ECONOMIA – Agricultura Pará

 

Campo Fértil no solo paraense

 

Menos de 1% do território paraense (cerca de 12 milhões de hectares) é aproveitado, hoje, na agricultura. A produção, capitaneada basicamente por pequenas e médias empresas, é bastante diversificada e abrange desde culturas de subsistência (arroz, feijão, milho e mandioca) até culturas de exportação (dendê, cacau, pimenta-do-reino, juta, malva, cana-de-açúcar, fumo, algodão), com altos índices de produtividade. O Governo do Estado quer incorporar mais de 1 milhão de hectares ao setor, nos próximos dez anos, colocando o Pará entre os maiores produtores nacionais. O carro-chefe dessa arrancada é a agroindústria, alicerçada, principalmente, nas culturas de soja e dendê, com enormes possibilidades de absorção pelo mercado internacional.

O Pará investe no planejamento estratégico para o aproveitamento racional de seu potencial agrícola. Na região da Transamazônica, por exemplo, o Estado dispõe de grande quantidade de terra roxa, cuja fertilidade natural assegura excelente produtividade a baixo custo. Trata-se de um tipo de terra muito raro na Amazônia, onde o solo é, em geral, bastante pobre e a sobrevivência da floresta depende da auto-reciclagem biológica. Para aproveitar esse potencial, que inclui, também, várzeas e cerrados, o Estado investe na criação de pólos agrícolas, em regiões que estão sendo dotadas de infra-estrutura de produção e escoamento.

 

Rentabilidade econômica

O Governo do Estado espera incrementar, nos próximos anos a produção de culturas de comprovada rentabilidade econômica – além da soja e dendê, cacau, pimenta-do-reino, laranja, café, coco-da-bahia, cana-de-açúcar, algodão, banana, frutos exóticos da região (como bacuri, cupuaçu, pupunha e açaí) ou introduzidos (maracujá, abacaxi, mamão etc.), cereais (milho e arroz), feijão, hortigranjeiros (tomate e pimentão) e fibras, como o curuá, alvo de experimentos, em laboratórios alemães, como alternativa à fibra de vidro. Os frutos exóticos da Amazônia têm um potencial animador, não apenas para a exportação em sucos e polpa, mas até para a utilização em pastelaria. É o caso, por exemplo, da pupunha, rica em caroteno, cujos experimentos já comprovaram a possibilidade de utilização em bolos e bolachas, em substituição ao milho.

À semelhança do resto da Amazônia, também no Pará os solos são, em sua maioria, ácidos (75%). O Estado dispõe, no entanto, de jazidas de calcário (mineral usado na correção do solo, principalmente para a cultura de grãos) estimadas em 1,7 bilhão de toneladas. Bem distribuídas geograficamente, elas poderão sustentar a criação de cinco pólos extrativos, para a comercialização a preços acessíveis. E possui, também, uma importante concentração de fosfato, outro insumo essencial à atividade agrícola.

Óleo de palma já tem refinaria O Pará é o maior produtor brasileiro de dendê e responde por 90% da produção nacional de pimenta-do-reino e por 80% da produção de óleo de palma e palmiste. É o segundo maior produtor de mandioca e banana e o terceiro de mamão, coco e cacau. Na Região Norte, é o maior produtor de milho e o segundo de feijão. Graças ao crescimento que experimenta, passou a sediar, no ano passado, a primeira refinaria de óleo de palma da América Latina, pertencente ao grupo Agropalma, do aglomerado financeiro Real.

A refinaria poderá produzir até 240 toneladas diárias de óleo nas especificações desejadas pelos compradores. A demanda interna do país é de 450 mil toneladas e o óleo de palma bruto já movimenta US$ 50 milhões de dólares, um volume de recursos que tende a crescer nos próximos anos, com a substituição paulatina pelo óleo fino, que tem o dobro do valor. No ano passado, a produção brasileira foi de 93 mil toneladas, 80 mil delas saídas do Pará. O Estado dispõe de 40 mil hectares de área cultivada com dendê, mas o seu potencial é estimado em 5 milhões de hectares, incluindo o Vale do Acará-Moju. A produtividade é de 20 a 22 toneladas de cacho por hectare, equivalente à da Malásia, o maior produtor mundial.

As empresas que atuam no processamento do dendê no Pará, a Denpasa-Coacará e a Crai-Agropalma-Agropar, estão em franca expansão industrial, partindo para a produção de óleo refinado, oleína, estearina óleo de palma, óleo de palmiste e ácidos graxos, produtos de maior valor agregado a partir do óleo de dendê.

Com a verticalização da cadeia produtiva, o óleo de cozinha, por exemplo, poderá também fabricar sabonetes, margarinas, gorduras vegetais e outros produtos alimentícios. As possibilidades de exploração industrial do dendê em território paraense são quase ilimitadas, em um horizonte que se anuncia mais que promissor. A superioridade do dendê é cada vez mais reconhecida em comparação a outros óleos vegetais, respondendo por 17% da produção mundial de óleo e gorduras.

O óleo bruto que é produzido atualmente pela indústria paraense está entre os melhores do mundo, com grau máximo de 3% de acidez, contra 3,5 a 5% na média mundial.

 

Atraindo investimentos

Um dos mais promissores e amplos conjuntos de condições para a atração de investimentos para o Estado vem sendo implantado nas áreas de influência do eixo Leste do Pará, com destaque para os segmentos da agroindústria, indústria madeireira, mineral, pesqueira e do turismo, além do segmento ambiental.

Polpas de frutas, amêndoas, suco concentrado, fibras de uso industrial, óleos comestíveis, cosméticos e ração industrial são alguns dos produtos onde há a perspectiva de dinamização agroindustrial, graças a um significativo crescimento no cultivo de frutas e de culturas de típico aproveitamento industrial em áreas já alteradas do território do Estado. Esse é o caso do Nordeste paraense, que concentra a terceira maior produção de coco do Brasil, com produtividade média de 10.255 frutos por hectare.

