HIDRELÉTRICAS

 

Hidrelétricas emitem gases do efeito estufa, revela estudo da Coppe

O estudo será agora publicado no primeiro inventário nacional de gases do efeito estufa, a ser lançado no fim do ano pelo Ministério de Ciência e Tecnologia

Rio de Janeiro - O velho discurso oficial de que as usinas hidrelétricas sempre foram um modelo de geração de energia limpa, ou seja, que não contribuíam para o aquecimento global, caiu por terra.

Estudo de pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que barragens de hidrelétricas produzem quantidades consideráveis de metano, gás carbônico e óxido nitroso, gases que provocam o chamado efeito estufa.

Em alguns casos, elas podem emitir mais gases poluentes do que as próprias termelétricas movidas a carvão mineral ou a gás natural.

Gases quentes

Segundo o geógrafo Marco Aurélio dos Santos, um dos autores do estudo, três fatores são responsáveis pela produção desses chamados gases quentes numa hidrelétrica: a decomposição da vegetação pré-existente, ou seja, das árvores atingidas pela inundação de áreas usadas na construção dos reservatórios; a ação de algas primárias que emitem CO2 nos lagos das usinas; e o acúmulo nas barragens de nutrientes orgânicos trazidos por rios e pela chuva.

“Ao contrário do que imaginamos, a emissão de gás carbônico e de metano não acaba com a decomposição total da vegetação pré-existente no lago da usina. Há uma renovação constante na produção desses gases, com a chegada de novos materiais orgânicos trazidos pelos rios e pelas chuvas, que são decompostos pelas algas primárias”, explica.

Rio 02

O trabalho da Coppe foi apresentado nesta quarta-feira por Santos, durante o penúltimo dia da conferência Rio 02 sobre mudanças climáticas e energias renováveis, evento preparatório da Rio + 10, que se realizará em setembro, na África do Sul.

A pesquisa será agora publicada no primeiro inventário nacional de gases do efeito estufa, a ser lançado no fim do ano pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

Produção do gás

Segundo o pesquisador, há duas formas de produção de gases quentes numa usina hidrelétrica: por difusão ou por bolhas. O primeiro caso ocorre na superfície do reservatório. Por ser um meio aeróbico, com maior presença de oxigênio, as bactérias decompõem a matéria orgânica e emitem gás carbônico, que se difunde pela água.

 

Já o metano é obtido por decomposição de matéria orgânica no fundo dos lagos das usinas, onde a presença de oxigênio é nula ou muito pequena. “Como não se dilui na água, esse metano chega à superfície por meio de bolhas”, afirma.

Em reservatórios com grande profundidade, acima de 40 metros, o metano não consegue subir à superfície. “A pressão da água impede que a bolha de metano atinja a superfície”, explica.

Santos conta que a relação entre a potência energética e a geometria do reservatório é fundamental para a maior ou menor produção de gases quentes. “Lagos profundos em áreas pequenas, e com grande potência energética, emitem pouco gases deste tipo. Este é o caso de Itaipu”, ressalta.

“Agora, lagos rasos, em áreas extensas, e com pouca densidade de potência, como é o caso da hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, são grande poluidores.”

Ranking das poluidoras

Entre 1998 e 1999, o grupo de Santos fez duas medições em nove usinas brasileiras e elaborou um ranking das maiores usinas poluidoras do País.

Na produção de metano (CH4), a hidrelétrica de Três Marias, em Minas Gerais, ficou em primeiro lugar, com emissão de 196 miligramas de CH4/m2 por dia. No ranking de emissão de dióxido de carbono, Tucuruí, no Tocantins, ganhou o indesejável título de maior usina brasileira produtora do gás, com 8.4574,5 miligramas de CO2/m2 por dia.

A binacional Itaipu, no Paraná, está entre as hidrelétricas com melhor qualidade na produção de energia limpa. Com área ocupada de 1.350 metros quadrados e produção de 12,6 mil megawatts (MW), a usina emite, por dia, apenas 10,7 miligramas de metano por metro quadrado. A emissão de gás carbônico também é pequena: 170 mg de CO2/m2/por dia.

