FRUTOS – Açaí

 

Nome científico e família

Euterpe oleracea MART. ARECACEAE (PALMAE)

 

Nome comum

“Asai”, “manaca” (espanhol); “açaí”, “açaí-do-pará”, “açaí de touceira”, “açaí-do-baixo-amzonas”, “juçara”, “juçara-de-touceira” (português); “euterpe palm”(inglês); “palmier pinot” (francês).

 

Composição química e valor calórico de 100g de polpa e suco de açaí.

 

 

Componente

 

Unidade

Açaí

 

         Polpa                     Suco

Água

g

45,9

60,4

Valor energético

cal

247,0

182,4

Proteínas

g

3,8

2,1

Lipídeos

g

12,2

6,0

Carboidratos

g

36,6

30,0

Cálcio

mg

118,0

110,0

Fósforo

mg

58,0

46,0

Ferro

mg

11,8

9,3

Retinol

mg

0,0

0,0

Vitamina B1

mg

0,36

0,04

Vitamina B2

mg

0,01

-

Niacina

mg

0,4

-

Vitamina C

mg

9,0

8,9

 

 

FRUTOS – Açaí

 

Palmito e fruto de Açaí

 

Boa Alternativa de Diversificação Agrícola

 

O açaizeiro é uma palmeira que produz palmito de qualidade comparável ao da juçara, palmitero encontrado espontaneamente na Mata Atlântica e que, hoje, encontra-se em extinção, por causa do extrativismo selvagem a que é submetida. O açaizeiro apresenta a vantagem de produzir vários perfilhos por touceira, por isto, está conquistando o espaço deixando pela juçara na produção de palmito. Saiu do norte do Brasil para ser cultivada em diversos Estados, destacando-se o Espírito Santo, São Paulo e principalmente a Bahia, que reúnem as características climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento.

Por ser uma cultura típica de floresta, é tolerável à sombra, podendo ser cultivada em áreas de capoeira e em consórcios com outras culturas.

O açaizeiro desenvolve-se, também, a pleno Sol, a exemplo do comportamento observado no experimento instalado na Estação Experimental Lemos Maia – CEPLAC – BA, cujo primeiro corte deu-se aos cinco anos de idade, com rendimento médio de 210g de palmito “creme” por haste e diâmetro de 3,12 cm. No entanto, neste sistema, deve-se tomar o cuidado de proteger as mudas no campo, durante os primeiros anos de plantio, sendo indicado o consórcio com culturas de ciclo curto como a mandioca, ou a depender do espaçamento, com a bananeira que posteriormente será retirada.

Nos estados de São Paulo, Espírito Santo e Bahia, onde o açaizeiro foi introduzido, o interesse principal é pelo palmito. Porém, ele produz frutos, cuja polpa fornece o vinho ou suco de açaí, muito rico em calorias, bastante consumido e apreciado nas suas regiões de origem e que hoje está fazendo parte da dieta das principais academias de ginásticas do Brasil.

Além desses produtos, palmito e fruto, o açaizeiro ainda pode fornecer celulose de qualidade semelhante à do pinheiro e do eucalipto, com relação a resistência à ruptura, aproveitando os restos de estipe deixados na colheita do palmito.

O açaizeiro é, portanto, uma palmeira que oferece uma série de oportunidades de cultivo, constituindo-se em uma excelente alternativa de diversificação agrícola.

O filme e manual intitulados “Produção de Palmito de Açaí” produzido dentro do convênio CEPLAC-CPT, sob Coordenação Técnica da engenheira Maria da Graça C. P. Costa Silva Pesquisadora da Estação Experimental Lemos Maia ESMAI/CEPLAC – BA e do Pesquisador Ismael de Souza Rosa da CEPEC/SEFOP/CEPLAC, Ilhéus – Bahia, vem contribuir para a difusão desta tecnologia no país.

 

FRUTOS – Literaturas Açaí

 

Bibliografia Consultada

 

Calvazara, B.B.G. 1976. As possibilidades do açazeiro no estuário amazônico.

P. 165-207. In: Simpósio Internacional sobre Plantas de Interesse Econômico da Flora Amazônica, Belém, 1972 (Informes de Conferência, Cursos e Reuniones, nº 93)

 

IBGE.1981. Tabelas de composição de alimentos. Rio de Janeiro: Secretaria de Planejamento da Presidência da República / Fundação IBGE. Brasil. 2 ed., 213p.

 

Cavalcante, P.B.1991. Frutas comestíveis da Amazônia. Belém: Ed. CEJUP, 5 ed.279 p.

 

Franco, G. 1992. Tabela de Composição química de alimentos. Rio de Janeiro: Ed. Atheneu, 9 ed. 307 p.

 

Moreira, A.J.F. 1989. Efeitos da temperatura na conservação e germinação de sementes de açazeiro Euterpe oleracea Mart. Piracicaba – SP. ESALQ. Tese de Mestrado 79 p.

 

Nogueira, O.L et al. A cultura do açaí, EMBRAPA/SPI/CPATU, Série Coleção Plantar, nº26,50 p., 1995.

 

Nogueira, O L. Estratégias de regeneração, manejo e exploração dos açazais nativos de várzea do estuário amazônico. Belém, UFPA. Tese de Doutorado, 147 p. 1998.

 

Seffer, E. Catálogo dos insetos que atacam as plantas cultivadas da Amazônia. Belém, IAN – Boletim Técnico nº 43, p 25-53. 1961.

 

FRUTOS - Açaí                      

 

Mercado Futuro Feira mostrou em São Paulo o potencial de novos negócios que aliam preservação da natureza e lucros

 

Amazônia busca parceiro para ecoproduto  

 

Camu-camu, jarina e andiroba. Já ouviu falar? Se não, pode estar perdendo o bonde do ecomercado. A Expoamazônia 98, feira realizada de  25 a 29 de julho de 1998 no Pavilhão da Bienal em São Paulo, mostrou o que a região tem para vender sem depredar a floresta.