Esta produção é três vezes maior do que a média nacional, permitindo um amplo aproveitamento industrial na fabricação de fibras industriais, cosméticos, óleos comestíveis, produtos de limpeza e outros. Também no eixo Leste, mas já ao Sul do Estado, encontra-se a segunda maior produção de banana do país.

 

 

Fruticultura encontra terreno fértil

O Estado do Pará é o segundo maior produtor brasileiro de maracujá, atrás apenas de Sergipe. A produção local é de 230 mil frutos por hectare, acima da média nacional, com destaque para Irituia e Capitão Poço. Estes mesmos municípios vêm desenvolvendo com mais sucesso a produção de citrus, em especial a laranja, concentrando 70% da produção estadual. Esta cultura vem registrando um aprimoramento tecnológico nunca antes observado, que permite a produtividade de 400 frutos por pé. Este potencial, somado à proximidade dos portos locais com o mercado consumidor norte-americano, vem estimulando a instalação de indústrias para processar a laranja paraense.

Paralelamente, o Sul destaca-se na produção de abacaxi, já com exemplos de industrialização do produto. Em franca expansão também encontram-se as culturas do mangostão e da acerola, além cupuaçu e o açaí, todos com largo aproveitamento na produção de óleos, sucos, compotas, chocolates, sorvetes e palmitos.

 

Também há terra para as fibras

Ao longo de todo o eixo Leste, incluindo o Sudeste e o Nordeste paraenses, há culturas agrícolas despontando ou voltando a se consolidar, como é o caso da malva no Nordeste, em fase de reorganização nos municípios ao longo da BR-316 para a produção de fibras. Trata-se de um ressurgimento, já que no passado esta mesma região chegou a produzir 43 mil toneladas de fibras. Após um período de franca decadência, já é possível constatar um surpreendente soerguimento da atividade, com ganhos tecnológicos no processamento da fibra, que ganha cada vez mais espaço como substituta da fibra sintética.

O conceito de agricultura e economia sustentáveis, ou seja, que contribuam para a inserção de populações do interior no processo produtivo, faz com que muitos países do primeiro mundo prefiram a fibra natural à sintética como matéria prima industrial. Há também técnicas alternativas para o aproveitamento de seus resíduos na produção de fertilizantes e painéis de materiais fibrosos.

Na mesma perspectiva de crescimento encontra-se o cultivo do algodão, que tem no Pará uma pluma de fibra longa, fina e resistente, considerada de excelente qualidade e ótimo rendimento industrial. Segundo as estimativas do Governo do Estado, a médio prazo uma expansão da lavoura do algodão para pelo menos 300 mil hectares, tornado viável a instalação industrial da extração de plumas, óleos e fiação. O Governo está fomentando a transformação de unidades agroindustriais, e absorver mão-de-obra de diversas qualificações.

 

ECONOMIA Agricultura – Pará

 

SOJA – Mudanças no perfil da agricultura

 

No sul do Pará, na faixa territorial entre as rodovias BR-158, PA-150 e Rio Araguaia, o Governo do Estado e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) vêm estimulando a implantação de um pólo de soja para o aproveitamento de pelo menos 1 milhão de hectares de cerrado nos municípios de Redenção, Pau D’Arco, Conceição do Araguaia e Santa Maria das Barreiras. Mais 1 milhão de hectares deverão ser incorporados à produção de soja ao longo da BR-222, BR-010 e PA-150. outros estudos de viabilidade técnica indicam que o Nordeste do Pará, incluindo Paragominas e mais 16 outros municípios, com área potencial de quase dois milhões de hectares para o plantio da soja. No Oeste, a Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) estima o aproveitamento de 1,2 milhões de hectares de cerrado em áreas alteradas nos municípios de Jacareacanga, Trairão, Itaituba e Santarém, com expectativa de produção de 2,1 milhões de toneladas. São os pólos de soja que vêm sendo incentivados pelo Governo do Estado, com a consultoria técnica da Campo Agropecuária, empresa responsável pela parte tecnológica de toda a soja implantada na região Centro-Oeste, hoje maior produtora nacional do grão.

A comparação de vantagens coloca a soja paraense em lugar de destaque em relação a outras regiões produtoras, com destaque para o Município de Paragominas, no aspecto dos custos de transporte, em especial a partir da nova alternativa de corredor de escoamento representada pela Hidrovia do Capim, cujo projeto é considerado de fácil execução. Com 440 km de extensão entre os rios Guamá e Capim, incluindo o trecho flúvio-marítimo entre os portos da Sotave, em Outeiro, e Vila do Conde, em Barcarena, esta hidrovia será em breve um canal moderno, eficiente e confiável, que reduzirá o custo do transporte para a exportação de grãos e minérios produzidos na região do Rio Capim.

Em Paragominas, e no seu entorno, há toda uma área já alterada por desmatamentos e pastagens apenas à espera de ser incorporada ao processo produtivo agrícola. No Sul do Pará, a integração através de diversos modais de transporte é a principal vantagem para o plantio da soja.

Todos os pólos possuem atrativos quanto à localização, já que ficam ao longo do corredor de exportação que desemboca no estuário do Rio Pará. Outra vantagem reside na existência de grandes depósitos de calcário na região, garantia de correção do solo para a agricultura.

O Governo Federal reconheceu que a opção de aproveitamento da Hidrovia Tocantins-Araguaia em toda a sua extensão, até o estuário do Rio Pará, reduzirá ainda mais o custo de escoamento de carga de grande parte da região central do Brasil. Associada a investimentos infra-estruturais, será um componente estratégico para a plena dinamização de investimentos produtivos no Leste paraense, com comprovam estudos realizados pela CVRD.