Segundo Santos, a medição de óxido nitroso (N2O), outro gás do efeito estufa, ainda não começou a ser feita. “Assinamos um convênio com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que nos permitirá, a partir deste ano, realizar medições mensais nas barragens das usinas de Miranda (MG) e Xingó (AL), quando também iremos medir as emissões de óxido nitroso”, explicou.

No estudo, o pesquisador mostra que, em alguns casos, usinas hidrelétricas produzem mais gases de efeito estufa do que as termelétricas movidas a carvão mineral ou a gás natural. É o caso das usinas de Samuel, em Rondônia, e Três Marias, em Minas.

“Três Marias, por exemplo, é 0,84 vez menos eficiente do que uma termelétrica a carvão mineral e 0,54 vez menos eficiente do que uma termelétrica a gás natural”, citou.

Termelétricas

Apesar disto, Santos ressalta que uma usina termelétrica é mais prejudicial ao meio ambiente que uma hidrelétrica. “A termelétrica não emite só gases quentes, mas também bióxidos de enxofre e de nitrogênio, além de materiais particulares, altamente prejudiciais à saúde humana. Este tipo de material não existe nas hidrelétricas”, diz.

O especialista em planejamento energético Rafael Schechtman, também professor da UFRJ, acredita que o estudo da Coppe tem fundamento, mas ressalta que ainda faltam resultados

 

conclusivos sobre as emissões de gases quentes nas hidrelétricas.

“Ainda não temos a quantidade exata dessas emissões”, lembra. Segundo ele, que nos últimos quatro anos estava cedido à Agência Nacional de Petróleo (ANP), o estudo tem um aspecto positivo: o de jogar luz sobre a possibilidade da construção de novas hidrelétricas que levem em consideração essas emissões de gases de efeito estufa.

Murilo Fiuza de Melo

 

 

Deixem Belo Monte em paz

Nícias Ribeiro*

Com a graça de Deus, o doutor Jirair Aram Meguerian - juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, atendendo ao agravo de instrumento impetrado pela Eletronorte, suspendeu a liminar concedida pelo juiz Rubens Rollo D’Oliveira, da 4ª Vara Federal de Belém, em uma ação movida pelo Ministério Público Federal do Pará, questionando os estudos que estavam sendo realizados nos municípios de Altamira e Vitória do Xingu, com vistas à construção da hidrelétrica de Belo Monte, na chamada volta grande do rio Xingu, no Estado do Pará.

Graças a Deus, um juiz de Brasília teve a sensibilidade de que a paralisação dos estudos para a construção de Belo Monte só retardaria a conclusão dos estudos e que os estudos eram apenas estudos, daí a decisão em suspender a medida liminar concedida por um juiz do Pará... E que Deus abençoe esse juiz de Brasília, por ter liberado os estudos complementares que irão viabilizar as obras de Belo Monte.

Mas, por que alguns paraenses buscam criar tantas dificuldades para a construção de Belo Monte, quando sabidamente é o mais perfeito projeto de hidrelétrica do mundo e que, com um reservatório de apenas 400 Km² de área, criará quase nenhum dano ambiental à região Xingu, particularmente para Altamira e Vitória, uma vez que inundará apenas as áreas que são alagadas a cada inverno todos os anos?

Por que então se discutir tanto sobre Belo Monte, quando, se comparamos com outras hidrelétricas, é indiscutível o acerto de sua construção?

Qual a hidrelétrica do mundo que tem a capacidade de gerar 11.000 Mwatt utilizando um reservatório de apenas 400 Km² de área?... Qual?...

Itaipu gera 12.000 Mwatt com um reservatório de 1.460 Km², Tucuruí vai produzir 8.460 Mwatt com um reservatório de 2.800 Km², e o que se dizer da hidrelétrica de Balbina, próxima de Manaus, que utiliza um reservatório de 2.800 Km² de área para produzir apenas 250 Mwatt...?

Por que então se criar tantos embaraços para uma obra que tecnicamente é perfeita e que só trará vantagem para a Transamazônica e para a região do Xingu?...

Por que se inventar índios onde não há índios?... Por que se falar de eclusas, num rio que não é e nunca foi navegável e disso a rainha de Portugal - D. Maria I, foi informada ainda no século XVI? Por que então se levantar a discussão sobre as “eclusas de Belo Monte”, se sabemos de sua inviabilidade técnica e da não navegabilidade do Xingu, rio acima?...

