Finalidade Economia Notícias Projetos Investimentos Anuncie Mapa do Site English
 




Artigos Publicados

Todos os artigos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores.
 

 

AS FOSSAS ABISSAIS OCEÂNICAS E O EFEITO ESTUFA.

Por Antonio Germano Gomes Pinto (03/maio/08)

APROVEITAMENTO DAS FOSSAS ABISSAIS OCEÂNICAS, DOS BOLSÕES VAZIOS DE PETRÓLEO, DAS FALHAS GEOLÓGICAS E OUTROS LOCAIS COMO DEPÓSITO DE CARBONO.

As fossas abissais oceânicas, os bolsões vazios provenientes da retirada do petróleo, as falhas geológicas, são os depósitos naturais para armazenagem do carbono que está “sobrando” na atmosfera e causando o efeito estufa.  

Durante séculos acreditávamos serem os oceanos as lixeiras inesgotáveis e naturais do mundo, crença essa, até certo ponto, razoável, pois através das chuvas, os sais, nutrientes naturais do solo, os compostos de carbono e muitos outros resíduos vão se acumulando nos mares e oceanos, tornando suas águas cada vez mais saturada, mais salina.

Mas a realidade é bem outra, os mares e oceanos são tão ou mais vulneráveis a poluição que a crosta terrestre. Suas águas precisão de luz, transparência e estarem desintoxicadas para gerarem a flora e a fauna marinha tão necessárias à vida na terra, nos mares e nos oceanos.

As águas, mesmo as salgadas, tem a capacidade de dissolver e incorporar em suas massa gases como oxigênio, o carbônico e outros gases. Essa capacidade aumenta com a pressão e as baixas temperaturas. Quanto maior for a pressão e menor a temperatura, maiores serão  as concentrações daqueles gases.

Nas regiões profundas dos mares e oceanos, possivelmente devido a esses fenômenos, as quantidades de carbono “estocadas” chegaram a quantidades imensuráveis, a ponto de despertar o interesse das empresas petrolíferas na exploração destas “jazidas” de carbono. É interessante se notar o fato de que os depósitos, no caso do gás carbônico, não são mais deste gás, mas sim o metano cristalizado a que os especialistas deram um nome bastante sugestivo, os hidratos de carbono. O gelo que queima. Esta seria a primeira descrição da “combinação” cristalizada entre moléculas de metano e moléculas de água, encontrada em regiões profundas dos oceanos. Os hidratos de metano já são considerados, pelos cientistas, a principal fonte de energia para o século XXI. Entretanto, a exploração desta fonte de energia pode provocar o maior desastre ecológico de todos os tempos devido à liberação do gás metano pela rápida desidratação do mesmo. As chamadas regiões abissais oceânica detêm cinqüenta e cinco por cento de todo o carbono presente na crosta terrestre.

Daí vem-nos a idéia:

a)  Se as regiões abissais oceânicas são os depósitos naturais do carbono, podemos aproveitar esses espaços gigantescos e ainda disponíveis para
“aprisionarmos” o gás carbônico, o principal causador do efeito estufa, de forma indireta.

b)  Usaremos, para esse fim, a energia solar, a fotossíntese e a água para cultivarmos gigantescas florestas, biomassa abundante que será enfardada em containeres de aço inoxidável, de concreto armado, de plástico ou qualquer outro material resistente à corrosão e, com o auxilio de grandes embarcações, seriam transportados para aqueles locais e submersos por ação da gravidade. Os containeres ou invólucros da biomassa deverão possuir orifícios para entrada da água e equilíbrio das pressões internas e externas para prevenir possíveis esmagamentos dos containeres e facilitar a submersão dos mesmos.         

c)  A grande vantagem de se utilizar biomassa para capturar o gás carbônico é o fato de que só será capturado o carbono, deixando-se livre o oxigênio. Cada 12 (doze) toneladas de carbono capturadas, via biomassa, serão liberadas 32 (trinta e duas) toneladas de oxigênio para atmosfera, e, muito importante, 44 (quarenta e quatro) toneladas de CO2, gás carbônico, gás causador do efeito estufa, deixariam de existir na atmosfera.   

d)  Serão, de certa forma, verdadeiros depósitos geológicos, tratam-se de fossas geológicas que se vierem a sofrer abalos sísmicos ou acomodação de camadas, iriam soterrar esses containeres, tornando-os ainda mais seguros com relação ao meio ambiente.

e)  Em grandes profundidades abissais não há desenvolvimento de vida, capaz de gerar reações aeróbias ou anaeróbias, portando, não havendo degradação desta biomassa, não haverá geração de gases e a atmosfera estará livre da massa de gases que fatalmente seria gerado se aquela quantidade de biomassa continuasse sobre a superfície terrestre, entrasse em decomposição natural ou fosse incinerada.     

f)  Se a cada “colheita” da biomassa se plantasse outra, gradualmente, o gás carbônico estaria sendo capturado e, indiretamente, depositado nestes depósitos geológicos sob a forma de carbono com uma conseqüente limpeza gradativa da atmosfera.

g)  Se a captura direta do gás carbônico se torna inviável devido às suas condição de gás, capaz de ocupar grandes volumes, desenvolver grandes pressões, além de outros riscos óbvios que não enumeraremos, vamos aprisionar o carbono, “matéria prima” geradora do referido gás, cujo excesso na atmosfera se tornou “um inimigo implacável”, o principal gerador do Efeito Estufa.

h)  Os combustíveis fosseis continuariam sendo explorados, estaria havendo uma espécie de reciclagem, uma correta destinação do efluente gasoso gerado na exploração deste tipo de energia, por via indireta, ao seu local de origem, às profundezas da crosta terrestre.