 

Hidrovia oferece vantagens

 

O aproveitamento integral da Hidrovia Tocantins-Araguaia até o porto de Vila do Conde, dizem os técnicos da Vale, assegura a vantagem econômica da exploração de soja no Sul do Pará e Norte do Mato Grosso. O pólo potencial de soja do Sul paraense conseguiria, com esta infra-estrutura, uma redução de US$ 44,5 no custo de transporte em comparação ao pólo de Diamantino, no Mato Grosso, ou de US$ 14,17 em comparação a Cascavel, no Paraná, e ainda US$ 11,45 em relação a Balsas, no Maranhão.

O estudo da CVRD demonstra as vantagens econômicas da localização de pólos de soja no Sul do Pará e Norte do Mato Grosso, e comprova a ampla competitividade do aproveitamento da hidrovia até o estuário do Rio Pará, em comparação com a perspectiva inicial de aproveitamento até Xambioá, no Estado de Tocantins com ligação rodo-ferroviária até o Maranhão.

 

 

COMPARAÇÃO DE CUSTO DE TRANSPORTE DA SOJA EM DIFERENTES

PÓLOS PRODUTORES (US$/ TONELADA)

 

Discriminação

Pólos Produtores

Diamantino (MT)

2.015 km de Santos

Cascavel (PR)

600 km de Paranaguá

Balsas (MA) 1.000 km do Porto de Ponta da Madeira

Sul do Pará 930 km do Porto da Ponta da Madeira

Sul do Pará 943 km do Porto de Vila do Conde

Frete rodoviário

42.00

15.00

10.75

6.18

4.03

Frete ferroviário

-

-

8.15

9.50

-

Frete fluvial

-

-

-

-

3.23

Despesa pontuaria

11.00

8.00

4.40

4.40

4.40

Sub-Total

53.00

23.00

23.00

20.08

11.66

Frete marítimo/ Roterdã

17.00

17.00

14.00

14.00

14.19

Total

70.00

40.00

37.30

34.08

25.85

Fonte: CVRD

 

Para o Governo do Estado esta alternativa econômica já deixou de ser um mero exercício teórico, indicativo de operações futuras. A complexidade operacional, que gerou incertezas sobre a realização das obras da Hidrovia Tocantins-Araguaia (transposição das corredeiras de Santa Izabel no período de águas altas e transbordos ou contornos da barragem da Hidrelétrica de Tucuruí), estará superada em pouco tempo.

O projeto executivo para a conclusão das eclusas de Tucuruí esta pronto, tenho sido totalmente atualizado e revisado, com o custo atual de R$ 210 milhões. O Ministério dos Transportes já destinou R$ 40 milhões do Orçamento da União para que as obras sejam concluída no ano 2000. Os projetos executivo e alternativo para a transposição das corredeiras de Santa Izabel estão em andamento, e qualquer das alternativas poderá ser executada.

 

Oeste vai produzir 2 milhões de toneladas de soja

 

A região de influência da BR-163 (a Santarém-Cuiabá) e da Hidrovia Tapajós-Teles Pires, da BR-230 (Transamazônica) e da rodovia estadual PA-254, convergindo para o porto de Santarém, desponta como uma das mais estratégicas e competitivas opções para o escoamento de produtos brasileiros, com destaque para o emergente cultivo de grãos do Centro-Oeste.

Em território paraense, é claro, o potencial de aproveitamento produtivo no entorno dos eixos de escoamento apresenta vantagens comparativas naturais capazes de potencializar os efeitos da intervenção econômica e social promovida pelo Governo do Estado. Ao todo, 1,2 milhão de hectares de cerrado e áreas alteradas nos municípios de Jacareacanga, Trairão, Itaituba e Santarém estão sendo preparados para a produção de 2,1 milhões de toneladas.

O Oeste do Pará apresenta todas as condições para consorciar-se ao Norte do Mato Grosso, uma das regiões econômicas mais dinâmicas do país, com 9% da produção nacional de grãos e um rebanho bovino de 10 milhões de cabeças. Porém, essa região se encontra diante de um gargalo, devido à dificuldade no escoamento da produção, em função do custo elevado do transporte até os mercados nacionais e internacionais.

Diante deste estrangulamento, a alternativa de um eixo Cetro-Oeste/Oeste do Pará é a mais vantajosa opção de acesso ao mercado internacional, na forma dos corredores representados pela rodovia BR-163 e pela Hidrovia Tapajós-Teles Pires.

Empresários da região de Alta Floresta, no Mato Grosso, já concluíram que o custo de frete do escoamento da soja, tomado a partir da região central do seu Estado, no Município de Sorriso, em direção ao porto de Roterdã, na Holanda, através do porto de Santarém e passando pela BR-163, teria um diferencial entre US$ 33,0 e US$ 37,5 em relação ao escoamento pelos portos de Paranaguá, no Paraná, e Santos, em São Paulo.

A Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental (Ahimor) também chegou à conclusão semelhante para o custo do transporte de grãos em uma área de influência de 711 mil km², na qual plantam os agricultores pelo menos 21 municípios do Mato Grosso e oito do Pará, e que escoando seus grãos pelo corredor do Tapajós economizaram em torno de US$ 36,4 por tonelada em comparação às opções do sudeste e sul do país.

 

ECONOMIA – Agricultura Pará

 

Cerrado uma opção viável

 

O setor primário da economia paraense foi por muito tempo caracterizado pela baixa eficiência com resultado da falta de investimentos concentrados, ausência de pesquisa de potencialidade e carência de incentivos de toda ordem. Baseado historicamente no extrativismo, exportou, de início, as chamadas “drogas do sertão” e experimentou uma incipiente exploração agrícola de cacau, café, arroz, cana-de-açúcar, algodão, mandioca e fumo. Em 1840 tem início o famoso “ciclo da borracha”- época de oura da economia paraense – que se extingue em 1912. A coleta de castanha-do-Pará e a extração de madeira começam a tornar importância a partir desse período. A agricultura racional somente toma papel significativo com a introdução da juta e pimenta-do-reino em 1940, por imigrantes japoneses. A partir da década de 60, com a abertura da rodovia Belém-Brasília, a transformação da SPVA em Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e dos inúmeros programas governamentais baseados em incentivos fiscais – a chamada “Operação Amazônia” – o Estado do Pará é palco de significativas transformações.