Por que se conspirar contra Belo Monte, quando sabemos que a sua implantação representa a redenção socioeconômica de Altamira e do seu entorno, na Transamazônica e no rio Xingu?

Por que alguns paraenses, em vez de criarem embaraços e abrirem discussões fúteis, não defendem a construção da hidrelétrica de Belo Monte?... Por quê?...

Não terá chegado a hora dos paraenses se unirem e, como os baianos, brigarem por todo tipo de investimento que possa gerar emprego e renda para a população? Não terá chegado a hora de defendermos não apenas a construção da hidrelétrica de Belo Monte, mas a construção da hidrelétrica de Altamira, na cachoeira de Babaquara no rio Xingu; a hidrelétrica de Altamira, na cachoeira de Babaquara no rio Xingu; a hidrelétrica de Itaituba, na cachoeira de São Luiz do Tapajós; a hidrelétrica de Marabá, no alto rio Tocantins; a hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Jari, e assim por diante?...

Não terá chagado a hora do Pará se tornar o “São Paulo do século XXI”, com a implantação de grandes indústrias, graças ao aproveitamento do fantástico potencial hidro-energético do nosso Estado, que é o maior do Brasil e um dos maiores do mundo?

Se assim é, os paraenses não podem jogar fora essa oportunidade, principalmente com discussões frívolas, que nada constroem e que podem comprometer o futuro do nosso Estado.

O que o Pará tem que discutir, isso sim, é a estratégia para fazer incluir na reforma tributária a cobrança do ICMS na geração da energia elétrica, uma vez que até a próxima década seremos o maior produtor de hidro-energia do Brasil. Essa é a grande discussão que deve prender a atenção de todos os paraenses, para transformarmos a exploração do nosso fantástico potencial hidro-energético em aumento da arrecadação tributária do Estado.

Essa é a grande discussão de toda a sociedade paraense e a grande luta da nossa bancada no Congresso Nacional.

* Engenheiro e Deputado Federal

 

Eletronorte remodela projeto de Belo Monte

O presidente da Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), José Antonio Muniz Lopes, apresentou à população de Altamira o projeto remodelado da usina hidrelétrica de Belo Monte. Prefeitos, vereadores e empresários de diversos municípios da região assistiram, na noite de segunda-feira, 2/07/2001, a uma exposição completa sobre o projeto e enumeraram dúvidas e preocupações a respeito do empreendimento hoje embargado pela Justiça Federal.

“Os senhores serão os nossos consultores para que os cenários sejam os melhores possíveis”, disse Muniz Lopes, afastando a principal preocupação local: o de receber um projeto acabado, sem espaço para as demandas regionais. Horas antes, em reunião com os prefeitos, o clima ficou tenso. O prefeito de Altamira, Domingos Juvenil, não escondeu a preocupação: “Estou angustiado”, disse ao presidente da Eletronorte.

Já os prefeitos de Vitória do Xingu, Anselmo Hoffman; de Uruará, Mário Lobo; e de Porto de Moz, Gerson Campos, e o deputado federal Nicias Ribeiro (PSDB-PA) mostraram-se mais tranqüilos. Todos entendem que Belo Monte é a oportunidade para trazer desenvolvimento à região, mas não abrem mão da participação em todo o processo de elaboração do programa de inserção regional. Também querem saber mais sobre o gerenciamento do Fundo de Gestão, que vai financiar os projetos sociais de inserção regional.

Segundo Muniz, até 2006 o governo espera poder pôr em operação a primeira máquina da hidrelétrica de Belo Monte. A usina custará US$ 7 bilhões, incluindo a construção da hidrelétrica, as linhas de transmissão e um projeto de inserção regional. Será a maior hidrelétrica nacional, com 11 mil MWh. O governo federal acredita que a usina será decisiva para solucionar a crise energética.