Para quem não sabe, camu-camu é um fruto nativo da Amazônia que tem 1,5 mais vitamina C que a acerola e 65 vezes mais do que o limão. Jarina é uma palmeira cuja semente é similar ao marfim, sem o sacrifício animal. Andiroba é uma árvore da qual se extrai um óleo que pode ser usado como protetor solar, repelente ou aplicado em luxações.

A novidade não se resume aos produtos. A Expoamazônia teve a finalidade  implantar no Brasil um novo gênero de ecologia - o econegócio ou ecobusiness. É um tipo de empreendimento que associa preservação ambiental, desenvolvimento sustentado e, o que seria uma heresia para ecoxiitas, lucros.

“A melhor forma de proteger a floresta é ganhar dinheiro”, disse  Fábio Vaz de Lima, secretário-executivo do GTA (Grupo de Trabalho Amazônico), rede que reúne 355 entidades da Amazônia e está organizou" a feira.

“O desafio das ONGs (organizações não-governamentais) é se transformar em microempresa, mas com lucros sociais”, disse Eugênio Scannavino Netto, um médico que desenvolve um projeto de saúde na região de Santarém (PA).

 

Ecologia de resultados         

 

A equação de Lima é simples. Se as populações ribeirinhas, índios, pescadores, seringueiros e extrativistas não conseguirem se sustentar com negócios ecologicamente corretos, a floresta corre risco. Miséria implica destruição.

Para eles se viabilizarem economicamente, precisam de parceiros para criar produtos, marcas, design e distribuí-los nos principais mercados do país. É o que a feira estábuscou.

“Acabou o momento de ficar sós nas denúncias. Chegou a hora de apresentar propostas para viabilizar o homem da Amazônia”, disse Claudionor Barbosa da Silva, um pescador da Ilha de Marajó que preside o GTA.

O subtítulo da Expoamazônia mostra o tipo de proposta buscada: Feira Internacional de Ecoprodutos, Tecnologias Brandas e Desenvolvimento Sustentável.

A fase de denúncias está cedendo espaço às propostas porque já há projetos bem sucedidos que conjugam preservação e lucros.

A febre de consumo de açaí talvez seja o melhor exemplo (leia texto abaixo). Com a abertura do mercado Rio e São Paulo para o creme da fruta, a palmeira voltou a ser cultivada.

“O caboclo que destruiu o açaizal para criar gado teve prejuízo. Agora está todo mundo plantando açaí de novo no Pará”, conta Avelino Ganzer, um gaúcho que migrou para a Transamazônica em 1972 e tem terras em Rurópolis, sudoeste do Pará.

A retomada do açaí tem razões econômicas. Estudo do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos prevê que as vendas de açaí devem alcançar R$ 35,5 milhões no ano de 2000 e ultrapassar um produto clássico como a castanha-do-pará. Em 1994, a exportação de castanha rendeu US$ 22,1 milhões.

Outra pesquisa, sobre opções de investimentos na Amazônia, projeta um faturamento anual de US$ 56 mil para quem investir US$ 11.300 no plantio de cinco hectares de açaí.

Essa pesquisa foi patrocinada pelo Ministério do Meio-Ambiente e envolveu entidades tão díspares quanto o Grupo de Trabalho Amazônico, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a Comunidade Solidária e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), entre outras.

Foi estudada a viabilidade de 17 produtos. 

A jarina, o tal marfim vegetal, pode render US$ 324 mil por ano e exige um investimento de US$ 50.700, segundo o estudo. No Equador, a jarina ocupa o terceiro lugar no ranking de exportações.

 

Desinformação e preconceito           

 

A pergunta óbvia é: se os resultados projetados são tão especuladores, por que o empresariado da Amazônia não se interessa por esses negócios?

É por desinformação e preconceito, segundo o economista Francisco de Assis Costa, do Núcleo de Altos Estudos da Amazônia, da Universidade Federal do Pará.

“As elites do Norte desprezam o conhecimento do cabloco e não investem nos produtos da floresta. Prefere plantar soja, que acaba com o solo em quatro anos”, disse Costa.

Há preconceito, mas não é tão simples assim. Existe necessidade de investimento em pesquisa - e aí os riscos são imponderáveis. O camu-camu, por exemplo, é hospedeiro de uma série de pragas que são minimizadas quando a fruta é encontrada na floresta.

Mas o cultivo do fruto pode ser problemático porque não é fácil neutralizar as pragas da planta, segundo o agrônomo Sidney Ferreira, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Tanto que os Estados Unidos e o Japão querem importar o fruto, mas não há oferta suficiente, afirma Ferreira.

Uma empresa norte-americana começou a produzir tabletes a base de camu-camu, o Camuplus, e teve de desistir do produto porque não conseguia encontrar fruta suficiente no mercado.

É esse tipo de nó que a Expoamazônica quisdesatar.

 

Vendas do açaí crescem em até 6.400%

 

A explosão de consumo de açaí mostra o que pode acontecer com produtos amazônicos quando há a combinação de apelo à saúde, gosto palatável, boa distribuição e propaganda gratuita da novelas da Rede Globo.

Não há números globais, mas há distribuidores que aumentaram suas vendas de açaí em 6.400% nos últimos cinco anos.

É o caso da Bela Ischia, empresa do Rio que é uma das gigantes do açaí. Em 1994, quando o creme da fruta era consumido só por lutadores de jiu-jitsu e fanáticos da malhação no Rio, a distribuidora vendia 2 toneladas por mês de polpa. Em março de 1998, a empresa bateu seu recorde - vendeu 131 toneladas.

“Nem com a acerola foi assim”, conta Marcelino Tilli, um dos sócios da Bela Ischia. Hoje, o açaí é a fruta mais vendida pelo atacadista, à frente de morango, maçã e pêra. Segundo ele, o Rio consome cerca de 350 toneladas por mês de açaí.