Extensas áreas de florestas são derrubadas para a implantação de pastagens que não conseguem obter sustentabilidade econômica. A exploração madeireira se exacerba e o nível de degradação ambiental atinge índices que provocam severas críticas das comunidades preservacionista nacionais  e internacionais.

Durante todo este período poucos são os sistemas de produção agrícola disponíveis na região tropical úmida brasileira que apresentam autosustentabilidade econômica, ecológica e social.

Concomitantemente, no Brasil, a partir da década de setenta, o cultivo da soja toma impulso e, com apoio de inovações tecnológicas, ocupa as fronteiras de baixas latitudes, com destaque para as áreas de solo improdutivo do Brasil Central, denominados genericamente de cerrados.

Os limites se expandem até as proximidades do paralelo 6º de latitude sul, atingindo as regiões Norte e Nordeste do Brasil.

O Estado do Pará dispõe de significativa extensão de solos de cerrados em sua região sul, com ênfase para exploração a curto prazo na sua porção sudeste.

Estes solos marginais, sob o ponto de vista econômico, com o emprego das inovações tecnológicas hoje desenvolvidas podem ser incorporados ao processo produtivo agrícola na produção de grãos, principalmente de soja, autuando como elemento atenuador do avanço dos produtores em direção às áreas de florestas.

Assim, o Estado do Pará apresenta condições plenas de participar do “Programa Corredor de Exportação Norte”, que vem sendo desenvolvido pelos Estados vizinhos àquela região – Maranhão, Tocantins e Piauí – cujos governos vislumbram a possibilidade de dinamizar as amplas áreas economicamente marginais contíguas às suas fronteiras, caracterizadas por áreas de “cerrado”, cujas dificuldades de aproveitamento agrícola foram completamente superadas pelas tecnologias desenvolvidas pelos Centros de Pesquisa da EMBRAPA (CPAC, CNPSO, CNPAF, CNPMS e SNPSE). Os elevados índices de produtividade da soja, conseguidos nas áreas de “cerrado” do Município de Balsas (MA), ampliou esta perspectiva e hoje a produção de grãos (soja, arroz, milho e feijão) é uma realidade.

Um esforço conjunto de diferentes órgãos federais, como a Secretaria de Desenvolvimento Regional da Presidência da República, a Companhia Vale do Rio Doce, Banco do Brasil S/A, BNDES – Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, BASA – Banco da Amazônia S/A, BNB – Banco do Nordeste do Brasil, CONAB – Companhia Nacional do Abastecimento e EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em parceria com os governos daqueles Estados, resolveram criar as condições necessárias para implementar um amplo programa de produção, transporte e comercialização de grãos nessa área, através do “PROGRAMA CORREDOR DE EXPORTAÇÃO NORTE”. Este Programa visa integrar 3.000.000 de hectares de cerrados, capazes de produzir 5 milhões de toneladas/ano de grãos, com todos os benefícios adicionais que um programa desta magnitude traz em seu bojo, entre os quais a geração de empregos diretos e indiretos. Sua implantação, definida como prioritária pelo governo federal, vem sendo feita desde fevereiro de 1991.

O Estado do Pará, com uma superfície de 1.248.022 km², dispõe em seu território de um total de 5.731.126 hectares de cerrado, dos quais aproximadamente 1 milhão de hectares constituem-se uma expansão da ampla área de cerrado do Brasil Central e estão localizadas nos municípios de Redenção, Pau d’arco, Conceição do Araguaia, Santana do Araguaia e Santa Maria das Barreiras, com amplas possibilidades de participar desse programa federal. Essa área encontra-se estrategicamente localizada na região do sudeste paraense, integrada portanto geograficamente ao Programa Corredor de Exportação Norte. Esta situação lhe permite usufruir do transporte ferroviário fornecido pela Estrada de Ferro Carajás – Ponta da Madeira para o escoamento de sua produção.

 

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA

 

A área onde será priorizada a cultura da soja situa-se no polígono compreendido: a oeste pelo Meridiano 52º, ao sul com a fronteira do Estado do Mato Grosso, a leste com o Rio Araguaia e ao norte como o Paralelo 5,5º. Esse pólo poderá vir a ser ampliado.

 

CLIMA E SOLOS

 

A região se caracteriza pelo clima AW na classificação de Koppen, representando um período de 4 meses de seca definida (junho, julho, agosto e setembro).

Os solos são os típicos de cerrado, com elevada acidez, alto teor de alumínio e baixo nível de nutrientes.

O revestimento florístico envolve as quatro fisionomias de cerrados: campo, campo sujo, cerrado e cerradão.

 

CARACTERÍSTICA POPULACIONAL

 

Nas últimas décadas a região sudeste do Pará tem sido palco de um intenso processo migratório por parte dos brasileiros de outras regiões do País, quebrando a tradicional preocupação autóctone via penetração fluvial.

Grande parte desses produtores migrantes, principalmente goianos, gaúchos, mineiros, paranaenses e capixabas, que ocuparam também os cerrados, possuem tradição agrícola que os habilitam como produtores de grãos em bases tecnológicas não convencionais para a região amazônica. No potencial humano desses agricultores evidenciam-se qualidades significativas como: capacidade gerencial, experiência, tradição, pertinácia e coragem. Como se sabe, uma das mais sérias limitações ao sucesso de um programa de desenvolvimento rural está na qualidade dos recursos humanos que se dispõe. Fica portanto evidenciado que os produtores da região possuem um perfil satisfatório para participar do programa.