As críticas acirradas ao projeto Belo Monte fizeram com que a Eletronorte promovesse uma reformulação completa para tornar o empreendimento uma iniciativa de apurada concepção técnica e atenção redobrada às questões ambientais. O lago da usina, que era de 1.200 Km2, foi reduzido para 400 Km2. O novo projeto prevê que o reservatório vai ocupar 200 km2 da calha natural do rio, enquanto os 200 km2 restantes são áreas que inundadas naturalmente durante o inverno. Na palestra, Muniz explicou que Belo Monte será uma usina fio dágua: que gera energia com a quantidade de água que chega ao reservatório.

O presidente da Eletronorte informou que foi reduzido o impacto ambiental sobre a reserva indígena Paquiçamba e sobre o rio Pacajá. No projeto atual, o reservatório de Belo Monte está a 50 Km da aldeia. As modificações incluíram a elevação da barragem e a construção de dois canais que farão o desvio da água para a casa de força. Na palestra ele também tranquilizou as 1.300 famílias que serão remanejadas: garantiu que receberão assistência, serão transferidas para locais com completa infra-estrutura e terão acesso a treinamento de mão de obra e novas oportunidades de trabalho.

Segundo Muniz, ao assumir o empreendimento, a iniciativa privada deverá bancar o programa de inserção regional. A Eletronorte aposta em um projeto de assistência à comunidade, não só mitigando e compensando os efeitos negativos, mas potencializando os impactos positivos. A idéia é atender as demandas microrregionais e elevar a qualidade de vida local. Belo Monte deveria ser licitada em janeiro do ano que vem, mas uma liminar do juiz Rubens Rollo D’Oliveira, da 4ª Vara Federal do Pará, paralisou os Estudos de Impacto Ambiental.

 

 

Usina entrará em operação nos próximos dias/TERMONORTE/RONDÔNIA

 

Após a visita do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, à usina termelétrica de Porto Velho, na última segunda-feira, a Termo Norte espera entrar em operação nos próximos dias, tão logo chegar e ser concedida a licença de operação da usina. A afirmação é do gerente geral da Termo Norte, Flávio Mendonça, que juntamente com os empreendedores da empresa recebeu o governador José Bianco, o vice-governador Miguel de Souza, a presidente do Ibama nacional, Marília Marreco, a secretária de Coordenação da Amazônia, Mary Alegretti, entre outras autoridades.

 

O ministro e sua comitiva percorreram todas as instalações da usina, que é um projeto mundialmente consagrado e que já tem unidades espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil: duas usinas estão operando há mais de quatro anos na Região Amazônica, em perfeita harmonia com o meio ambiente.

 

Mais de uma centena de usinas iguais estão em operação em todos os continentes, destacando-se as unidades instaladas em países como a Finlândia, Suécia, Dinamarca, Alemanha e França, locais de temperaturas mais baixas onde são comuns as inversões térmicas e conseqüentemente com padrões ambientais mais restritivos em relação ao controle das emissões atmosféricas. Sarney Filho destacou que o Ministério do Meio Ambiente tem acompanhado a implantação de todos os equipamentos pelo País, inclusive em Porto Velho. "Pelo que tive oportunidade de conhecer, na usina de Porto Velho foram observados todos os detalhes de preservação ambiental, o que permite que possamos fornecer a energia necessária para o desenvolvimento de Rondônia, respeitando o meio ambiente". Ele percorreu o local onde ficam os modernos motores da usina, a central computadorizada de operações, o centro de tratamento de água e conheceu os projetos de controle e preservação ambiental da Termo Norte, que incluem a implantação de um cinturão verde em volta da usina. Na sala de controle, o ministro viu as fotos aéreas da área onde está implantada a usina, antes e depois do início das obras, com a comprovação de que a unidade foi instalada em uma área que estava há muito tempo completamente devastada.

 

"A Termo Norte cumpriu rigorosamente todas as exigências da legislação ambiental, observando, inclusive, padrões ambientais muito mais rigorosos", explicou ao ministro, o engenheiro Flávio Mendonça, gerente geral da Termo Norte. O ministro Sarney Filho passou cerca de uma hora dentro da usina e cumprimentou os empreendedores pelo projeto que terá outras etapas e que abastecerá de energia todo o Estado de Rondônia, criando as condições necessárias para o seu desenvolvimento e para atrair os novos investimentos e indústrias capazes de gerar emprego e renda na região.

