PLANTAS MEDICINAIS

 

Associação Brasileira da Indústria Fitoterápica

 

Consultoria em Botânica. Apostilas, sementes e mudas

 

Base de Dados sobre Plantas Medicinais do ESALQ/USP.

 

Artigos Fitoterápicos. Dicas de Saúde

 

Embrapa Recursos Genéticos e Biológicos

 

The Herb Research Fundation

 

Site do Laboratório Indena (italiano)

 

Site italiano (Infomed)

 

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Vademecum de Fitoterapia

 

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Bireme

 

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Americal Herbal Pharmacopoea

 

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Plantas, Ervas e Raízes

 

Plantas, Flora Medicinal

 

Plantas, Herbário Crisoka

 

Plantas, Holos Virtual, Fitoterapia

 

Plantas Medicinais

 

Plantas, Syntonia, Saúde

 

Plantas, União do Vegetal

Plantas Medicinais, Ervas, Perfumes, Aromaterapia, Enciclopédia

Herbário do Inpa – Maior acervo de plantas da Amazônia

USP - Banco de Dados Bibliográficos - DELAUS

 

Reserva Ducke – Reserva Florestal do Inpa

Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais - IPEF

 

Virtual Library - Forestry

 

Bibliotecas Virtuais



Consulte também

>>> Botânica

 

PLANTAS MEDICINAIS – Literaturas

(Fonte: OESP)

Fácil de usar, difícil de conhecer

 

O mundo das plantas medicinais mobiliza hoje milhares de engenheiros agrícolas, biólogos, químicos e médicos de todos os continentes. Entre eles, há pelo menos uma certeza: as plantas medicinais são fáceis de usar, mas difíceis de se conhecer cientificamente. Os avós têm as receitas prontas, na ponta da língua, e sabem o que utilizar, como e quando. As infusões e cataplasmas costumam ser suficientes para revelar as propriedades curativas de cada espécie. Já para os cientistas, as plantas representam duros desafios. Anos e anos são gastos em pesquisas para identificar princípios ativos e propriedades curativas.

 

O farmacologista João Ernesto de Carvalho, da Universidade de Campinas (Unicamp), tem dedicado a vida ao estudo das plantas. Em sua mesa de trabalho amontoam-se enigmas vegetais, alguns desvendados em desenhos, notas e gráficos. "Sabemos pela tradição oral que muitas espécies têm propriedades curativas", afirma. "Falta, no entanto, a comprovação da eficácia e da segurança". Antes de receber o "diploma de agente de saúde", cada planta passa por um período que varia de 10 a 15 anos de exames.

 

Carvalho lamenta que muitos projetos brasileiros de estudo de plantas medicinais tenham sido paralisados por longo tempo no início da década. Motivo: a desativação de programas financiados pela Central de Medicamentos (Ceme), do Ministerio da Saude. Das 21 plantas incluídas em uma lista de prioridades de pesquisa da central, em 1983, apenas uma teve um estudo completo.

 

Ao mesmo tempo, estudos aprofundados sobre o tema são realizados permanentemente por laboratórios estrangeiros. Conclusão: quando se trata de vegetais, é preciso tempo e dinheiro para se chegar a um diagnóstico confiável. Poucos cientistas brasileiros dispõem, hoje, das condições necessárias ao desenvolvimento de pesquisas sérias nessa área. As similaridades morfológicas, por exemplo, são fonte inesgotável de trabalho. O farmacologista Carvalho destaca os exaustivos estudos realizados com o popular Quebra-Pedra. Os tipos de Phyllanthus (nome científico dessa família de plantas) são parecidos exteriormente e o desafio tem sido descobrir quais deles são de fato eficazes na expulsão e destruição de cálculos renais.

 

 

Verde Ameaçado

 

Plantas Medicinais Brasileiras

 

Neste final de século, o aproveitamento dos recursos naturais assumiu valor estratégico para governos e instituições privadas. Como resultado desse fenômeno, o trabalho de preservação e estudo de espécies vegetais merece hoje atenção especial dos países em desenvolvimento e do chamado 1º Mundo. A ciência reconhece que as matas, especialmente na América Latina, guardam o segredo da cura de muitas enfermidades. As plantas constituem-se em um verdadeiro tesouro verde: carregam complexos coquetéis, os chamados princípios ativos, preparados pela engenharia química da natureza em milhões de anos de eventos e testes evolutivos. O controle e o conhecimento desses remédios são hoje motivo da cobiça, do curandeiro que comercializa folhas na praça até o gerente do grande laboratório.