 

 

 

Soja uma versatilidade que dá lucro

 

Originária do sudeste asiático, a soja é conhecida há mais de 5.000 anos em culturas na China e no Japão. É a planta da família das leguminosas conhecida cientificamente como Glycine Max. Apresenta-se como um pequeno arbusto anual, erguido ou prostado, com altura variável de 40 cms a 2 metros, com muitas folhas e ramos. Suas folhas, compostas de 3 folíolos, são alternadas, com um grande pecíolo. As flores são hermafroditas com coloração branca, amarela ou violácea, conforme a variedade e se apresentam em cachos simples. As vagens são pequenas, um tanto falciformes, comprimidas, híspidas, bivalves, com duas sementes.

Compreende-se que se tenha tornado o alimento diário dos chineses, quando considerarmos que a grande fragmentação das propriedades agrícolas em algumas províncias, que caracterizou durante séculos a exploração da terra naquele País, inviabilizando a pecuária, necessitando pois, os chineses, de um alimento vegetal que substituísse a carne, o leite e seus derivados.

Possuindo alto teor de óleo e proteínas (seu grãos têm, em média, na base seca, 35% de proteína e 17% de óleo), a soja é muito recomendada para a alimentação humana e animal. Depois de refinado, o óleo de soja pode ser usado como óleo de soja pode ser usado como óleo de salada ou de cozinha e dá origem, ainda, a mais de 50 produtos alimentares, entre os quais a margarina. Os empregos industriais desse óleo cresce dia a dia, figurando entre eles a fabricação de velas, sabão, tintas, vernizes, esmaltes, graxas, sucedâneos da borracha, linóleo, inseticidas, desinfetantes, etc. A torta obtida na extração do óleo tem 40 a 48% de proteína, e serve para a fabricação de farinha de soja (essa farinha é rica em proteínas mas é pobre em hidratos de carbono, sendo, assim excelente para diabéticos). Ela pode ser usada para a fabricação de broas, biscoitos e doces diversos. Essa mesma torta é empregada ainda na fabricação de matéria plástica, substâncias adesivas, fertilizantes diversos, fibra têxtil sintética, etc.

A soja é consumida fresca, seca ou fermentada, preparando-se com ela diversos pratos locais. Os brotos novos da planta constituem um alimento muito apreciado no Oriente. Com as sementes prepara-se um leite de propriedades e sabor semelhantes aos do leite de vaca. É especialmente recomendado para crianças que demonstrem reação alérgica ao leite de vaca e aos leites industrializados. Esse mesmo leite pode ser empregado na fabricação de queijo e manteiga.

O farelo e a torta, subprodutos da industrialização dos grãos, são de alto valor para a fabricação de rações para gado. A massa verde pode ser ensilada ou fenada também para esse fim, originando uma massa seca que contém aproximadamente 19% de proteína, 37% de carboidratos, 32% de fibras e 9% de sais minerais, além de outros componentes.

A soja constitui ainda importante adubo verde, graças à sua capacidade de fixar o nitrogênio do ar atmosférico, que pode ser, deste modo, incorporado ao solo. Tal propriedade é devida à ocorrência, em suas raízes, de bactérias nitrificadoras, que vivem numa verdadeira simbiose com a planta.

Há mais de 1.000 variedades de soja. De um modo geral ela desenvolve-se bem em regiões de temperaturas médias entre 20ºC e 35ºC com uma precipitação média anual de 170/1200 mm bem distribuídos.

Apesar da antiguidade de seu conhecimento, a difusão da soja é relativamente recente. No século XVII foi introduzida em outros países asiáticos, chegando à Europa em 1739, aos Estados Unidos em 1804 e ao Brasil em 1822. Em nosso País, contudo, a produção só começa a ser quantificada, de maneira modesta, na década de 40. Atualmente o Brasil é  o segundo produtor mundial, superado apenas pelos EEUU.

Os maiores produtores mundiais de soja têm um mercado em expansão – no qual o maior consumidor mundial é o Japão – devido ao aumento da demanda de rações proteinadas e de óleos vegetais e comestíveis. A preferência em relação à soja, entre outras oleatinosas, deve-se ao desenvolvimento de uma tecnologia voltada para a fabricação de alimentos proteinados à base de aminoácidos extremamente semelhantes à proteínas animais.

 

Área, produção e rendimento médio nas regiões tradicional e de expansão, no período 1970 a 1993, Brasil

Região Tradicional

Região em expansão (cerrados)

Safra/Crop

Área

1.000 ha

Produção

1.000 t

Rendimento

1/ha

Área

1.000 há

Produção

1.000 t

Rendimento

t/ha

1970

1.303,5

1.487,9

1,14

15,3

20,6

1,35

1975

5.497,8

9.458,6

1,72

326,6

434,4

1,33

1980

7.479,4

12.955,2

1,73

1.294,5

2.200,6

1,70

1985

6.752,2

11.648,4

1,72

3.400,0

6.630,0

1,95

1990

6.678,0

12.608,0

1,89

4.533,0

6.977,0

1,54

1991

6.061,0

8.590,0

1,42

3.562,0

6.599,0

1,85

1992

5.365,0

10.385,0

1,93

3.758,0

8.790,0

2,34

1993*

6.270,0

11.890,0

1,89

4.245,0

4.245,0

2,18

*Dados preliminares/ Fonte IBGE

 

As vantagens de plantar soja no Pará

 

A implantação do Pólo Agroindustrial da Soja tem o objetivo geral de tornar produtivas as vastas áreas de cerrado localizadas na região Sudeste do Estado do Pará, através da produção de grãos, com especial destaque para a cultura da soja.