 

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) exige "moratória" na construção de barragens e reparações por danos causados

 

Estudo da Comissão Mundial de Barragens confirma os danos sociais, ambientais e econômicos causados por barragens em todo o mundo.

A Comissão Mundial de Barragens (CMB) lançou em janeiro de 2001 seu relatório, após dois anos de estudo global, que comprova o que o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vem dizendo há muito tempo: os danos sociais, ambientais e econômicos causados por grandes barragens têm sido muito maiores do que admitem a indústria do setor e o governo brasileiro.

Em reação, o MAB uniu-se, em Londres, a organizações internacionais para lançar documento que desafia os financiadores da indústria de barragens, incluindo o Banco Mundial e agências de créditos para exportação, a suspenderem qualquer apoio `a construção destes projetos até que as recomendações da Comissão sejam implementadas. A declaração é endossada por mais de 100 organizações não-governamentais. No Brasil, enquanto os impactos de barragens não forem avaliados e as populações já atingidas compensadas por suas perdas, o MAB exige a paralisação da construção de qualquer novo projeto no país.

 

Embora o relatório apresente ampla evidência de que grandes barragens tenham fracassado em seus propósitos gerais e causados grandes danos, o MAB critica a Comissão por afirmar que as barragens contribuíram para o desenvolvimento. Em sintonia com o MAB, Sra. Medha Patkar, comissária da CMB e líder ativista do movimento popular "Salve o Rio Narmada" da Índia, se manifestou no relatório: "Os problemas das barragens são um sintoma do enorme fracasso do modelo predominante de desenvolvimento injusto e destrutivo... O freqüente fracasso de grandes barragens em fornecer seus pretensos benefícios...precisa ser reconhecido e aceito. Não há razão para otimismo quanto `a possibilidade de melhorar o mau desempenho de barragens e mitigar seus impactos..."

 

Sadi Baron, da coordenação do MAB, pergunta: "Itaparica expulsou 40.000 pessoas, e 13 anos após sua construção famílias ainda esperam pela irrigação e sobrevivem de cestas básicas doadas pelo governo. Em Tucuruí, são 6.500 pessoas obrigadas a viver nas pequenas ilhas no meio do reservatório sob a luz de lamparinas. Muitas famílias ainda esperam por reassentamento debaixo de lona em Porto Primavera. Este desenvolvimento vem para quem?"

 

O Brasil tem 93% de sua energia produzida por hidroelétricas. Um milhão de pessoas já foram expulsas de suas terras para dar lugar às grandes barragens que, segundo dados oficiais, já inundaram uma superfície de 34 mil km2, maior que uma Bélgica. Apesar dos danos causados, o governo brasileiro segue com sua política de promoção à construção de barragens nos moldes da ditadura militar, ignorando a miséria a que são relegadas as populações atingidas pelos projetos.

 

Em 1999, o MAB obteve audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados Federais e propôs a criação de uma Comissão Brasileira de Barragens para avaliar, de forma independente, os impactos destes projetos e sua eficácia na promoção do desenvolvimento do país.

 

Mais de 30.000 famílias atingidas ainda esperam por compensação pelas perdas sofridas devido, em alguns casos, a projetos construídos há 20 anos ou mais. Segundo Sadi Baron: "A população desalojada pelas hidroelétricas não está com seus problemas resolvidos. Não basta 'aprender com o passado', é indispensável reconhecer e assumir os erros do passado".

 

A iniciativa da criação de uma comissão independente nasceu em 1997, em Curitiba, no I Encontro Internacional de Atingidos por Barragens, promovido pelo MAB, que contou com representantes de mais de 20 países. A declaração de Curitiba pede a suspensão da construção de novas barragens até que uma "comissão internacional independente" conduzisse revisão completa de todas as barragens financiadas ou apoiadas por agências de créditos internacionais. Pressionado, o Banco Mundial (junto à União Internacional pela Conservação da Natureza) formalizou reunião em Gland, na Suíça, em 1997, com representantes das populações atingidas, ambientalistas e indústria. A reunião de Gland resultou na formação da CMB, uma comissão que se propõe a revisar o desempenho de grandes barragens e formular diretrizes para futuros projetos.