 

No Brasil, centenas de plantas medicinais são há séculos pesquisadas e utilizadas no duro combate pela manutenção da boa saúde. Quando os primeiros exploradores chegaram ao País, os índios já tinham as receitas para tratar corretamente diversas doenças. Historicamente, o cidadão comum é ao mesmo tempo cientista e cobaia nas pesquisas informais que se fazem na chamada medicina caseira. A principais matérias-primas desses testes, no entanto, são hoje vítimas do extrativismo predatório e podem desaparecer em breve.

 

 

A chance de cura, por um fio

 

Encontrar a cura para as velhas e novas enfermidades. Com esse objetivo, homens e mulheres, cientistas, mercadores e curandeiros, perambulam hoje pelas matas brasileiras. Em seu filme Medicine Man, de 1992, o ator Sean Connery encarna um desses personagens. No inferno, ou paraíso, verde da floresta amazônica, o pesquisador procura uma substância capaz de curar o câncer. À parte a ficção, a história mostra o quanto plantas e animais podem contribuir para manter ou restabelecer a saúde humana.

 

A compreensão desse fato remete a outro importantíssimo debate de nossos dias. Como explorar esses recursos sem o prejuízo do esgotamento? O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos já listou pelo menos duas mil plantas tropicais possivelmente utilizáveis no combate a tumores. Outras tantas, ainda desconhecidas ou não devidamente analisadas, guardam substâncias certamente capazes de salvar milhões de vidas. Muitas dessas espécies estão desaparecendo, vítimas da extração predatória efetuada por laboratórios e farmácias de manipulação, das queimadas e da devastação promovida pelos madeireiros.

 

A proteção da biodiversidade é hoje parte de estratégicos projetos de saúde pública. Muitas plantas, facilmente cultiváveis, podem prevenir graves doenças e economizar bilhões de dólares gastos anualmente em caros tratamentos hospitalares. Outra vantagem: os remédios naturais normalmente produzem menor número de efeitos colaterais nos pacientes.

 

Químicos e médicos lembram que um medicamento ofertado diretamente pela natureza pode ser solução eficaz e barata para os problemas do corpo. Os produtos industrializados costumam ter sintetizado apenas um fármaco do vegetal . Este muitas vezes tem menor eficácia terapêutica do que o fitocomplexo, o complicadíssimo coquetel químico da planta.

 

No Brasil, plantas com formidáveis aplicações terapêuticas crescem hoje à sombra da foice. É o caso da Ipeca, da Espinheira Santa, do Jaborandi, da Pfaffia e do Ipê-Roxo. Caso não sejam tomadas medidas efetivas de proteção, essas espécies podem desaparecer já no início do próximo século. Para as próximas gerações, pode restar a saudade de uma promessa de saúde fácil e bem-estar.

(Walter Falceta Jr.)

  

 

O simpático professor e a terrível ameaça

 

O professor Sylvio Panizza, 65 anos, farmacêutico bioquímico, é hoje um dos maiores conhecedores de plantas medicinais em todo o mundo. Sua especialidade são as espécies brasileiras.

 

Há seis anos, o professor têm um programa sobre o assunto na TV Bandeirantes, no qual revela os fantásticos segredos da plantas e, de quebra, ensina como usá-las para manter ou restabelecer a saúde. Seus fãs - sim, ele tem fãs! - adoram, e Panizza às vezes tem de se esconder da multidão que visita o diariamente sua loja laboratório, no bairro do Morumbi.

 

Depois de décadas de trabalho, pode-se dizer que Panizza, um descendente de italianos simpático e generoso, mantém o gosto juvenil pela pesquisa e a descoberta. Diga-lhe sobre uma plantinha qualquer, capaz de curar unha encravada, e no dia seguinte o professor a estará procurando.

 

No meio dessa vida de sucesso e entusiasmo, no entanto, o professor reserva tempo para protestar contra a degradação ambiental e a destruição de plantas capazes de salvar vidas. Muitas delas ainda nem mesmo pesquisadas. Panizza costuma dizer que o índio é o mais civilizado usuário das plantas brasileiras. "Ele inteligentemente preserva o que é bom e garante esse bem para seus descendentes", afirma.