Em São Paulo, as vendas num dos maiores distribuidores, chamado O Poderoso açaí, cresceram 1.025% em menos de um ano. Criada em maio de 1997, a empresa começou vendendo 4 toneladas. Em março de 1998, alcançou 45 toneladas, segundo Fabíola Patrícia Fonseca José, dona da empresa.

Estudo do economista Luis Guimarães, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará, prevê que o faturamento com vendas de açaí vai ultrapassar o da castanha-do-pará em dois anos.

“Sem o açaí estaríamos falidos”, conta Rui Erinaldo da Silva, gerente da Copama (Cooperativa Agrícola Mista da Amazônica).

A cooperativa foi fundada há 20 anos para trabalhar com pimenta, passou para o mamão, o melão e depois para a acerola.

“Quase falimos porque os outros Estados passaram a cultivar esses produtos e tinham preços melhores porque estavam mais perto do mercado do Rio e São Paulo”, diz Silva. Como o açaí é nativo da Amazônia, esse risco é menor.

O crescimento exponencial deve-se ao fato de o açaí ser um bom negócio para todos os elos envolvidos. O ribeirinho vende a lata de 7 Kg em Belém por R$ 2 na época da safra. A fruta é beneficiada e o quilo da polpa chega aos bares por R$ 4. Um prato de açaí, com xarope de guaraná, granola e cerca de 100 Kg de açaí custa, em média, R$ 5 em bares de São Paulo.

Caso se levasse em conta só o preço da fruta - o que é uma simplificação porque há custos de transporte, de beneficiamento e da operação do bar -, o açaí sofre um aumento de 17.757% no trajeto entre Belém e São Paulo.

O sucesso do açaí pode provocar um efeito colateral na dieta dos moradores da Amazônia. No Pará, por exemplo, a fruta faz parte da dieta básica e é comida com tapioca ou camarão. Com o aumento de vendas para a região Sudeste, pode faltar açaí no Pará. 

 

FRUTOS  - Açaí

 

Açaí para o mundo

 

Pequenos produtores formam cooperativas para exportar polpa

 

 

Os sistemas agroflorestais são a base do que se espera para o futuro do setor agrícola do Amapá. Uma alternativa coerente com a atual estrutura do setor primário do estado, baseado principalmente no extrativismo vegetal, onde se destaca o açaí, um dos  produtos florestais mais importantes na vida alimentar e cultural da população amapaense. De acordo com o Instituto de Pesquisas Científicas e tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), a cadeia econômica do açaí movimenta anualmente perto R$ 20 milhões, desde a extração até a produção do suco. Só em Macapá são consumidos diariamente cerca de 30 mil litros do produto. Enquanto o restante da Amazônica volta-se para cultivos industriais como a soja, no Amapá busca-se a integração entre a agricultura e a preservação ambiental, em um processo de formação de cooperativas de pequenos produtores rurais que lançarão as bases para a formação de agroindústrias. "Não queremos produtores ocupando grandes extensões de terra e cultivos. Nosso estado tem solos pobres, a produtividade de grãos é muito baixa . Estamos imitando a natureza ao fixar o pequeno produtor na terra com a prática da fruticultura em áreas  degradas, valorizando as coisas regionais com um modelo diferente para a Amazônia", disse o secretário de Agricultura do estado. A idéia é fortalecer a pequena iniciativa privada para que, mais tarde, ela possa consolidar-se economicamente. Sob essa perspectiva, a agricultura está em plena fase de transição, saindo da monocultura de mandioca para um sistema produtivo que reúne extrativismo, manejo de florestas, plantios tradicionais que reduzam o nível de importação de alimentos de outros estados, fruticultura e agroindústria voltada para o mercado externo. O que pareceria utópico já começa a se cristalizar em personagens como Luís Rodrigues dos Santos, um ribeirinho de 50 anos. Morador da comunidade de Fortaleza, na zona rural de Macapá, ele é um extrativista típico. "Estou no ramo açaí e da pesca há 40anos. Foi com isso que criei 14 filhos", conta com orgulho caboclo. Ao longo das últimas quatro décadas, a rotina do extrativismo levou Santos a comercializar açaí durante a época de safra, que vai de janeiro a setembro. Quando a fruto acabava nas palmeiras era época de ir pescar o camarão que iria garantir o sustento da família durante a entressafra. Uma revolução começa a se processar na vida do extrativista. O interesse mudou. Santos quer mais do açaí do que assegurar a sobrevivência dos nove filhos que ainda vivem sob sua dependência. Sua idéia é tornar-se exportador. Para concretizar os sonhos, Santos já comprou uma máquina de bater açaí, equipamento comum na região, utilizado para retirar a polpa do fruto, e está se filiando à Associação dos Batedores de Açaí de Macapá, resultante do trabalho de estímulo ao associativismo feito pela Secretaria de Agricultura. Com o apoio de entidades já formadas, o governo está construindo uma unidade de processamento de polpa em Macapá para ser administrada pelo produtores e que deverá entrar em atividade em 1999. Com a unidade de processamento operando, será possível transformar em polpa as frutas regionais produzidas por pequenas agricultores ou extraídas das florestas nativas. "O produto terá alto padrão de higiene e qualidade e ganhará embalagens próprias a exportação", explica o secretário de Agricultura. A escala para a industrialização das polpas já está sendo garantida com a incorporação dos produtos regionais ao programa de merenda escolar do estado. O mercado aberto com as compras do governo estimulou os pequenos agricultores a aumentar a produção, que já começa a ter excedentes. "Estou esperando o frigorífico para começar a exportar. Por enquanto, vivo com minha máquina, tirando uns R$ 600 por mês. Quando a exportação começar, vou comprar outra máquina e um terreninho para fazer o manejo de açaí. Meu objetivo daqui para diante é crescer", planeja Santos.