Usando-se o mesmo raciocínio, a mesma lógica, a biomassa poderia ser armazenada, aproveitando-se os espaços disponíveis deixados pela exploração do petróleo. A retirada do petróleo deixa grandes vazios que são preenchidos com água. Por que não ocupar esses espaços com biomassa?

A mineração cria gigantescas crateras que, muitas vezes, são simplesmente abandonadas sem passarem por processo de remediação. Por não aproveitá-las?

As falhas geológicas, gigantescos espaços, muitas vezes continentais, poderiam ser utilizados como depósitos de biomassa. Por que não fazê-lo?  

A mãe natureza, via carbono, forneceu tanta riqueza ao homem durante o século passado. Por que não devolver, durante este século, parte dessa riqueza a ela, devolvendo parte do carbono ao seu local de origem, de onde nunca deveria ter sido retirado, às profundezas da crosta terrestre?  

Antonio Germano Gomes Pinto

- Resumo de Currículo -

Bacharel em Química, Licenciado em Química, Químico Industrial, Engenheiro Químico, Especialista em Recursos Naturais com ênfase em Geologia, Especialista em Tecnologia e Gestão Ambiental, Professor e inventor de duas patentes registradas no INPI e em grande número de países.  

E-mail: aggpinto@hotmail.com ou ag.pinto@uol.com.br

 

 

Publicado em Jornal do Brasil, edição de 06/04/01, Caderno Opinião

POR QUE A MALÁRIA É ENDÊMICA NO BRASIL?

Dr Wanir José Barroso

A endemicidade da malária no Brasil já esteve perto do controle no ano de 1970, com pouco mais de 52 mil casos notificados. Nestas últimas três décadas o nível endêmico elevou-se de tal forma que distanciou-se da possibilidade de um controle possível para aproximar-se de um controle cego da endemia. Determinantes epidemiológicas, ecológicas, políticas, socioculturais e econômicas, são responsáveis pela mudança no curso do controle da malária no país.
Do ponto de vista clínico-epidemiológico, a malária se mantém endêmica no Brasil porque a maioria dos casos  ou são tratados tardiamente ou simplesmente não são tratados. Em outras palavras, a disponibilidade e acessibilidade de diagnóstico e de tratamento medicamentoso não atingem todos os homens doentes no início da doença e da mesma forma.
O retardo de diagnóstico e de tratamento faz com que haja oferta de gametócitos pela maior exposição do homem doente. Quando isto ocorre, numerosos ciclos da doença se completam ao mesmo tempo, viabilizando a doença e  mantendo-a como endêmica. Os gametócitos são formas do protozoário (Plasmodium) que aparecem no sangue do doente após o rompimento das hemácias parasitadas. Estas formas plasmodiais são  infectantes para o mosquito transmissor e inertes para o homem doente. A destruição destas formas devem fazer parte do tratamento do doente numa área endêmica.
A redução da endemicidade da malária numa região de transmissão só acontece  com o tratamento precoce de todos os doentes, isto é, antes da formação dos tais gametócitos. Na malária por P. vivax eles aparecem em torno do 3º dia após o início dos sintomas e na malária por P. falciparum em torno do 10º dia. Esta estratégia não só impede que estes pacientes evoluam para a forma grave da doença, evitando o óbito, como também reduz a  circulação destas formas plasmodiais que causam a infecção nos mosquitos transmissores.
Identificar sorológicamente e tratar pacientes assintomáticos ou oligossintomáticos é igualmente importante, pois estes se constituem em reservatórios extras e ocultos de gametócitos que ajudam a manter a malária como endêmica. É o que acontece por exemplo, em regiões de Mata Atlântica no sudeste do Brasil, onde ainda registra-se a ocorrência de casos autóctones por P. vivax, que são confundidos com outras doenças por desinformação.
É ilusório afirmar-se que o controle de mosquitos transmissores de malária na Amazônia representa a principal estratégia no controle da endemia, até porque um controle deste porte exigiria estratégias políticas, ecológicas, comunitárias e continentais. De pouco adiantaria reduzir momentaneamente a densidade de vetores com inseticidas se junto com estes estaríamos reduzindo também uma numerosa população de predadores naturais destes insetos.
Necessário é que antes se avalie suas causas e a utilização de outras estratégias de recuperação ambiental. Deve-se privilegiar a recomposição do equilíbrio ecológico-ambiental permitindo que a própria natureza possa realizar seu papel, mantendo estes insetos em baixa densidade e quase incapazes de se envolverem em surtos ou epidemias. O uso de inseticidas só deveria ser utilizado em áreas urbanas ou peri-urbanas para responsáveis bloqueios de transmissão, devendo-se obedecer à critérios rígidos e seguros, a fim de que não se estabeleça um controle cego do problema.
E mais ainda, não precisamos controlar ou erradicar os mosquitos transmissores de malária para se ter o controle da endemia, pois podemos perfeitamente conviver com sua existência, uma vez que, estes passam a ter importância secundária em regiões onde não existam casos ou em regiões onde os casos são prontamente diagnosticados e tratados, como em algumas regiões da extra-amazônia brasileira, onde a doença deixou de ser endêmica. Hoje estas regiões de transmissão interrompida, como o RJ por exemplo, estão vulneráveis à reintrodução da doença mais por pressão das áreas endêmicas mais próximas do que pela existência de mosquitos transmissores.
As demais determinantes do ponto de vista epidemiológico são aquelas relativas: à automedicação, que contribui para o aumento da resistência do protozoário frente aos antimaláricos e aos episódios de recidiva da doença, além de outras complicações; à desinformação sobre a doença que representa a principal causa de óbito por malária no planeta; e à resistência aos inseticidas como resultado do uso indiscriminado ou sem critérios.