 

Panizza alerta: a Ipeca, a Espinheira Santa, a Pfaffia, o Jaborandi, o Ipê-Roxo, o Pau-Pereira e a Quássia estão desaparecendo rapidamente das matas e bosques do País. O professor afirma que a extração predatória deveria ser constituir em crime grave, sujeito a severas punições. "Em um momento em que a manutenção da saúde é cara e difícil, destruir as plantas medicinais é um crime hediondo", grita. "O povo mais pobre acaba privado do último recurso que lhe restava para combater doenças".

 

Segundo o professor, o problema tem outros aspectos, além do social. As plantas medicinais muitas vezes tem efetivos poderes de cura e livram os pacientes de efeitos colaterais típicos dos remédios produzidos em grandes laboratórios. Em sua loja é sucesso, por exemplo, o líquido escuro extraído das folhas da Guaçatonga. Trata-se de um remédio natural e barato indicado como cicatrizante interno, capaz de curar úlceras gástricas e também eficaz no tratamento da gastrite bacteriana.

(W.F.)

 

Longo caminho noite adentro

 

Os pesquisadores de plantas costumam dizer que dormem pouco. O trabalho é cheio de minúcias e, por vezes, é necessário recorrer ao estimulante coffea arabica, o popular café, para terminar uma checagem de dados ou a montagem de um gráfico de crescimento. O estudo de laboratório normalmente tem início com a moagem da folha, do caule ou da raiz do vegetal em estudo.

 

Com o pó resultante são produzidas soluções. O objetivo é identificar o princípio ativo e isolá-lo. Depois, verificam-se sua estrutura química, propriedades terapêuticas e toxicidade. Na fase seguinte, checa-se a capacidade de curar. Para isso, são feitos testes in vitro, com culturas de células, e testes in vivo, com animais. Nessas provas, pesquisam-se as dosagens e a toxicidade. Depois de detalhadamente identificada e aprovada, a substância curativa é finalmente submetida a testes clínicos, com seres humanos.

 

Simultaneamente, a planta é estudada pelos engenheiros agrônomos. Determina-se em que tipo de solo se desenvolve, qual a quantidade de água e de luz de que precisa, as temperaturas que tolera e quais são seus inimigos naturais. Muitas vezes, a mudança em um fator ambiental pode inibir ou impedir o crescimento da planta, bem como alterar o princípio ativo responsável por suas propriedades curativas.

 

A Espinheira Santa, por exemplo, indicada para o tratamento de úlcera e gastrite, adapta-se melhor às características de clima e solo do Sul e do Sudeste do País. A reunião de todos esses dados terminar por constituir um manual de cultivo que será usado pelos produtores. Além disso, pode oferecer um cartilha de indicações curativas que será usada na produção de novos medicamentos.

(W.F.) 

   

 

Espinheira Santa

 

Há alguns anos, quem percorresse o Sudeste e Sul do País, especialmente o Paraná, não teria dificuldade para encontrar exemplares da Espinheira Santa. Seu uso é indicado no tratamento de várias doenças do aparelho digestivo, especialmente úlceras. Atua ainda sobre as fermentações anormais do intestino, normalizando as funções gastrointestinais.

 

No final da década de 80, a Central de Medicamentos (Ceme) divulgou um estudo oficial em que comprovava as propriedades terapêuticas do produto. Foi o início de uma corrida predatória que praticamente fez a planta sumir da região. Afirma-se que boa parte do material foi enviado a pequenos e grandes laboratórios no estrangeiro.

 

A Espinheira Santa tem crescimento lento e só permitiria uma colheita anual de suas folhas. A processo selvagem de extração acabou com a possibilidade de reposição natural das reservas nativas. Pior: a propaganda em torno dos milagres da planta fez com que falsos medicamentos - à base, por exemplo, de folhas de abacate moídas - fossem vendidos por lojas especializadas e marreteiros.

(W.F.)