 

FRUTOS - Açaí   

 

O popular açaizeiro ou seja Euterpe oleracea Martius como é conhecido cientificamente faz parte da família botânica da Palmao. Esta palmeira brasileira de predominância na região norte, é encontrada abundantemente nas margens dos rios, e com menos freqüência em terrenos mais afastados e locais úmidos.

Do açaizeiro tudo se aproveita: das raízes, usadas como vermífugas ás folhas usadas pelo caboclo para cobertura das casas. As sementes são consideradas como excelente adubo e dela também se extrai palmito, matéria-prima para a indústria de papel e celulose. Dos frutos amassados se faz o " vinho de açaí", que faz parte da dieta básica da população.

 

A Palmeira

 

A proliferação da espécie ocorre por formas peculiares, sendo através de brotações por touceiras ou disseminação de sementes realizadas por animais silvestres, mais precisamente aves que durante o consumo semeiam as sementes para a germinação. A palmeira do Açaí apresenta uma estirpe elegante, suas folhagens são grandes, finamente recortadas em tiras, de cor verde escura atingindo freqüentemente 2m de comprimento.

Compõe sua característica cachos de flores miúdas amarelas que sugerem predominantemente de setembro a janeiro, podendo aparecer quase o ano todo. Os frutos também dão em cachos, que são de coloração violácea, um roxo quase negro quando maduras, tendo rica.

 

A  Polpa

 

Autoridades médicas e nutricionistas afirmam, que a polpa do açaí contém alto teor energético, com valor calorífico superior ao leite de gado, e com duas vezes de glicídios. Sua riqueza em proteína não elevada, nem a porcentagem de lipídios. No entanto, com relação a teores de cálcio, fósforo e ferro existem doses de relativo interesse e contém vitaminas "A" e "B". As análises efetuadas na polpa dos frutos acusaram o seguinte: 41% de umidade; 24,38% de gorduras; 03,35 de substâncias protéicas, 12,02% de açúcares totais; 18,00% de celulose (fibra bruta); e 01,25% de cinza.

O "vinho" do açaí, preparado como alimento, nas análises feitas acusou a seguinte composição: 85,00 de umidade; 07,60% de gordura 01,25 % de substância protéica; 01,00% de açúcares; 00,30% de cinza; e 04,85% de fibras brutas.

FRUTOS - Açaí

 

Lenda do Açaí

 

Em tempos remotos, havia no local onde se erigiria, mais tarde, Belém do Pará, uma tribo que, devido à escassez de alimentos, vivia sempre em grandes dificuldades. E como a tribo aumentava dia a dia, o cacique Itaki reuniu sua gente, fazendo sentir a grande crise que adviria, caso continuasse a crescer demograficamente.

Resolveu, de comum acordo com os mais velhos guerreiros e curandeiros, sacrificar toda criança que nascesse a partir daquele dia. Talvez devido à tal medida, passaram-se muitas luas sem nenhuma nativa conceber. Porém, um dia, Iaçá, a filha do cacique Itaki, concebeu uma linda criança. Entretanto, não demorou muito para o Conselho Tribal se reunir e pedir o sacrifício da filha de Iaçá.

Seu pai, guerreiro de palavra, não hesitou em dar cumprimento à sua ordem. Ao saber da sorte de seu rebento, Iaçá implorou ao pai que poupasse a vida da filha, pois os campos estavam verdejantes e a caça não tardaria a abundar na região. O cacique Itaki, porém, manteve sua palavra e a criança foi sacrificada.

 

Iaçá enclausurou-se em sua tenda, ficando ali por quase dois dias de joelhos, rogando a Tupã que mostrasse a seu pai uma maneira pela qual não fosse preciso repetir o sacrifício de inocentes. Alta hora da noite, porém, ouviu Iaçá um choro de criança.

Aproximou-se da porta da tenda e, então, viu sua filha sorridente ao pé de uma esbelta palmeira. A princípio, ficou estática. Depois, em correria louca, lançou-se em direção à filha, abraçando-se a ela, mas deparou-se com a palmeira, pois, misteriosamente, a criança desaparecera.

Iaçá, inconsolável,chorou copiosamente até desfalecer.

No dia seguinte, o seu corpo foi encontrado ainda abraçado à palmeira. Estava morta, mas seu semblante risonho irradiava satisfação; ao mesmo tempo, seus grandes olhos negros, inertes, fitavam o alto da palmeira.

Itaki notou que a palmeira tinha um cacho de frutinhas pretas. Ordenou que fosse apanhado e amassado em um grande alguidar de madeira, obtendo, assim, um vinho avermelhado. Agradeceu a Tupã e, invertendo o nome da sua filha Iaçá, batizou o estranho vinho de Açaí, suspendendo em seguida, a limitação de seu povo.

E vieram os anos. O vinho vermelho veio a fortalecer gerações de guerreiros e caboclos. Belém tornou-se metrópole e, até hoje, seus habitantes tomam o vinho dessa palmeira nativa e se sentem fortalecidos graças às lágrimas de sangue da índia Iaçá.

 

FRUTOS – Açaí

 

A correria entra em movimento

 

Açaí, abacaxi e leite impulsionaram a incipiente cadeia produtiva do setor

 

O açaí, fruta de uma palmeira nativa da região amazônica, já injeta cerca de R$ 40 milhões anuais nos dois principais estados produtores, o Pará e o Amapá. Sua venda triplicou desde 1995. No ano passado, a área de plantio no Pará cresceu 143,3%, para 10,2 mil hectares, o que rendeu uma safra de 111,5 mil toneladas. Oferecida em tigelas – misturada com granola, guaraná, acerola e outras frutas – ou congelada para indústrias de sucos, a  frutinha passou a ser cultivada comercialmente a cerca de um ano e vem animando os donos de indústrias processadoras do Pará a investir mais no negócio.