Além disso, outros objetivos específicos podem ser alinhados:

v       Reduzir o avanço da fronteira agrícola sobre o ecossistema de floresta;

v       Incorporar, a nível de produtor, tecnologia condizente à produção em economia de escala;

v       Introduzir as áreas de cerrado do Sudeste paraense no Corredor de Exportação Norte;

v       Elevar a renda do Estado com sua conseqüente distribuição e melhoria de vida;

Podemos concluir que a devastação florestal, seja para a exploração madeireira ou fins pecuários, deverá receber um ponderável redução, pelo interesse que certamente despertará esta nova atividade econômica.

Analizando as variáveis que viabilizaram a cultura da soja, podemos destacar como indicadores mais representativos para a região Sudeste do Pará os seguintes:

v       Garantia de mercado internacional;

v       Comercialização direta com a Bolsa de Cerais de Rotterdã;

v       Sistemas integrados de transporte rodoviários, ferroviários e fluvio-marítimo a preços competitivos;

v       Alta produtividade da cultura no ecossistema de cerrado;

v       Produtores com experiência da lavoura de grãos.

Desse modo, a cultura da soja apresenta elevada rentabilidade por área, permitindo ao produtor auferir ganhos reais na ordem de US$ - 500/há de receita bruta e de US$ - 200/há de receita líquida por safra.

O Estado do Pará ao incorporar, através de um programa bem estruturado, 700.000 hectares de cerrados, na produção de grãos a nível de economia de escala, estará oportunizando a capitalização, por safra, de US$ - 350,000,000 para a região Sudeste do Pará. Tal fato demonstra por si só, a capacidade indutora de crescimento da agricultura, estimando-se que o programa deverá gerar 100.000 empregos constituindo-se em benefício social significativo para toda a população.

 

INCENTIVOS FISCAIS

 

O Pará é favorecido pelos incentivos fiscais da SUDAM – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – através da Lei nº 13.076 de 12 de dezembro de 1974, que dispõe sobre a criação do Fundo de Investimentos da Amazônia – FINAM.

 

    Dedução do Imposto de Renda – Visa estimular e atrair novos investimentos em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento econômico e social da região. É concedido a todos os empreendimentos nacionais que se enquadram a esse conceito de prioridade.

    Isenção do Imposto de Renda – É a renúncia total ou parcial, por parte do governo, desse tributo, com o objetivo de atrair a iniciativa privada para participar do esforço de desenvolver a região. A SUDAM pode conceder, de acordo com a legislação, a isenção do Imposto de Renda por 10 anos e com prorrogação eventual por mais 5 anos.

    Redução do Imposto de Importação e Tributos Internos – A SUDAM pode conceder até 80% de redução dos Impostos sobre a Importação de Bens de Capital e Isumos Básicos. É concedido às empresas que utilizam bens de capital sem similar nacional, em projetos de interesse regional ou considerado prioritário para o desenvolvimento nacional.

    Financiamento – De acordo com a prioridade concedida pela SUDAM ao projeto, o empreendimento assume 15%, 40% ou 70% dos investimentos, através de recursos próprios. O restante virá em forma de incentivos fiscais até o máximo de 85%.

Além dos benefícios fiscais previstos na legislação federal para os projetos que forem implantados da Amazônia, o Governo do Estado do Pará concederá, também, estímulos fiscais para que esteja disposto a investir na implantação do Pólo Agro Industrial da Soja no Sudeste Paraense.

 

PESQUISA

 

A presença da EMBRAPA na região de Balsas (MA) conta uma década. A instalação de Unidade Avançada de Apoio ao Programas Nacionais de Pesquisas de Soja do CNPSO (Centro Nacional de Pesquisa de Soja) em Balsas, no ano de 1987 possibilitou a geração, adaptação e difusão de um grande número de tecnologias, cujos principais resultados foram:

v       Lançamento da cultivar de soja “Tropical” que viabilizou a implantação da cultura;

v       Lançamento das novas cultivares “Cariri” e “Seridó” com produtividade de 50% superior à “Tropical”;

v       O lançamento de 1989 de mais duas variedades, “Potiguar”e “Rio Balsas”;

v       Indicação de cultivares de milho e arroz de elevada produtividade;

v       Tecnologia para produção de semente de soja com o uso de irrigação por aspersão (pivô-central) no período de maio/setembro com elevado retorno técnico-econômico;

v       Dada a região que envolve o Corredor de Exportação Norte, situar-se na mesma amplitude de latitude do Sudeste do Paraense, as tecnologias na unidade de Balsas não deverão apresentar acentuadas modificação de comportamento. Todavia, é necessária a implantação de um Campo Experimental da EMBRAPA na região.

 

 

ECONOMIA – Agricultura Pará

 

Fruticultura

 

A fruticultura também caminha bem no Pará, com destaque para o abacaxi, principalmente depois que o grupo italiano Tropical Food Machinery instalou no estado, em 1998, a Agroindústria Floresta do Araguaia Conservas Alimentícias para a produção de suco concentrado da fruta. Em julho deste ano, a expectativa era de que a safra de abacaxi do Pará superaria a de Minas Gerais, tradicional líder em produção no País.

A agroindústria paraense processa anualmente 22 mil toneladas de abacaxi e pretende chegar logo a 65 mil toneladas. Quase toda a produção de suco vai para os Estado Unidos, a Europa e a Ásia.

O plantio comercial de açaí, para aproveitamento da fruta e do palmito, também ganha espaço no estado e já supera 10 mil hectares, graças ao surgimento de agroindústrias com a Produtos Naturais da Amazônia (Pronam) e FrutPará. O açaí é uma palmeira nativa que pode ser plantada com facilidade e atinge a idade adulta em três anos.

Cítrico

 

O Pará vai brilhar ainda na citricultura, graças aos investimentos da Cítricos do Pará (Citropar), braço da construtora Estacon, que deverá estar produzindo 180 mil toneladas de laranja de mesa em 2004. Com isso, o estado passaria do sexto para o quarto lugar em produção de cítricos. Embora não pretenda produzir suco, a Citropar usa tecnologia avançada para reduzir o excesso de verde das frutas e para prolongar sua durabilidade.