 

Expulsaram 40-80 milhões de pessoas no mundo e poucos readquiriram o padrão de vida prévio - populações 

 

Causaram um enorme impacto ambiental - a extinção de muitos peixes e outras espécies aquáticas, grandes perdas de floresta, pantanais e áreas agricultáveis; 

 

Beneficiaram os setores mais enriquecidos da sociedade, enquanto os mais empobrecidos arcaram com o ônus. 

 

Com base nestas evidências, a CMB faz as seguintes recomendações:

 

- Barragens não devem ser construídas sem o consentimento da população atingida;

- Mecanismos devem ser elaborados para prover reparações `aqueles que sofreram os impactos causados por barragens e restaurar ecossistemas danificados;

- Uma avaliação completa de alternativas que satisfaçam as necessidades da sociedade deve ser elaborada antes de se prosseguir com qualquer novo projeto;

- Prioridade deve ser dada em maximizar a eficiência de meios de utilização de recursos hídricos e produção de energia já existente antes de construir novas barragens. 

 

 

Norte vai continuar abastecendo Nordeste


A Câmara de Gestão da Crise da Energia (GCE) definiu que a Região Norte manterá a atual carga de energia transferida para o Nordeste, de 1.000 megawatts médios, mesmo em seu período mais seco. A decisão deverá balizar a meta de racionamento que será imposta à região a partir de julho/2001. Com isso, o governo deverá comprar toda a energia que atualmente abastece as quatro indústrias eletrointensivas da região. “A idéia é manter a transmissão de 1.000 MW para o Nordeste”, declarou Mauro Arce, secretário de Energia de São Paulo e integrante do núcleo-executivo da GCE.

A questão envolve dois pontos práticos. O primeiro: os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste chegaram a um nível crítico e a região precisa da energia proveniente da represa de Tucuruí, no Pará. O segundo ponto diz respeito ao fato de redução das chuvas começar no Norte no final de junho/2001. Até dezembro, essa região costuma enfrentar déficits de energia. A geração de Tucuruí cai de cerca de 4.200 MW médios para cerca de 2.600 MW. Por conta disso, o Norte demanda cerca de 400 MW médios do próprio Nordeste, conforme informou o governador do Pará, Almir Gabriel.

Para manter a transmissão de 1.000 MW para o Nordeste e atender à demanda local, de cerca de 3.000 MW ou de 2.400, com racionamento de 20%, a fórmula analisada é dispor dos 1.400 MW destinados às indústrias eletrointensivas da região - a Alumar, no Maranhão, e a Albrás, Alunorte e Camargo Correia Metais, no Pará. Segundo Arce, o modelo de compra de grandes blocos de energia de empresas consumidoras está em análise pela GCE.

A meta de racionamento para o Norte, entretanto, depende de nova análise do Operador Nacional do Sistema (ONS). O órgão sugeriu à GCE a economia de energia também nessa região, a partir de 15 de julho. Segundo Arce, o ONS quer ter a certeza do momento em que vai parar a vazão de água na represa de Tucuruí para definir com maior precisão a data do início do racionamento e o seu porcentual - levando em conta a transferência para o Nordeste. A expectativa é de que a definição ocorra no início de julho/2001.

O governador do Pará pediu ao presidente da GCE, Pedro Parente, que o racionamento no Norte seja de 10% e que comece em 1º de julho - e não 15 dias mais tarde. No Sudeste, no Centro-Oeste e no Nordeste alcança 20% desde o dia 1º. Segundo Arce, qualquer que seja o porcentual definido, será aplicado de maneira equivalente ao modelo geral adotado pela GCE. Por exemplo: se a meta de redução do consumo for de 15%, esse porcentual será aplicado às residências e às empresas comerciais e industriais. Os setores eletrointensivos terão alíquota um pouco maior -compatível com a meta de 25% imposta às indústrias similares das outras regiões.





Eletronorte promete que vai expandir a geração



A Eletronorte decidiu levar adiante dois projetos de expansão da capacidade da usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Em curto prazo, a estatal deverá concluir a ampliação da cota de seu reservatório em um metro, o que permitirá a geração de mais 110 megawatts (MW) médios ainda no primeiro semestre de 2002. Até abril de 2007, a Eletronorte pretende finalizar projeto mais ambicioso: a conclusão da segunda etapa de construção de Tucuruí. A obra tem o objetivo de praticamente dobrar a capacidade de geração da usina, dos atuais 4.200 MW para 8.300 MW, e deverá consumir R$ 2 bilhões da estatal.