A cooperativa de Tomé-Açu, por exemplo, está aplicando R$ 2 milhões na modernização de sua linha de produção e na ampliação de armazéns.

“ Como as vendas estão dobrando todos os anos, é necessário aumentar a fábrica”, explica o gerente da cooperativa, que congrega cerca de 100 sócios. A capacidade de armazenamento vai crescer 250 mil toneladas. Dispor de um depósito é essencial nesse ramo. Isso porque a demanda pela fruta paraense – mais intensa entre os meses de dezembro e abril – anda na contramão da safra, que ocorre entre agosto e dezembro.

 

Popularização – Tudo começou em 1994, quando o engenheiro químico paraense Nemer Alfredo Findello aprofundou seus estudos de polpas de frutas pasteurizadas, entre elas a do açaí. Pós-graduado em tecnologia de alimentos pela Unicamp, Findello foi consultor de empresas paraenses de palmito em conserva, durante anos.

As pesquisas resultaram em uma nova fórmula: o açaí açucarado e pasteurizado, desenvolvida pelo químico. Com validade de dois anos, essa nova versão da fruta está sendo oferecida em latas de um litro e distribuída em redes nacionais de supermercados pela Pronam – Produtos Naturais da Amazônia, até então especializada em palmito, que iniciou em maio último a produção diária de 400 latas de polpa do açaí.

A perspectiva é de ampliação gradual da produção para atingir 3 mil latas/dia até o final do ano. “Nossa meta é transformar a polpa de açaí no carro-chefe da empresa”, diz o diretor. A polpa pasteurizada pode ser mantida à temperatura ambiente. Com o lançamento do novo produto o faturamento da Pronam deve crescer 200% neste ano, para R$ 3,6 milhões.

Com a finalidade de reflorestar áreas de palmeiras de açaí, o empresário instalou sua indústria numa região de alta concentração de produção da fruta, no município de São Sebastião da Boa Vista, distante 100 quilômetros de Belém, onde só se chega por via fluvial. O processo de replantio é simples, pois basta jogar o caroço do açaí no solo que ele rebrota com facilidade.

Por outro lado, o clima úmido da região amazônica favorece o desenvolvimento acelerado da palmeira, que em três anos entra na fase adulta e começa a produzir. “Estamos reflorestando nossa área cerca de 415 hectares e ensinando as famílias ribeirinhas a fazer o mesmo”.

 

Abacaxi – Por outro lado, a instalação da empresa italiana Tropical Food Machinery era o que faltava para a fruticultura paraense voltasse a brilhar no mercado internacional. Com investimentos iniciais de US$ 3 milhões, a empresa montou a subsidiária brasileira Agroindústria Floresta do Araguaia Conservas Alimentícias Ltda. (Flora), que começou a operar em 1998 exportando 90% da produção para a Europa, os Estados Unidos e a Ásia.

A empresa processa 22 mil toneladas de abacaxi por ano, o que rende 3 mil toneladas de suco concentrado. No ano 2000, serão 65 mil toneladas para 8 mil toneladas de concentrado produzidas, reservando-se o mesmo percentual para a exportação. No mercado nacional, o produto da Flora é vendido como produto semi-industrializado para as indústrias alimentícias Maguari, Cajubrás, Cica e Arisco.

 

Laticínios – Também o grupo industrial pernambucano Queijo Minas está investindo alto – R$ 16,5 milhões – para montar a primeira grande indústria de laticínios do Pará. Numa parceria com a Comércio e Indústria de Laticínios (Comila), do Tocantins, fechada em fevereiro passado, a Queijo Minas criou a Indústria de Laticínios do Norte (Lacnorte), que começa a operar ainda neste ano em Marabá, no sul do Pará.

O investimento vai resultar numa produção inicial de 120 mil litros leite por dia. Em 36 meses, essa capacidade subirá para 500 mil litros. A estratégia é passar a processar no Pará produtos que ainda dependem de fornecimento externo, como a manteiga e o leite em pó.

Segundo o secretário estadual de Agricultura, o projeto pioneiro da Lacnorte marca o início da verticalização da bacia leiteira do Norte do País e da profissionalização do mercado lácteo na região.” Além da linha de leite, queijos, iogurtes e manteigas que a empresa vai produzir, cada um dos 17 municípios da bacia leiteira do sul do estado funcionará como fornecedor, com coleta e câmaras de resfriamento”, diz.

 

Para saber mais sobre o Açaí: www.informam.ufpa.br/acai/main.htm

FRUTOS – Cacau

 

Nome científico

Theobroma cacau L.

 

Muito antes do descobrimento da América, os índios já fabricavam o chocolate, considerado uma alimento poderoso. As sementes, depois de moídas e torradas, eram misturadas com açúcar. Apesar do chocolate ser hoje muito consumido e no mundo inteiro, os europeus só conheceram o cacau mais de um século depois da chegada dos colonizadores.

FRUTOS – Camu-Camu

 

Nome científico

Myrciaria dúbia

 

O Camu-Camu faz parte da vegetação nativa das várzeas da Amazônia. Tem vitamina C em quantidade bem superior à maioria das plantas cultivadas.

A fruta é uma vez e meia mais rica que a acerola que, por sua vez, tem pelo menos 50 vezes mais vitamina do que a laranja ou o limão. Sua polpa é muito utilizada na culinária amazonense.

 

FRUTOS – Castanha

 

Nome Científico

Bertholletia excelsa H.B.K

 

A amêndoa da castanha, com alto teor nutritivo, é muito utilizada com ingrediente da culinária e seu óleo é usado também com lubrificante na aviação. Em muitas regiões, a coleta de castanha é uma atividade economicamente importante para o caboclo.

 

FRUTOS – Castanha-do-Brasil

 

Nome científico e família

Bertolletia excelsa H.B.K LECYTHIDACEAE.