A verticalização cresce também na pecuária paraense, fazendo justiça ao fato de o estado ter, segundo a Federação de Agricultura, um rebanho de 12 milhões de cabeças, o maior do Norte do País. Na bacia leiteira de Marabá está sendo instalada, com investimento de R$ 16,5 milhões, a Indústria de Laticínios do Norte (Lacnorte), com capacidade inicial de processamento de 120 mil litros de leite por dia. Com isso, o Pará vai ter produtos como manteiga e leite em pó, ainda comprados em outros estados.

Criadores de gado  de corte têm igualmente onde colocar as boiadas: há quatro frigoríficos no sul e no sudeste do Pará, onde se concentra o rebanho. O mais novo é o Xinguara Indústria e Comércio, construído no município do mesmo nome pela Tetra Park , Multinacional suíça do ramo de embalagens, e pela empresa pernambucana Rio Grande Participações.

 

ECONOMIA – Agricultura – Santarém

 

Facilidade de escoamento incentiva produção de grãos em Santarém

 

Em 1958, o agricultor cearense José Quincó chegava a Santarém, fugido da seca, engrossando o número de migrantes que buscavam na Amazônia a oportunidade de viver da terra.

Passou anos seguidos tecendo juta produzida ás margens do rio Amazonas. Em 1973, depois de trabalhar na construção da hidrelétrica Curuá-Uma, montou uma pequena usina de beneficiamento de arroz. Foi também com o plantio de arroz que colheu além do necessário para o sustento da família. Depois da lavoura de arroz, veio a de milho, e Quincó, ora produtor, ora comerciante de grãos, firmou-se na região.

Com o tempo os negócios de José Quincó foram assumidos pelo primogênito de sete filhos, Francisco, um apaixonado pela terra escolhida pelo que só fez aumentar o patrimônio herdado. As terras da família somam atualmente 23 mil hectares, distribuídos em três fazendas: Lagoa Azul, Lavras e Moju Grande. O plantio de arroz e de soja ocupa todo ano cerca de mil hectares. Numa área um pouco maior são criadas 2 mil cabeças de gado.

A primeira safra comercial de arroz da família, colhida em 1991, em 50 hectares, rendeu 120 toneladas. Em 1999, a quantidade superou 3 mil toneladas. Durante os seis primeiros anos, Quincó investiu no cultivo de arroz, dobrando a área plantada até o quinto ano.

A soja foi introduzida há dois anos. Em pouco tempo a área cultivada com soja dobrou de tamanho e a tendência é de crescimento mais acelerado nos próximos anos.

Pioneiro no cultivo do grão no oeste do Pará, Quincó está incentivando a vinda de mais agricultores para Santarém.

Além de aumentar a área de plantio ano a ano, o agricultor vem obtendo consideráveis ganhos de produtividade com adubação e correção do solo. Nos primeiros quatro anos, a produtividade do arroz manteve-se em 2,4 mil quilos por hectare. A partir do quinto ano, aumentou para 3 mil quilos e atingiu 3,6 mil na safra colhida em 1998. “Nossa meta é atingir 4,2 mil quilos por hectare no arroz e 3 mil quilos na soja”, diz o agricultor.

Ele mantém um campo experimental em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Nessa área está sendo estudado o comportamento de 75 cultivadores de soja provenientes do Paraná. As variedades são adaptadas ao clima da região.

O aumento da produção na fazenda de Quincó está ocorrendo simultaneamente ao desenvolvimento do pólo agrícola de Santarém. Na última safra foram cultivados na região 3 mil hectares, com produção da ordem de 8 mil toneladas de grãos. Embora o pólo agrícola de Santarém ainda tenha participação pequena na produção total de grãos do estado, de cerca de 1 milhão de toneladas neste ano, o crescimento sobre a safra anterior foi surpreendente: 50% em área plantada e 61,5% em produção.

“Na próxima safra a área será ampliada para 8 mil hectares, podendo render uma colheita de aproximadamente 24 mil toneladas de grãos”, prevê Quincó. A soja deverá ocupar cerca de 30% daquela área. As vendas de máquinas agrícolas são um bom indicador do desenvolvimento agrícola da região: na safra 1997/98 foram comercializadas apenas três colheitadeiras em Santarém; o número saltou para 20 na safra 1998/99.

Esse pólo agrícola é quarto do estado, atrás dos de Paragominas (área plantada de 15 mil hectares na última safra), de Marabá (10 mil) e de Redenção (5 mil). Mas tem o diferencial da logística: com a ampliação do porto de Santarém, o pólo será um dos mais competitivos do País, registrando custos de escoamento 50% inferiores aos de outras regiões.

Há no entorno de Santarém cerca de 500 mil hectares de terras apropriadas à atividade agrícola e ainda baratas. Em todo o oeste do Pará, o número salta para 1 milhão de hectares. Os preços variam de R$ 60,00 a R$ 100,00 o hectare, dependendo da distância em relação à rodovia Cuiabá-Santarém.

A possibilidade de produzir duas safras de grãos por ano está levando alguns agricultores a comprar terra para plantar também no oeste do estado. “Como em Santarém o plantio da safra ocorre entre janeiro e fevereiro, época de chuvas, é possível encerrar a colheita da safra de Mato Grosso em fevereiro e colher a safra paraense entre maio e junho”, diz Quincó.

Mas não é fácil encontrar terra contínuas e regularizadas. Áreas adequadas para plantio de grãos estão, na maioria, em mãos de pequenos agricultores, com atividade de subsistência. Além disso, não se encontram legalizadas, por pertencerem á jurisdição do Incra. “Grandes produtores interessados em mais de mil hectares só encontram áreas recortadas e precisarão negociar com muitas pessoas”, diz Jaci Barros, secretário municipal de Agricultura.