 

   

Plantas" curativas nascidas em laboratório

 

Depois de concluído o processo de checagem das propriedades terapêuticas de uma planta, os cientistas têm como opção reproduzir artificialmente seu princípio ativo. Conhecida a molécula, ou moléculas, que compõem a substância, pode-se tentar sintetizá-la num laboratório. A elaboração do componente sintético permite que se evite a extração da planta para a produção do remédio. É como se o vegetal houvesse apenas oferecido a receita de preparação do coquetel curativo.

 

Esse trabalho de identificação e cópia é, porém, complexo e demorado. Na década de 70, descobriu-se que o Taxol, substância presente na planta Taxus Brevifolia, nativa dos EUA, tinha grande eficácia contra tumores. Depois de anos de pesquisa, laboratórios conseguiram sintetizar seu princípio ativo, hoje já comercializado.

(W.F.)

 

 

Ipeca

 

A Ipeca é um ótimo auxiliar no tratamento de doenças do aparelho respiratório. Funciona como um perfeito expectorante. A emetina, uma substância eficaz ao provocar vômitos, ainda é capaz de promover uma efetiva limpeza do aparelho digestivo. Dessa forma, é indicada no tratamento de amebíases, leishmanioses, doenças do pulmão e dos brônquios.

 

É encontrada nas regiões Centro-Oeste e Norte, especialmente Mato Grosso e Acre. Planta perene, seu princípio ativo se encontra na raiz. A extração sem reposição tem diminuído sensivelmente a oferta desse vegetal na natureza.

(W.F.)

 

 

Jaborandi

 

O Jaborandi parece ter destino semelhante ao da Espinheira Santa. É encontrado em uma região de solo e clima bem característicos, entre o Pará e o Maranhão. Seu princípio ativo já é largamente usado pela indústria de medicamentos no tratamento do glaucoma. Era utilizado no passado para aguçar o faro de cães de caça. Também indicado no tratamento de doenças do aparelho respiratório.

 

Vários xampus trazem o Jaborandi em sua fórmula, tido como um poderoso aliado na luta contra a queda de cabelo. Há anos, a planta vem sendo extraída em grandes quantidades para uso de laboratórios estrangeiros. Não existem planos para reposição dos exemplares retirados da região. As poucas áreas de cultivo regular são controladas por laboratórios estrangeiros.

 

 

Pfaffia

 

A Pfaffia tem uma longa lista de indicações medicinais. É tida como rejuvenescedora, revitalizante e inibidora do crescimento das células cancerígenas. Afirma-se que ativa a circulação do sangue. Tida ainda como estimulante das funções sexuais e como agente de combate ao stress, tem grande sucesso no Japão. Há quinze anos vem sendo alvo de extração predatória.

 

A reposição é difícil pois o princípio ativo é encontrado unicamente na raiz. Estima-se que o período entre coletas deva ser de, aproximadamente, cinco anos. É o tempo necessário ao amadurecimento da planta e ao desenvolvimento de seu princípio ativo.

(W.F.)

 

 

Ipê-Roxo

 

O Ipê-Roxo é tido como um poderoso auxiliar no combate a determinados tipos de tumores cancerígenos. É usado também como analgésico e como auxiliar no tratamento de doenças estomacais e da pele. No passado, foi largamente utilizado no tratamento da sífilis.

 

A árvore do Ipê-roxo é alta e tem como característica as flores tubulares arroxeadas. Os estudos ainda não comprovaram suas propriedades anticancerígenas. As substâncias com propriedades terapêuticas são encontradas na casca. A extração predatória, realizada durante anos, quase levou a espécie à extinção.

(W.F.)

 

 

Pesquisadores apontam poderes curativos do ipê-roxo

 

É possível que há muitos séculos os índios já tivessem conhecimento da “árvore divina”. Era assim que eles denomivam o ipê-roxo. Pesquisadores acreditam que a árvore tem muito mais a oferecer  do que apenas  uma madeira forte e resistente. Foi da medicina natural que originou o nome botânico do ipê; Tabebuia impetiginosa. Isso porque, antigamente, as pessoas costumavam usar o chá de sua casca para tratar da doença do impetigo, uma inflamação da pele do rosto acompanhada de supuração.

 

No Brasil, o potencial benéfico do ipê-roxo despertou o interesse de profissionais como o cientista e professor Walter Accorsi, também médico e farmacêutico, da Universidade de São Paulo (USP). Durante muitos anos, a partir da década de 60, o professor estudou a casca de lapacho, parte interna da árvore, que é descascada e raspada até duas vezes por ano.