 

Nome comum

Castaña, castaña del Brasil, nuez del Brasil (espanhol), castanheira, castanha-do-brasil, castanha-do-pará (português), Brazil nut, Pará nut (inglês), noix du brésil, noix de pará (francês), Paranuss (alemão), Brazil’skii orech (russo) e Burajiru natsu (Japonês).

 

Composição química de 100g de amêndoas de castanha-do-brasil

 

 

Componente

 

Unidade

 

Valor

Água

g

3,0

Valor energético

cal

751,6

Proteínas

g

16,4

Lipídeos

g

69,3

Carboidratos

g

3,2

Sais Minerais

g

3,5

Fibras

g

4,6

Cálcio

g

0,243

Fósforo

g

0.664

Vitamina A

mg

Presente

Vitamina B1

mg

150,0

Vitamina B2

mg

Presente

 

 

FRUTOS – Literaturas Castanha-do-Brasil

 

Bibliografia Consultada

 

Ministério da Agricultura. Castanha-do-brasil: levantamento preliminar. Belém: Delegacia Estadual do Ministério de Agricultura. Federação da Agricultura do Estado do Pará. 69 p. 1976.

 

Cavalcante, P.B Frutas comestíveis da Amazônia. Belém, Edição CEJUP. 279 p. 1991.

 

Figueiredo, F.J.C & Carvalho J.E.U. Avaliação de características recalcitrantes de sementes de castanha-do-brasil. Belém: EMBRAPA/CPATU, Boletim de Pesquisa nº 154, 17 p. 1994.

 

Furr, A. K. et. al. Elemental composition or tree nuts. Bull. Environm. Contam. Toxicol. 21: 392-396 1979.

 

Müller, C.H. 1981. Castanha-do-brasil: estudos agronômicos. Belém: EMBRAPA/CPATU, Documento nº 1, 25 p.

 

Müller, C.H. et. al. Castanha-do-brasil. Brasília: EMBRAPA-SPI, Coleção Plantar nº 23, 65p. 1995

 

Müller C.H. & Calzavara B.B.G. Castanha-do-brasil. Belém, EMBRAPA-CPATU Recomendações Básicas nº11. 1989.

 

Nascimento, C.N. B e Homma A . K. O Amazônia: Meio Ambiente e Tecnologia Agrícola. Belém, EMBRAPA-CPATU, documento 27, 28 p. 1984.

 

Prance, G.T e Mori S.A. Observations on fruits and seeds of neotropical Lecythidaceae. Brittonia. 30: 21-33. 1978.

 

FRUTOS – Cupuaçu

 

Nome científico e família

Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng) Schum. STERCULIACEAE.

 

Nome comum

“copoasú”, “cupuasú”, “cacao blanco” (espanhol), “cupuaçu”, “pupu”, “cupu” e “pupuaçu” (português).

 

Com perfume e sabor característicos, o cupuaçu, da mesma família do cacau, é uma das frutas mais apreciadas pela população. Essa fruta chega a 25 cm de comprimento e 12 cm de diâmetro e a polpa é utilizada para fazer sorvetes, cremes, geléias e sucos.

 

Valor nutricional de 100g de polpa de cupuaçuzeiro

 

Componente

Unidade

Valor

 

Acidez

g

2,15

Brix

-

0,80

PH

-

3,30

Umidade

g

89,0

Aminoácidos

mg

21,9

Extrato etéreo

g

0,53

Cinzas

g

0,67

Sólidos totais

g

11,0

Açúcares redutores

g

3,00

Pectina

mg

390,0

Fósforo

mg

310,0

Cálcio

mg

40,0

Vitamina C

mg

23,1

 

 

Valor nutricional da semente de cupuaçu (% de matéria seca)

 

Componente

 

Valor nutricional(%)

Proteínas

20,0

Gorduras

50,8

Carboidratos

15,9

Fibras

9,6

Cinzas

3,7

 

FRUTOS - Cupuaçu      

 

Frutos Cupuaçu

 

Chocolate de cupuaçu tem lançamento mundial nos EUA

 

Sete toneladas do produto fabricado em Manaus foram exportadas para os Estados Unidos

 