Outras determinantes da endemicidade da malária no Brasil, em uma série histórica, e ao longo do último século foram e continuam sendo relatadas pelos nossos mais brilhantes sanitaristas brasileiros. A sensação é de que o controle da malária no país nunca foi prioridade, até porque ela apresenta valores sócioculturais-epidemiológicos diferentes para uma mesma região. Quem estaria preocupado com seu controle se ela é encarada como "gripe" na Amazônia e como malária no Rio de Janeiro ou São Paulo? À  luz de tantos conhecimentos, nós brasileiros continuamos carecendo  de explicações do porque a efetividade do controle da malária no Brasil não acontece.  E já há algum tempo!
Enfim, apresento-lhes abaixo esta série histórica e porque não dizer antológica. Em 1912, Oswaldo Cruz dizia: "Os elementos epidemiologicos, porém, são sempre os mesmos e na Amazonia, como em toda a parte, acham-se ao alcance de medidas muito capazes de attenual-os. O que ahi existe occasionando immensa hecatombe e malsinando as condições naturaes de toda a Amazonia, é a mais absoluta ausencia de assistencia medica e medicamentosa, é o desconhecimento completo das medidas de prophylaxia individual contra a malaria, é o abandono do proletario a um estado mórbido perfeitamente attenuavel ou a fatalidade da morte por uma molestia perfeitamente curavel. O que, emfim, constitue no vale do Amazonas a maior fatalidade é esse desprezo pela vida humana da parte dos poderes publicos e dos possuidores de seringaes, não existindo lá, onde a riqueza, trazida pelos resultados de uma indústria extractiva, só depende do trabalho humano, a noção exacta do valor de uma existencia!"  (Relatório sobre as condições médico-sanitárias do vale do Amazonas. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, 1913, pág. 701);
Já o sanitarista Agostinho Cruz Marques, em 1986, identificava a malária de fronteira na Amazônia, oriunda da exploração desordenada da região, dizendo que suas causas eram compostas por: "elevadas densidade vetorial, exposição a vetores e transmissão extradomiciliar, reduzida imunidade da população migrante, reduzido conhecimento da doença, elevada proporção de malária por P. falciparum, reduzida aplicabilidade de medidas de controle convencionais, fraca presença de outras instituições, reduzido senso de comunidade, elevada mobilidade populacional e marginalização política..." (Rev. Bras. de Malariologia e D. Tropicais, vol 38, 1986);
E no ano 2000, durante a 7ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária, no Rio de Janeiro pelo Prof. Dr. Wilson Alecrim para quem a "Malária é na atualidade o mais importante problema de saúde pública na Amazônia brasileira, em 1999 foram registrados 631.043 casos. Nessa importância, não devemos levar em consideração apenas o elevado número de adoecimentos, mas também, o papel que a endemia representa como entrave ao desenvolvimento da região, contribuindo para o sofrimento e estado de pobreza das nossas populações..." e que ''...as causas determinantes para a situação epidemiológica da malária na Amazônia, tanto nas áreas rurais como urbanas, não estão centradas nos vetores e nos plasmódios, mas com toda certeza nos problemas sociais e econômicos que com os quais estamos convivendo há décadas, e o que consideramos mais importante é que a busca de solução para problemas em outras regiões do país se comportam como agravantes para a situação epidemiológica da malária na Amazônia''("Razões para o agravamento da situação da malária no Brasil", Anais da 7ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária/Fiocruz,2000)

Dr. Wanir José Barroso
Farmacêutico-bioquímico, sanitarista e especialista em epidemiologia e controle de endemias pela Fiocruz/RJ.

E-MAIL: wbarroso@netyet.com.br

Maiores informações no link:

http://communities.msn.com.br/sc2ob1vgqb2p4h4llegqpp5mj1/_whatsnew.msnw