 

De imediato, ele detectou duas qualidades terapêutica: o chá fazia desaparecer a dor e também ajudava na multiplicação de glóbulos vermelhos (responsáveis por levar oxigênio às células do corpo humano). Ou seja, trabalho de extrema relevância em processos de recuperação e regeneração e na manutenção da vitalidade do homem. Durante muito tempo, pacientes do Hospital Municipal de Santo André (SP) foram tratados por Accorsi com o chá. O médico costumava recomenda-lo para casos de leucemia, diabetes, câncer, úlcera e reumatismo.

 

Neste mesmo período, o botânico Theodoro Meyer, da Universidade de Tucuman, da Argentina, conseguiu isolar importantes componentes do ipê-roxo, como a quinona, cujo efeito germicida pôde ser comprovado. A quinona possui uma estrutura semelhante a da vitamina K6, que detém efeito adstringente que auxilia o metabolismo do fígado na produção de protombina e de outras substâncias que participam da coagulação sanguinea. E, segundo o que os especialistas puderem constatar, a quinona também participa da cadeia respiratória do sistema celular. O que resulta na melhoria do nível energético com o fornecimento de oxigênio às células.

 

Estas propriedades da quinona, presentes no ipê-roxo, ajudam a explicar seu poder antiinflamatório e na dissolução de tumores. É que estes dois problemas aparecem relacionados a uma diminuição no fornecimento de oxigênio aos tecidos. Assim, o ipê-roxo ajuda a normalizar a composição sanguínea.

 

O primeiro contato que Meyer teve com o ipê-roxo foi com os índios callawaya, descendentes dos incas. O poder de cura dos callawaya, segundo disse o médico, é conhecido em todo o mundo. Eles já catalogaram cerca de mil plantas medicinais. O conhecimento sobre elas é passado de geração a geração. Durante a construção do Canal do Panamá, por exemplo, estes indos foram tribo, chamados para curar dezenas de operários vitimados pela febre amarela. Com os curandeiros da tribo, chamados de “Senhores do Saco de Remédios”, Meyer aprendeu que, pelos conhecimentos indígenas, o ipê-roxo é considerado uma das principais “plantas mestras”. E era indicada para uma ampla variedade de doenças como câncer, leucemia, diabetes e reumatismo.

 

O botânico argentino, desde então, devotou toda sua atenção aos experimentos relacionados ao ipê-roxo. Tentou levar adiante o conhecimento que obtivera ao longo de anos. Não obteve sucesso, porém. Em 1972, morreu frustrado pela falta de aceitação de seus experimentos por parte da medicina ortodoxa.

 

O terapeuta holístico alemão Walter Lϋbeck teve o interesse despertado pelo tema em 1995. Vários anos de estudos depois, ele lançou “O Poder Terapêutico do Ipê-Roxo”(Editora Madras), no qual ele aponta os benefícios da planta. “O ipê-roxo, usado tanto interno quanto externamente, pode, como demonstram exemplos de milhões de índios durante séculos, ser de grande ajuda para uma variedade de distúrbios da saúde sem riscos de efeitos colaterais perigosos ou de interações”, explica. Ao contrário, completa. “A casca interna da árvore divina é mesmo recomendada, por médicos especialistas em ervas, para aliviar e prevenir os problemas decorrentes da quimioterapia e de tratamentos à base de antibióticos, assim como o uso incorreto da cortisona”.

 

Em seu livro, Lubeck destaca que o chá, apesar dos efeitos poderosos que lhe são conferidos por especialistas de várias partes do mundo, não deve, em hipótese alguma, substituir tratamentos médicos. Antes de optar pelo uso, a recomendação é que o paciente conserve com seu médico ou procure um que siga a linha da naturopatia.

 

Lϋbeck ressalta que as propriedades do ipê-roxo foram motivo de investigações científicas em países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e Escócia, entre outros. Todas confirmaram as teorias dos índios sul-africanos. E apontaram, também, para a presença, não de um, mas de vários ingredientes ativos responsáveis pelo bom resultado de sua utilização. “O extenso poder de cura que, com razão, chamamos de único, origina-se da totalidade das substancias contidas na planta e do seu estado de equilíbrio e harmoniosa combinação umas com as outras”.