O Chocolate do caroço do cupuaçu, industrializado desde o final do ano passado pela PRB da Amazônia será lançado mundialmente nos Estados Unidos pela revista especializada Chocolatin Magazine, que tem uma tiragem de 150 mil exemplares. A revista comprou as primeiras 3,5 toneladas produzidas pela empresa amazonense para distribuir em pacotes de 20 gramas encartados na edição comemorativa de seus 10 anos de circulação. "É o primeiro chocolate em pó no mundo que a revista americana vai mostrar aos seus leitores", destacou Antônio Carlos Alencar, um dos sócios da PRB, que produz na sua fábrica da cidade Nova o chocolate de cacau é que o de cupuaçu tem um gosto mais refinado, suave. Outras 3,5 toneladas foram adquiridas pela Kopok International, com sede em Cliveland (EUA). O embarque das sete toneladas para o EUA, que renderam à empresa um faturamento de US$14 mil, ocorreu na Sexta - feira e concretiza o sonho de dois irmãos itacoatiarenses (José Roberto, físico; e Antônio Carlos Alencar, engenheiro mecânico) que há vários anos, com o apoio da Embrapa, trabalham no projeto do chocolate extraído do caroço do cupuaçu. "Nunca imaginamos que as primeiras toneladas que produzíssemos seriam vendidas para o exterior", conta Antônio Carlos, entusiasmado com a aceitação que o chocolate de cupuaçu teve dos editores da revista americana. O chocolate de cupuaçu chega no mercado americano por um preço ainda promocional de US$ 2 dólares por quilo. Este valor deve ficar 30% mais caro dentro de três ou quatro meses. "Tudo vai depender da aceitação dos norte-americanos", disse. Os especialistas no mercado de chocolate nos Estados Unidos estimam que após a divulgação na revista chocolatin Magazine, as vendas da PRB para o mercado norte-americano deve alcançar rapidamente a marca de 50 toneladas/mês. E isso é uma das preocupações dos donos da empresa. Segundo Antônio Carlos, não existe no momento matéria-prima (caroço de cupuaçu) suficiente para atender essa demanda. "Não há no Amazonas a tradição de utilização do caroço do cupuaçu, mas acredito que isso vai acontecer somente daqui a alguns anos", disse Antônio Carlos. Na semana passada, a PRB recebeu o primeiro lote de 4 toneladas de caroço de cupuaçu do município amazonense de Altaz Mirim. Com a exportação do cupuaçu e seu lançamento no mercado de Manaus previsto para o final deste mês, a PRB está estudando a ampliação da capacidade produtiva de 50 toneladas /mês para 100 toneladas. "Já estamos nos preparando para o inevitável crescimento do consumo", adiantou. Chocam - Até então, a PRB tinha seu faturamento sustentado pela venda de chocolate em pó de cacau da marca Chocam para o Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará, Paraná e São Paulo e de manteiga de cacau para o exterior. O chocolate Chocam foi lançado no ano passado em sua venda hoje é de 30 mil latas de 400 gramas/mês. Um dos apoio decisivos que a empresa vem recebendo é do governador Gilberto Mestrinho, que introduziu o chocolate de cacau na merenda escolar. O Estado compra mensalmente 10 toneladas do produto. A Prefeitura de Manaus também colocou o chocolate na merenda escolar, comprado no primeiro mês 5 toneladas. Antônio Carlos acredita que ainda neste semestre, o chocolate de cupuaçu estará na merenda dos alunos das escolas públicas do Amazonas.

 

Batom é feito com manteiga do cupuaçu

 

O grande filão do beneficiamento do caroço de cupuaçu não é o chocolate em pó, mas a manteiga. Este produto é mais caro que o chocolate em pó e tem mercado garantido nas outras regiões brasileiras e, principalmente, no exterior, que compra aquilo por quase 3 dólares. As importadoras são basicamente indústrias de cosméticos da França, Itália Alemanha e Estados unidos. "Puca gente sabe, mas muitos batons produzidos no exterior são feitos com a manteiga de cupuaçu", disse o diretor da PRB, Antônio Carlos Alencar. Do caroço do cupuaçu, 54% é de gordura que é transformada em manteiga. Cinqüenta quilos de caroço de cupuaçu resulta em 22,9 quilos de manteiga e 20 quilos de chocolate em pó. Os outros 7,5 quilos são desperdiçados no processo de beneficiamento. Além da indústria de cosméticos, a manteiga é utilizada para a produção de chocolate branco. A diferença em relação à manteiga de cacau, é que a de cupuaçu é menos consistente. "Temos um mercado garantido no exterior", disse Antônio Carlos, que trabalha com a exportação de produtos regionais há 10 anos. Só para produzir a manteiga e o chocolate em pó de cupuaçu e de cacau, a PRB emprega 25 funcionários diretos. A empresa foi fundada no ano passado e tem como carro-chefe de suas vendas o chocolate em pó chocam, vendido nos supermercados e mercearias de Manaus pela metade do preço de seus concorrentes.

 

Produto é exportado para indústrias de cosméticos da Europa e EUA.

FRUTOS -  Literaturas Cupuaçu

 

Barbosa, W.C.R et. al. Estudos Físicos e Químicos dos Frutos: bacuri (Platonia insignis), cupuaçu (Theobroma grandiflorum) e murice (Byrsonima crassifólia). Anais do Congresso Brasileiro de Fruticultura. V.5:p.797-808.1978.

 

Brako, L. e Zaruchi, J.L. Catálogo de lãs Angiospermas y Gimnospermas del Perú. Missouri Botanical Garden. St Louis, Missouri, EE.UU. 1. 286p. 1993.

 

Calzavara, B.B.G. Fruticultura Tropical: o cupuaçuazeiro; cultivo, beneficiamento e utilização do fruto. Belém: EMBRAPA-CPATU, Documento nº 32. 1984.

 

Cavalcante, P. B. Frutas comestíveis da Amazônia. Belém: Edição CEJUP. 279p. 1991.

 

Diniz, T.D.A.S. et al. Condições climáticas em áreas de ocorrência natural e de cultivo de guaraná, cupuaçu, bacuri e castanha-do-pará. Belém: EMBRAPA-CPATU. 4p. (Pesquisa em andamento nº 133). 1984.

 

Garcia, L. C. 1994. Influência da temperatura na germinação de sementes e no vigor de plântulas de cupuaçuazeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. ex-Spreng) Schum). Pesquisa Agropecuária Brasileira 29 (7): p. 1145-1150.

 

Hühn, S. et al. Iorgute de leite de búfala com sabores de frutas da Amazônia. Belém: EMBRAPA-CPATU. Circular Técnica nº 23, 13p.

 

Muller, C. H. et al. Enxertia de ponteira em cupuaçuazeiro. (Theobroma grandiflorum Schum) In: Anais do 1º Simpósio de Trópico Úmido, Belém: p. 237-243. 1986.

 

Muller, C. H. et al.  Manual prático do cultivo de fruteiras. Belém: EMBRAPA-CPATU. Miscelânea nº 9. 28p. 1981.

 

Moraes, H.V.F. et al. Native fruit species of economic potencial from the brazilian Amazon.  Angew Bot. 68: 47-52. 1994.

 

Nazaré, R.F. et al. Processamento das sementes de cupuaçu para obtenção de cupulate.  Belém: EMBRAPA-CPATU. Boletim de Pesquisa nº 108, 38p. 1990.

