do Tapajós. Mas ainda em pequena escala.

Além de ampliar o emprego desse instrumento na Amazônia, estão em estudo ainda sugestões para melhorar o financiamento de projetos de manejo florestais. A secretária de Coordenação da Amazônia, Mary Allegretti, quer que se aumentem prazos de pagamento e concedam juros mais baixos para empréstimos destinados a esse tipo de projeto. “Se a Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e o Basa (Banco da Amazônia assumirem a proposta de crédito e incentivo ao manejo, a gente começa a respirar um pouco”, diz Mary, observando que a exploração com manejo é demorada e pouco competitiva, por isso necessita de subsídio.

 

 

Para saber mais sobre Extrativismo Vegetal: www.ibama.gov.br/onda/Tabelas/indice.htm