 

Conforme o terapeuta, a “fantástica” combinação dos ingredientes ativos, mesmo em pequenas quantidades, individualmente, podem funcionar positivamente em processos como o de crescimento de tumores. “Se os componentes forem usados de modo isolado, grande parte de seu poder curativo desaparecerá e a enorme tolerância e efeito harmonioso do chá será, praticamente perdida

 

Lϋbeck  frisa que árvores de ipê-roxo com mais de 40 anos são as que oferecem um chá de melhor qualidade. Pesquisas científicas, revela especialista, já constataram vários componentes. O próprio Theodoro Meyer descobriu que o ipê-roxo possuía um agente ativo antibiótico natural, sem efeitos colaterais.

 

O efeito imunoestimulante do ipê-roxo foi apontado por outro cientista, Bernhard Kreher, de Munique. Segundo o que ele pôde  comprovar, a atividade do sistema defensivo humano, se tratado com o chá, aumenta mais de 48%. O ipê-roxo apresenta alta dose de cálcio e ferro, o que ajuda no transporte de oxigênio, alimenta os tecidos e o sistema imunológico, fortificando assim o organismo por completo.

 

Outro componente destacado por Lüberck é o selênio, importante antioxidante, captador dos chamados “radicais livres”. “O selênio pode desintoxicar o corpo do cádmio, um metal pesado, que é uma das mais freqüentes toxinas ambientais da atualidade e causa da pressão sangüínea alta e de outras doenças coronarianas, assim como do enfraquecimento da capacidade de resistência do corpo”, destaca.

 

Ele aponta ainda as saponinas (agentes naturais antimicótico cuja função é proteger o corpo contra fungos, podendo até, repeli-los), a xilodona (com qualidades antibacterianas, antivirais e antimicótico, exterminador de fungos) e o lapachol (uma quinona descoberta por Theodoro Meyer, com várias propriedades comprovadas).

 

Em “O Poder Terapêutico do Ipê-roxo”, Lübeck indica o chá do ipê-roxo também para: aids, alergias, anemia, arteriosclerose, artrite, bronquite, câncer facial, candidíase, colite, corrimento vaginal, cistite, alcoolismo, diabetes, doenças parasitárias, dores, esclerose, feridas, fístula, gastrite, infecção na próstata, inflamação nas juntas, lúpus, Mal de Parkinson, olhos cansados, psoríase, resfriado, etc.

 

Lübeck adverte, no entanto, que a cura depende também de outros fatores, a começar pela própria mudança de postura diante da vida, na maneira de pensar e de lidar com os sentimentos, tornando-os mais harmoniosos e positivos. E que não se credite no ipê-roxo poderes milagrosos. “Não existem remédios infalíveis e, provavelmente jamais existirão”, salienta. “O ipê-roxo é maravilhoso como chá caseiro para prevenir muitos males e pode contribuir bastante para curar vários problemas de saúde. Mas, apesar disso, qualquer pessoa que esteja sentindo algo que possa ser uma doença séria deve consultar um médico especialista no problema”.

 

Walter Lübeck ensina em seu livro como preparar o chá (veja abaixo); também dá outras receitas, algumas com base em rituais xamânticos.

 

 

Receita do chá  de ipê-roxo

 

Para seis canecas de 200ml cada, coloque de 1 a 2 colheres de chá moderadamente cheias ( 5 a 10 gramas) de casca de ipê-roxo, de acordo com sua preferência, na água fervente. Cubra a panela e deixe ferver por cinco minutos. Tire a vasilha do fogo e deixe o chá em infusão uns 20 minutos. Coe o chá em uma peneira de seda ou, ainda melhor, em um tecido fino, diretamente no recipiente que irá armazená-lo, de modo que os pedaços de casca sejam separados totalmente do líquido. Caso contrário, o chá poderá ficar um pouco amargo. 

 

Quem preferir pode tomar o chá frio. Para adoça-lo, use mel ou açúcar não-refinado. Mas o melhor efeito obtém-se do chá natural, sem que seja adoçado.