 

Venturieri, G. A. et al. Cupuaçu: A espécie, sua cultura, usos e processamento. Belém. Clube do Cupu. 108p. 1993

 

Villachica, H; et al. Frutales y hortalizas promisorios de la Amazônia. Lima, Peru: Tratado de Cooperation Amazônica, secretaria Pro-tempore, 367 p. 1996.

 

FRUTOS – Guaraná

 

Nome científico

Paulínia cupana H.B.K

 

O guaraná produz uma leve anestesia nas fibras do estômago e, por isso, em tempos de escassez era usada pelos índios maués para atenuar a sensação de fome. Seu nome vem do termo indígena yuraná, que significa árvore que sobre apoiada em outra. Esta planta é um cipó e a única parte utilizada é a semente. Previne contra a arteriosclerose, regula as funções intestinais e é ótimo tônico cardiovascular. Usado também na convalescência de doenças graves e como  estimulante, possui três vezes mais cafeína que o próprio café. Seu maior apelo, no entanto, são as qualidades afrodisíacas a ela atribuídas. Dele também é derivado um tipo de refrigerante fabricado no Brasil.

Planta de porte médio, o guaraná é provavelmente a planta amazônica mais conhecida no mundo. Do seu fruto, após torrado, seco e moído, retira-se um pó com o qual se faz um energizante suco. Atribui-se ao guaraná inúmeras virtudes, entre as quais de ser afrodisíaco e antioxidante, prolongando assim a vida e os prazeres da vida para quem dele faz uso. Independente de qualquer propriedade, o guaraná do amazonas proporciona a quem o ingere um refrescante prazer.

 

FRUTOS – Mungubeira

 

Fam. Bombacaceae

 

As fibras de sua casca servem para fazer cordas e da madeira se extrai celulose. Encontrada nas matas marginais da Amazônia até o oeste do Peru.

FRUTOS – Pupunha

 

Bactris gasipaes Kunth

 

A pupunha é um fruto rico em vitamina A e só pode ser comido cozido, caso contrário, provoca coceiras intensas e ferimentos nas mucosas. Esta palmeira pode ser completamente aproveitada pelo homem. A madeira é usada na construção, da raiz se faz vermicida, as flores masculinas, quando secas, servem como tempero e as folhas como cobertura das casas.

Pode atingir até 20 m de altura. Exala um cheiro característico capaz de atrair milhares de polinizadores.

 

FRUTOS – Urucum

 

Bixa orellana L.

 

O urucum é um corante natural de cor vermelha muito usado pelos índios para colorir os objetos de cerâmica. Eles o utilizam, também, para pintar os próprios corpos nos rituais de caráter religiosos ou bélicos.

Além disso, é empregado como repelente de insetos. Por causa das restrições aos corantes sintéticos o urucu aparece como alternativa importante para as indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética, onde é usado nos bronzeadores, devido a sua ação bloqueadora dos raios ultravioletas.

FRUTOS       

 

Sabor de floresta

 

Frutas da Amazônia ganham espaço nos cardápios chiques

 

O açaí na tigela, clássico das lanchonetes naturebas, não está mais sozinho. Aos poucos, outras frutas das Amazônia estão migrando para o sul e aportando, principalmente, no cardápio de restaurantes chiques. Em São Paulo, o Laurent oferece espuma de bacuri, fruta amarela do tamanho de um melão pequeno dividida em “gomos”. No Le Tan Tan e no Dom, o buruti (um “coquinho” vermelho) e o jenipapo (parecido com o maracujá, mas marrom) são usados em molhos para peixes e aves. No Rio, Le Pré-Catelan e Garcia & Rodrigues usam e abusam do cupuaçu (uma espécie de jaca pequena, de casca dura e aveludada) em sorvetes, tortas e mousses. Estranhar, no começo, todo mundo estranha. Mas, passado o choque, quem prova, em geral, aprova. “Os estrangeiros são os maiores entusiastas”, revela Fabrice Lenud, chef do Aquarelle. “Eles querem saber como é a fruta, onde cresce, se corre risco de extinção.”

Terão dificuldade em obter as informações – praticamente todas as frutas amazônicas que chegam ao sul vêm em forma de polpa congelada, iguaizinhas, a não ser pela cor. “Eu adoraria usar, mas não dá para cozinhar com polpa”, exagera Francesco Carli, do Cipriani, o restaurante do Copacabana Palace. O motivo mais citado para as frutas não serem vendidas in natura é a dificuldade de transporte. A rede de supermercados Pão de Açúcar, de São Paulo, já teve em suas prateleiras bacuri e serigüela e hoje oferece jenipapo. Mas sofre para conseguir. “É tão difícil transportá-lo da floresta que mesmo em hotéis da Amazônia raramente se encontra a fruta para comer”  diz Wilson Barquilla, diretor de comercialização  de produtos perecíveis da rede.

 

Tema de Guimarães Rosa – Cada fruto do cupuaçu, uma das vedetes do momento, pesa quase 1 quilo. Ao natural, tem gosto muito ácido, embora o aroma adocicado seja sentido de longe. É da mesma família do cacau, o que lhe confere vantagens e desvantagens. “Combina divinamente com chocolate, mas o transporte de mudas é proibido porque, como o cacau, também é vulnerável à praga vassoura-de-bruxa, que destrói plantações em questão de dias”, explica Silvestre Silva, autor de dois livros sobre frutas brasileiras. O bacuri, outra estrela dos cardápios, também é usado em sobremesas, mas, ao contrário do cupuaçu, sua polpa branca, é docinha e pode ser comida ao natural. O mesmo vale para serigüela, muito doce, do tamanho de uma uva, a única fruta da floresta que se adapta bem a qualquer lugar. O famoso açaí e o buriti, frutos de palmeiras nativas, não têm gosto bom, mas produzem doces maravilhosos. O buriti, por exemplo, é constantemente citado pelo nome nos romances de Guimarães Rosa.