 

Fruticultura

 

Produção de abacaxi sobe como rojão; laranjas também

Com o forte deslocamento das fronteiras agrícolas para a região Norte, a fruticultura paraense vive um momento de festa. Os plantadores de abacaxi que o digam.

Essa cultura deve atingir neste ano a maior produção do País – com 374 milhões de frutos – e deixar para trás a produção de Minas Gerais, líder tradicional. O crescimento chega a espantar. Na safra de 1992, o estado era o 12º do ranking, com 18,6 milhões de frutos. Em 1998, já cravava o 2º lugar, com 249 milhões de frutos.

 

ECONOMIA - Agricultura – Açaí

 

A correria entra em movimento

 

Açaí, abacaxi e leite impulsionaram a incipiente cadeia produtiva do setor

 

O açaí, fruta de uma palmeira nativa da região amazônica, já injeta cerca de R$ 40 milhões anuais nos dois principais estados produtores, o Pará e o Amapá. Sua venda triplicou desde 1995. No ano passado, a área de plantio no Pará cresceu 143,3%, para 10,2 mil hectares, o que rendeu uma safra de 111,5 mil toneladas. Oferecida em tigelas – misturada com granola, guaraná, acerola e outras frutas – ou congelada para indústrias de sucos, a  frutinha passou a ser cultivada comercialmente a cerca de um ano e vem animando os donos de indústrias processadoras do Pará a investir mais no negócio.

A cooperativa de Tomé-Açu, por exemplo, está aplicando R$ 2 milhões na modernização de sua linha de produção e na ampliação de armazéns.

“ Como as vendas estão dobrando todos os anos, é necessário aumentar a fábrica”, explica o gerente da cooperativa, que congrega cerca de 100 sócios. A capacidade de armazenamento vai crescer 250 mil toneladas. Dispor de um depósito é essencial nesse ramo. Isso porque a demanda pela fruta paraense – mais intensa entre os meses de dezembro e abril – anda na contramão da safra, que ocorre entre agosto e dezembro.

 

Popularização – Tudo começou em 1994, quando o engenheiro químico paraense Nemer Alfredo Findello aprofundou seus estudos de polpas de frutas pasteurizadas, entre elas a do açaí. Pós-graduado em tecnologia de alimentos pela Unicamp, Findello foi consultor de empresas paraenses de palmito em conserva, durante anos.

As pesquisas resultaram em uma nova fórmula: o açaí açucarado e pasteurizado, desenvolvida pelo químico. Com validade de dois anos, essa nova versão da fruta está sendo oferecida em latas de um litro e distribuída em redes nacionais de supermercados pela Pronam – Produtos Naturais da Amazônia, até então especializada em palmito, que iniciou em maio último a produção diária de 400 latas de polpa do açaí.

A perspectiva é de ampliação gradual da produção para atingir 3 mil latas/dia até o final do ano. “Nossa meta é transformar a polpa de açaí no carro-chefe da empresa”, diz o diretor. A polpa pasteurizada pode ser mantida à temperatura ambiente. Com o lançamento do novo produto o faturamento da Pronam deve crescer 200% neste ano, para R$ 3,6 milhões.

Com a finalidade de reflorestar áreas de palmeiras de açaí, o empresário instalou sua indústria numa região de alta concentração de produção da fruta, no município de São Sebastião da Boa Vista, distante 100 quilômetros de Belém, onde só se chega por via fluvial. O processo de replantio é simples, pois basta jogar o caroço do açaí no solo que ele rebrota com facilidade.

Por outro lado, o clima úmido da região amazônica favorece o desenvolvimento acelerado da palmeira, que em três anos entra na fase adulta e começa a produzir. “Estamos reflorestando nossa área cerca de 415 hectares e ensinando as famílias ribeirinhas a fazer o mesmo”.

 

Abacaxi – Por outro lado, a instalação da empresa italiana Tropical Food Machinery era o que faltava para a fruticultura paraense voltasse a brilhar no mercado internacional. Com investimentos iniciais de US$ 3 milhões, a empresa montou a subsidiária brasileira Agroindústria Floresta do Araguaia Conservas Alimentícias Ltda. (Flora), que começou a operar em 1998 exportando 90% da produção para a Europa, os Estados Unidos e a Ásia.

A empresa processa 22 mil toneladas de abacaxi por ano, o que rende 3 mil toneladas de suco concentrado. No ano 2000, serão 65 mil toneladas para 8 mil toneladas de concentrado produzidas, reservando-se o mesmo percentual para a exportação. No mercado nacional, o produto da Flora é vendido como produto semi-industrializado para as indústrias alimentícias Maguari, Cajubrás, Cica e Arisco.

 

Laticínios – Também o grupo industrial pernambucano Queijo Minas está investindo alto – R$ 16,5 milhões – para montar a primeira grande indústria de laticínios do Pará. Numa parceria com a Comércio e Indústria de Laticínios (Comila), do Tocantins, fechada em fevereiro passado, a Queijo Minas criou a Indústria de Laticínios do Norte (Lacnorte), que começa a operar ainda neste ano em Marabá, no sul do Pará.

O investimento vai resultar numa produção inicial de 120 mil litros leite por dia. Em 36 meses, essa capacidade subirá para 500 mil litros. A estratégia é passar a processar no Pará produtos que ainda dependem de fornecimento externo, como a manteiga e o leite em pó.

Segundo o secretário estadual de Agricultura, o projeto pioneiro da Lacnorte marca o início da verticalização da bacia leiteira do Norte do País e da profissionalização do mercado lácteo na região.” Além da linha de leite, queijos, iogurtes e manteigas que a empresa vai produzir, cada um dos 17 municípios da bacia leiteira do sul do estado funcionará como fornecedor, com coleta e câmaras de resfriamento”, diz.