 

 

 

Às sementes, com carinho e atenção

 

Há anos, o agrônomo Pedro Melillo de Magalhães dedica-se ao minucioso estudo do cultivo de plantas medicinais. O trabalho é lento e a paciência sua principal aliada nessa tarefa. Magalhães passa minutos e minutos examinando um única e pequena muda de Jaborandi ou de Espinheira Santa. Mentalmente, o professor repassa todo o processo de plantio, analisa as condições ambientais e traça novas estratégias para melhorar os padrões de crescimento do vegetal. Tanto zelo tem uma razão especial. O agrônomo sabe que o resultado de seu trabalho pode ser, no futuro, a cura de milhões de pessoas.

 

As pesquisas com plantas medicinais e aromáticas são realizadas há cinco anos no Centro Multidisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) , da Unicamp, em Paulínia, no interior de São Paulo. Ali, várias espécies têm sido alvo de inédita investigação científica. Um dos principais objetivos do centro é determinar padrões eficazes de produção agrícola dessas plantas. As experiências têm sido animadoras. Espécies importantes tornam-se ainda mais bem servidas do princípio ativo. Os cultivos ganham em abundância e fazem com que os estoques disponíveis na natureza possam ser preservados intactos.

 

"Há plantas realmente ameaçadas de extinção", alerta Magalhães. "A extração normalmente não obedece aos ciclos de reconstituição da planta." Estudos fitotécnicos do CPQBA com 32 espécies vegetais têm oferecido informações importantes para orientar os projetos de cultivo. Receitas específicas estão sendo preparadas para a definição de sistemas de plantio de cada espécie. É o caso da Espinheira Santa (Maytenus ilicifolia), da Pfaffia (Pfaffia glomerata e Pfaffia Iresinoides), e do Jaborandi (Pilocarpus microphyllus), apresentados em relatórios do centro, ótimas cartilhas para quem pretende cultivar em larga escala essas espécies.

(W.F.)

 

 

Orientação técnica do CPQBA (exemplo 1)

 

ESPINHEIRA SANTA - "É uma espécie de porte arbóreo-arbustivo, nativa do Brasil, pertencente à família Celastraceae. Distingue-se da Maytenus aquifolium por apresentar estrias longitudinais. No caule também a inserção das folhas é helicoidal na M. Ilicifolia e pareada na M. aquifolium (Magalhães et al, 1992). A propagação é realizada por sementes as quais devem ser colhidas quando os frutos abrem as valvas expondo o arilo (principalmente de outubro a fevereiro). O estágio de máximo poder germinativo é quando as sementes apresentam-se escuras, o que é verificado raspando-se o arilo (Magalhães et al., 1991). As sementes colhidas nesta fase seguem para a semeadura em tubetes ou sem sacos plásticos, após retirada do arilo.

 

No caso de se utilizar sacos, estes devem ser profundos (30-40 cm) para não prejudicar a raiz pivotante. Por outro lado, os sacos plásticos apresentam a vantagem de proporcionar maior quantidade de nutrientes o que será necessário devido ao desenvolvimento ser relativamente lento (aproximadamente 4 meses).

 

 

Cultivadas a pleno sol, no espaçamento de 1 x 3 metros produziram, aos 4 anos, 0,67 t de folhas secas/ha/ano, tirando-se aproximadamente 1/3 das folhas. A colheita de folhas deve ser realizada no início da primavera, através de podas. Recomenda-se a adubação de 20 g de Sulfato de Amônia/planta/ano. Após a secagem as folhas são destacadas dos talos, manualmente. Pode-se fazer o consórcio de culturas plantado-se Feijão Guandú nas linhas de cultivo da Espinheira Santa, para fornecimento de nitrogênio e para promover sombreamento parcial. A Espinheira Santa exige solos bem drenados e se desenvolve bem em solos com alto percentual de matéria orgânica."

(W.F.)

 

 

 

Orientação técnica do CPQBA (exemplo 2)

 

PFAFFIA - Também conhecida como Ginseng brasileiro, é uma planta perene, arbustiva, e pertence à família Amaranthaceae. Pfaffia glomerata e P. iresinoides são tratadas como a mesma espécie pelo botânico especialista nesta família, Dr. Josafá Carlos Siqueira da PUC-Rio de Janeiro (comunicação pessoal), o qual atribui as diferenças encontradas como sendo provenientes de caracteres fracos e relacionados com condicionamentos locais. A produção de sementes viáveis é abundante, favorecendo a propagação por semente em tubetes. O cultivo em solo argiloso foi realizado em leiras espaçadas de 1,5 metros e 0,5 metros entre linhas. As raízes são colhidas aos 12, 24 e 36 meses.