Segundo uma fonte do setor, a segunda etapa de Tucuruí tenderá a ser a “última obra da Eletrobrás no segmento de geração de energia”. Já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o empreendimento seria conduzido, em princípio, pela iniciativa privada. Depois do fracasso de suas tentativas de venda de suas grandes geradoras e da crise energética, o governo decidiu que a estatal deverá arcar com esse empreendimento.

As obras já estão em andamento, de acordo com a mesma fonte. A primeira turbina deverá entrar em operação em dezembro de 2002 - quando o consórcio Alusa-Schaim também deverá concluir a edificação das linhas de transmissão da energia adicional que será gerada pela usina. A partir de 2003, cada uma das outras 10 turbinas começa a funcionar, em intervalos de quatro meses. Cada unidade terá capacidade de gerar 350 MW.

As obras para o aumento da cota do reservatório de Tucuruí deverão começar no segundo semestre/2001. Seus custos ainda não foram levantados pela Eletronorte. O projeto permitirá a ampliação da capacidade de armazenamento de água no próximo período úmido, que termina entre maio e junho na região. Com isso, a usina terá uma reserva adicional para o período seco de 2002, que começa no final de junho.

Belo Monte - A Eletronorte deverá encaminhar até 31 de agosto/2001 à Aneel e ao Instituto de Impacto Ambiental o projeto final das obras da usina de Belo Monte, no rio Xingu (Pará). Trata-se de um empreendimento capaz de atingir a geração máxima de 11.000 megawatts médios - apenas 1.000 MW menos que Itaipu. A licitação é esperada para o início de 2002. Segundo José Antônio Muniz Lopes, presidente da Eletronorte, o projeto envolverá investimento de cerca de US$ 4 bilhões, na usina, e de mais US$ 3 bilhões nas linhas de transmissão. Uma pequena parcela dessas injeções poderá recair ao governo federal.

Embora tenha capacidade máxima de geração de 11.000 MW, Belo Monte deverá permanecer praticamente parada no período da seca - entre agosto e novembro. Para o distribuidor que vier a assinar contrato com a usina, haverá a garantia de fornecimento médio de 4.000 MW ao longo de todo o ano. Duas linhas de transmissão estão sendo consideradas. Uma destinada ao Nordeste e a outra ao Centro-Oeste e ao Sudeste.

A idéia é utilizar ao máximo a geração de Belo Monte no período de dezembro a maio. 





Belo Monte vem para minimizar problemas



O presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, apresentou em 6/junho o novo modelo para a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Em audiência pública na Comissão da Amazônia da Câmara dos Deputados, parlamentares criticaram a decisão do juiz Rubens Rollo, da Justiça federal do Pará, que determinou a suspensão dos estudos de impacto ambiental para as obras da usina.

Convocada por Anivaldo Vale, a audiência pública era destinada a debater os impactos sócio-econômicos da construção da usina de Belo Monte. Muniz foi questionado pelos deputados se o Norte iria participar do plano de racionamento de energia elétrica, mas lembrou que estava impedido de se pronunciar sobre o assunto.

O presidente da Eletronorte informou que Belo Monte vai contribuir para minimizar a crise de energia do País, a médio prazo. Ele também anunciou mudanças significativas do projeto: o reservatório alagará uma área menor que a prevista em estudos anteriores e deverá ter apenas 400 km2, com remanejamento de 2 mil famílias e sem atingir terras indígenas ou desviar rios. Muniz também informou que a usina utilizará os 90 metros de queda d’água do rio Xingu para gerar 11 mil megawatts/h. Ele enfatizou que o projeto atual envolve custos mais altos por prever inserção regional, evitando os chamados enclaves.

Anivaldo Vale disse temer que, a exemplo do que houve na construção das demais usinas instaladas no Pará, as empreendedoras que assumirão a obra deixem de investir na região após sua conclusão. Ele afirma que as compensações estão aquém das perdas sócio-econômicas da comunidade, e que isso deve ser corrigido