(W.F.)

 

Orientação técnica do CPQBA (exemplo 3)

 

JABORANDI - Trata-se de uma espécie perene de médio porte, originária do Norte-Nordeste do Brasil (MA e PA), pertencente à família Rutaceae. A propagação é por sementes, porém, estas perdem o poder germinativo numa taxa de 50%, após colheita (Magalhães et al.,1992). Cerca de 70 mudas foram produzidas no CPQBA com sementes vindas do Maranhão. Ao serem transplantadas para o campo ficaram protegidas com sombrite de 50% durante o primeiro ano. O desenvolvimento tem sido lento, porém normal para a espécie. Aparentemente a cultura tem se mantido isenta de doenças. Algumas plantas floresceram e produziram poucas sementes. Desenvolvimento mais rápido ocorreu em plantas localizadas sob sombra de uma árvore de Jatobá.

 

Análises de alcalóides aos 3 anos de idade apresentavam teores muito baixos; já aos 4 anos, os teores de alcalóides totais foram de 0,6%, sendo 40% de pilocarpina; normais em comparação aos encontrados nos locais de origem. A adubação foliar de Cobalto e Molibidênio, promoveu aumento notório de área foliar, sem provocar contudo alteração detectável no teor de alcalóides totais.

(W.F.) .

 


PLANTAS MEDICINAIS - Literaturas

 

A Field Guide To Medicinal And Useful PLANTS of the upper Amazon de James L. Castener, stephen L. Timme, e James A. Duke

Edição em : Inglês

(Livros com fotos coloridas sobre plantas medicinais encontradas na bacia Amazônica)

 

PLANTAS MEDICINAIS – Literaturas

 

Guia de Medicina Homeopática

Livraria Teixeira                                                                                

 

PLANTAS QUE AJUDAM O HOMEM 

Círculo do Livro Ltda.              CEP: 7413                  

São Paulo - SP           

 

OS REMEDIOS FLORAIS DO Dr. BACH   Dr. Edward Bach.      

Círculo do Livro Ltda.              CEP: 7413                  

São Paulo - SP           

 

AS FRUTAS NA MEDICINA DOMESTICA

Prof. Alfons Balbach   

Edições: A Edificação do Lar              

Rua: Amaro Cavalcanti, 21      CEP: 48311                

São Paulo - SP           

 

O PODER DOS SUCOS  Jay Kondich                           

Círculo do Livro Ltda.              CEP: 7413                  

São Paulo - SP           

 

GUIA PRÁTICO                                                                                  

 

HOMEOPATIA                                                                                    

 

FITOTERAPIA CHINESA                                                                                             

 

VITAMINAS E SAIS MINERAIS                                                                                    

 

REMÉDIOS  CASEIROS                                                                                              

 

AROMATERAPIA                                                                                             

 

AVATAR                                              

Tel: (11) 822-2066 / (11) 829-5882                          

e-mail: calis@sanet.com.br    

 

Plantas que curam     

Editora Três Livros e Fascículos         

Rua Willian Speers, 1000        CEP: 05.067-900        

Tel: (11) 3619-4179 Fax: (11) 3611-6606     

São Paulo - SP           

 

Plantas Medicinais e Ervas Feiticeiras da Amazônia -   Autor: Pablo Cid      

Editora Atlantis                                                                                 

 

O Poder Terapêutico do Ipê-roxo – Autor: Walter Lübeck

Editora Madras

 

Plantas Medicinais e suas aplicações na indústria - Autor Evandro Araújo Silva      

 

FIEAM/DAMPI                                                                        

Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas - Autor Corrêa, M.P.          

Min. da Agricultura, IBDF                                                                              

 

Nomes Vulgares das plantas Amazônicas - Autora: Marlene Farias da Silva INPA                                                  

 

A Field Guide To Medicinal And Useful PLANTS of the upper Amazon de James L. Castener, stephen L. Timme, e James A. Duke

Edição em : Inglês

(Livros com fotos coloridas sobre plantas medicinais encontradas na bacia Amazônica)